Todo mundo quer ser Alan Moore, ninguém quer ser Maurício de Sousa

Esta semana tive a satisfação de gravar uma áudio-aula, a convite do meu querido amigo Raymundo Netto, para o Curso de Histórias em Quadrinhos em Sala de Aula da Fundação Demócrito Rocha. Dentre os diversos temas abordados no bate-papo, dois em especial me provocaram uma reflexão pós-gravação, que vou procurar explanar neste texto.

O primeiro, foi o velho e já batido tema de “as pessoas veem os quadrinhos como sendo coisa para crianças”. Na ocasião, parafraseei o grande Sidney Gusman ao falar “que bom que quadrinhos TAMBÉM são coisa para crianças” e acrescentei que os produtores de HQs precisam, de uma vez por todas, superar esse “complexo de vira-lata” e seguir a vida produzindo os seus gibis para o público que lhes convier. Daí, inevitavelmente desembocamos no também batido tema “mercado de quadrinhos”, no qual afirmei que não tinha opinião formada sobre isso!

Refletindo agora, continuo sem opinião formada sobre isso e cada vez mais longe de alguma solução! Mas é notório que não temos um mercado! O Brasil é enorme, a distribuição é péssima e o – pouco – público leitor está muito espaçado. Mas vejo outro problema também. Não há a renovação de leitores. E por quê? Simples! Porque todo mundo quer ser Alan Moore, mas ninguém quer ser Maurício de Sousa!

Polêmica? Vou explicar! No “meu tempo”, quando quadrinhos eram “coisa de criança”, nós tínhamos títulos para todos os gostos e bolsos, dos mais diversificados, dos melhores aos piores! Aquelas crianças que liam gibis, assim como eu, foram crescendo e se transformando em adultos. Coincidiu de também começarem a aparecer os gibis “adultos” para atender a demanda. Porém, mais do que simplesmente atender à demanda “adulta”, esses quadrinhos “sombrios e realistas” tinham como meta “provar” que HQs não eram “coisa de criança”. E o que aconteceu? Gibi deixou de ser coisa de criança! E isso foi péssimo. É péssimo até hoje!

Assim, quem consumia quadrinhos quando criança e cresceu, agora só quer produzir quadrinhos voltados para o público adulto, com tramas mais complexas, arte experimental e tudo o que tiver direito! Nada contra! Mas isso faz com que os quadrinhos produzidos atendam um público cada vez menor, até chegar ao ponto onde estamos, quando os quadrinhistas estão praticamente produzindo uns para os outros. E a renovação do público aonde fica? E as crianças que estão entrando na fase de leitura? Que vão crescer e poderiam aumentar o mercado? Quem está produzindo para elas? Quer uma resposta? Apenas o Maurício de Sousa! E sabe por quê? Porque ninguém quer produzir quadrinhos que sejam “coisa de criança”. Só querem produzir quadrinhos “adultos”. No final, todo mundo só quer ser Alan Moore, mas esquecem que, se não houver uma renovação de público, o mercado vai ficar cada vez menor!

Não adianta ficar apenas reclamando que as grandes editoras não investem em novos talentos, que o governo não incentiva ou que isso e aquilo outro! Não sei qual é a solução para melhorar o mercado. Mas sei que, se ninguém quiser produzir quadrinhos que sejam “coisa de criança”, é quase certo que a tendência é piorar. E não me venha falar sobre os “grandes eventos” com milhares de lançamentos! Enquanto o cara estiver vendendo o almoço para comprar a janta (que é o que acontece com essa onda de financiamento coletivo), e não conseguindo se sustentar apenas com a sua produção, com um salário mensal razoável, para mim, isso não é mercado. É apenas oba-oba. E me desculpe… sou artista, mas não vivo de amor à arte! A conta de luz não se paga com amor de arte!

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Vi no cinema: JOGADOR Nº 01

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Não sei dizer se o Spielberg voltou à “boa forma” dos filmes de aventura da década de 80 com Jogador Nº 01. O que sei dizer é que os filmes de aventura da década de 80 não têm como voltar para os dias atuais. Vivi essa época e era um contexto completamente diferente de hoje em dia. Por mais que o Spielberg já comece o filme com uma música descolada da década de 80, o Jogador Nº 01 não passa de um exercício afetivo de nostalgia. E não tem como ser diferente, ora. As referências são todas de uma década que já passou. Por mais perfeito que seja o filme, ele continuará sendo apenas uma homenagem! Vou dizer que o diretor voltou à sua boa forma quando ele fizer um filme de aventura no contexto atual, com as referências contemporâneas.

Essa onda de revival é bacana, mas não basta o diretor escolher uma trilha da Cindy Lauper e colocar em um filme para torná-lo oitentista. A Cindy Lauper estava nos Goonies, por exemplo, porque as músicas simplesmente eram daquela época! E outra coisa: em Jogador Nº 01 os personagens ficam a todo momento explicando que as inúmeras referências do passado estão ali porque o criador do jogo cresceu com elas e gosta de tudo aquilo! É forçar um pouco a barra para justificar em tela elementos que não sejam contemporâneos! Mas isso quer dizer que o Jogador Nº 01 é ruim? Não! Pelo contrário! É um filme divertidíssimo, mas com cara de emulação dos ótimos filmes da década de 80! Gostei bastante e a molecada de hoje em dia com certeza vai delirar!

O que gostei também, além de toda a avalanche vertiginosa de referências, foi a pegada meio “Goonies” do filme. Tal qual o Mickey, que conhece a fundo a “cabeça” do Willie Caolho e usa esse conhecimento para decifrar as pistas do tesouro, aqui, o protagonista Wade Watts também se vale do seu conhecimento da personalidade e forma de pensar do criador do jogo Oasis, James Halliday, para conseguir decifrar as pistas e avançar de “fase”. Os vilões também representam ameaça, mas sem serem ameaçadores (faz sentido isso?). A atmosfera do enredo faz a gente lembrar, claro, de Tron e de Matrix.

