VI NO CINEMA: The Batman

O Batman dos gibis ficou muito chato de se ler! Culpa do Grant Morrison, que inventou o tal do “Batman com preparo” em sua Liga da Justiça! Isso até era divertido na época, mas o problema é que os demais roteiristas se apegaram a essa característica e a elevaram à enésima potência, fazendo com que as ameaças ao redor do homem morcego ficassem cada vez mais megalomaníacas, justamente para compensar esse “superpoder do preparo”. Mais ou mesmo o que aconteceu com o Superman da década de 1960, que era capaz de empurrar planetas com as mãos! O Batman “com preparo” sempre sabe mais do que todo mundo e sempre tem alguma bugiganga tecnológica para derrotar todo mundo! Às vezes dá a impressão de que todo o universo DC é burro! Somente o Batman é que é o fodão! E também dá a impressão do contrário! De que, na verdade, todo o universo DC finge ser burro para poder aturar um menino mimado que fica se escondendo nas sombras fingindo ser fodão! Ora, se o Superman quisesse mesmo derrotar o Batman, bastava lançar um raio de fogo em sua cabeça à distância! Não precisa sair no braço! O próprio Flash deixou isso bem claro no gibi “O Bóton”, que é tão rápido, que preparo algum daria conta, caso ele quisesse de fato derrotar o Batman!

Dito isso, como é bom assistir a um filme em que o Batman é falível! Lembrei imediatamente do Batman detetivesco do Danny O’Neil e Neal Adams, nem tanto por ser um personagem mais esguio que seus antecessores nas telonas, mas principalmente por termos um homem morcego investigador, inteligente, mas que também é capaz de levar bordoadas de bandido de rua! O Batman, em início de carreira em seu ano dois, até tem o seu “preparo”, mas não é exagerado! Exatamente como o personagem era mostrado na década de 1970!

Outro ponto de inspiração interessante do filme, é o clima noir tirado de “Ano Um”. Até a narração em “off” mostrada por Frank Miller está lá, justificada por um diário mantido por Bruce Wayne para registrar e analisar as abordagens de suas atuações! Sem contar, claro, a clara referência ao “Longo Dia das Bruxas”, não apenas pela história do filme começar em pleno feriado do Halloween, mas pela óbvia inspiração no serial killer “Feriado”, aqui incorporado ao personagem do Charada! Dessa minissérie, vemos também o ecossistema mafioso de Gotham City e uma certa relação entre a Selina Kyle e um dos chefões do crime!

Por falar em Selina Kyle, que espetáculo ver a Mulher-Gato adaptada a partir da versão do Miller! Em determinado momento, chegamos até a vê-la trajando aquele top “tomara que caia” com calça “legging” mostrados no início de Ano Um! E descendo o sarrafo em bandido! Uma lindeza só!

Quanto ao vilão, o Charada é mostrado como alguém em pé de igualdade à inteligência do morcego. Chegando, inclusive, a ser mais inteligente até que o próprio Batman. O que é ótimo para a trama, pois coloca o herói em xeque! O Charada descobriu um fato sobre Gotham City e não tinha outra forma de chamar a atenção para si, já que era apenas um zé ninguém! Então, inspirado pela figura do Batman, engendrou todo o esquema das charadas para, assim, conseguir a ajuda do homem morcego para desbaratar toda a podridão da cidade. Mas o tiro saiu pela culatra, à medida em que o Batman vê no Charada um reflexo distorcido de si mesmo, e começa a se questionar se a vingança é o melhor caminho para seguir! Nesse ponto, vemos elementos do gibi “Batman Ano Dois”, no paralelo entre o homem morcego e o Ceifador e, também, elementos das histórias do Jim Starlin, em que o roteirista retratava um Batman um pouco mais raivoso e perturbado!

No desenrolar das investigações, vemos uma parceria intocável entre o Batman e o Tenente Gordon, que lembrou muito o filme “Seven”. Arrisco a dizer, que esse filme é o “Seven” do Batman! Saí do cinema querendo ver mais Batman e Gordon trabalhando juntos! “Shipei” demais essas dois!

Entretanto, como nem tudo são flores, temos no filme um elemento tirado de “Batman Ano Zero” que me fez torcer o nariz! Se no gibi dos famigerados “Novos 52”, o tal elemento megalomaníaco já era exagerado e nem um pouco interessante, aqui no filme nos tira um pouco da imersão e faz pensar momentaneamente “estava indo tão bem…”. Mas, o diretor Matt Reeves soube tirar leite de pedra e usar isso para sacramentar de vez uma nova postura psicológica do Batman, que deverá ser explorada numa vindoura continuação!

