VI NO CINEMA: The Batman

O Batman dos gibis ficou muito chato de se ler! Culpa do Grant Morrison, que inventou o tal do “Batman com preparo” em sua Liga da Justiça! Isso até era divertido na época, mas o problema é que os demais roteiristas se apegaram a essa característica e a elevaram à enésima potência, fazendo com que as ameaças ao redor do homem morcego ficassem cada vez mais megalomaníacas, justamente para compensar esse “superpoder do preparo”. Mais ou mesmo o que aconteceu com o Superman da década de 1960, que era capaz de empurrar planetas com as mãos! O Batman “com preparo” sempre sabe mais do que todo mundo e sempre tem alguma bugiganga tecnológica para derrotar todo mundo! Às vezes dá a impressão de que todo o universo DC é burro! Somente o Batman é que é o fodão! E também dá a impressão do contrário! De que, na verdade, todo o universo DC finge ser burro para poder aturar um menino mimado que fica se escondendo nas sombras fingindo ser fodão! Ora, se o Superman quisesse mesmo derrotar o Batman, bastava lançar um raio de fogo em sua cabeça à distância! Não precisa sair no braço! O próprio Flash deixou isso bem claro no gibi “O Bóton”, que é tão rápido, que preparo algum daria conta, caso ele quisesse de fato derrotar o Batman!

Dito isso, como é bom assistir a um filme em que o Batman é falível! Lembrei imediatamente do Batman detetivesco do Danny O’Neil e Neal Adams, nem tanto por ser um personagem mais esguio que seus antecessores nas telonas, mas principalmente por termos um homem morcego investigador, inteligente, mas que também é capaz de levar bordoadas de bandido de rua! O Batman, em início de carreira em seu ano dois, até tem o seu “preparo”, mas não é exagerado! Exatamente como o personagem era mostrado na década de 1970!

Outro ponto de inspiração interessante do filme, é o clima noir tirado de “Ano Um”. Até a narração em “off” mostrada por Frank Miller está lá, justificada por um diário mantido por Bruce Wayne para registrar e analisar as abordagens de suas atuações! Sem contar, claro, a clara referência ao “Longo Dia das Bruxas”, não apenas pela história do filme começar em pleno feriado do Halloween, mas pela óbvia inspiração no serial killer “Feriado”, aqui incorporado ao personagem do Charada! Dessa minissérie, vemos também o ecossistema mafioso de Gotham City e uma certa relação entre a Selina Kyle e um dos chefões do crime!

Por falar em Selina Kyle, que espetáculo ver a Mulher-Gato adaptada a partir da versão do Miller! Em determinado momento, chegamos até a vê-la trajando aquele top “tomara que caia” com calça “legging” mostrados no início de Ano Um! E descendo o sarrafo em bandido! Uma lindeza só!

Quanto ao vilão, o Charada é mostrado como alguém em pé de igualdade à inteligência do morcego. Chegando, inclusive, a ser mais inteligente até que o próprio Batman. O que é ótimo para a trama, pois coloca o herói em xeque! O Charada descobriu um fato sobre Gotham City e não tinha outra forma de chamar a atenção para si, já que era apenas um zé ninguém! Então, inspirado pela figura do Batman, engendrou todo o esquema das charadas para, assim, conseguir a ajuda do homem morcego para desbaratar toda a podridão da cidade. Mas o tiro saiu pela culatra, à medida em que o Batman vê no Charada um reflexo distorcido de si mesmo, e começa a se questionar se a vingança é o melhor caminho para seguir! Nesse ponto, vemos elementos do gibi “Batman Ano Dois”, no paralelo entre o homem morcego e o Ceifador e, também, elementos das histórias do Jim Starlin, em que o roteirista retratava um Batman um pouco mais raivoso e perturbado!

No desenrolar das investigações, vemos uma parceria intocável entre o Batman e o Tenente Gordon, que lembrou muito o filme “Seven”. Arrisco a dizer, que esse filme é o “Seven” do Batman! Saí do cinema querendo ver mais Batman e Gordon trabalhando juntos! “Shipei” demais essas dois!

Entretanto, como nem tudo são flores, temos no filme um elemento tirado de “Batman Ano Zero” que me fez torcer o nariz! Se no gibi dos famigerados “Novos 52”, o tal elemento megalomaníaco já era exagerado e nem um pouco interessante, aqui no filme nos tira um pouco da imersão e faz pensar momentaneamente “estava indo tão bem…”. Mas, o diretor Matt Reeves soube tirar leite de pedra e usar isso para sacramentar de vez uma nova postura psicológica do Batman, que deverá ser explorada numa vindoura continuação!