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Em relação às referências e aos diversos personagens que aparecem em tela, lembrei muito de “Uma Cilada para Roger Rabbit”. Em diversos momentos fiquei imaginando como estariam se sentido os jovens assistindo ao filme. Será que estavam tão empolgados quanto eu fiquei na primeira vez em que assisti ao filme do coelho Roger Rabbit e vi diversos personagens de cartoon contracenando juntos? Espero que tenham a mesma sensação. Porque cheguei à conclusão de que o Jogador Nº 01 é uma espécie de “Uma Cilada para Roger Rabbit” dessa geração. Aliás, a motivação de todo o enredo (que não vou falar pra não estragar a experiência) é muito parecida com a do filme do Rabbit.

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Agora, uma crítica ferrenha vai para o tal do 3D. Ô recursozinho que já cansou e que não serve pra mais nada, além de escurecer a tela (pra mim, que sou cego, foi osso enxergar aquele monte de coisas acontecendo) e encarecer o ingresso! Tento fugir ao máximo das exibições 3D, mas dessa vez não foi possível. Infelizmente!

O QUE ANDEI (RE)LENDO: GRAPHIC NOVEL

Sou da época do gibi em formatinho de papel jornal e preço de banana que tinha em qualquer banca da esquina. Aliás, sou do tempo em que existiam bancas em qualquer esquina! Mesmo com o gibi sendo baratinho, o meu poder aquisitivo não era essas maravilhas todas, então eu me virava como podia para ler. E lia de tudo! O que caía na rede, era peixe! Foi nesse cenário que, lá pelos meus 11-12 anos de idade, tive contato pela primeira vez com a série Graphic Novel da Editora Abril.

Não lembro exatamente como tomei conhecimento dessa coleção (alguém deve ter me emprestado), mas sei com certeza que foi com a primeira edição, a dos X-men! Até então, eu só havia lido o Grandes Heróis Marvel #07 com a Morte da Fênix (comecei bem!) e fiquei abismado quando toquei naquele “gibizão” dos heróis mutantes! Intitulada “O Conflito de uma raça”, a HQ inaugurava uma nova era de publicação de álbuns de luxo da Abril, em formato tipo “Veja”, papel “liso” e cores especiais. Pra quem era acostumado apenas com os formatinhos de cores chapadas, aquela revista representou um salto inimaginável de qualidade visual! Mas… isso tinha um preço! O preço de capa custava os olhos da cara, muito além do que o meu pobre bolso pudesse dar conta! Devorei cada centímetro dos quadrinhos da Graphic Novel #01 e depois, provavelmente, tive que devolver ao cara que me emprestou. Só depois é que consegui a minha própria edição, muito provavelmente através de troca!

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No início dessa coleção, a Editora Abril publicou apenas personagens da Marvel (em sua maioria) e da DC. Só depois é que diversificou para quadrinhos europeus e afins! A série fez tanto sucesso que, mais tarde, a editora resolveu criar uma coleção apenas com os heróis da Marvel, intitulada, claro, de Graphic Marvel! Mas isso é assunto para outro momento…

Como eu disse, na minha fase de moleque, eu lia de tudo e lia o que caísse na minha mão (ainda faço isso hoje em dia…)! Não tinha uma preocupação em colecionar os números em sequência das revistas. Ia guardando o que aparecia. E foi assim com a Graphic Novel. Até pouco tempo atrás, eu tinha somente as edições com HQs de super-heróis. Daí, comecei a pegar outros números para ver se as histórias prestavam e resolvi de vez fechar a coleção! Agora, deve faltar apenas uns sete números pra fechar tudo! Mas como nasci de sete meses, tive a ideia de (re)ler pela primeira vez em ordem numérica, mesmo com a coleção ainda incompleta (e o que é que tem, né?)!

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A primeira edição, como já mencionei, é dedicada aos X-men e me surpreendeu quando moleque, não apenas pelo “luxo” da revista, mas pela história pé no chão dos mutantes.

O segundo número só consegui um pouco depois. Eu já conhecia a arte do Bill Sienkiewicz do encadernado da Elektra Assassina. Aliás, ganhei esse encadernado de um amigo adulto, casado e pai de família, porque ele comprou a revista e não gostou dos desenhos “feios”! Aliás, ele me deu os encadernados do Skreemer e do Cavaleiro das Trevas pelo mesmo motivo! Mas depois eu conto essa história em detalhes! Obviamente, gostei bem mais da arte do Sienkiewicz do que esse meu amigo e fiquei muito feliz de poder ler mais coisas desse grande artista na Graphic Novel!

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O terceiro número é uma declaração de amor do Jim Starlin ao Capitão Marvel e às HQs cósmicas. Confesso que, ao reler essa edição nessa semana, novamente escorreu uma lágrima! Que bela história! E o Capitão Marvel continua sendo o único personagem de gibi que “ainda” não voltou da morte. Não que eu saiba! Mas já deve ter voltado em alguma fase “Nova Totalmente Fabulosa Novamente Excelsiorsamente Marvel” que saiu por aí e eu não li (e nem vou ler…).

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Falei em declaração de amor? Pois é essa a sensação que o Bernie Wrightson também passa na edição quatro da série, ao retratar magnificamente uma aventura de fantasia com o bom e velho cabeça de teia. Fazia tempo que eu não tirava essa edição do “saco”, acho que uns bons 15 anos! Já tinha na minha memória afetiva a bela arte do Wrightson, mas quando comecei a reler, passei uns bons momentos parado só babando em algumas páginas duplas da revista. Só vendo pra entender! Um espetáculo de arte!

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Por fim, a primeira Graphic Novel dedicada a um personagem da DC. E já vem arrebentando tudo com “Batman: A Piada Mortal”! A última vez que reli essa HQ foi com o encadernado da Panini que trazia as cores refeitas pelo Brian Bolland numa paleta mais fria. Foi interessante rever a arte do Bolland com a paleta mais quente originalmente impressa! Apesar da história sensacional, esse número destoa do restante da coleção por ser em formato americano. Para um colecionador mais chato (já fui!), fica esquisito quando colocada junto às demais. Outra que destoou foi a do Surfista Prateado do Moebius, também em formato americano.

Pois é isso, amiguinho! Um pequeno texto de impressões (não guia de leitura e nem review) e lembranças nostálgicas e afetivas. Depois escrevo sobre as edições 06 à 10. Espero que tenha curtido!

