Vilões imbatíveis, derrotas simplórias

Um dos macetes – não vou chamar de regra, já que esta é uma palavra muito engessada – na hora de escrever uma história é estabelecer logo de cara como ela termina, principalmente no que tange à derrocada do vilão. Dessa forma, tudo o que o escritor imaginar no decorrer da trama não será tão catastrófico quanto o final, o que dará à história um certo equilíbrio. Nesse mesmo raciocínio, por mais poderoso que seja o vilão e piores sejam as manifestações desse poder, a maneira como ele será derrotado passará a ser condizente com tudo o que for mostrado antes.

Apesar de ser um macete aparentemente simples de pôr em prática, não é todo escritor que consegue aplicá-lo, o que gera finais que dão a impressão de terem sido escritos no improviso. Veja por exemplo os filmes da Marvel.

O Marvel Studios está se especializando cada vez mais em produzir filmes baseados em quadrinhos que são divertidos e fiéis à sua mídia original, mesmo que o mercado determine uma certa adaptação para agradar a gregos e troianos. Mesmo assim, incomoda um pouco notar como os vilões dos filmes, praticamente invencíveis em suas propostas, são derrotados de maneiras tão estúpidas depois de demonstrações hercúleas de poder. Vamos às observações:

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Homem de Ferro I – No embate final entre o vingador dourado e seu rival, o Monge de Ferro, Tony Stark usa uma medida desesperada e joga seu inimigo contra o Reator Arc. Derrota convincente!

O Incrível Hulk – O Gigante Esmeralda digladia-se com o terrível Abominável, que se mostra praticamente mais forte que seu oponente. No entanto, estamos falando do Hulk e, quanto mais raivoso o Hulk fica, mais forte o Hulk se torna (estou “falando” como o Hulk agora!). Resultado? Hulk esmaga numa vitória convincente!

Homem de Ferro II – O Chicote Negro cria uma armadura (?) e, ainda não satisfeito em ser um vilão genérico, fica ainda pior ao tornar-se parecido com o Monge de Ferro do filme anterior. Porém, essa armadura, em junção com os chicotes, torna-o um oponente imbatível para o Homem de Ferro e o Máquina de Combate. Solução? “Vamos derrotar o vilão com o encontro dos nossos raios repulsores que gera um pulso de energia e que descobrimos por acaso enquanto brigávamos um com o outro na mansão!” Literalmente um improviso!

Thor I – O Deus do Trovão briga com o seu meio-irmão Loki na Bifrost. Loki despenca da ponte ao final. Passável!

Capitão América: O Primeiro Vingador – O Caveira Vermelha é consumido pelo poder do Cubo Cósmico e desaparece. Derrota convincente que, inclusive, já apareceu nas HQs.

Os Vingadores – O mundo é invadido por alienígenas, Loki está prestes a vencer e dominar a humanidade. A solução? Desligar o portal, porque fazendo isso, os aliens automaticamente também serão desligados. Hã?!

Homem de Ferro III – Foi o pior dos filmes até aqui. Isso porque a Marvel desperdiçou um ótimo ator que estava interpretando um ótimo vilão, tudo em nome de uma reviravolta mequetrefe no enredo. Vou nem comentar…

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Thor: O Mundo Sombrio – Malekith tocou o terror, dizimou o exército do avô do Thor, matou a mulher de Odin, detonou meia Asgard. Como faz pra derrotar um vilão desses? Com um cientista literalmente louco que anda só de cueca e que “inventou” umas “antenas” capazes de controlar o fenômeno de teleportação oriundo da junção dos Nove Reinos. Vou repetir novamente… O Malekith dizimou o exército do avô do Thor!!!!! E foi derrotado por um cientista de cueca!!!!!!

Capitão América II: O Soldado Invernal – É o mais equilibrado filme da Marvel até agora e com um final convincente.

Guardiões da Galáxia – Ronan, o Acusador, é o cão chupando manga em pessoa! Temido em todo o universo! Só perde para Thanos em maldade! Imagine um ser desses de posse de uma gema do infinito! Torna-se praticamente invencível. Como derrotá-lo? Colocando o Peter Quill para fazer uma dancinha na frente dele enquanto o Rocket Raccoon atira na “marreta” do Ronan e solta a gema do infinito. Depois, basta o mesmo Peter Quill pegar a jóia, todos darem as mãos para controlar o seu poder e desintegrarem o Ronan. Além da derrota mais imbecil dos filmes da Marvel (perde pro cientista peladão), ainda tem um dos vícios do cinema: matar o vilão no final!

Essa é uma pequena amostra de que não adianta criar um vilão ultrapoderoso se você não sabe como derrotá-lo no final. Na dúvida, siga o exemplo do Tokien: desde o início você sabe qual é a forma de derrotar o Sauron e fica na expectativa de ver como será a jornada até lá. No que diz respeito à Marvel, em minha humilde opinião, “eles” estão cada vez mais pertos de encontrar a fórmula ideal para filmes de super-heróis. Vamos ver no que isso vai dar!

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