O que andei lendo em outubro de 2017

Fazia tempo que eu não publicava as dicas de leitura. Mas tem um motivo pra isso: aquela história de ficar contando as páginas lidas por mês acabou deixando a leitura muito engessada e menos divertida. Então parei de contar e, por conta disso, catalogar o que ia lendo. Ou seja, voltei à programação normal!

Agora, só de vez em quando é que vou publicar algo, principalmente se tiver alguma coisa pertinente para falar sobre alguma obra. Nem sempre serão palavras elogiosas, como é o caso da série “X-men ‘92”!

01

Quando soube do lançamento dessa série nos EUA, fiquei muito empolgado em ler, fã que sou dos heróis mutantes e da animação. Concluída a publicação aqui no Brasil (em três encadernados), a conclusão a que cheguei foi que a Marvel perdeu uma ótima oportunidade de fazer uma série, senão memorável, pelo menos prazerosa de se ler.

O que tornou a série animada memorável foi o fato de ter um elenco enxuto. Mesmo com diversas participações especiais, todo mundo sabia quem eram os X-men “oficiais”. Outro ponto positivo foram as histórias contidas em apenas um episódio. Quando muito, uma trama se estendia por dois, no máximo, quatro episódios (casos da Saga da Terra Selvagem e da Saga da Fênix). Por fim, as adaptações, também enxutas, das principais sagas dos quadrinhos e a interação “interpessoal” entre os personagens foram pontos positivos da animação.

02

Os roteiristas do gibi parecem não ter captado o espírito da coisa. Ao invés de captar o melhor que o desenho animado ofereceu, resolveram pegar o “melhor” (#SQN) que os anos 90 mostraram nos quadrinhos! Estão lá a equipe abarrotada de integrantes! É tanta gente, que você acaba se perdendo em muitas partes da história! X-men, Geração X, X-Factor, X-Force, X-Ninhada (não me pergunte…), misturados com outra penca de mutantes descartáveis criados na fase do Grant Morrison! Aos desenhistas, coube a tarefa de representar caras e caretas infantilóides, como se precisassem disso para dizer que a série é baseada em uma animação.

03

Quanto às tramas… também o pior dos anos 90 dos gibis! Lembra daquela pataquada de Upstarts, que eram um grupo formado por um tal de GameMaster para ganhar pontos caçando mutantes? Pois é! Nem eu lembrava dessa baboseira! Mas aqui, é a trama principal que permeia toda a série. O que ainda escapa é um ou outro momento com alguns episódios com vampiros. E nem vou falar do primeiro volume que, relacionado às Guerras Secretas, mostra um embate requentado com a Cassandra Nova (sim, a irmã gêmea do Xavier!). Se quiser saber mais sobre o primeiro volume, falei sobre isso aqui!

Como não só de nostalgia vive o leitor, a série foi cancelada! Na minha opinião, deveriam ter se inspirado em outra adaptação de animação para os gibis: Batman – Gotham Adventures. As histórias dessa série seguem totalmente a cartilha do desenho animado, com tramas episódicas, concisas, com um traço limpo, bonito, cartunesco, mas sem deixar os personagens abobados. Em muitas ocasiões, confesso que confundo em minha memória se algum episódio eu li ou assisti, de tão bons que são! Quem quiser dar uma lida, saiu por aqui em formatinho pela Editora Abril com o título “Batman: Gotham”!

11

23

É uma pena que “X-men ’92” tenha ficado do jeito que ficou! Para quem é fã dos heróis mutantes, realmente está faltando uma série “fechada” e sem tantas pretensões, apenas a de contar boas histórias. Agora é esperar pela “X-men Grand Design” e ver no que dá!

03

06

Agradecimentos ao site Guia dos Quadrinhos, de onde tirei a maioria das capas aqui expostas. =)

Anúncios

Batman Vs. Superman Vs. Deadpool na MAD 89

A primeira “matéria” de capa a gente nunca esquece! Depois de tanto insistir, pelejar, implorar, rastejar, o editor finalmente permitiu que eu fizesse a principal história em quadrinhos da edição do mês! Que alegria, que honra, que felicidade! Que trabalheira! É, deu uma trabalheira danada produzir a HQ de 06 páginas que acompanha o tema desta edição. Foi muita pesquisa e rascunhos de personagens e cenários até que tudo ficasse redondinho. Algum dia eu mostro o processo criativo pra vocês! Até o último número em que participei, havia produzido todos os quadrinhos 100% por meio digital. Mas dessa vez, dada a importância da ocasião, fiz questão de fazer à moda antiga (pelo menos lápis e arte-final): na mão, no papel e na raça! “Deadpool contra Batman e Superman” foi publicado na MAD 89, tem roteiro do Antonio Tadeu e todo o resto por minha conta e risco! Divirta-se!