As capas aqui presentes foram retiradas do site Guia dos Quadrinhos. Dá um pulo lá!

Dicas Ilustradas: ANINA

Zapeando pela Netflix (como sempre!), descobri mais uma pequena pérola animada, o filme ANINA. Nunca tinha ouvido falar dessa produção espanhola antes de encontrá-lo no meio do catálogo do streaming. Aliás, nem tenho certeza se é da Espanha (deduzi isso pelo idioma principal da dublagem)! Mas pouco importa também! Parece-me, inclusive, que se trata de uma adaptação de um livro infantil. Depois vou atrás de buscar algo mais a respeito das origens dessa obra. Por enquanto, o que me interessou logo de cara foi o estilo da ilustração. E é sobre isso que vou falar nesse “Dicas Ilustradas”.

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Falando um pouco do enredo, o filme conta a história da pequena Anina, que tem dificuldade em lidar com o seu próprio nome por se tratar de um palíndromo, que são palavras que podem ser lidas do mesmo jeito nos dois sentidos, de trás pra frente, de frente pra trás, vice-versa, simultaneamente e concomitantemente… Tá, você já entendeu, eu sei! O nome da menina é resultado de uma obsessão do seu pai por palíndromos. Se você, assim como eu, tem um nome um “pouco” diferente, deve imaginar o que a menina passa na escola de zoação entre os amiguinhos. E é justamente durante uma confusão com o seu nome, que Anina se mete em uma tremenda encrenca com a valentona da escola e vai parar na diretoria. O que se segue, é uma série de questionamentos sobre bullyng, sobre pontos de vista (colocar-se no lugar do outro antes julgá-lo) e, claro, sobre coisas da vida que vão e vêm, assim como o nome da protagonista. Uma bela história de aprendizado na infância!

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Sobre o estilo da ilustração, o filme mostra uma animação gerada por computador, mas que emula uma estética cheia de texturas que lembram muito técnicas de pintura à seco como lápis de cor, giz ou pastel. O traço é bem estilizado, com construções de personagens baseadas em formas mais geometrizadas como círculos, retângulos, quadrados, e uma perspectiva mais distorcida para os cenários, com linhas esguias e sinuosas. E as cores? Que bela paleta de cores quebradas e dessaturadas! Os cenários são sempre representados com cores mais sóbrias (marrons quentes e frios, verdes “musgo”, sépias, ocres), ao passo que os personagens são mostrados com cores um pouco mais vibrantes e saturadas (laranjas, vermelhos, azuis), o que gera um contraste sensacional! Juntando todos esses elementos de linha visual, você tem a sensação de estar assistindo a um livro ilustrado em movimento!

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Para assistir ao trailer, basta clicar aqui. E para ver o filme inteiro, é só acessar a sua Netflix!

O que andei lendo: INVENCÍVEL!

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Finalmente coloquei as minhas mãos na série do Invencível, já que esperei (e como esperei!) para comprar baratinho em um sebo! Só para você ter uma ideia, o primeiro volume saiu por aqui em março de 2006 e o quarto (e último e sem continuação!), em outubro de 2012, ambos publicados pela HQM Editora, que chegou a anunciar o quinto encadernado, mas até hoje… Nada!

A espera valeu a pena, tanto na leitura quanto no bolso!

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Eu já tinha ouvido falar do quanto essa série era boa e já conhecia a competência do Robert Kirkman nos roteiros. O cara conhece muito das características, idiossincrasias e clichês dos gibis de super-heróis e usa esse conhecimento a seu favor para escrever uma HQ muito divertida! E o que é melhor: sem tentar reinventar a roda ou redescobrir a pólvora! Em diversos momentos me senti lendo um bom gibi do Homem-Aranha como antigamente, no qual um super-herói adolescente precisa salvar o dia lutando contra vilões ameaçadores, enquanto descobre a extensão dos próprios poderes e tem que chegar cedo em casa, lidar com os pais, com dever de casa, com a escola, com o trabalho, com os amigos e com as garotas! A relação do Invencível com o seu cotidiano de “civil” entremeado com superpoderes é o foco da atenção do enredo. Tanto é que na maioria dos combates contra os vilões, são mostrados apenas o início e o fim da briga. O enredo não se estende demais do quebra-pau, a não ser que seja de extrema importância para, mais na frente, mostrar como isso impacta na vida cotidiana do herói!

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E o que falar da arte? Que coisa “marlinda”! O Cory Walker tem um traço de linha clara tão limpo, que chega a dar gosto! Suas cenas desenhadas em um estilo mais cartunesco têm movimento, ao contrário de muitos desenhos “realistas” em outros gibis que mais parecem poses pra foto! E acredite: é mais fácil você treinar e desenhar “realistinha”, do que conseguir abstrair toda a gordura desnecessária e criar um traço estilizado e conciso! Por isso que esse cara, e tantos outros com essa pegada, têm a minha admiração! A todo momento fica a sensação de estar lendo um “desenho animado” graças, também, às cores de paletas suaves do Bill Crabtree. Entretanto, o Cory Walker ficou com dificuldade de cumprir os prazos e trocou de lugar no volume dois com o desenhista Ryan Ottley, que se perde um pouco no início tentando emular o traço do seu antecessor, mas que acerta o prumo no volume seguinte e deslancha de vez no quarto encadernado!

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Antes, durante e depois da leitura, várias referências a outros quadrinhos me vieram à mente, seja pela temática semelhante de roteiro ou pela arte. Uma delas foi a minissérie em duas edições “Ultra: Sete Dias”, também publicada originalmente pela Image Comics (à exemplo do Invencível), mas lançada aqui no Brasil pela Pixel Media. Produzida pelos Irmãos Luna (Joshua e Jonathan), a série conta a história das três amigas Liv, Jen e Pearl, também conhecidas como as super-heroínas Afrodite, Vaqueira e Ultra. Assim como em Invencível, o mais importante aqui não são os embates superpoderosos, mas a relação cotidiana das três amigas em um mundo onde os super-heróis são tratados como celebridades. O mais bacana da série é ver como a natureza feminina é abordada em personagens tão humanas, apesar de superpoderosas, com suas alegrias, frustrações, tristezas, incertezas… com uma arte de cair o queixo de tão boa! Uma sacada bacana, é que as capas simulam pôster de filme e capas de revistas de celebridades! Vale muito a pena! Tanto Invencível, quanto Ultra!

