O que andei lendo em janeiro/17

Sempre fiquei abismado com a quantidade absurda de páginas que o grande Sidney Gusman consegue ler por mês. Não pelo ato em si, porque para quem gosta de ler, isso é fichinha! Mas pelo fato dele conseguir ler por volta de 5 mil páginas mensais ao mesmo tempo em que trabalha como editor da MSP Produções, como editor do Universo HQ, é pai de família e mais umas quatrocentas outras coisas!

Não tenho tantas atribuições assim, mas o pouco que faço diariamente consome muito da minha energia física e mental. Resultado: é pegar um gibi (ou livro, ou jornal ou bula de remédio) pra ler e dar logo sono! É frustrante, porque também adoro ler! Assim, inspirado no Sidão, decidi registrar a minha leitura pra ver se realmente não leio mais como antigamente. O critério da brincadeira foi muito simples: não deixar de fazer as minhas obrigações para ler e, assim, “ganhar a competição”; e só registrar o que comecei e terminei a ler no mesmo mês, já que tenho vários livros que vou lendo aos poucos por conta de várias pesquisas que estou fazendo em paralelo.

Aproveitei também para escrever uma pequena opinião de cada gibi lido. Não é resenha, nem nada! Só impressões de um leitor. O resultado disso tudo, está aqui! Ah, e a quantidade de páginas lidas no mês de janeiro? Simplesmente 2.948! Nada mal!

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Doutor Octopus: Origem

A história é um pouco arrastada em alguns momentos e foge um pouco do que os fãs mais tradicionais estão acostumados ao Doutor Octopus, principalmente na ligação entre sua origem contada aqui e o primeiro encontro com o Homem-Aranha, totalmente diferente do concebido por Stan Lee e Steve Ditko. O destaque fica por conta da arte de Kaare Andrews que emula um pouco o traço do Tim Sale, apesar de se perder às vezes e parecer mais com o Scott McDaniels.

Tom Strong – Volume 04: Como surgiu Tom Stone

Alan Moore continua mostrando como se escreve histórias divertidas de super-heróis. Dessa vez, mostra uma linha temporal paralela criada por um pequeno detalhe no passado da mãe de Tom Strong que altera todo o decorrer da história e acaba gerando um outro personagem, o Tom Stone. As histórias têm uma rica continuidade, mas surpreendentemente não torna a leitura confusa. Ela serve aqui para dar profundidade aos personagens. É muito divertido ver as mirabolantes aventuras científicas da família Strong. Em alguns momentos lembram os bons e velhos tempos do Quarteto Fantástico do John Byrne.

Authority – Volume 01

As ameaças grandiloquentes de cada arco desse encadernado me fazem pensar o que mais o Warren Ellis vai inventar daqui para frente. Mesmo assim, é muito bom ler uma HQ de equipe na qual você sabe quem é quem e qual a função de cada personagem dentro dessa equipe. A arte de Bryan Hitch impressiona como sempre.

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Authority – Volume 02

O primeiro arco deste volume coloca o Authority contra Deus! Em alguns momentos a trama mirabolante lembrou-me um pouco os mangás de ficção científica, tipo Evangelion. Isso pra mim foi ótimo! Já o segundo arco, escrito pelo Mark Millar, mostrou-se um pouco enfadonho em alguns momentos. Pelo menos pude curtir a arte de Frank Quitely, do qual sou fã.

Authority – Volume 03

Tive um pouco de dificuldade em me acostumar com o desenhista que abre esse volume, já acostumado ao Bryan Hitch e ao Frank Quitely. Aí é onde entra o ótimo enredo! Pouco depois já não importava quem estava desenhando. Frank Quitely volta nos dois capítulos finais do primeiro arco e a história volta a ter uma identidade visual. Apesar de bom, o traço do primeiro desenhista é muito genérico. O encadernado fecha com algumas histórias que vejo como tapa-buracos. Não gosto muito disso, já que o valor de capa é um pouco salgado pra desperdiçar com histórias que não fazem parte da série regular. Maaas…

A Espada Selvagem de Conan #66

Desde que acabou a Saga da Rainha da Costa Negra, as histórias têm sido escritas pelo Michael Fleisher que, ao contrário do Roy Thomas que sempre apresenta boas tramas, oscila muito em seus roteiros, geralmente para ruim. Nesta edição, parece que o próprio John Buscema resolveu assumir as rédeas da situação e produziu, ele mesmo, o roteiro, deixando para o Michael Fleisher apenas os diálogos. E deu certo! A trama ganhou em qualidade. Ainda não é digna de um Roy Thomas, mas chega a dar aflição ver o Conan e alguns marujos tentando sobreviver em meio ao um cemitério de navios. A arte não está tão detalhada, mas as aguadas de nanquim e as hachuras dão um belo visual à história.