Os super-heróis discutem a relação na MAD 88

Sabe quando você é pivete e fica fazendo aquelas disputas entre super-heróis, do tipo “quem venceria uma luta entre o Hulk e o Thor” ou “quem é mais forte, o Superman ou o Shazam”? Pois é! Eu costumava me fazer essas e outros tipos de perguntas também, meio óbvias, como “por que as calças do Hulk não rasgam” ou “se o botão do disparador de teias fica na palma da mão, por que não sai teia a torto e a direito quando o Homem-Aranha está de punho fechado socando os vilões”??? Essa eu acho que ninguém nunca se perguntou! Enfim… Com o passar do tempo, passei a me questionar como os super-heróis resolveriam uma “treta” com as suas digníssimas e os seus digníssimos! E nada melhor do que usar a revista MAD para tentar responder! Assim surgiu a HQ “Quando os super-heróis têm uma D.R.”, publicada na MAD 88 com roteiro e desenhos por minha conta. Divirta-se!

mad-88_super-herois-tem-uma-dr_pag-01

mad-88_super-herois-tem-uma-dr_pag-02

O que andei lendo em Fevereiro de 2017

Neste mês de fevereiro voltei à sala de aula. Como todos sabem (ou não) ministrar aulas não é apenas chegar no dia e passar o conteúdo para os alunos. Temos toda uma preparação antes em casa. Mas o que isso tem a ver com os gibis? Isso quer dizer que o meu já escasso tempo para a leitura ficou ainda menor! Nesses períodos de aulas (e mais o trampo no estúdio), costumo ler para dar uma arejada na cabeça. Então dou preferência para HQs mais curtas que dê para ler de “bate-pronto”. Curiosamente, nessa lista de fevereiro tem uma predominância de velharias. Além de não curtir muito as HQs atuais (pelo menos as dos supers…), tenho muita coleção de gibis mais antigos que estou juntando aos poucos e também lendo aos poucos. Lembrando que o que escrevi sobre cada leitura não é uma resenha. Não tenho nenhuma pretensão disso! São apenas comentários que eu faria se estivesse conversando com um amigo. Ah, este mês o saldo foi de 2.020 páginas lidas. Vamos ao que interessa…

leitura-01

Kingdom Hearts – 01 de 04

O mangá demora um pouco a engrenar. Os personagens vão sendo apresentados em meio a acontecimentos desconexos e deixa a história confusa em alguns momentos. Não sei se tive essa impressão porque não conheço o game. De qualquer forma, quando aparecerem os personagens Disney, o enredo começa a ganhar em diversão, principalmente do meio pro fim, quando surge uma certa vilã Disney.

Kingdom Hearts – 02 de 04

Esta edição é um deleite de diversão! Os personagens começam a visitar vários cenários conhecidos dos desenhos animados Disney, como Agrabah e o Olimpo. A diversão fica por conta da interação entre Donald e Pateta com Alladin e Hércules, por exemplo. Lembrou-me os gibis antigos de Disney Especial e Almanaque Disney, onde essa interação entre “núcleos” era mais comum. A aliança entre os vilões também é um dos destaques. O ponto fraco, por incrível que pareça, são os personagens “japoneses”. Parecem deslocados. Mas o traço limpo e preciso de Shiro Amano (bem menos confuso nessa edição) compensa essa estranheza.

Kingdom Hearts – 03 de 04

Nesta edição, os personagens visitam os mundos da Pequena Sereia e do Peter Pan. O traço do Shiro Amano está ainda mais solto e agradável. É surpreendente como ele consegue desenhar tantos personagens clássicos da Disney. O enredo finalmente engrena de vez e chega a empolgar.

leitura-02

Kingdom Hearts – 04 de 04

Na conclusão da minissérie, o verdadeiro vilão por trás da destruição dos mundos é revelado. Cheguei a pensar em “Crise nas Infinitas Terras” da Disney enquanto lia este capítulo final. A história demorou um pouco a ganhar força no primeiro capítulo, mas chega ao final deixando um gostinho de quero mais. Vamos ver se encontro as outras minisséries.

O Incrível Hulk #15

Esta é do “tempo do ronca”. Dificilmente a garotada de hoje em dia curtiria essas histórias, ainda mais pela limitação gráfica da edição brasileira. Mesmo assim, é uma diversão nostálgica voltar a ler o bom e velho Hulk “esmaga” verde e burro contra vilões clássicos como o monstro de eletricidade Zzzax e o cientista-chefe da IMA Modok. Sem falar no velho drama de amor entre Bruce Banner e Betty Ross. Tudo no traço do grande Herb Trimpe (aquele que desenhou a primeira aparição do Wolverine nos gibis). E por falar na Betty, que saudade desses coadjuvantes que não vemos mais hoje em dia, como o General Ross (sem aquela aberração de Hulk Vermelho), Glen Talbot (aqui, como esposo de Betty) e Jim Wilson. Destaque para a aparição do Gavião Arqueiro, aqui chamado de “Falcão” pela tradução antiga. Bons tempos!

O Incrível Hulk #16

Esta edição dá continuidade aos planos de Modok contra o Hulk. O vilão transforma a Betty Ross na terrível Harpia (não confundir com aquela dos Vingadores) e a joga contra o gigante verde. Outro vilão clássico do Hulk dá as caras neste número, literalmente, já que o Bifera possui duas cabeças, uma em cima da outra! O traço do Herb Trimpe está destruidor como sempre. Infelizmente a história continua na edição seguinte… exemplar que ainda não tenho na coleção!

leitura-03

O Incrível Hulk #19

O Incrível Hulk enfrenta o Homem-Cobalto em plena Austrália. O interessante dessa fase é justamente esse status de “andarilho” do gigante verde. Suas histórias acontecem em qualquer parte do mundo, do universo e até de outras dimensões! Tanto é que, como consequência do confronto com o Homem-Cobalto, o Hulk vai parar no Himalaia, exatamente onde fica o Grande Refúgio que, como sabemos, é o lar dos Inumanos. Nem preciso dizer que o confronto é espetacular. Principalmente quando o Raio Negro entra na briga!