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Vi na Netflix: Legion

Ok, vi apenas o primeiro episódio! Ainda não tenho uma opinião formada sobre a série Legion que acabou de entrar no catálogo da Netflix e nem pretendo formá-la ou expor-la aqui neste texto! O que posso dizer, apenas como um bom bate-papo de beira de calçada entre amigos, é que o episódio começa muito bem, com umas pirações que te deixam grudado na tela com medo de piscar, perder algum detalhe e, depois, não entender o contexto daquela trama aparentemente complexa! Eu falei “aparentemente”? Pois é! Do meio pro fim, quando as peças do quebra cabeça vão se encaixando, você percebe que a trama é rasa e aquela loucura toda do começo foi apenas pirotecnia narrativa para esconder a falta de complexidade do enredo! Em suma, o episódio tenta parecer uma ferrari quando, na verdade, não passa de um chevette! Depois que se constata que a história é tão rasa quanto piscina pra criança, coisas que não incomodavam tanto, passam a incomodar demais, como o “cabelinho descolado” e milimetricamente assanhado com laquê do protagonista. Nada mais adequado para alguém que está em um hospício, correto? Coisas típicas de séries juvenis americanas… Mas enfim! Deu preguiça de prosseguir para o segundo episódio, mas vou tentar mais tarde!

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Mas vamos falar de coisa boa agora? As referências? Para quem não sabe, David Haller – o Legião – é o filho do Professor Charles Xavier com a embaixadora de Israel Gabrielle Haller. Os dois se conheceram quando jovens, na mesma ocasião em que o Xavier conheceu um tal de Erik Magnus Lehnsherr (aquele que viria a se tornar o Magneto). Na época, Gabrielle era apenas uma enfermeira e estava envolvida numa trama com o nefasto líder da Hidra, o Barão Wolfgang von Strucker, e acaba sendo sequestrada pelo vilão. Xavier e Magnus partem para o resgaste e o futuro líder dos X-men acaba se apaixonando pela bela enfermeira, o que resulta (sem que ele saiba) no David Haller! Parece óbvio que essa trama toda não será abordada na série, mas vale a pena conferir! A HQ escrita pelo Chris Claremont e desenhada por Dave Cockrum foi publicada em Uncanny X-men #161, bem no meio da Saga da Ninhada, e saiu no Brasil na saudosa Superaventuras Marvel #66, da Editora Abril.

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Só ficamos sabendo que o Xavier tinha um filho, inclusive ele próprio, anos mais tarde na edição de número 26 de The New Mutants, também escrita por Chris Claremont e soberbamente ilustrada, com diversas experimentações visuais e narrativas, por Bill Sienkiewicz! Aqui, saiu em O Incrível Hulk #79. Por se tratar do filho do maior telepata do mundo, era de se imaginar que David Haller seria um mutante de igual potencial. E, de fato, é o que acontece. David sofre de múltiplas personalidades e cada uma apresenta um poder diferente, que vai desde à telepatia e telecinese, até manipulação da realidade! E, pior, todas elas brigam para ver quem domina o corpo do jovem rapaz! Podia piorar? Sim! Nem todas as personalidades são boazinhas! Agora imagine o estrago! Aliás, não precisa imaginar! Corra atrás dos sebos para ver se encontra as edições antigas do Hulk da Editora Abril ou compre o encadernado em capa dura da Panini “Os Novos Mutantes: Entre a Luz e a Escuridão”. Esse encadernado traz o início da fase desenhada pelo Sienkiewicz, que vale muito a pena, mas não tem a história do Legião! Fica para um volume dois… talvez!

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As capas aqui apresentadas foram colhidas no sensacional site Guia dos Quadrinhos. Se você ainda não conhece, dá uma conferida!

Vi no cinema: Pantera Negra

Hoje em dia todo mundo é crítico de cinema! Todo mundo aponta o dedo para o enredo, para o roteiro, para a narrativa, para a direção, para a atuação, fotografia, figurino, cenografia, computação gráfica, trilha sonora… e esquece de simplesmente sentar na poltrona do cinema e curtir o momento! Hoje em dia todo mundo quer ter a sua opinião formada a todo custo sobre o filme e perde a magia que é imergir naquela tela por duas horas e meia (ou menos)! E não só isso… Como a concorrência está ferrenha, os estúdios “entregam” praticamente o filme inteiro em inúmeros trailers, o que faz com que a audiência já compre o ingresso com a tal da opinião formada! Tudo bem que um mísero ingresso não é mais a coisa mais barata do mundo, mas a galera parece ser tão insegura consigo mesma, que precisa saber de tudo antes de “investir” aquela grana milionária no tal ingresso, com a certeza de que terá o seu retorno financeiro garantido na figura de um filme perfeito da sua vida! E pior: esperam saber a opinião de terceiros para saber se é “seguro” ir ao cinema! Se quer um conselho, evite isso! Tente ao menos uma vez ir ao cinema às cegas! É tão bom! E se está lendo isso aqui pra saber se deve ou não assistir ao Pantera Negra, não perca seu tempo! Primeiro, porque não sou crítico de cinema e, segundo, porque esse texto é apenas um bate-papo!

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Antigamente, no “meu tempo”, costumávamos ir aos cinemas de rua, daqueles enormes que também serviam de teatro de vez em quando. Como o acesso à informação era muito difícil (um mundo sem internet), o que a gente conseguia saber era através da saudosa revista SET e do “trailer” de 30 segundos que passava na TV no período de estreia dos filmes. Só isso! E vou te dizer… Era maravilhoso! A imersão no filme era completa! Saíamos empolgados do cinema e sentávamos na calçada de casa para comentar, mesmo se o filme não fosse lá essas coisas!

Hoje em dia, o que dá pra fazer é isso que você está lendo agora: escrever algumas linhas no blog. Principalmente para uma pessoa como eu, que já não tenho mais amigos para sentar na beira da calçada e conversar a valer!