O importante é que foi muito bom ver um filme do “Batman Detetive”, que não tem tanto preparo, que leva porrada de bandido de rua, que se fere, que reflete, e que está disposto a aprender com os próprios erros. Vamos esperar que essa abordagem se mantenha e que o personagem não se perca na megalomania em que se perdeu nos gibis!       

FINALMENTE ASSISTI: Matrix Resurrections

Assistindo ao novo Matrix, veio em minha mente duas lembranças: O Cavaleiro das Trevas 2 e O Exterminador do Futuro 3!

No meio da década de 1980, Frank Miller já era um grande astro dos quadrinhos quando lançou a sua obra prima “Batman: O Cavaleiro das Trevas”! Irretocável, o gibi ditou as regras de como seriam as aventuras do homem morcego de lá pra cá (mais ou menos o que fez o primeiro Matrix no começo dos anos 2000)! O que acabou gerando boas histórias, mas também um mundaréu de cópias baratas que tentavam emular a escrita e a narrativa do Miller! Até que, em 2001 (mais ou menos no período em que Matrix estava bombando!), Miller finalmente se rendeu aos apelos da DC Comics e lançou o famigerado “Cavaleiro das Trevas 2”! Para quem conhece a obra, sabe que a minissérie em três edições é uma sombra (sem trocadilhos) da série original! Para não dizer uma paródia, já que cada quadro milimetricamente mal escrito, mal desenhado e grotescamente colorido com um Photoshop primário gritam o tempo todo para o leitor: “Eu não queria fazer isso, mas já que a DC queria e vocês também, então toma esse escárnio sarcástico”! Na época, Miller já não era mais o mesmo de outrora, e pareceu não tentar competir e muito menos superar aquele Miller de 1986, entregando ao leitor mais uma paródia, do que uma sequência de sua obra prima!

Para quem assistiu ao Matrix Resurrections, já entendeu aonde quero chegar! A diretora Lana Wachowski entregou exatamente o mesmo que o Frank Miller, uma paródia cheia de sarcasmos de sua obra prima! Não vou questionar se havia a necessidade de existir um novo Matrix, porque é óbvio que os artistas não se alimentam apenas de luz e que toda obra, por mais autoral que seja, tem que dar lucro! Mas pareceu-me o mesmo caso da DC com o Frank Miller, com a Warner enchendo o saco da Lana para produzir uma “nova” franquia, o que fica bem claro já no início do filme, quando a diretora faz uma crítica velada a este fato! Também não vou questionar se o talento da Lana atual se equipara ao da Lana de 1999, mas pareceu-me também que ela não quis, ou não se esforçou o suficiente, para tentar se equiparar ou até mesmo se superar! Ao invés disso, a diretora preferiu fazer um soft reboot disfarçado de paródia, já que o novo Matrix repete praticamente a mesma história do “velho” Matrix, só que mal e porcamente (embora belamente filmado na maioria das cenas)!

O filme demora para engrenar, enrolando o espectador para apresentar a nova dinâmica da Matrix, mesmo que todo mundo já saiba que o Neo vai despertar e “sair pra fora”! Tentando enxergar como alguém de 20 anos (que era a minha idade quando assisti ao primeiro), que talvez tenha chegado aqui sem saber nada da história pregressa, o filme também não funciona sozinho, já que usa muito flashback como muleta para explicar o que é a Matrix, o que pode acabar entediando a quem o assiste, uma vez que “explica” com uma profundidade de um pires! Ao invés de se valer de tanto flashback, seria muito melhor ter se aprofundado de fato no funcionamento da nova Matrix, desenvolvendo à fundo o conceito “game dentro do simulacro”! Mas não! Essa foi apenas uma ideia rasa usada para jogar flashbacks à rodo na tela! Ah, lembra que falei da “paródia” do Miller? Pois é… Tirando o Neo e a Trinity (que se seguram por seus carismas), todos os demais personagens parecem paródias dos anteriores, exatamente como o Batman e cia. de O Cavaleiro das Trevas 2! Principalmente o “novo” Morpheus (tinha necessidade?) e o também ressuscitado Agente Smith (o pior de todos!).

E o que o filme tem a ver com O Exterminador do Futuro 3? Pra quem assistiu ao filme do Arnoldão, deve lembrar-se que já havia sido feito de tudo nas duas obras primas Terminator 1 e 2! E que, no terceiro, foi feita toda uma “reviravolta” para justificar a existência do filme, ao colocar como nova protagonista (ou escolhida, se preferir) a futura esposa de John Connor! Reparou na semelhança?