O Incrível Hulk #25

Finalmente a ação retorna para a boa e velha Base Gama no deserto do Novo México. Mas não demora muito, e o gigante verde acaba indo parar na Rússia em meio a um resgaste alucinante do Coronel Glen Talbot. Os créditos da arte citam apenas Herb Trimpe e Joe Staton, sem citar quem fez o quê. O que é certo é que os desenhos perderam a consistência, apesar de tentar emular o traço do Jack “The King” Kirby.

O Incrível Hulk #27

Só personagens clássicos aparecem nesta edição, a começar por Glorian, o ser de pele dourada que sempre oferece ao gigante verde o sonho de uma vida de paz. E se o Glorian aparece, não tarda para o alienígena Figurador dar as caras. Esse inimigo do Hulk é muito interessante, já que possui o imenso poder de tornar qualquer coisa realidade mas, no entanto, não possui imaginação para criar nada, e se alimenta da imaginação dos outros. E é exatamente da “imaginação” do Hulk que o Figurador concebe um mundo perfeito para o gigante verde onde encontramos inclusive a sua amada Jarella. Mas não tarda para outros personagens clássicos reaparecerem para estragar tudo, os Homens Sapo! A primeira história com arte-final de Marie Severin, creio eu, casou muito bem com o traço do Herb Trimpe. Já a segunda tem uma leve queda de qualidade com a volta do Joe Staton.

leitura-04

O Incrível Hulk #28

As histórias dessa edição não condizem com a anunciada na capa. Na primeira, o Hulk enfrenta uma espécie de Monstro do Lago Ness. O enredo é bem arrastado e cansativo para uma HQ de 20 páginas. O ritmo de pancadaria ao estilo “Hulk Esmaga” volta a predominar a segunda história com o retorno do Doutor Samson, aqui chamado de Doutor “Sansão” pela tradução da época.

O Incrível Hulk #33

Jarella e Sal Buscema: dois motivos que me fizeram literalmente devorar esta edição. Primeiro, porque adoro as histórias envolvendo a amada microscópica do gigante verde. Segundo, porque cresci lendo o Hulk desenhado pelo Sal Buscema e, pra mim, este é o visual definitivo do personagem. Também gosto do Herb Trimp, mas com o Sal Buscema, o Hulk ganha uma dramaticidade maior nas expressões e nos movimentos. Sem contar com a narrativa do Sal, que é bem melhor.

A Espada Selvagem de Conan #44

Sempre achei essa arte produzida pelo Joe Jusko uma das melhores capas da Espada Selvagem de Conan. Pena que as histórias contidas nesta edição não sigam a mesma qualidade. A primeira HQ dá continuidade à Saga da Rainha da Costa Negra e narra o primeiro contato de Conan com os mares. Nem parece que foi escrita pelo Roy Thomas, de tão fraca! As outras duas histórias seguintes são meros tapa-buracos com personagens obscuros para encher linguiça e “esticar” por mais edições a saga da Bêlit.

leitura-05

O Incrível Hulk #39

O Hulk enfrenta o Valete de Copas e, em seguida, é abduzido pelo Aeroporta-aviões da Shield a fim de combater o Bi-fera, que se apoderou do quartel voador. O traço de Sal Buscema continua sensacional, agora na arte-final de Ernie Chan.

O Incrível Hulk #40

Sempre gostei dessas capas “mistas” mostrando os personagens que aparecem na revista. Esta, por exemplo, traz um reforço de peso ao gibi do Golias Verde, nada mais, nada menos que sua prima Jennifer Walters, conhecida pela alcunha de Mulher-Hulk. Para quem está familiarizado com a sua versão “Sensacional”, é interessante ler um material do seu tempo de “Selvagem”. Aqui, a Mulher-Hulk enfrenta as consequências que a levaram a se tornar o que é hoje. E quanto ao Hulk? Temos o embate final com o Bi-fera nas alturas do Aeroporta-Aviões da Shield (chamado pela tradução da época de “Helicargueiro”). A HQ é soberbamente desenhada por Sal Buscema com arte-final espetacular de Ernie Chan.

O Incrível Hulk #41

Uma das coisas que eu gostava muito na época do “Hulk Esmaga” eram as pausas no esquema “Ross caça Hulk” para apresentar histórias mais introspectivas. Essas histórias geralmente eram bem próximas do seriado de TV e o Hulk quase sempre se apaixonava por alguém. É o caso dessa edição, em que ele encontra um grupo bizarro no meio de uma floresta após sobreviver ao confronto com o Bi-fera na edição anterior. A arte espetacular fica por conta de Sal Buscema e Ernie Chan, cada vez mais à vontade um com o outro.

leitura-06

O Incrível Hulk #45

Por falar em histórias “introspectivas”, esta edição traz mais uma nesse estilo. O Hulk está enfrentando o exército quando se depara com duas crianças, um menino e uma menina. Os dois levam Bruce Banner a encarar uma realidade bizarra que envolve um terceiro irmão, lixo radioativo e canibalismo. E tudo isso no traço sensacional de Alfredo “Conan” Alcala. O seu Hulk lembra um pouco o desenhado pelo grande Bernie Wrightson. A história da Mulher-Hulk dá início a uma trama que a colocará em rota de colisão contra o Homem-Coisa, aqui chamado pela tradução de “Coisa Humana”. O projeto gráfico do gibi ganhou algumas melhorias, como mais páginas para a seção de correspondência e uma página para anunciar as HQs do próximo número. É interessante ver como a concorrência da Editora Abril começava a desbancar a RGE.