O importante é que foi muito bom ver um filme do “Batman Detetive”, que não tem tanto preparo, que leva porrada de bandido de rua, que se fere, que reflete, e que está disposto a aprender com os próprios erros. Vamos esperar que essa abordagem se mantenha e que o personagem não se perca na megalomania em que se perdeu nos gibis!       

RETROSPECTIVA 2021… E PARA O INFINITO E ALÉM EM 2022!

Chegou a tão aguardada (pelo menos pra mim!) retrospectiva do estúdio Lederly Comics! Como de praxe, faço um balanço do que foi produzido ao longo do ano para, em seguida, estabelecer metas para o ano vigente (Quer ver como foi o anterior? Clica aqui!).

Apesar da pandemia, 2021 foi um ano repleto de alegrias! Já comecei com o pé direito ao ser promovido em janeiro para a equipe de roteiristas da terceira série da revista Turma da Mônica Jovem! A minha estreia oficial se deu em agosto, em TMNJ 03, com a história “A Porta”, protagonizada por Nimbus, Maria Mello, Tikara, Keika e Toni!

Já no mês seguinte, em TMNJ 04, tive a alegria de ver publicada a “Hora do Ângelo”, protagonizada, claro, pelo anjo da guarda preferido da Turma da Mônica Jovem! Sou muito grato à Alice Takeda (minha querida diretora) e aos queridões Marina Cameron, Paulo Back, Emerson Agune e Wagner Bonilla (meus gurus!) pela confiança!

Ano que começa bem, termina bem também! Tive a honra de ser convidado para co-escrever, ao lado dos mestres Gerson Teixeira e Paulo Maffia, o especial que abriu oficialmente as comemorações de 80 anos de criação do papagaio mais brasileiro da Disney: “Zé Carioca em Aventuras Fantásticas – volume 01”. O álbum teve lançamento em dezembro, com toda pompa e circunstância, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, uma publicação da Editora Culturama! Grato ao meu querido editor Paulo Maffia pela confiança!

Depois dos destaques, vamos agora ao balanço e às metas:

MSP – Mauricio de Sousa Produções

Escrevi 494 páginas de roteiros em 2021! Foram 153 páginas a mais que em 2020, quando havia escrito 341 páginas! Um recorde! Foram 36 roteiros ao todo, divididos em Turma da Mônica Clássica (29 roteiros) e Turma da Mônica Jovem (7 roteiros).

A meta para 2022 é manter uma média de 50 páginas de roteiros mensais!

Disney/Editora Culturama

2021 foi o ano em que me consolidei como um dos roteiristas da equipe Disney/Culturama do Zé Carioca. Em 2020, havia escrito somente 01 roteiro e a meta para o ano seguinte era bem modesta, escrever 02 roteiros! Contrariando todas as minhas expectativas e contando com a confiança do meu editor Paulo Maffia, em 2021 cheguei a produzir 07 roteiros para o Zé Carioca, somando incríveis 78 páginas! Bom demais!

A meta para 2022, no entanto, é bem pé no chão: manter o bom trabalho e produzir, pelo menos, 60 páginas de roteiros!

Somando MSP e Disney, escrevi em 2021 impressionantes 572 páginas de roteiros ao todo! Outro recorde absoluto para mim! Uma alegria só!

Inktober 2021

Consegui cumprir a meta de fazer 01 desenho por dia ao longo de todo o mês de outubro! Aproveitei a brincadeira do “BodeTober”, idealizada pelo meu querido amigo desenhista Daniel HDR, e misturei o Zé Carioca com diversos personagens da cultura pop (Quer ver todos? Clica aqui).

A meta para 2022, claro, é brincar novamente! Esse evento virtual é um ótimo exercício de criatividade!

Lederly Comics

Em 2021 fiquei devendo um pouco para os projetos pessoais! Com os efeitos psicológicos da pandemia ainda em voga, preferi focar na MSP e Disney, trabalhar somente meio período e descansar um pouco a mente! Assim, não dei prosseguimento ao que estabeleci como metas: Livro teórico/prático de ilustração; Álbum “As Ruínas de Angoera”; Graphic novel infantil; e Contos em Quadrinhos.