Matrix Resurrections carece de um propósito! De novo não falo sobre a existência do filme (ain, só foi feito pra ter lucro e blá, blá, blá), mas de um propósito narrativo! Nos três primeiros, tínhamos a guerra entre humanos e máquinas para libertar os humanos da Matrix e o próprio questionamento sobre o que é real, escolhas, livre arbítrio e etc, etc, etc! Nesse… bem… tirando o fato de que a narrativa gira em torno da uma história de amor e que a razão de existir do filme é colocar a Trinity como nova protagonista (ou escolhida, se preferir), não sobra muita coisa! Se pergunte qual realmente é a motivação daquela tripulação de procurar o Neo e você entenderá o que estou dizendo! Se questione também qual a necessidade de as máquinas manterem o Neo e a Trinity dentro da Matrix… Tá, eu sei que tem uma explicação! Mas é rasa, rasa! Novamente, a resposta estava na própria história pregressa!

A história do filme poderia muito bem girar em torno do surgimento da uma nova versão do Neo (“eles” sempre surgem, lembra?), mas que traria as memórias do Neo anterior, uma vez que foi o único que realmente fez alguma diferença dentro da Matrix (ao “encerrar” a guerra no terceiro filme). Assim, essa nova versão começaria a colocar em risco o delicado equilíbrio entre máquinas e humanos, agora vivendo em “harmonia”. Ao perceber que o jogo dentro do simulacro não era apenas um jogo, Neo começaria a despertar e a procurar a Trinity, o grande amor da sua vida! Para impedir isso, a Matrix faria de tudo para impedir essa nova anomalia, onde nós teríamos uma grande reviravolta na história, ao descobrir que o “escolhido” Neo sempre fora o responsável por desmoronar tudo dentro e fora da Matrix. Assim, a nova escolhida, Trinity, seria despertada para tentar conter o seu amado, antes que tudo seja destruído de vez e muitas vidas se percam com o bug dentro da Matrix. Ah, e nada de novos Morpheus e Smith! E nem Niobe velha com máscara de látex de Carnaval! Apenas novos personagens ao redor de Neo e Trinity! Warner, me contrata!

Óbvio que Lana Wachowski deve ter pensado nisso! E é mais óbvio ainda (ou nem tanto) que a história que ela queria contar, era exatamente a que foi filmada… uma paródia sarcástica de Matrix que não funciona nem como questionamento sobre o propósito dos personagens e, por tabela, o nosso próprio, nem como filme de ação, já que as cenas genéricas estão muito abaixo do que é feito atualmente! No frigir dos ovos, valeu mesmo só para ver de volta dois personagens muito queridos e amados, o Neo e a Trinity! O que deve ter sido a intenção desde o início! Nós é que não “entendemos”!   

VI NO CINEMA: Turma da Mônica – Lições

É inegável o meu amor pelos personagens criados por meu mestre Mauricio de Sousa! Não é à toa que trabalho escrevendo roteiros para a turminha (e, desde o ano passado, também para a Turma Jovem). Sendo assim, não tenho como evitar me emocionar ao pisar no cinema para vê-los novamente em ação! E se for em um ótimo filme, então, tudo fica melhor ainda!

Lições, a meu ver, consegue ser ainda melhor que Laços, no sentido em que consegue ampliar o Bairro do Limoeiro sem, no entanto, inflar o filme para seguir a velha fórmula das sequências: tudo maior! Diferente do primeiro, em que o protagonismo era todo do Cebolinha, este consegue equilibrar melhor o quarteto, com cada um tendo os seus próprios problemas para lidar! A inclusão de outros personagens da Turma da Mônica, mesmo que a maioria seja como easter eggs ou “fanservices”, consegue dar um gás a mais no enredo, já que as principais novas aquisições estão ali para contribuir com o andamento da trama. E claro que dá vontade de vê-los novamente!

Esta sequência também consegue acertar um problema técnico do anterior: o som! Os diálogos de Laços estavam sempre muito abafados, difíceis de ouvir e, em consequência, de entender! Pareciam deslocados dos demais sons (ambiente, trilha…). Em Lições, esse problema é corrigido e conseguimos escutar direitinho o que todos estão falando!

Como ponto negativo, vejo que algumas questões do desenvolvimento pessoal do quarteto poderiam ter sido melhor aprofundadas! Mas entendo que o que foi mostrado é suficiente para fazer o público-alvo entender exatamente a mensagem que o filme queria passar! Meu filho entendeu direitinho, ao dizer no caminho de volta pra casa: “Pai, é que nem você, que cresceu sem deixar de ser criança”! Missão cumprida!

Como eu já disse, amo esses personagens! Foi muito emocionante vê-los novamente em carne e osso! Chorei bastante, ri bastante, senti uma sensação muito boa… o bastante! E, no final, bateu uma vontade tremenda de ver o filme novamente! Assim como dá uma vontade reler um gibi!