Uma coisa que venho fazendo já há algum tempo, é saber o mínimo possível sobre os filmes que pretendo assistir. Não leio mais nada antes do lançamento e, trailer… só vejo o primeiro, quando muito! E isso tem me ajudado a imergir melhor na experiência! Se ponha no meu lugar… um cara de 39 anos, viciado em filmes, que já assiste há pelo menos… 32 anos (vamos colocar o marco zero como sendo aos 7 anos, que é uma idade que acredito já ter começado a ter um pouco de entendimento das coisas!), que também é quadrinhista (uma linguagem irmã do cinema) e que estuda há anos o bê-á-bá dessa linguagem… É muito fácil eu perder o interesse no que está rolando em cena e começar a analisar os quesitos técnicos! Agora imagine se eu visse todos os trailers e lesse tudo a respeito! Seria o inferno! Não conseguiria o mínimo de imersão e o cinema estaria morto pra mim!

Agora, o que isso tudo tem a ver com o Pantera Negra? Como só assisti ao primeiro trailer e não vi mais nada (nem posteres), o filme teve um sabor diferente pra mim. E olha que fui ao cinema com praticamente zero de referência. Diferente da maioria dos outros super-heróis em que já li quase tudo, do Pantera Negra nunca li as HQs clássicas. Aliás, detestava as histórias dele na Superaventuras Marvel e as pulava para ler as mais legais (Demolidor, X-men, Justiceiro…). Nem sabia que o Garra Sônica era originalmente um inimigo dele! Pra mim, Ulisses Klau era apenas o ajudante apalermado do Beyonder em Guerras Secretas (a primeira!) e que fora utilizado soberbamente em histórias mais recentes do Demolidor escritas pelo Mark Waid. As únicas vezes em que li histórias com o T’Challa, era como integrante dos Vingadores, e não entendia como um rei deixava o seu país para ser “besta” em uma equipe de super-heróis americana! Mas isso tudo serviu para tornar a experiência do filme ainda melhor! E vou dizer só mais uma coisa… que bela equipe de guarda-costas femininas, viu? Deu gosto de ver! Roubou a cena!

É isso!

Passo-a-passo: Chapeuzinho Vermelho entra na floresta

Uma das dúvidas que mais me deparo em sala de aula a respeito de ilustração digital é em relação aos pincéis (ou brushes), mais especificamente, quais os pincéis “certos” para fazer as ilustras e onde baixar outras opções. Ora, qualquer que seja o software utilizado, certamente este já apresentará uma infinidade de possibilidades. E você ainda precisa de mais? A meu ver, mais do que querer descobrir quais os pincéis “certos”, o que ainda existe é uma visão errônea de que ilustrar por meios digitais será mais rápido e “fácil”, beirando ao toque mágico e automático de um botão e… puf!… lá está a ilustração pronta! Não é bem assim, pequeno padawan! Assim como na vida real (de papel e lápis na mão!), no digital, você também precisa treinar bastante para poder dominar as ferramentas do software e estudar técnicas tradicionais. Entender qual exatamente é o seu propósito, já vai ajudar a estabelecer um norte na sua prática. No mais, entenda que na tela do computador o processo é muito parecido como na vida real, você também vai lidar com papel e lápis, e caneta, e pincél, e bico de pena… só que virtual!

Dito isso, vamos ao nosso passo-a-passo da vez! A cena que ilustrei é o exato momento em que a Chapeuzinho Vermelho adentrou a floresta toda serelepe, feliz e saltitante, desconhecendo o perigo pelo qual estava correndo! Naturalmente que antes desse esboço, eu já havia planejado a cena em um rafe (ou thumbnail) e já sabia o que queria fazer antes de criar a primeira camada.

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PASSO 01: O ESBOÇO – Se você quiser bancar o ninja e fazer todas as etapas da ilustra numa única camada, vai em frente! Também é válido para o aprendizado! Aliás, tudo é válido! Só ficar parado é que não é! Afinal, no papel não existem camadas, não é mesmo? Porém, aqui eu dividi tudo em camadas. A primeira, claro, é reservada ao esboço. Procure pela aba dos “pincéis de mídia à seco”. Você encontrará os pincéis que simulam o traçado do lápis. Particularmente, prefiro utilizar as opções de “lápis de carvão”, cujos traços parecem mais de grafite do que os próprios lápis! Mas vá testando até encontrar o seu preferido!

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PASSO 02: A ARTE-FINAL – Aqui, não tem mistério! É nanquim no papel! Ou na tela! Como eu queria um traçado forte e, por vezes, interrompido, utilizei os “pincéis redondos com tamanhos variados”. Fui mudando o pincél de acordo com a área que estava finalizando, pontas maiores para o primeiro plano e pontas menores para os planos mais afastados. E a mudança de pressão da mão sobre a caneta óptica também influencia na variação dos traçados.

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PASSO 03: CORES-BASE – Pra variar, assim como na “vida real”, no virtual também procure começar a pintura do geral para o específico, separando em camadas cada uma dessas etapas. Aqui utilizei os “pincéis naturais” que, como o próprio nome denota, deixam transparecer uma naturalidade nas pinceladas (você “enxerga” a trajetória das cerdas). Ajuda também se você…

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…modificar a textura do papel! Sim, isso é possível! Basta procurar na aba “configurações do pincel” e, em seguida, marcar a opção “textura”. Depois, clique no “quadradinho” com a textura e escolha a sua opção. Tem vários tipos de “papeis” e o que você escolher, aparecerão as “fibras” na pintura!

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PASSO 04: A PINTURA – Agora é diversão a valer! O que vai contar na hora da pintura não e tanto o seu conhecimento do software ou dos pincéis, mas o conhecimento de… pintura! O propósito é criar a ilusão de peso e volume, luz e sombras, através das cores! A ideia para essa ilustra foi criar um clima assustador para a floresta, em contraste com a felicidade da menina desavisada! Daí as cores mais densas!

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Em alguns momentos, fui adicionando fachos de luz pra poder “enxergar” melhor o cenário e separar um pouco os planos de visão. Em seguida…

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…Preenchi com toda a carga de sombra que a ilustra pedia!