Por isso, a meta para 2022 é bem modesta e mais pé no chão: dar prosseguimento ao livro de Ilustração no primeiro semestre (que já tem 02 capítulos prontos, de um total de 06) e começar a escrever o roteiro da graphic novel infantil no segundo semestre!

Então é isso! Bastante coisa bacana para produzir em 2022! Em fevereiro, voltarei com tudo com a estreia oficial da nova identidade visual do blog e das redes sociais! E vamos que vamos!

O QUE ANDEI LENDO: X de Espadas!

Antes de começar a falar sobre esta saga, acho importante frisar que li anteriormente somente as edições de 01 à 06 da revista dos “Xis-men” dessa “nova” fase encabeçada pelo roteirista Jonatham Hickman (Quer saber a minha opinião? Clica aqui!), para só então retornar à edição 22 para o início de X de Espadas!

Como ponto positivo, posso afirmar que dá para acompanhar a saga numa boa! A sensação é de não ter perdido nada de importante nas edições anteriores! Se bem que, ao escrever isto agora, talvez nem seja tão positivo assim! Se fiquei com essa sensação, é porque talvez não tenha acontecimento realmente nada de importante de lá até aqui! E isso é preocupante! Pelo menos para quem vem gastando o seu rico dinheirinho desde o começo com os gibis quinzenais!

Outro ponto positivo é quanto ao visual dos personagens! Apesar de ter uma penca de mutantes pululando de todos os lados – o que nos traz uma péssima memória dos Anos 1990 – aqui pelo menos resolveram simplificar os uniformes de todos e até retomar trajes clássicos! Assim, fica fácil identificar quem é quem no rolê! Mesmo assim, todos carecem de um desenvolvimento mais aprofundado, parecendo bem superficiais na grande maioria das vezes! Lemos a “voz” saindo da boca dos personagens, mas não parecem que são eles que falam, já que praticamente todos têm o mesmo jeito de falar (exceção para Wolverine, Senhor Sinistro, Apocalipse e Magia).

Esta fase dos heróis mutantes é superestimada, como já falei antes! É um velho arroz com feijão oriundo dos Anos 1990, mas requentado com um tempero novo para fazer parecer revolucionário aos olhos dos novos leitores! Jonatham Hickman tem essa habilidade! Mas não se engane, leitor das antigas! É tudo mais do mesmo, só que mais bonito e mais bem desenhado! Como exemplo, basta pegar as edições do Wolverine que, logo de cara, cai na mesmíssima ladainha de recorrer a flashbacks do passado do baixinho como ferramenta narrativa! Até parece que só tem essa forma de escrever Wolverine! Mais anos 90 do que isso, impossível! Sobre o design dos gibis que apresentam a todo momento aquelas páginas informativas, posso afirmar que em vários momentos elas só servem para travar o ritmo de leitura! Se eram relevantes nas primeiras quatro edições, aqui apenas atravancam a virada de página! Lá pela edição 4 da saga, já desisti de lê-las e continuei como se nada tivesse acontecido! Não fizeram falta!

Sobre a saga em si, até começa instigante com a invasão dos guerreiros de Arakko aos reinos do Extramundo para poder chegar até Krakoa! Dá vontade de saber como os mutantes lidarão com forças tão destrutivas! E pelo menos no visual, os novos personagens são bem bacanas, já que no desenvolvimento, nada é muito aprofundado! É até intrigante as “profecias” literalmente tiradas de cartas na manga pela regente do Extramundo, Opal Luna Saturnyne, sobre os dez portadores de espadas enigmáticas que deverão duelar pelo destino das realidades! E é somente isso que nos mantêm interessados em prosseguir na leitura! Como eu disse, é apenas uma saga com os vícios dos Anos 1990! Não vá esperando o último biscoito do pacote! A partir daqui, a saga até dá uma tropeçada, com a “inesperada” trégua dos invasores diante da Saturnyne, que os convence a participar do tal duelo de espadas! Com o poderio que eles detêm, não precisariam se sujeitar a isso! Mas tudo bem! Vamos ver até onde isso vai dar!

Nas partes dois e três, vemos os personagens na busca por suas espadas! Achei bem divertido (exceto as histórias do Wolverine, bem enfadonhas)! Pelo menos aqui as páginas informativas foram bem utilizadas, ao mostrar detalhes consistentes das espadas, à medida em que iam aparecendo no decorrer da trama!