VI NO CINEMA: Homem-Aranha – Sem volta pra casa

O Homem-Aranha do Tom Holland sempre foi, pra mim, mais um sidekick do que um herói capaz de superar obstáculos e enfrentar os seus próprios desafios! Sempre amparado por muletas de terceiros, principalmente do Homem de Ferro, até os vilões dos dois primeiros filmes, Abutre e Mysterio, não eram necessariamente inimigos do Cabeça de Teia, mas pessoas que queriam atingir o Tony Stark e acabaram pegando o Teioso no fogo cruzado! Sendo assim, esse “novo” Homem-Aranha nunca me passou a sensação de que seria capaz de resolver as suas próprias tretas!

Mesmo assim, isso não é problema pra mim, já que cada geração precisa ter o seu Homem-Aranha preferido e essa foi a direção que a Marvel escolheu para essa nova versão! Eu não gosto muito, mas sei que é necessária!

Agora, nesse terceiro filme, começo a entender o que a Marvel estava planejando e tiro o meu chapéu para tamanha ousadia. Nós já tínhamos visto no Thanos o nível de paciência com que a Marvel planeja seus enredos! O Titã louco surgiu no primeiro Vingadores para, somente anos depois (e filmes depois) representar uma grande ameaça em Guerra Infinita! Com o Homem-Aranha, a Marvel faz de novo! Nos apresenta um Amigão da Vizinhança totalmente dependente de terceiros e desprovido de responsabilidade para, no terceiro filme, finalmente jogar uma luz no fim do túnel de que o Homem-Aranha “raiz” aparecerá no futuro! Tudo isso em um filme divertido, empolgante e muito, mas muito emotivo!

Entretanto, os problemas ainda estão lá! O Homem-Aranha do Tom Holland ainda usa muletas de terceiros (e que muletas!), já que dessa vez nem os vilões são surgidos em seu próprio filme! A história, aliás, é toda pautada em fatos passados em filmes anteriores, tanto da Era Marvel, quanto da Sony! As cenas de ação também são passáveis e genéricas, com muita coisa acontecendo à noite, o que deixa tudo muito confuso e caótico! As únicas exceções são dois embates, um com o Doutor Octopus e outro com o Duende Verde, mas também só ganham destaque, porque as outras cenas de luta são muito ruins! Vistas separadamente, estas duas também não têm nada de mais! O que deixa a luta com o Duende Verde melhor, é o que acontece do meio pro fim!

Finalmente, entre mortos e feridos, esse terceiro filme tem um saldo positivo! É divertido, nostálgico pra caramba e emotivo o suficiente para ficar na memória! Aliás, é a nostalgia e o lado emotivo que leva o filme nas costas! E fica a esperança de voltar a ver nos cinemas, finalmente, um Homem-Aranha que seja super-herói de verdade, que se supera, que faz parceria com outros heróis, mas que não se comporta como um sidekick! O futuro é promissor… Mesmo que tenhamos um Venom pelo caminho!

VI NO CINEMA: Ghostbusters Mais Além

Primeiro de tudo, quero elogiar a tradução do título que diz duas coisas em uma só! Ao mesmo tempo em que mostra que um legado está sendo deixado para seguir em frente, indo mais longe, “mais além”, também diz que teremos mais elementos do “além vida”, mais fantasmas, mais assombrações, mais ectoplasmas…

Maaaas… enquanto no primeiro quesito, o do legado, o filme se mostra excelente, no segundo, o “núcleo” dos fantasmas, já não é tão interessante! Inclusive é o ponto fraco do filme, principalmente no terceiro ato!

Dois terços do filme são pautados pela apresentação dos novos personagens, da cidade e dos mistérios que cercam o tal avô recluso “planta-lama”, mesmo que todos já saibamos de quais mistérios estamos falando! Aqui, o filme é impecável! Somos fisgados pelo carisma de todos os personagens, com destaque para a dupla Phoebe e Podcast! Dá vontade de ficar eternamente vendo a vida de todos, até o relacionamento atrapalhado entre o professor e a mãe!

No entanto, como é um filme de “caça fantasmas”, em algum momento precisa aparecer fantasmas para serem caçados! E até que demora muito! Mas quando aparece, dá aquela nostalgia pura e adrenalina divertida ver as crianças caçando pela cidade em um Ecto 01 todo enferrujado, mas mandando ver nas manobras! Pena que não tocou a musiquinha!

Já se aproximando do fim, é que vem o problema! A ameaça principal, tão alardeadamente colocada como arauto do fim do mundo, não passa a sensação de ser essa cocada toda! E o problema é justamente porque não há interação com a cidade! Se o filme tivesse mostrado um pouco desse tal apocalipse, com os moradores da cidade reagindo aos fantasmas, já seria suficiente! O que tem, é apenas uma piadinha na lanchonete! E só! Dessa forma, coisas que não incomodavam antes, como o Podcast de repente se tornar um expert em caça fantasmas e explicar tudo a todo momento, passa a incomodar!