A Espada Selvagem de Conan #58

Não é todo mundo que consegue escrever o Conan. Esta edição escrita por Chris Claremont é a prova disso. O roteirista até se esforça, mas tudo o que coloca nos quadrinhos soa forçado e gratuito, como quando Conan tem um devaneio dos seus tempos de Ciméria em que salva um grande amigo ou quando o cimério aceita uma missão de escoltar uma mulher fazendo um pacto de sangue para cumprir a tal missão! Isso sem contar que Conan fica perdidamente apaixonado pela mulher e passa a história inteira se declarando e insistindo que eles fujam para serem felizes. Esse não é o Conan que conheço! A história é arrastada e confusa em alguns momentos graças ao desenho muito escuro de Val Mayerick. Bem diferente da segunda HQ da revista, escrita por Roy Thomas e desenhada pela lenda Gil Kane que mostra, de forma bem dinâmica, como Conan conheceu o vanir Fafnir.

A Espada Selvagem de Conan #70

Michael Fleischer dá continuidade à saga de Conan versus Bor’Aqh Sharaq. Dessa vez, o cimério acaba se envolvendo com um pai e uma filha que precisam viajar até uma região pantanosa para evitar que um demônio milenar retorne à Terra. Enquanto isso, o corsário baracho Bor’Aqh Sharaq percorre o rastro de Conan em busca de sua vingança. O destaque fica por conta da belíssima arte de Alfredo Alcala. Na segunda história, John Buscema apresenta com a competência de sempre um enredo de terror nas profundezas de um castelo.

leitura-07

A Espada Selvagem de Conan #71

E continua a saga de Bor’Aqh Sharaq! Sim, ele está vivo! O que, em se tratando de Conan, é muito estranho um inimigo “normal”, embora sanguinário, durar tanto! Claro que isso começa a ficar repetitivo e enfadonho! Parece que o Michael Fleischer achou que havia criado o melhor personagem do universo e quis usá-lo o maior tempo possível! Pelo menos o enredo principal, em que Conan vai em busca de uma cidade perdida, é bem conduzido e tem um quê de aventura que empolga. O problema é quando o tal corsário baracho reaparece! Enfim…

Sonja: Crânios Flamejantes – 01 de 03

Quem era acostumado, assim como eu, a ler as histórias da guerreira ruiva desenhadas pelo Frank Thorne, pode estranhar um pouco o estilo de desenho mais “Image Comics” dessa edição. Graficamente, a revista é um primor, mas o traço carece um pouco de personalidade própria, principalmente nas feições da Sonja. O problema é que o visual concebido por Thorne era imbatível! Mas para quem nunca leu as HQs das “antigas”, não vai ter problema nenhum. Ah, rola uma homenagem ao grande desenhista na segunda parte dessa edição (repare no nome do cavalo da Sonja). Quanto à história, começa meio sem rumo, com uma missão misteriosa que Sonja precisa cumprir, mas que não fica exatamente clara para o leitor qual seria. Na hora da briga, a guerreira Hirkaniana permanece impecável e até resolve algumas situações de forma bem engenhosa. Boa também é a explicação – rápida – que o roteirista dá para justificar (hoje em dia precisa disso…) o diminuto traje da Sonja.

Sonja: Crânios Flamejantes – 02 de 03

Nesta edição, a história descamba pro velho clichê “vamos derrubar o ditador deste reino”! A todo momento Sonja é descrita como a “escolhida” que apareceria na cidade para salvar o povo. No entanto, se você remover a guerreira ruiva de todo o enredo, fica a sensação que daria no mesmo. Então é inevitável surgir a pergunta: “se tanto faz a presença dela ou não, por que os rebeldes não agiram antes? ”. Vamos ver se a derradeira terceira edição mostrará porque Sonja é tão importante, afinal!

leitura-08

Sonja: Crânios Flamejantes – 03 de 03

Na conclusão da minissérie, temos um “mais do mesmo”. Sonja consegue invadir o castelo e chegar até o ditador. Mas até aí, qualquer um conseguiria, da forma como é mostrado no enredo. Talvez o seu poder de liderança e determinação tenham sido fatores preponderantes para cumprir a missão, quem sabe? Uma reflexão ao final salva um pouco o desfecho dessa história, quando a tribo que passou tempos sendo oprimida e violentada pelo ditador do reino, toma o poder com igual – ou até pior – dose de violência (inclusive contra crianças). Esse povo foi realmente “salvo”? Destaque para a capa sensacional de Alex Ross.

O lado sombrio dos contos de fadas

O objetivo do livro, a despeito do que o título possa denotar, não é acabar com a infância de ninguém! Sua autora procura contextualizar historicamente os contos de fadas e entender como se originaram. Trata-se de uma abordagem “superinteressante”, se levarmos em conta que tudo ao nosso redor é produto do nosso tempo. Assim, procurando enxergar os contos de fadas com os olhos da época em que foram surgindo, conseguimos entender de onde vieram tantos conceitos, histórias e personagens fascinantes. Não apenas isso, a autora mostra no livro a “real” história dos contos de fadas, que foram lapidadas ao longo do tempo (de acordo com cada contexto histórico) e chegaram até nós nas versões “açucaradas” de Walt Disney. Excelente leitura!