Mas é nas partes quatro e cinco que a saga desanda de vez! O fio de credibilidade, que já não era lá tão forte, se parte de vez com um jantar entre todos os duelistas antes do famigerado duelo! Entendo que isso foi necessário para tentar aprofundar um pouco os (muitos) novos personagens, mas foi osso duro de roer chegar até o final dessa pendenga! E quando finalmente começa o duelo com as espadas… falta justamente UM DUELO COM ESPADAS! Se a intenção era mostrar uma pataquada entre os antagonistas, pra que perder tanto tempo mostrando vários personagens procurando por espadas que não usariam? Todas as regras narrativas estabelecidas no começo da saga são jogadas no lixo, com soluções estapafúrdias tiradas do nada pela Saturnyne… ou pelos roteiristas, já que a personagem não tem culpa! E nem vou citar um casamento absurdo que acontece do nada! Assim, temos um duelo pífio que não dá em nada e, no final, a saga se encerra com uma guerra, exatamente como começou, com os vilões voltando a demonstrar todo o poderio sanguinolento do início!

Entre mortos e feridos, foi até divertido retornar à personagens tão queridos (sou muito fã dos Xis-men), mas é latente como todos os vícios dos anos 90 ainda estão lá! Muitos títulos, muitos personagens, zero identidade! Tudo parece muito igual! Nenhum grupo tem identidade própria! Muda o nome da revista (Excalibur, X-Force, Novos Mutantes, X-men…) e parece que estamos lendo a mesma coisa! Tem uma certa coesão nisso tudo, mas uma coesão pro lado ruim! Tudo é mais do mesmo!

VI NO CINEMA: Homem-Aranha – Sem volta pra casa

O Homem-Aranha do Tom Holland sempre foi, pra mim, mais um sidekick do que um herói capaz de superar obstáculos e enfrentar os seus próprios desafios! Sempre amparado por muletas de terceiros, principalmente do Homem de Ferro, até os vilões dos dois primeiros filmes, Abutre e Mysterio, não eram necessariamente inimigos do Cabeça de Teia, mas pessoas que queriam atingir o Tony Stark e acabaram pegando o Teioso no fogo cruzado! Sendo assim, esse “novo” Homem-Aranha nunca me passou a sensação de que seria capaz de resolver as suas próprias tretas!

Mesmo assim, isso não é problema pra mim, já que cada geração precisa ter o seu Homem-Aranha preferido e essa foi a direção que a Marvel escolheu para essa nova versão! Eu não gosto muito, mas sei que é necessária!

Agora, nesse terceiro filme, começo a entender o que a Marvel estava planejando e tiro o meu chapéu para tamanha ousadia. Nós já tínhamos visto no Thanos o nível de paciência com que a Marvel planeja seus enredos! O Titã louco surgiu no primeiro Vingadores para, somente anos depois (e filmes depois) representar uma grande ameaça em Guerra Infinita! Com o Homem-Aranha, a Marvel faz de novo! Nos apresenta um Amigão da Vizinhança totalmente dependente de terceiros e desprovido de responsabilidade para, no terceiro filme, finalmente jogar uma luz no fim do túnel de que o Homem-Aranha “raiz” aparecerá no futuro! Tudo isso em um filme divertido, empolgante e muito, mas muito emotivo!

Entretanto, os problemas ainda estão lá! O Homem-Aranha do Tom Holland ainda usa muletas de terceiros (e que muletas!), já que dessa vez nem os vilões são surgidos em seu próprio filme! A história, aliás, é toda pautada em fatos passados em filmes anteriores, tanto da Era Marvel, quanto da Sony! As cenas de ação também são passáveis e genéricas, com muita coisa acontecendo à noite, o que deixa tudo muito confuso e caótico! As únicas exceções são dois embates, um com o Doutor Octopus e outro com o Duende Verde, mas também só ganham destaque, porque as outras cenas de luta são muito ruins! Vistas separadamente, estas duas também não têm nada de mais! O que deixa a luta com o Duende Verde melhor, é o que acontece do meio pro fim!

Finalmente, entre mortos e feridos, esse terceiro filme tem um saldo positivo! É divertido, nostálgico pra caramba e emotivo o suficiente para ficar na memória! Aliás, é a nostalgia e o lado emotivo que leva o filme nas costas! E fica a esperança de voltar a ver nos cinemas, finalmente, um Homem-Aranha que seja super-herói de verdade, que se supera, que faz parceria com outros heróis, mas que não se comporta como um sidekick! O futuro é promissor… Mesmo que tenhamos um Venom pelo caminho!