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PASSO 05 – A ILUMINAÇÃO – Geralmente a iluminação é a última etapa de uma pintura. É ela que vai criar o contraponto às sombras e gerar a ilusão de profundidade (nesse caso!). Depois da iluminação, criei uma camada nova apenas para a pintura da Chapeuzinho Vermelho. Aqui dei uma de ninja e pintei toda a menina nessa única camada! Podia não ter dado certo, mas como eu já havia estabelecido toda a paleta do cenário, ficou mais fácil na hora de pintar a Chapeuzinho.

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PASSO 06 – TRATAMENTO DE IMAGEM – Fala-se muito do termo “tratamento da fotografia da imagem” quando nos referimos, geralmente, ao cinema. Mas na ilustra isso também existe! Basicamente, é um tratamento final nas cores com o propósito de criar uma homogeneidade na paleta a fim de provocar uma determinada sensação psicológica na imagem. Nessa ilustra, utilizei um “filtro de foto” (encontrado na base da aba de “camadas”, clicando no círculo com meia-lua “preta e branca”) na cor azul para tirar o brilho da paleta verde-musgo-amarronzado e deixar a composição mais fria e dessaturada, o que provavelmente contribuiu para aumentar o clima soturno e amedrontador da floresta em contraste à carinha de felicidade inocente da Chapeuzinho!

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PASSO 07 – FINISH! – Resolvi eliminar os contornos do cenário e… voilá! Tal qual os acidentes felizes da vida real (como quando a gente derruba tinta no papel sem querer e cria uma mancha espetacular!), o efeito ficou bem melhor do que quando haviam os contornos! Então… mesmo com o Ctrl+Z à sua disposição, permita-se experimentar e não tenha medo de errar! Fuce bastante, modifique bastante os pincéis e se divirta!

 

 

O que andei lendo em abril de 2017

Este mês de abril foi puxado. Tivemos a Bienal do Livro de Fortaleza e nos dias em que eu não estava dando aula, estava no estande da Editora Senac divulgando a terceira edição do meu livro de Quadrinhos. E também foi mês de provas. E também tive todas as outras atribuições “normais” do dia-a-dia. E cansaço. Muito cansaço! Por isso, o saldo de leitura caiu um pouco, pra 1.136 páginas! Foi mais para um relaxamento no meio da correria do que pra qualquer outra coisa. Por isso a predominância de Batman Eterno na lista, com edições curtinhas e leituras de bate-pronto!

Batman Eterno Zero

Desde “A Noite das Corujas” que não lia uma história do Batman e retornei agora com essa edição “zero” da coleção “Eterno”. E o meu pensamento continuou o mesmo: o Cavaleiro das Trevas foi um dos poucos, senão o único, que não sofreu grandes mudanças com “Os Novos 52”. Isso quer dizer que o personagem continua muito divertido de se ler, mesmo que esse início de Batman Eterno não diga muita coisa sobre do que trata o enredo. Mas isso é bom! Fiquei instigado a ler as outras 52 edições.

Novíssimos X-men – X-men de ontem

Tento fugir, tento escapar, mas não tem jeito: gosto muito dos X-men. Meus queridos heróis mutantes vêm sendo muito maltratados com enredos péssimos ao longo dos anos, apenas com algumas exceções (entenda Grant Morrison e Joss Whedon). Depois de ler o encadernado de “A Batalha do Átomo”, resolvi dar uma chance para as histórias anteriores e comprei “X-men de ontem” (por um precinho camarada na Amazon, claro!). O Brian Michael Bendis é interessante. Não sei exatamente o que pensar sobre ele. Ele tem uma capacidade de nos ludibriar com seus enredos que nos faz achar que as histórias são boas. Ou então estamos tão saturados de histórias ruins e confusas, que basta pegar um enredo “arroz com feijão” com diálogos certinhos, que já vamos nos divertindo. E o Bendis faz exatamente isso. As ideias dele até que são boas e o cara não tenta inventar a roda a cada novo trabalho que pega para escrever. Simplesmente pega aquele arroz, o feijão, faz um temperinho bacana e coloca no prato. É assim que vejo essa fase “Nova Marvel” dos X-men. Frente ao que vinha sendo mostrado, já é um bom começo.

Batman Eterno #01

Gosto dessas histórias que começam no meio do caminho e, a partir daí, a trama começa a deslanchar. Aqui, o Comissário Gordon e o Batman estão no meio de um ataque da gangue do Porko e o que acontece em decorrência disso dá as pistas do que será desenvolvido ao longo da série. Gostei bastante! Os desenhos do desconhecido (pelo menos pra mim…) Jason Fabok lembram um pouco o traço do Phil Jimenez (que é “cria” do George Pérez…). O traço fica um pouco engessado em algumas cenas, mas nada que comprometa a diversão.

Batman Eterno #02

As consequências da primeira edição começam a tomar forma aqui. Nesse ponto, a trama lembra muito o que Jeph Loeb fez em “O Longo Dia das Bruxas” e “Vitória Sombria”, principalmente pela revelação no final da edição de quem aparentemente está por trás dos acontecimentos. Ou seja, temos a impressão de estar começando a ler uma longa novela do Homem Morcego. E isso é ótimo! O traço de Jason Fabok ainda está um pouco engessado, mas já começa a ficar mais relaxado.

Batman Eterno #03

O cerco começa a se fechar para o Homem Morcego. É interessante ver um Batman que, apesar de ter “olhos” na cidade inteira, está completamente perdido sobre o que realmente está acontecendo. Igualmente perdidos estão os policiais. Ao final da edição, também ficam de mãos atadas! Quanto ao traço, Jason Fabok parece estar mais à vontade. Ah, não posso deixar de mencionar a aparição de Stephanie Brown, uma das personagens que mais gostei na antiga revista do Robin “Tim Drake”. Não sei dizer se esta é a sua estreia nos Novos 52, mas é bom vê-la de novo. E se a Stephanie aparece, é lógico que o seu pai também dá as caras e já começo a entender qual o seu papel na trama (vislumbres disso foram mostrados na edição zero).

Batman Eterno #04

Temos uma mudança muito bem-vinda de desenhista nesta edição. Imagino que seja uma espécie de rodízio para uma série dessa estirpe. Já conheço o traço do Dustin Nguyen de outros quadrinhos e posso dizer que muito me agrada esse desenho mais estilizado e limpo. Apesar de usar bastante sombra em alguns momentos, o traço do Dustin é baseado em auto contraste e quase não utiliza hachuras. E isso é ótimo! Traço limpo e agradável! Basta comparar com o desenhista da capa pra entender o que estou falando.