A Espada Selvagem de Conan #72

Mais um capítulo da interminável rixa entre Bor’Aqh Sharaq e Conan! Aqui, Michal Fleisher ultrapassa todos os limites do absurdo para justificar o fato de o corsário baracho ainda estar vivo. E olha que estamos falando da Era Hiboriana, onde o absurdo é coisa corriqueira! Pra completar o péssimo enredo, temos um desenho medonho executado por Dave Simons. Salvam-se apenas alguns efeitos de aguadas e cinzas. Já estou até com medo de abrir a próxima edição e me deparar de novo com esse corsário. A julgar de como termina a história desse número, parece que isso ainda vai longe… Por Crom!

 

Agradecimento especial ao pessoal do Guia dos Quadrinhos, de onde peguei a maioria das capas restauradas aqui publicadas. =D

Sátira de “Divertida Mente” na MAD #86

Quando o filme da Pixar “Divertida Mente” estreou, fiquei impressionado com a riqueza de detalhes e sutileza com que o estúdio conseguiu transportar para a tela aspectos psicológicos tão complexos. E nem preciso falar da qualidade da animação, sempre soberba. O que me chamou a atenção também foram os personagens na mente da menininha. Na época eu estava trabalhando em outra pauta para a MAD, mas a ideia de uma sátira veio com tanta força na minha mente (não podia perder a piada. hehe), que não tive dúvidas e apresentei ao meu editor. Assim surgiu “DiverDilma Mente”, com roteiro e arte por minha conta e risco, publicada na MAD #86! Divirta-se!

mad-86_diverdilmamente_pag-01

mad-86_diverdilmamente_pag-02

mad-86_diverdilmamente_pag-03

O Exterminador na MAD #86

“O Exterminador Com Muitos Furos” foi publicado na MAD 86 com roteiro de João Luis Jr. e arte por este que vos escreve (mais conhecido como “eu mesmo”!).

mad-86_problemas-do-exterminador_pag-01-e-02

Coisas que publiquei na MAD

Em 2016 tive a imensa alegria de compor o time criativo da revista MAD. A garotada mais nova deve conhecer a sua versão “animada” do Cartoon Network. Passados alguns meses desde a minha estreia, vou começar a reproduzir aqui o que saiu nas páginas da revista. A HQ “10 Dicas MAD para quem quer pagar de Nerd” tem roteiro e arte por minha conta e foi publicado na MAD #84. Divirta-se e pára de apenas assistir ao Cartoon Network e vai numa banca comprar a revista!!! Hehe!!

mad-85_dicas-mad-para-pagar-de-nerd_pag-01-e-02

mad-85_dicas-mad-para-pagar-de-nerd_pag-03

O que andei lendo em janeiro/17

Sempre fiquei abismado com a quantidade absurda de páginas que o grande Sidney Gusman consegue ler por mês. Não pelo ato em si, porque para quem gosta de ler, isso é fichinha! Mas pelo fato dele conseguir ler por volta de 5 mil páginas mensais ao mesmo tempo em que trabalha como editor da MSP Produções, como editor do Universo HQ, é pai de família e mais umas quatrocentas outras coisas!

Não tenho tantas atribuições assim, mas o pouco que faço diariamente consome muito da minha energia física e mental. Resultado: é pegar um gibi (ou livro, ou jornal ou bula de remédio) pra ler e dar logo sono! É frustrante, porque também adoro ler! Assim, inspirado no Sidão, decidi registrar a minha leitura pra ver se realmente não leio mais como antigamente. O critério da brincadeira foi muito simples: não deixar de fazer as minhas obrigações para ler e, assim, “ganhar a competição”; e só registrar o que comecei e terminei a ler no mesmo mês, já que tenho vários livros que vou lendo aos poucos por conta de várias pesquisas que estou fazendo em paralelo.

Aproveitei também para escrever uma pequena opinião de cada gibi lido. Não é resenha, nem nada! Só impressões de um leitor. O resultado disso tudo, está aqui! Ah, e a quantidade de páginas lidas no mês de janeiro? Simplesmente 2.948! Nada mal!

leitura-01

Doutor Octopus: Origem

A história é um pouco arrastada em alguns momentos e foge um pouco do que os fãs mais tradicionais estão acostumados ao Doutor Octopus, principalmente na ligação entre sua origem contada aqui e o primeiro encontro com o Homem-Aranha, totalmente diferente do concebido por Stan Lee e Steve Ditko. O destaque fica por conta da arte de Kaare Andrews que emula um pouco o traço do Tim Sale, apesar de se perder às vezes e parecer mais com o Scott McDaniels.

Tom Strong – Volume 04: Como surgiu Tom Stone

Alan Moore continua mostrando como se escreve histórias divertidas de super-heróis. Dessa vez, mostra uma linha temporal paralela criada por um pequeno detalhe no passado da mãe de Tom Strong que altera todo o decorrer da história e acaba gerando um outro personagem, o Tom Stone. As histórias têm uma rica continuidade, mas surpreendentemente não torna a leitura confusa. Ela serve aqui para dar profundidade aos personagens. É muito divertido ver as mirabolantes aventuras científicas da família Strong. Em alguns momentos lembram os bons e velhos tempos do Quarteto Fantástico do John Byrne.