VI NO CINEMA: O Esquadrão Suicida

O Esquadrão Suicida não tem nada de mais! Mas tem James Gunn no comando, o que já é a melhor coisa que o filme poderia ter! O diretor pega um punhado de vilões de décima quinta categoria do universo DC, se inspira na melhor fase da equipe nos quadrinhos (aquela produzida por John Ostrander e Luke Mcdonnell) e entrega o filme mais divertido e porradeiro da DC dos últimos tempos!

Assim como nas HQs de Ostrander/Mcdonnell, aqui o enredo acertadamente não perde tempo com os “comos” e “por quês”, e muito menos em entrelaçar com outros filmes (passados ou futuros), e já parte pra ação da missão do dia em um país chamado Corto Maltese, como em uma segunda-feira normal para os comandados da (ótima) Amanda Waller! A meu ver, este é o principal ponto positivo da trama! Como é bom voltar a assistir a um filme de super-heróis fechadinho, sem ter que se preocupar com o que veio antes ou virá depois! O expectador pode, enfim, voltar a se concentrar apenas na história vigente!

Outro ponto positivo é a forma como James Gunn trabalha os personagens e faz nos importar com cada um deles, mesmo os mais insignificantes! E olha que tem bastante, viu? A Arlequina nunca esteve tão bem, linda, maravilhosa, poderosa e sexy, sem apelar em momento algum para a hipersexualização ou a sensualização gratuita (em momento algum tem enquadramentos constrangedores sobre a moça)! Outro personagem que se destaca, é o Pacificador, unanimemente transformado naquele escroto que adoramos odiar! Ao final do filme, fiquei com uma pontinha de esperança de ver uma “Liguinha” nos cinemas, com um embate entre Pacificador e Guy Gardner (com direção de James Gunn, claro!). Outros que chamam a atenção, são a Caça-Ratos II e o Tubarão Rei, o “coração” da equipe! Por fim, o Sanguinário e o Homem das Bolinhas também dão o seu show! E que show!

O aparentemente simples roteiro do filme ainda consegue nos pregar algumas peças! Por isso, espere o inesperado em relação à sobrevivência dos personagens! Afinal, este é verdadeiramente o Esquadrão Suicida! Ah, destaco também a criatividade de algumas idas e vindas temporais nos acontecimentos e os “subtítulos” no decorrer da história, como se fosse uma minissérie em quadrinhos dividida em capítulos!

Por falar em quadrinhos, quer vilão mais “gibi” do que o Starro? Apesar da superexposição nos diversos trailers, a aparição de Starro ainda consegue causar espanto! Eu mesmo preferi assistir a somente um trailer, para manter as surpresas e potencializar as surpresas. E funcionou! James Gunn consegue até mesmo dar “humanidade” a uma estrela-do-mar alienígena, vejam só!

No frigir dos ovos, em meio ao mais do mesmo nos filmes de “supers”, O Esquadrão Suicida traz um certo frescor, mesmo tendo um enredo deveras clichê! Mas como é bem trabalhado por uma mente muito criativa, diverte e nos faz pedir por mais! E fica aqui a minha torcida para um novo filme da Liga da Justiça (Internacional), mas dessa vez com Besouro Azul, Gladiador Dourado, Gui Gardner, Shazam, Fogo, Gelo, Canário Negro, Senhor Milagre, Oberon e… Ajax e Batman! Pena que estragaram o Max Lord em Mulher-Maravilha 1984! Mas como os filmes da DC agora não se “amarram”, fica a torcida!

50 GIBIS QUE MARCARAM A MINHA VIDA – PARTE 2

Continuando com a lista de gibis que “marcaram a minha vida”, vamos para mais dez edições. Procurei puxar pela memória, evitando ao máximo recorrer à internet. Por isso, não repare caso os dados estejam errados ou imprecisos. Os gibis não aparecem em ordem cronológica de publicação, apenas seguem uma ordem (mais ou menos) cronológica em que chegaram às minhas mãos. Dito isso, vamos mergulhar na nostalgia mais uma vez!