Mesmo assim, todos os realizadores conseguiram entregar um filme muito divertido, com a cara da Sessão da Tarde, no sentido mais positivo da palavra, fazendo com que a gente saia do cinema já com saudade e querendo ver novamente aquela molecada caçando fantasmas mundo afora! E a homenagem no final faz qualquer um descer uma lágrima! Muito emocionante!

VI NO CINEMA: Eternos

Ando um pouco cansado dos filmes de super-heróis em geral. Talvez, por isso, a minha experiência com Eternos não tenha sido tão proveitosa quanto poderia ter sido. Ou talvez, justamente por isso, é que eu tenha enxergado certos aspectos que não veria caso ainda tivesse aquela empolgação e desprendimento de outrora!

Longe de mim querer que a adaptação em película seja igual ao que está no papel. Mas Eternos, por si só, deveria ser um espetáculo visual, a chance da Marvel de despirocar de vez nos conceitos cósmicos Kirbyanos, não apenas no que diz respeito ao que o Rei escreveu, mas também, e principalmente, ao que ele desenhou! Muitos dirão: “Ah, é porque isso ainda será mostrado nos próximos filmes!” Então… todo filme vigente da Marvel será mostrado nos próximos filmes! Entende o meu cansaço?

Ao escolher Chloé Zhao para dirigir o filme, a Marvel optou justamente pelo caminho contrário, preferindo o intimista ao grandioso! Talvez para distanciar-se de Guardiões da Galáxia, Guerra Infinita e Ultimato, quem sabe! Eternos tenta focar nos personagens e seus conflitos, ao invés de explorar a fundo os aspectos cósmicos! O espetáculo visual ainda está lá, nas belas cenas gravadas in loco, potencializadas por efeitos gráficos competentes! Mas isso, por si só, não sustenta a história!

Tem uma máxima na produção de roteiros que diz o seguinte: “Mostre, não fale”! A todo momento, os personagens estão descrevendo para o público quão grandiosos são os conceitos cósmicos, como se sentem, como se comportam, qual a sua relação uns com os outros e com o planeta Terra… Mas se isso não é mostrado, fica difícil ter alguma empatia! O pior é “perceber” claramente as intenções do roteiro de apresentar um por um dos personagens! Veja… é claro que o roteiro tem que apresentar os novos personagens! E, como roteirista, vou te dizer como é difícil fazer isso sem parecer “didático” e/ou “expositivo”! São raras as obras que fazem isso de forma orgânica, levando a trama adiante, sem que o público perceba as apresentações.

Aqui, a desculpa da separação da equipe e a desculpa para a reunião, parecem exatamente isso… apenas desculpas para o público conhecer aqueles heróis! Principalmente pelo péssimo aproveitamento dos antagonistas Deviantes, relegados a feras genéricas que não representam a menor ameaça para os poderosos Eternos e que, por isso, fica difícil de engolir que sejam o motivo para a reunião da equipe, séculos depois! Sem contar a “carta na manga” que tiram do nada, ao mostrar um Deviante absorvendo os poderes dos Eternos no tempo presente! Durante milênios, nunca fizeram isso! Agora, como é conveniente para o roteiro, do nada uma das feras começa a fazer isso! A desculpa? Os Deviantes “evoluem”, os Eternos, não! Mas os Deviantes “evoluídos” são também relegados a combates desnecessários, sem vida, sem empolgação! Vide o embate da Angelina Jolie no final, que só serve como easter egg de um relacionamento mostrado nos quadrinhos! Lembrei dos “Soldados Hidler”, dos Changeman, que convenientemente aparecem, levam uma “sofa” dos heróis e depois somem!

A impressão que Eternos passa, é que os heróis ficam o tempo todo correndo atrás do próprio rabo, com dilemas vazios verbalizados o tempo todo (e não mostrados) e antagonistas fracos! As cenas do “passado” parecem falsas, de tão plásticas! Focaram tanto no minimalismo, que “minimalizaram” demais! Pior mesmo são as “reviravoltas”! Não tinha outra forma mais criativa dos personagens descobrirem o real plano dos Celestiais, que não uma desculpa (mais uma) para a Sersi “conversar” com o Arishem e ele próprio contar tudo? De novo uma exposição didática? E sério mesmo que precisava de mais um “Super-homem” do mal?