Batman Eterno #05

Neste número também há um novo desenhista, Andy Clarke. Esse nome não me é estranho! Estranhas são algumas expressões dos personagens. Mas compromete tanto. O que fica meio difícil de engolir são as coincidências de encontro de personagens no bairro Narrows.

Novíssimos X-men – Criando Raízes

O roteirista Brian Michael Bendis continha escrevendo o seu arroz com feijão. Se a gente tem a impressão de que as histórias dele sempre começam em lugar algum e chegam a lugar nenhum, pelo menos há uma consistência no elenco (dá pra saber quem é quem), mesmo que a Tempestade apareça do nada com o seu visual moicano! Bateu uma nostalgia ao ver os robôs Sentinelas, mesmo que na Sala de Perigo. E também de ver a Mística e o Dentes de Sabre sendo o que são: vilões! Não gosto muito da tal Lady Mental, mas é o que temos pra hoje! Quanto aos desenhos, continuam um deleite visual!

Batman Eterno #06

Entra um novo desenhista na equipe, o Trevor McCarthy. Gostei! Traço obscuro, mas objetivo. Quanto à trama, novos mistérios vão entrando em cena e começamos a constatar que o perigo não está apenas na figura do Falcone. Muita boa a aparição do Jim Corrigan (vulgo Espectro). Gosto desse lado “mágico” da DC. Vamos ver no que dá!

Novíssimos X-men – Deslocados

Os enredos criados pelo Brian Bendis não são a sétima maravilha do mundo, mas entretêm por serem redondinhos e não terem a pretensão de ser um best seller. É interessante como as tramas são pensadas para colocar os personagens em conflito com os X-men Originais, como quando o Scott novo encontra o irmão Alex velho ou quando a Jean Grey encontra a filha do Mestre Mental. Mas essa edição também mostra os absurdos da Marvel. Os X-men esbarram em outra (?) equipe de Vingadores (justamente a liderada pelo Destrutor). Os Vingadores agem como se fosse a primeira vez, mas metade dos membros já haviam visitado a mansão nas histórias anteriores. E como assim “outra” equipe com os onipresentes Capitão América e Thor?! Nos tempos de Vingadores da Costa Oeste pelo menos haviam membros distintos em cada equipe. Sinal dos tempos…

Casanova Avaritia

Eu não sabia nada sobre Casanova. Apenas o que as imagens das capas me levaram a deduzir, de que seria alguma série noir de algum ladrão charmoso. O preço nada convidativo não despertava maiores interesses na compra, fora um nome que vinha na capa: Gabriel Bá. Então, quando este volume apareceu em promoção na Amazon, não pensei duas vezes! Comprei só por causa do desenhista. E qual a minha surpresa ao ver que se tratava de uma série de ficção científica misturada com noir e com muita maluquice psicodélica espaço-temporal! Só coisas que gosto bastante. E os desenhos? Que coisa mais linda! Já mencionei várias vezes que hoje em dia prefiro mais traços nessa pegada estilizada, tanto para ler quanto para desenhar. E o Gabriel Bá não me decepcionou. O cara faz parecer fácil! Li todo o volume babando! Um ponto negativo é que a Panini em lugar nenhum do encadernado indica que este é o terceiro volume. Isso acontece em várias outras coleções. Nesse caso não teve tanta importância pra mim, já que só comprarei os demais caso estejam em promoção. Mas pra quem coleciona é chato começar a leitura justamente pela conclusão da saga ou precisar fazer uma pesquisa antes de comprar. Basta colocar na capa o número do volume e facilitar a vida na hora de chegar numa banca ou livraria. Nem todo mundo hoje em dia para a vida exclusivamente pra ir a um lugar comprar gibi. Geralmente a pessoa está “passando” por ali e compra o que tiver chegado! Eu, por exemplo, compro alguns gibis e só vou ler algum tempo depois. Resultado: acabei comprando duas edições repetidas do Homem-Animal porque não lembrava da capa e os encadernados não têm o número do volume!

Batman Eterno #07

A queda do Pinguim acontece com cenas um tanto quanto confusas. Incomoda também as poses “ginecológicas” atribuídas à Mulher-Gato. Ela sempre teve como apelo a sua sensualidade, mas de uns tempos pra cá os desenhistas têm exagerado nos ângulos despropositadas.

Batman Eterno #08

O Batman aperta o cerco contra a bandidagem pra mostrar quem é que manda na cidade. Destaque para o traço Guillem March e as cores suaves de Tomeu Morey. O traço lembra vários outros desenhistas, mas o mais marcante é Joe Kubert por conta das hachuras mais firmes.

Batman Eterno #09

Foi só elogiar o tal de Guillem March, que o sujeito me vem com uma pose “ginecológica” da Mulher-Gato logo na página de abertura da história. Uma pena! Sem contar que esse uniforme de plástico da Selina Kyle é feio pra baralho! Tirando isso, é legal ver os caras usando os personagens da Corporação Batman. Só é um pouco estranho não estar nas mãos do Grant Morrison, mas diverte também.

Batman Eterno #10

Vamos falar novamente da Mulher-Gato! E dessa vez logo na capa! Será possível que não tenha uma criatura que consiga desenhar esse uniforme de plástico sem ficar esquisito. Me perdoe, mas parece uma camisinha gigante!!!! E não vou nem falar da pose! Cadê o Andy Kubert, que vinha sendo usado como capista? Pelo menos o Riccardo Burchielli consegue imprimir um traço com mais personalidade no miolo, embora logo de cara nos apareça com a Mulher-Gato amarrada numa cadeira com as pernas abertas apontando para direções extremamente opostas!

Batman Eterno #11

Vamos falar da BatGirl dessa vez! Que capa é essa, rapaz? É uma luta ou um relacionamento íntimo lésbico? Qual a necessidade dessa “abertura” de pernas da Bárbara? Sem contar com esse uniforme horrível a la “novos 52” cheio de detalhes que não dizem nada e que devem ser o pesadelo dos desenhistas! Pelo menos o Iam Bertram mostra um traço extremamente estilizado no miolo. Já mencionei que prefiro traços deste naipe hoje em dia. Alguns podem achar feio, mas essa pegada meio Frank Quitely me agrada mais do que os traços “realistas”. Aqui, mesmo sendo cheio de hachuras, você consegue entender o que está desenhado.