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A Espada Selvagem de Conan #67

A história que abre esta edição é sofrível, tanto no roteiro quanto nos desenhos. Tudo acontece muito rápido. Já a segunda, é abrilhantada pelo talento do Ernie Chan nos desenhos. Dá gosto ver o detalhamento das cenas, as ambientações. Você se sente junto com o Conan enfrentando o motim dos seus comandados piratas, ficando à mercê de um mar gélido e enfrentando Mamutes.

Indestrutível Hulk: Agente da Shield

O Hulk sempre foi o meu personagem favorito e faz tempo que não leio suas HQs “atuais”. Acho que desde “Hulk contra o Mundo”. E tudo por culpa dessas versões bizarras de Hulk Vermelho, Rick Jones Azul, Betty “Mulher-Hulk Vermelha e por aí vai. O personagem se perdeu em meio a tantas versões. Agora com o Indestrutível Hulk volto a ter um gostinho dos bons e velhos tempos do “Hulk Esmaga” nas mãos do Mark Waid. Não gosto muito de ver a Shield metida em tudo como acontece nos filmes da Marvel, mas faço vista grossa e simplesmente vou curtindo as histórias. As mais divertidas são as que aparecem o Thor e o Demolidor. As primeiras histórias até têm um enredo bacana (Hulk contra Attuma é muito bom!), mas se perdem na confusão visual do Leinil Francis Yu. Até curto bastante o seu traço desde os tempos do Wolverine, porém, o desenhista exagera no detalhamento em algumas páginas e deixa tudo confuso.

A Espada Selvagem de Conan #68

Sensacional trama de intriga entre duas gangues de traficantes de Lótus Negra com o Conan influenciando cada uma para acabar com a outra. Lembrou o filme O Último Matador, com o Bruce Willis. A arte de Ernie Chan completa o espetáculo.

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Superman: Terra Um – Volume Dois

Não sei exatamente o que esperar dessa linha da DC. Algo do tipo Ultimate Marvel, talvez? Só sei que o volume um de Superman: Terra Um é, de longe, muito melhor que o volume dois. A origem batida e confusa do Parasita e o confronto (também batido) com o Superman quase estragam de vez alguns conceitos interessantes trabalhados para a persona do Clark Kent. E é aí que a coisa está! A história se torna interessante apenas quando o Clark Kent está em cena. Quando o Superman aparece, o enredo parece não saber o que fazer com ele.

Demolidor por Frank Miller e Klaus Janson – Vol 02

Posso ler quantas vezes quiser essa fase do homem sem medo, que não vou me cansar. As histórias produzidas pela dupla Miller/Janson não envelhecem, só ganham em qualidade, principalmente nos tempos atuais com tantas histórias de gosto duvidoso. Os dois tinham histórias para contar. E não ficavam enrolando, iam direto ao ponto. Hoje em dia os autores pegam um fiapo de enredo e esticam a “baladeira” por seis edições para preencher um encadernado depois. Aqui, não! É um ritmo frenético de boas ideias por centímetro de quadrinhos. Principalmente este volume 2 em que é reapresentado o derradeiro destino da ninja Elektra nas mãos do Mercenário. Dá gosto de ler e reler!

Demolidor por Frank Miller e Klaus Janson – Vol 03

As primeiras histórias desse encadernado jogam um balde de água fria no leitor. Não por acaso, claro, já que o volume anterior terminou com o ritmo alucinante. Frank Miller não perderia a chance de frear um pouco a sua trama para aumentar ainda mais a expectativa do leitor. E vale a pena! Quando a Saga da Elektra, por assim dizer, é retomada, o ritmo volta a crescer e somos recompensados com uma conclusão de tirar o fôlego. De início é um pouco estranho se acostumar com o “lápis” do Klaus Janson. Apesar de ter o traço muito parecido com o Miller, tem algumas cenas que ficam estranhas (mesmo o estilo do Frank Miller não sendo tão convencional). Destaque também para o acerto de contas com o Mercenário em uma espécie de epílogo no final do encadernado.