No frigir dos ovos, Eternos apresenta uma enxurrada de conceitos cósmicos, amarra toda a cronologia da Marvel nos cinemas, mas como o faz de forma expositiva, não consegue passar a grandiosidade do que se propõe. Parece uma cartilha, não um filme! O único momento em que senti de verdade essa grandiosidade, foi com o “quase” despertar do Celestial da Terra. Mas, assim que me senti apequenado e amedrontado diante de algo tão grandioso, a ameaça logo “Sersi”! Foi mal pelo trocadilho infame!

O filme saiu da “formula Marvel” como muitos alardeiam? Mais ou menos… mais ou menos! Ainda estão lá os vilões sub-aproveitados e as reviravoltas rasas! Só que em “embalagem” mais autoral! Mas o pior mesmo são as cenas pós-créditos que, de novo, gritam na nossa cara: O MELHOR É SEMPRE O QUE ESTÁ POR VIR, NÃO O QUE ESTÁ AQUI AGORA! Pra mim, o que era o ponto positivo da Marvel (o universo integrado), começa a se mostrar um estorvo! Irei ao cinema ver os próximos? É provável! Escreverei aqui reclamando? Também!

VI NO CINEMA: Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Não sei dizer se sou eu que estou cansando ou se os filmes estão ficando cansativos, mas “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” é a prova cabal de que a Marvel precisa urgentemente começar a se mexer para apresentar ideias novas! Desde “Vingadores: Ultimato”, a única produção que realmente apresentou algo de novidade, foi a série “WandaVision”! De lá pra cá, foi tudo mais do mesmo, embora tenha sido empolgante ver o Capitão “Sam Wilson” América e um pouco divertido de assistir as peripécias de Loki. Mas os vícios que a própria Marvel criou nos cinemas estão todos lá!

A impressão que tenho, é que a Marvel está vivendo um círculo vicioso de “fanservices” e “cenas pós-créditos”. Algumas vezes, tudo ao mesmo tempo, como na fatídica luta livre do Abominável contra o Wong! É um fanservice que não contribui em nada para a trama e, pior, tira o expectador da história principal ao ficar imaginando o próximo filme em que se dará a continuidade explicação por trás daquela luta! Percebeu o que eu quis dizer? Esse é um mal que acomete todas as produções! Você não assiste ao filme vigente! Está sempre pensando no próximo!

Pra piorar, Shang-Chi tem uns furos de roteiros de dar dó no início do filme, como os tais pingentes que, se o pai dele tivesse usado um pouquinho de inteligência, perceberia que não precisava deles, já que tinha a solução no seu próprio calabouço; e o tal cartão postal, que serviu para juntar os irmão Shang-Chi e Xialing para… Para que mesmo? Já que o pai não precisava dos dois…

Fora que é difícil de imaginar um herói fazer frente a um artista marcial de mil anos, tendo treinado apenas dos 07 aos 14 anos! Não quero ser o chato do “no gibi não é assim”, mas sendo o chato, no gibi o Shang-Chi treinou a vida inteira! E só se rebela contra o pai quando adulto. Ou seja, é completamente plausível aceitar as suas habilidades impressionantes. Não é o caso do filme! Esse seria um detalhe que passaria batido, não fossem os problemas que relatei acima! E não vou nem falar da garota que treina arco e flecha por cinco minutos… No final, fica a impressão de que a Marvel mirou em “Kung Fu Panda” e em “Como Treinar o Seu Dragão”, mas não acertou nem em metade do carisma desses filmes, dando a sensação de algo requentado, ao invés de um filme feito em homenagem ao estilo Chinês! Se tivesse chamado a garota do arco e flecha dos cinco minutos pra atirar, talvez tivesse acertado o coração! Ah, e de “Lenda dos Dez Anéis” também não tem nada! Mas não se preocupe… tem uma cena pós-créditos que promete responder de onde vieram os anéis em um próximo filme!

VI NO CINEMA: O Esquadrão Suicida

O Esquadrão Suicida não tem nada de mais! Mas tem James Gunn no comando, o que já é a melhor coisa que o filme poderia ter! O diretor pega um punhado de vilões de décima quinta categoria do universo DC, se inspira na melhor fase da equipe nos quadrinhos (aquela produzida por John Ostrander e Luke Mcdonnell) e entrega o filme mais divertido e porradeiro da DC dos últimos tempos!

Assim como nas HQs de Ostrander/Mcdonnell, aqui o enredo acertadamente não perde tempo com os “comos” e “por quês”, e muito menos em entrelaçar com outros filmes (passados ou futuros), e já parte pra ação da missão do dia em um país chamado Corto Maltese, como em uma segunda-feira normal para os comandados da (ótima) Amanda Waller! A meu ver, este é o principal ponto positivo da trama! Como é bom voltar a assistir a um filme de super-heróis fechadinho, sem ter que se preocupar com o que veio antes ou virá depois! O expectador pode, enfim, voltar a se concentrar apenas na história vigente!