Authority – Volume 01

As ameaças grandiloquentes de cada arco desse encadernado me fazem pensar o que mais o Warren Ellis vai inventar daqui para frente. Mesmo assim, é muito bom ler uma HQ de equipe na qual você sabe quem é quem e qual a função de cada personagem dentro dessa equipe. A arte de Bryan Hitch impressiona como sempre.

leitura-02

Authority – Volume 02

O primeiro arco deste volume coloca o Authority contra Deus! Em alguns momentos a trama mirabolante lembrou-me um pouco os mangás de ficção científica, tipo Evangelion. Isso pra mim foi ótimo! Já o segundo arco, escrito pelo Mark Millar, mostrou-se um pouco enfadonho em alguns momentos. Pelo menos pude curtir a arte de Frank Quitely, do qual sou fã.

Authority – Volume 03

Tive um pouco de dificuldade em me acostumar com o desenhista que abre esse volume, já acostumado ao Bryan Hitch e ao Frank Quitely. Aí é onde entra o ótimo enredo! Pouco depois já não importava quem estava desenhando. Frank Quitely volta nos dois capítulos finais do primeiro arco e a história volta a ter uma identidade visual. Apesar de bom, o traço do primeiro desenhista é muito genérico. O encadernado fecha com algumas histórias que vejo como tapa-buracos. Não gosto muito disso, já que o valor de capa é um pouco salgado pra desperdiçar com histórias que não fazem parte da série regular. Maaas…

A Espada Selvagem de Conan #66

Desde que acabou a Saga da Rainha da Costa Negra, as histórias têm sido escritas pelo Michael Fleisher que, ao contrário do Roy Thomas que sempre apresenta boas tramas, oscila muito em seus roteiros, geralmente para ruim. Nesta edição, parece que o próprio John Buscema resolveu assumir as rédeas da situação e produziu, ele mesmo, o roteiro, deixando para o Michael Fleisher apenas os diálogos. E deu certo! A trama ganhou em qualidade. Ainda não é digna de um Roy Thomas, mas chega a dar aflição ver o Conan e alguns marujos tentando sobreviver em meio ao um cemitério de navios. A arte não está tão detalhada, mas as aguadas de nanquim e as hachuras dão um belo visual à história.

leitura-03

A Espada Selvagem de Conan #67

A história que abre esta edição é sofrível, tanto no roteiro quanto nos desenhos. Tudo acontece muito rápido. Já a segunda, é abrilhantada pelo talento do Ernie Chan nos desenhos. Dá gosto ver o detalhamento das cenas, as ambientações. Você se sente junto com o Conan enfrentando o motim dos seus comandados piratas, ficando à mercê de um mar gélido e enfrentando Mamutes.

Indestrutível Hulk: Agente da Shield

O Hulk sempre foi o meu personagem favorito e faz tempo que não leio suas HQs “atuais”. Acho que desde “Hulk contra o Mundo”. E tudo por culpa dessas versões bizarras de Hulk Vermelho, Rick Jones Azul, Betty “Mulher-Hulk Vermelha e por aí vai. O personagem se perdeu em meio a tantas versões. Agora com o Indestrutível Hulk volto a ter um gostinho dos bons e velhos tempos do “Hulk Esmaga” nas mãos do Mark Waid. Não gosto muito de ver a Shield metida em tudo como acontece nos filmes da Marvel, mas faço vista grossa e simplesmente vou curtindo as histórias. As mais divertidas são as que aparecem o Thor e o Demolidor. As primeiras histórias até têm um enredo bacana (Hulk contra Attuma é muito bom!), mas se perdem na confusão visual do Leinil Francis Yu. Até curto bastante o seu traço desde os tempos do Wolverine, porém, o desenhista exagera no detalhamento em algumas páginas e deixa tudo confuso.

A Espada Selvagem de Conan #68

Sensacional trama de intriga entre duas gangues de traficantes de Lótus Negra com o Conan influenciando cada uma para acabar com a outra. Lembrou o filme O Último Matador, com o Bruce Willis. A arte de Ernie Chan completa o espetáculo.

leitura-04

Superman: Terra Um – Volume Dois

Não sei exatamente o que esperar dessa linha da DC. Algo do tipo Ultimate Marvel, talvez? Só sei que o volume um de Superman: Terra Um é, de longe, muito melhor que o volume dois. A origem batida e confusa do Parasita e o confronto (também batido) com o Superman quase estragam de vez alguns conceitos interessantes trabalhados para a persona do Clark Kent. E é aí que a coisa está! A história se torna interessante apenas quando o Clark Kent está em cena. Quando o Superman aparece, o enredo parece não saber o que fazer com ele.

Demolidor por Frank Miller e Klaus Janson – Vol 02

Posso ler quantas vezes quiser essa fase do homem sem medo, que não vou me cansar. As histórias produzidas pela dupla Miller/Janson não envelhecem, só ganham em qualidade, principalmente nos tempos atuais com tantas histórias de gosto duvidoso. Os dois tinham histórias para contar. E não ficavam enrolando, iam direto ao ponto. Hoje em dia os autores pegam um fiapo de enredo e esticam a “baladeira” por seis edições para preencher um encadernado depois. Aqui, não! É um ritmo frenético de boas ideias por centímetro de quadrinhos. Principalmente este volume 2 em que é reapresentado o derradeiro destino da ninja Elektra nas mãos do Mercenário. Dá gosto de ler e reler!