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Demolidor – Volume 11

A primeira metade do encadernado encerra com maestria a fase do Mark Waid à frente dos roteiros do homem sem medo. Apesar de ter mais um acerto de contas com o Rei do Crime, o enredo diverte e mostra que é possível criar boas histórias quando se conhece bem os personagens que têm em mãos. A segunda metade do encadernado é o ponto fraco. A meu ver, a história da parceria entre o Demolidor e Misty Knight, de tão fraca, poderia ter sido simplesmente ignorada neste volume e no anterior. Assim, teríamos uma coleção “redondinha” de 10 volumes, sendo o décimo apenas com histórias escritas pelo Mark Waid. Enfim…

Patrulha do Destino: Rastejando dos escombros

Como eu sempre digo, Grant Morrison escreve pra si mesmo e quem gostar, gostou! Eu particularmente gosto muito! Mesmo não entendendo algumas loucuras das suas séries mais herméticas. Não é o caso da Patrulha do Destino. Esse primeiro volume passa a sensação de que ele está se segurando, começando a colocar suas bizarrices pra fora com cuidado para não afugentar o leitor que espera uma história de super-heróis. Mesmo assim, acostumado que sou à sua escrita, devorei o volume num pulo! As coisas acontecem sem muitas explicações didáticas. É aquilo que está sendo mostrado e pronto! E isso é ótimo!

Patrulha do Destino: A pintura que devorou Paris

É sensacional a forma como Grant Morrison apresenta uma sucessão de conceitos e boas ideias nas tramas cada vez mais surreais da Patrulha do Destino. O primeiro arco brinca com símbolos e significados inerentes aos movimentos da História da Arte. Já começa pelo nome da equipe de arqui-inimigos, A Irmandade do Dadá que, a grosso modo e à exemplo do Dadaísmo, seria algo como dizer “Irmandade de nada com coisa alguma”! Como sou artista plástico, li esse arco com interesse redobrado. A forma como a Patrulha do Destino derrota a ameaça catastrófica caberia horas e horas de debate. Como categorizar algo desprovido de significado, se o mero vislumbrar desse algo já atribui um significado? O traço de Richard Case está bem parecido com o do Keith Giffen, o que gosto bastante. Porém, creio que caberia um pouco mais de pesquisa dos movimentos artísticos para distingui-los melhor na história. O segundo arco já lida com elementos da literatura. Aqui, Morrison deita e rola na concepção de novos personagens e mundos bizarros. São tantos e tão ricos de caracterização, que ficamos com a sensação de que voltarão a aparecer novamente em alguma futura história. Fechando o encadernado, uma HQ única que trata com humor o destino (sem trocadilho!) da antiga Irmandade do Mal.

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A Espada Selvagem de Conan #69

Esta edição introduz um dos adversários mais cruéis e sanguinários do Cimério de Bronze: o capitão pirata Bor’Aqh Sharaq. O roteiro do Michael Fleisher se perde em alguns pontos e procura soluções fáceis para resolver problemas de localização geográfica dos personagens, como o fato de Conan saber a história do Templo da Criatura de Doze Olhos e sua localização. Tudo bem que o cimério teve tempo de “estudar” os planos do seu rival, mas o roteiro dá uma derrapada ao mostrar que a ex-mulher de Sharaq não conhecia os mesmos planos. Mesmo assim, a arte primorosa do sempre sensacional Alfredo Alcala faz com que esses detalhes passem despercebidos.

Patrulha do Destino: Rua Paraíso abaixo

Eis o problema de se apresentar novos conceitos a cada arco de histórias: o enredo utiliza muito do “tempo” das HQs para apresentar ao leitor esses novos conceitos do que levando a trama adiante. Resultado: a resolução parece simplória e resolvida às pressas. Se lidas mensalmente, nem dá pra perceber tanto esse problema. Mas quando compiladas em encadernados, conseguimos “ver” melhor. Isso quer dizer que as históricas são ruins? Claro que não! Grant Morrison é Grant Morrison, afinal de contas! E é justamente nessa riqueza de detalhes na construção de novos mundos bizarros que a Patrulha do Destino encontra a cada arco que reside o fascínio de tramas escritas pelo escocês. Ocorreu-me até um pensamento enquanto lia esse volume: “A Patrulha do Destino parece o Arquivo X dos quadrinhos”. Destaque também para as magníficas capas das edições originais produzidas pelo Simon Bisley.

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Uma resposta em “O que andei lendo em janeiro/17

  1. BONS tempos aquele, eu comprava minha espada selvagem , saía da banca feliz, até realizado kkkkkkkkkkkkkkkkkk quem é veinho’ se lembra………..não tinha nada, porra nenhuma, ler gibi do conan era uma das grandes diversões do período……………………. e eu ficava relendo e relendo dias, contemplando as imagens da revista, hoje meu pai é falecido mas lia muito também, até fico emocionado dizendo isto aqui, me reconciliei com ele no dia de sua morte, na cama de hospital…………………………. os quadrinhos foi umas das poucas coisas que nos uniram

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