O conveniente fundo verde

Uma vez li – ou vi, não lembro agora – um diretor de cinema, que também não vou lembrar agora quem era, falar que os efeitos especiais estavam no filme para não serem percebidos. E se fossem percebidos, é porque não estavam bons! Concordo com esse raciocínio e vou tentar explanar sobre isso.

Primeiramente, quero deixar claro que não sou diretor de cinema, não sou diretor de fotografia e muito menos técnico de efeitos especiais. Sou apenas o público-alvo que consome o produto “cinema”. Como público-alvo, incomoda-me o fato de sentar numa poltrona do cinema e ver cenas tão artificiais que impedem a minha imersão naquela realidade criada para o filme.

Vou tentar ser um pouco mais claro! Pegue como exemplo os três primeiros filmes do Indiana Jones. Você “acredita” que o arqueólogo aventureiro de fato está vivendo aquilo. Você “compra” aquela ideia e entra no filme! Agora pegue o quarto capítulo, aquele mesmo que tem título de filme da Xuxa! Em diversos momentos dá pra perceber o “fundo verde”, principalmente na cena de perseguição na Amazônia.

Não estou aqui repudiando o CGI e pedindo a volta dos efeitos práticos. Quem sou eu! Mas é um incômodo ver cenas nos quais personagens e ambientes mais parecem ser feitas de plástico! Observar aqueles personagens e ter a impressão de que não estão “lá”, mas que estão num palco com uma paisagem sendo transmitida em um telão por trás deles.

Agora, quer ver um exemplo de CGI imperceptível? Planeta dos Macacos: O Confronto! No começo do filme o espectador se maravilha com a verossimilhança dos macacos digitais. Dez minutos depois, esquece completamente disso e simplesmente entra naquele mundo. Ao invés de ficar o tempo todo dizendo “são macacos digitais”, simplesmente aceita que são macacos de “verdade” e imerge na história.

Uma grande quantidade de efeitos especiais não é desculpa para um filme inverossímil! Veja outro bom exemplo no recente Godzilla! Quer mais fundo verde do que aquele? Acontece o mesmo que em Planeta dos Macacos. Primeiramente o espectador fica boquiaberto com o nível do CGI. Depois esquece completamente e só quer saber de “sobreviver” àquela catastrófica batalha de monstros. Fica em pânico juntamente com os personagens. É crível! É imersão!

Recentemente comprei a versão estendida de O Senhor dos Anéis. Fazia tempo que não assistia a trilogia. Fiquei surpreso em perceber que, mesmo tendo sido feito há doze anos atrás, A Sociedade do Anel ainda é mais crível que os dois últimos filmes de O Hobbit, mesmo que a tecnologia atual esteja mais avançada. Ao assistir o trailer de terceiro O Hobbit, vi que a artificialidade continua a mesma. Não consigo “entrar” naquele mundo como entrei no mundo de O Senhor dos Anéis. A mesma sensação aconteceu quando vi o trailer do novo Mad Max. Enfim…

O fundo verde é muito conveniente e foi responsável por trazer à tona filmes de personagens de que gosto muito. Mas como dizia aquele diretor, quando você percebe os efeitos, por melhores que sejam, é porque não estão bons!

planeta-dos-macacos-a-origem

Andy Serkis em O Planeta dos Macacos: A origem

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s