Demolidor por Frank Miller e Klaus Janson – Vol 03

As primeiras histórias desse encadernado jogam um balde de água fria no leitor. Não por acaso, claro, já que o volume anterior terminou com o ritmo alucinante. Frank Miller não perderia a chance de frear um pouco a sua trama para aumentar ainda mais a expectativa do leitor. E vale a pena! Quando a Saga da Elektra, por assim dizer, é retomada, o ritmo volta a crescer e somos recompensados com uma conclusão de tirar o fôlego. De início é um pouco estranho se acostumar com o “lápis” do Klaus Janson. Apesar de ter o traço muito parecido com o Miller, tem algumas cenas que ficam estranhas (mesmo o estilo do Frank Miller não sendo tão convencional). Destaque também para o acerto de contas com o Mercenário em uma espécie de epílogo no final do encadernado.

leitura-05

Demolidor – Volume 11

A primeira metade do encadernado encerra com maestria a fase do Mark Waid à frente dos roteiros do homem sem medo. Apesar de ter mais um acerto de contas com o Rei do Crime, o enredo diverte e mostra que é possível criar boas histórias quando se conhece bem os personagens que têm em mãos. A segunda metade do encadernado é o ponto fraco. A meu ver, a história da parceria entre o Demolidor e Misty Knight, de tão fraca, poderia ter sido simplesmente ignorada neste volume e no anterior. Assim, teríamos uma coleção “redondinha” de 10 volumes, sendo o décimo apenas com histórias escritas pelo Mark Waid. Enfim…

Patrulha do Destino: Rastejando dos escombros

Como eu sempre digo, Grant Morrison escreve pra si mesmo e quem gostar, gostou! Eu particularmente gosto muito! Mesmo não entendendo algumas loucuras das suas séries mais herméticas. Não é o caso da Patrulha do Destino. Esse primeiro volume passa a sensação de que ele está se segurando, começando a colocar suas bizarrices pra fora com cuidado para não afugentar o leitor que espera uma história de super-heróis. Mesmo assim, acostumado que sou à sua escrita, devorei o volume num pulo! As coisas acontecem sem muitas explicações didáticas. É aquilo que está sendo mostrado e pronto! E isso é ótimo!

Patrulha do Destino: A pintura que devorou Paris

É sensacional a forma como Grant Morrison apresenta uma sucessão de conceitos e boas ideias nas tramas cada vez mais surreais da Patrulha do Destino. O primeiro arco brinca com símbolos e significados inerentes aos movimentos da História da Arte. Já começa pelo nome da equipe de arqui-inimigos, A Irmandade do Dadá que, a grosso modo e à exemplo do Dadaísmo, seria algo como dizer “Irmandade de nada com coisa alguma”! Como sou artista plástico, li esse arco com interesse redobrado. A forma como a Patrulha do Destino derrota a ameaça catastrófica caberia horas e horas de debate. Como categorizar algo desprovido de significado, se o mero vislumbrar desse algo já atribui um significado? O traço de Richard Case está bem parecido com o do Keith Giffen, o que gosto bastante. Porém, creio que caberia um pouco mais de pesquisa dos movimentos artísticos para distingui-los melhor na história. O segundo arco já lida com elementos da literatura. Aqui, Morrison deita e rola na concepção de novos personagens e mundos bizarros. São tantos e tão ricos de caracterização, que ficamos com a sensação de que voltarão a aparecer novamente em alguma futura história. Fechando o encadernado, uma HQ única que trata com humor o destino (sem trocadilho!) da antiga Irmandade do Mal.

leitura-06

A Espada Selvagem de Conan #69

Esta edição introduz um dos adversários mais cruéis e sanguinários do Cimério de Bronze: o capitão pirata Bor’Aqh Sharaq. O roteiro do Michael Fleisher se perde em alguns pontos e procura soluções fáceis para resolver problemas de localização geográfica dos personagens, como o fato de Conan saber a história do Templo da Criatura de Doze Olhos e sua localização. Tudo bem que o cimério teve tempo de “estudar” os planos do seu rival, mas o roteiro dá uma derrapada ao mostrar que a ex-mulher de Sharaq não conhecia os mesmos planos. Mesmo assim, a arte primorosa do sempre sensacional Alfredo Alcala faz com que esses detalhes passem despercebidos.

Patrulha do Destino: Rua Paraíso abaixo

Eis o problema de se apresentar novos conceitos a cada arco de histórias: o enredo utiliza muito do “tempo” das HQs para apresentar ao leitor esses novos conceitos do que levando a trama adiante. Resultado: a resolução parece simplória e resolvida às pressas. Se lidas mensalmente, nem dá pra perceber tanto esse problema. Mas quando compiladas em encadernados, conseguimos “ver” melhor. Isso quer dizer que as históricas são ruins? Claro que não! Grant Morrison é Grant Morrison, afinal de contas! E é justamente nessa riqueza de detalhes na construção de novos mundos bizarros que a Patrulha do Destino encontra a cada arco que reside o fascínio de tramas escritas pelo escocês. Ocorreu-me até um pensamento enquanto lia esse volume: “A Patrulha do Destino parece o Arquivo X dos quadrinhos”. Destaque também para as magníficas capas das edições originais produzidas pelo Simon Bisley.

Adoro meus formatinhos!

Episódio 01: Quando peguei os gibis do Aranha

 

Antigamente, lá no meu tempo, a pivetada costumava se reunir para trocar e emprestar gibis uns aos outros e jogar conversa fora sobre seus personagens e histórias favoritos (quem era mais forte?). Como a gente não tinha quase nenhuma grana, era comum essa prática do empréstimo. Eram bons tempos que não voltam mais. Baseado nisso, resolvi registrar um pouco da minha memória afetiva sobre os bons momentos que vivi juntando os gibis da minha coleção.