Outro ponto positivo é a forma como James Gunn trabalha os personagens e faz nos importar com cada um deles, mesmo os mais insignificantes! E olha que tem bastante, viu? A Arlequina nunca esteve tão bem, linda, maravilhosa, poderosa e sexy, sem apelar em momento algum para a hipersexualização ou a sensualização gratuita (em momento algum tem enquadramentos constrangedores sobre a moça)! Outro personagem que se destaca, é o Pacificador, unanimemente transformado naquele escroto que adoramos odiar! Ao final do filme, fiquei com uma pontinha de esperança de ver uma “Liguinha” nos cinemas, com um embate entre Pacificador e Guy Gardner (com direção de James Gunn, claro!). Outros que chamam a atenção, são a Caça-Ratos II e o Tubarão Rei, o “coração” da equipe! Por fim, o Sanguinário e o Homem das Bolinhas também dão o seu show! E que show!

O aparentemente simples roteiro do filme ainda consegue nos pregar algumas peças! Por isso, espere o inesperado em relação à sobrevivência dos personagens! Afinal, este é verdadeiramente o Esquadrão Suicida! Ah, destaco também a criatividade de algumas idas e vindas temporais nos acontecimentos e os “subtítulos” no decorrer da história, como se fosse uma minissérie em quadrinhos dividida em capítulos!

Por falar em quadrinhos, quer vilão mais “gibi” do que o Starro? Apesar da superexposição nos diversos trailers, a aparição de Starro ainda consegue causar espanto! Eu mesmo preferi assistir a somente um trailer, para manter as surpresas e potencializar as surpresas. E funcionou! James Gunn consegue até mesmo dar “humanidade” a uma estrela-do-mar alienígena, vejam só!

No frigir dos ovos, em meio ao mais do mesmo nos filmes de “supers”, O Esquadrão Suicida traz um certo frescor, mesmo tendo um enredo deveras clichê! Mas como é bem trabalhado por uma mente muito criativa, diverte e nos faz pedir por mais! E fica aqui a minha torcida para um novo filme da Liga da Justiça (Internacional), mas dessa vez com Besouro Azul, Gladiador Dourado, Gui Gardner, Shazam, Fogo, Gelo, Canário Negro, Senhor Milagre, Oberon e… Ajax e Batman! Pena que estragaram o Max Lord em Mulher-Maravilha 1984! Mas como os filmes da DC agora não se “amarram”, fica a torcida!

VI NO CINEMA: Viúva Negra

É notório que este filme saiu atrasado! Não apenas por causa da pandemia, mas também porque a Scarlett Johansson já merecia faz tempo o seu filme solo! Por outro lado, esse duplo atraso beneficiou a experiência cinematográfica, pelo menos para mim! Como é um filme “deslocado” da ordem cronológica de lançamentos da Marvel (veio depois de Ultimato, mas a história passa-se após Guerra Civil), consegui assistir como um filme fechado, sem me importar muito com o que veio antes, nem com o que virá depois! Com isso, a história ganhou muito em emoção e empolgação! Mais até do que Capitã Marvel, que teve lançamento similar, passando-se antes na linha cronológica narrativa, mas tendo sido lançado depois!

É chover no molhado falar como a Scarlett é ótima como Viúva Negra! É uma daquelas atrizes (e atores) que entraram pro roll dos que “nasceram para esse personagem”! Outro grande brilho do filme, é a Florence Pugh, que entrega uma carismática (e fodona, e cínica, e danada!) Yelena Belova, que nos deixa com um gostinho de “quero mais”, mostrando que a passagem de bastão entre Viúvas Negras está em boas mãos. A Marvel, nesse quesito, não ficou viúva da personagem (ba-dum-tissss), muito embora fiquemos com uma pontinha de lágrima nos olhos de saudade da Scarlett!

Outro ponto bacana é o Guardião Vermelho do David Harbour! Não pela sua relevância na trama (tire-o da equação e a história segue normalmente), mas pela sua veia cômica e sentimental de paizão (a la “Senhor Incrível”), que nos faz rir e querer chorar ao mesmo tempo! Inclusive, algumas piadinhas em torno dele me fez querer ver mais desse lado “Russo” da Marvel (Ursa Maior e Dínamo Escarlate… a equipe “Super-soldados Russos”, quem sabe?).