11 – SUPERAMIGOS 13

Esta provavelmente foi a primeira Superamigos que peguei! Marcou pela capa icônica e pela Liga da Justiça do George Pérez. Não lembro se já conhecia o traço do Pérez, mas lembro que fiquei muito impactado com a riqueza de detalhes. Outra hq que me marcou, foi a do Batman, que trazia o Cara de Barro II (acho!) com uma armadura que achei sensacional!

12 – HOMEM-ARANHA 44

O primeiro gibi “Homem-Aranha” que li foi este! Na lista passada, citei a primeira “A Teia do Aranha”! Lembro com carinho dessa edição, porque foi aqui que conheci a Gata Negra e, de cara, já adorei! Que me perdoem os fãs da Gwen Stacy e da Mary Jane, mas, pra mim, o melhor casal é Peter Parker e Felícia Hardy! Outro fato que marcou, foi a estreia do Quarteto Fantástico do John Byrne! Eu já conhecia o quarteto do mestre que saiu no Grandes Heróis Marvel 12! Mas aqui, o traço não tinha o peso da arte-final do Joe Sinnott e o desenho do Byrne estava no auge! Fora que a história é sensacional, com o quarteto enfrentando criaturas elementais criadas pelo Diablo!

13 – HOMEM-ARANHA 114

E mais cabeça de teia na lista! Este gibi foi um presente de Natal! O primeiro gibi de super-herói (e do aranha) que comprei em uma banca! Como não acompanhava nada mensal por falta de grana, eu não fazia ideia do que estava acontecendo com os personagens! Assim, foi um choque quando vi essa capa e o traço do Todd McFarlane! Adorei tudo! Como tudo o que eu pegava, de uma maneira ou de outra, acabava influenciando nos meus desenhos, passei a emular o McFarlane no meu personagem “principal” (que antes sofria influência do Jaspion!).

14 – SUPERAVENTURAS MARVEL 02

Não sei exatamente se essa foi a primeira SAM que tive, mas com certeza foi a primeira vez que li o Demolidor do Frank Miller, mesmo que aqui ele só estivesse desenhando! E quer melhor primeira vez, do que em uma história em que o homem sem medo enfrenta logo de cara o meu personagem preferido, o Incrível Hulk? Nem preciso dizer que reli diversas vezes! Foi aqui também que li pela primeira vez a sensacional “A filha do gigante de gelo” protagonizada pelo Conan! Infelizmente não tenho mais esse exemplar! Mas um dia eu recupero!

15 – GRANDES HERÓIS MARVEL 07

Também não sei precisar se este foi o meu primeiro GHM e nem se foi o meu primeiro contato com os “Xis-men”, mas a minha mente tratou de catalogar esse momento como o início de tudo! E como gostei dessa história! Não fazia ideia de que havia um porrilhão de capítulos que antecediam esse momento. E, pra ser franco, nem me preocupava com isso! Só devorei os três capítulos derradeiros da Fênix e pronto!

16 – O INCRÍVEL HULK 61

Por falar em personagem preferido, olha aí o Hulk mais uma vez na lista! Como já mencionei, “naquele tempo” a molecada não acompanhava mensalmente os gibis. Ia lendo o que pegava. Era raro estar atualizado com os acontecimentos! Então era comum pegar o “bonde andando”! E não foi diferente com essa edição! Imagine um pivete acostumado ao Hulk verde “esmaga homenzinhos” que se transforma quando o Bruce Banner fica com raiva! Agora imagine esse pivete pegar um gibi em que o Hulk está bestial, animalesco, mudo, sem falar, apenas rosnar, vivendo aventuras em mundos fantásticos ao lado de criaturas mágicas e, ainda por cima, com uma capa sensacional do Mike Mignola! Ah, e com uma arte do Sal Buscema (de quem sempre fui fã) diferente, cheia de hachuras, com arte-final do Gerry Talaoc! Adorei tudo isso! Foi o meu primeiro contato com a Saga da Encruzilhada! Para você ver que mudanças no status quo dos personagens sempre existiram e a gente adorava. Mas hoje em dia a galera chia por qualquer mudancinha como se o mundo fosse acabar!

17 – CRISE NAS INFINITAS TERRAS 02

Por falar em “pegar o bonde andando”, este foi o meu primeiro contato com a grande saga da DC! Claro que eu não conhecia nem 10% dos personagens “pintados de roxo” que apareciam nas páginas desse gibi! E, claro, que eu não me importava nem um pouco com isso! Lembro que eu lia em voz alta junto com um amigo como se estivéssemos assistindo a um filme! E a cena derradeira da Supergirl? Que momento! Ah, depois desse gibi, passei a emular os layouts do Pérez em meus gibis de folha de caderno! Tudo influenciava os meus desenhos!