Não lembro exatamente como tomei conhecimento da existência do Homem-Aranha. Provavelmente através de algum desenho animado do Escalador de Paredes. O que recordo com muito carinho é das primeiras HQs que tive contato do Cabeça de Teia.

Fazia pouco tempo que me mudara de Fortaleza para uma cidade da região metropolitana e estava começando a fazer novos amigos na vizinhança. Logo descobri um vizinho a umas quatro ou cinco casas de distância que colecionava quadrinhos. Ele era mais velho, devia ter os seus vinte e poucos anos, enquanto eu ainda tinha onze para doze anos.

wp_20160924_17_33_24_pro

Certa noite, ele resolve mostrar as suas preciosidades (era outra prática comum também, exibir a coleção) e meus olhos brilharam com tanta coisa legal na minha frente! Nessa época, minha coleção ainda predominava de Disney e Turma da Mônica guardadas em caixas da Avon debaixo da cama dos meus pais. E quando vi aquela edição 44 do Homem-Aranha, fiquei alucinado logo de cara com o desenho dinâmico da capa mostrando uma cena de perigo vista de cima com o Cabeça de Teia, a Gata Negra e o Coruja presos pelos tentáculos do Doutor Octopus. Outra revista que me chamou a atenção, foi a Teia do Aranha #26 com o Tarântula na capa tentando dar uma picada no Aranha. Na verdade, toda a coleção do cara me deixou doido (inclusive um livro pop-up do Aranha enfrentando o Tarântula que achei a coisa mais legal do mundo!). Mas humildemente pedi emprestadas apenas as duas revistas do Aranha e o meu novo amigo atendeu meu pedido. Foi demais!

wp_20160924_17_34_05_pro

wp_20160924_17_34_25_pro

wp_20160924_17_34_44_pro

A história de Homem-Aranha #44 contava a trama de uma guerra entre o Doutor Octopus e o Coruja, enquanto o Peter Parker tinha que lidar com os delírios da Debra Whitman (sua namorada na época). Naquele tempo (tempos mais inocentes, por sinal), eu não fazia ideia do que diabos era cronologia e pouco me importava com isso! O que caía na mão, eu lia sem me preocupar com o que aconteceu antes. Lembro que fiquei apaixonado pela Gata Negra, mesmo ela aparecendo apenas na última página da história.

wp_20160924_17_35_03_pro

wp_20160924_17_35_33_pro

A história seguinte do Capitão Marvel não me chamou tanto atenção. Não gostei dos desenhos “sérios” demais. Mas a última história do Quarteto Fantástico me deixou doido! Que história bacana aquela do tal Diablo e os monstros baseados nos quatro elementos para enfrentar o Quarteto. E que desenhos eram aqueles, meu Deus? Sem me ligar muito nos créditos (HQs Disney e Mônica não tinham isso na época), essa história me apresentou ao grande John Byrne! Nem preciso dizer que foi a aventura que reli diversas vezes naquela edição!

wp_20160924_17_36_00_pro

wp_20160924_17_36_32_pro

A Teia do Aranha #26 me chamou atenção pelos desenhos limpos e pelas cores diferenciadas (tinham uns degradês que não vi na outra revista). Sem falar, claro, do Tarântula, que achei sensacional pela agilidade e sacada bacana do visual do uniforme. A primeira história era muito louca! O Doutor Octopus estava para casar com a Tia May e o Aranha tentava impedir. Tudo isso em meio a uma guerra de gangsters com o Cabeça de Martelo! Na segunda aventura, conheci mais um inimigo do Cabeça de Teia, o Magma. E o melhor ficou para o final: o quebra-pau do Aranha com o Tarântula no meio de um transatlântico. A fichinha no final da revista falando sobre as edições originais americanas foram uma alegria à parte (imagine uma época com zero internet e você vai entender como eram ricos esses momentos informativos). Que bacana! Reli essa edição inteira várias vezes antes de devolver ao dono!

wp_20160924_17_37_37_pro

wp_20160924_17_37_50_pro

– Homem-Aranha # 44 (Editora Abril) – 14/02/87

– A Teia do Aranha #26 (Abril Jovem) – Novembro/91

 

Catalogando personagens em cards

Depois de um período em que passei apenas ministrando aulas (mais precisamente 2014 inteiro!), este ano estou retomando alguns projetos que estavam parados. Um deles é voltar a produzir histórias em quadrinhos dos mais variados tipos e gêneros (falei sobre isso aqui)! E, claro, não podia faltar uma das minhas grandes paixões, os quadrinhos de super-heróis. No entanto, antes de sair rabiscando as páginas, preciso urgentemente organizar algumas coisas nos meus arquivos como, por exemplo, catalogar todos (eu disse TODOS) os personagens que criei desde moleque até os dias de hoje e montar, literalmente, um mapa de todo o meu universo (isso soou grandiloquente! rs). Para essa empreitada, inventei de fazer uma coleção de cards com os personagens, com traços bem simples e diretos, mas que registre a caracterização e cores de cada um. Em apenas três dias de trabalho (lápis e arte-final), desenhei nada mais, nada menos, que 28 personagens, entre heróis, vilões e coadjuvantes! Só parei porque acabou o papel! A empreitada está apenas no início, já que estimo ter pelo menos uns 300 personagens! Mas os primeiros resultados você confere logo abaixo!

kitson 2

energia solar 2

raio 2

cris 2

fobia 2