Como pontos negativos, destaco a Rachel Weisz, não por ela, mas pelo enredo, que a construiu como uma personagem que nem fede, nem cheira! Aliás, padecem desse mal os vilões, o Grande Chefão da Sala Vermelha (cujo nome eu esqueci!), que é muito burro para quem manipulou tantas garotas/mulheres ao longo das décadas; e o Treinador, que à priori aparece arrasando, mas depois protagoniza uma reviravolta a la “Mandarim de Homem de Ferro 3” que chega a dar dó de tamanho desperdício de personagem em prol de uma reviravolta “impactante” (com muitas aspas em impactante!). Não por acaso, a parte mais fraca do filme é a sua resolução, justamente o ponto em que precisaria de antagonistas fortes para segurar o tranco, tanto intelectual, quanto fisicamente!

Por fim, entre mortos e feridos, esse filme solo da nossa querida Viúva Negra faz jus à personagem, com momentos sentimentais e cenas de ação de tirar o fôlego! É um bom epílogo e despedida digna para a Scarlett Johansson! Certamente assistirei novamente… tão logo esteja disponível “de grátis” no Disney+!

VI NO CINEMA: Capitã Marvel

Capitã Marvel é um filme de origem. E como tal, tem todos os problemas que um filme de origem tem, independentemente de ser protagonizado por uma mulher, por um homem, por um gato, ornitorrinco, árvore, periquito e por aí vai! O filme precisa explicar quem é a pessoa, de onde vieram seus poderes, quais são suas motivações, quem são seus inimigos (de onde vieram seus poderes, quais são suas motivações…), qual é o ambiente em que a pessoa vive e etc, etc, etc!

06 CAPITA MARVEL_11mar

Nesse ponto, o roteiro acaba sendo o mais básico possível no início do filme, com cenas que só servem para explicar as coisas para o espectador. Não que isso seja um problema! As cenas inicias servem para isso mesmo, situar o espectador naquela história! O problema é quando você consegue perceber que os personagens estão te explicando ao invés de “viverem” algo natural (repare na cena em que conversam sobre a aparência da Inteligência Suprema no início do filme ou quando falam do sangue “azul” da Carol já pro final)! O enredo precisa enganar o público e, aqui, passa longe disso!

Por outro lado, não poderiam ter escolhido melhor atriz para viver a Carol Danvers. À exemplo de Robert Downey Jr., Chris Evans e Gal Gadot, aqui não vemos a persona de Brie Larson, mas sim a capitã da aeronáutica durona e determinada! A atriz consegue nos convencer que é, sim, a personagem! Para você entender o que estou dizendo, basta ver o caso de Aquaman, em que o Jason Momoa interpreta a si mesmo e só conseguimos gostar do personagem porque o ator tem muito carisma, mas ele não convence como o Rei dos Mares!

Quanto aos vilões… ah, os vilões dos filmes da Marvel! São sempre o elo mais fraco! Verdade seja dita: nos quadrinhos de super-heróis, apenas o Batman e o Homem-Aranha têm uma galeria memorável de vilões. E, mesmo assim, é muito difícil transpô-los de forma eficiente para a película. Imagine pra quem só tem bucha genérica como vilões! O roteiro tem que se esforçar para engrandecer a personagem e mostrar o quão poderosa ela é apenas por conta própria, já que os vilões são qualquer coisa de ridículos! Não representam a menor ameaça para a Capitã Marvel, ainda mais quando ela literalmente explode com todo o seu potencial!

Nesse universo cinematográfico da Marvel, não teremos o guerreiro kree Mar-Vell (pelo menos é o que deu a entender). Para quem é fã do personagem, como eu, é uma pena não vê-lo em carne e osso! Mas dá pra entender a sua exclusão para evitar confusão entre os personagens! No entanto, o roteiro acertadamente tratou de juntar à história da Capitã Marvel alguns elementos-chave da trajetória de Mar-Vell, como uma ligação com um certo artefato geométrico! E vale mencionar uma reviravolta na guerra Kree/Skrull que nos faz pensar sobre as consequências dessa guerra para as “pessoas” comuns! Muito bom!

Por fim, que cuti cuti mais fofa a atriz mirim que interpreta a Monica (cof, cof, Fóton…) Rambeau! Dá vontade de abraçar até espocar!!! E que homenagem de arrepiar para o bom e velho Stan Lee! Caiu um cisco no olho…

Enfim… como filme de origem, Capitã Marvel tem seus problemas de ritmo e didatismo exacerbado em algumas cenas em que precisa explicar as coisas. Mas está longe de ser um filme ruim! E o recado que fica para os nerds héteros de 30 anos que ainda vivem com os pais e que estão detonando o filme de uma mulher, é o seguinte: se você só gosta de filmes de super-heróis homens brancos, machos e musculosos de peito peludo (ou peito pelado) como o Henry Cavill, não precisa assistir a um filme com mulher! Basta lembrar que você não existe sozinho no mundo e que o planeta também é habitado por mulheres que merecem ter suas heroínas! E nem todo filme precisa ser feito só pra você!