Força Psi #02

A HQ da Força Psi começa a ficar interessante ao mostrar questionamentos acerca do “recrutamento” que cria uma certa expectativa para os próximos capítulos. Essa pegada “Novos Mutantes” também agrada! Apesar disso, Estigma continua sendo a HQ mais divertida. O enredo não é uma sétima maravilha do mundo, mas o traço do Romita Jr. deixa tudo mais agradável de ler. Quem demonstra potencial é o Máscara Noturna, uma espécie de “Sandman” do Novo Universo, mesmo com um início um pouco confuso. Vamos ver no que dá!

Coleção História Marvel – Os Defensores – Volume 03

O Namor não é um personagem fácil de se gostar e, imagino, igualmente difícil de escrever. Sua arrogância e petulância podem afugentar os leitores. Por outro lado, sua nobreza, coragem e determinação, são valores que o tornam um personagem intrigante. Nesse volume dedicado ao Príncipe Submarino, vemos um Namor preocupado com o destino do seu povo, ao mesmo tempo em que tenta se desvencilhar de ameaças que, em alguns momentos, o deixam até indefeso. O belo traço do sempre competente John Buscema, aliado aos roteiros certeiros do não menos experiente Roy Thomas, proporcionam grandes momentos e encontros com personagens e inimigos clássicos, como Triton dos Inumanos e Lorde Attuma. Tem até a origem de um outro adversário que gosto muito, o Tubarão Tigre.

Mês que vem tem mais!

Vi no cinema: Guardiões da Galáxia Vol II

Assisti ao filme Guardiões da Galáxia Vol II e achei sensacional por vários motivos. O primeiro é porque o filme não usa a fórmula batida do “cada vez maior” para a sequência. Seu enredo é até mais contido do que o filme anterior, focando principalmente na busca do Senhor das Estrelas por sua identidade. Outro motivo é o fato de o filme também se conter em relação à interligação com o Universo Cinematográfico Marvel. Tudo bem que é divertido ver como cada filme está ligado ao outro. Mas, pelo menos da minha parte, já cansei um pouco disso! E Guardiões da Galáxia, a exemplo do Doutor Estranho e (um pouco) de Homem-Formiga, só insinua a interligação, sem a necessidade de cada acontecimento ter que obrigatoriamente repercutir o que aconteceu antes em outros filmes.

Mas o principal motivo de ter gostado bastante desse filme, foi ver algumas das criaturas e personagens mais bizarros e obscuros da Marvel em carne (?) e osso. Só pra ficar no principal personagem bizarro, nunca passou pela minha cabeça ver Ego, o Planeta Vivo, em toda a sua glória (não vou nem falar de outras criaturas que aparecem junto com o Stan Lee). E é claro que tudo isso trouxe várias referências à minha mente durante e depois do filme.

Só pra começar, me deu logo vontade de reler as histórias da Liga de Justiça Internacional por conta do mesmo tipo de humor que foi empregado no filme. Pra quem não conhece, essa versão da Liga surgiu como parte da reformulação da Crise nas Infinitas Terras, mas que só deu as caras mesmo após outra minissérie, Lendas. Como na época os maiores figurões da DC estavam tendo suas próprias reformulações (Superman, Mulher-Maravilha, Batman…), os roteiristas não liberaram seus personagens e coube a Keith Giffen e J.M. Dematteis a tarefa de se virar apenas com heróis de segundo escalão (tipo o James Gunn)! Só o Batman foi liberado porque o seu editor ficou com pena dos caras!

Daí surgiu a ideia de fazer uma Liga diferente, com pegadas de humor pastelão, do tipo que você está vendo hoje nos filmes dos Guardiões. Em meio a tantas histórias memoráveis (e impagáveis) recomendo o arco em que a Liga vai parar em Apokolipse para resgatar o Senhor Milagre que havia sido sequestrado a mando da Vovó Bondade, assecla de Darkseid. Nem preciso dizer que os heróis se metem em confusões inacreditáveis (O Caçador de Marte, a Grande Barda e o Gnort juntos em uma nave é demais!). Sem contar que o Lobo ainda está tentando assassinar o grupo. O arco começa mesmo por volta da edição 17, mas pega fogo nos números 21 e 22 (formatinhos da Abril).

Por falar em humor e criaturas bizarras, também veio à mente a sensacional Graphic Marvel 01: Hulk e o Coisa! Escrita pelo cara que “manja dos paranauê” cósmicos Jim Starlin e soberbamente desenhada pelo grande Berni Wrightson, o álbum conta a história de como os dois monstros foram “contratados” para entregar uma intimação para um chefão, só que do outro lado da galáxia. Sobram aí criaturas e situações impagáveis de todo jeito. Destaque para o “chapéu” que o Hulk usa para se disfarçar na multidão de aliens!

E por falar em Jim Starlin, outra obra que deu vontade de reler após o filme foi a Graphic Novel 03: A Morte do Capitão Marvel. A HQ narra, claro, os últimos momentos de vida do guerreiro kree e vemos um desfile de personagens cósmicos da Marvel, incluindo Thanos e a própria Morte. Sem contar vários dos super-heróis que também aparecem para prestar sua homenagem ao colega.

É claro que tem as referências mais óbvias, como A Saga de Thanos que traz, entre outras coisas, todo o surgimento de Adam Warlock, e a minissérie Desafio Infinito, que coloca o Titã louco de posse da manopla do infinito e mostra também a vingança da Nebulosa. Quem assistir ao Guardiões da Galáxia Vol II e ler as HQs, certamente vai começar a ter um vislumbre de como o Thanos pode vir a ser derrotado nos filmes vindouros!

Pra finalizar as referências, recomendo a minissérie em duas edições “Thanos: Em busca de Poder”. Escrita por Jim Starlin (claro!) e desenhada por Rom Lim, a história se passa antes de Desafio Infinito e mostra como Thanos conseguiu as joias do infinito.