18 – RAÇA DAS TREVAS 01

Por falar em “influência”, já mencionei que eu era fã de filmes de terror quando adolescente! Cheguei até a fazer vários gibis de folha de caderno para o filme Sexta-Feira 13! Aliás, era difícil achar um moleque que não gostasse de filmes de terror. O mesmo amigo que lia comigo a “Crise 02”, foi quem arrumou emprestada a minissérie Raça das Trevas! E, claro, lemos em voz alta como se fosse um filme! E que filme! Depois disso, claro que passei a fazer gibis baseados em Raça das Trevas!

19 – O INCRÍVEL HULK 113

Chegando ao final dessa lista, não poderia faltar mais… Hulk! Este foi o meu primeiro contato com o Hulk Cinza! Como assim… o Hulk está cinza? Detestei? Claro que não! E como assim o Hulk está falando direito? Adorei! E como assim o Hulk está de… terno? E procurando encrenca com motoqueiros em Las Vegas? Cadê a Encruzilhada? Não sei dizer o que acontecia naquela época, mas eu me empolgava com tudo! Então, nem preciso dizer que gostei bastante do Senhor Tira-Teima! Esta passou a ser a minha edição favorita dessa fase do gigante ver… ops… cinza como leão de chácara! Depois eu viria a conhecer o Hulk Cinza do McFarlane, mas isso é assunto para outra lista!

20 – GRAPHIC MARVEL 01

Para finalizar, vamos de mais Hulk! Naquela época (isso já está ficando repetitivo, eu sei!), praticamente só existiam os formatinhos de papel jornal e cores chapadas! Mesmo as edições de “luxo” eram difíceis de cair nas mãos da molecada pelo alto preço (e você achando que tudo era comprado com troco de pão, né?). Só víamos essas revistas mais elaboradas nos anúncios de quarta-capa dos formatinhos! Foi nesse contexto que tive contato com a série Graphic Marvel! E logo com a primeira edição! Preciso dizer que pirei no encontro do meu personagem favorito com o Coisa? E com esse desenho fabuloso do Berni Wrightson e cores de explodir o cérebro! Morri de rir em todas as vezes que li essa história criada pelo Jim Starlin! Tenho falas decoradas até hoje! Muito bom mesmo!

E, assim, chegamos ao fim da segunda parte.

Leia também a PARTE UM!

Imagens extraídas do Guia dos Quadrinhos!

O QUE ANDEI LENDO: BOX AQUAMAN

A Panini aproveitou para “surfar na onda” do lançamento do filme do Aquaman e colocou à venda no final de 2018 um box contendo toda a trajetória do Rei da Atlântida sob a batuta de Geoff Johns nos famigerados “Novos 52”! A caixa contém, em ordem de leitura, os encadernados “Liga da Justiça: Origem”; “Aquaman: As profundezas”; “Aquaman: Os Outros”; “Liga da Justiça: O trono da Atlântida” e “Aquaman: A morte de um Rei”! Todos em capa cartonada. Os desenhos ficaram por conta de Jim Lee, Ivan Reis e Paul Pelletier, além de outros convidados.

O que posso dizer, logo de cara, é que o Geoff Johns passa a impressão de ter dupla personalidade! Na Liga da Justiça, seu texto é truncado, fragmentado, enfadonho e cheio de clichês absurdos, como na parte em que o Batman e o Lanterna Verde decidem ir até Metropólis para confrontar o Superman apenas por ele ser um alienígena (como os parademônios)! E, claro, chegando lá, o Superman também acabou de enfrentar (coincidentemente) os asseclas do Darkseid e vai pra cima do homem morcego e do Hal Jordan! Já no Aquaman, seu texto é redondinho, cheio de boas sacadas, aventuresco e agradável de se ler! Dá vontade de devorar as páginas e ver até onde o Arthur Curry vai parar!

A diferença entre os dois títulos também é sentida na arte. Na Liga da Justiça, o traço do Jim Lee é até bonito, mas parece corrido e desproporcional. Não ajuda muito os novos designs dos uniformes, cheios de firulas que não servem para nada, apenas para dar dor de cabeça aos desenhistas dos títulos solo dos personagens! A impressão que se tem, é que o Jim Lee é um péssimo character designer, daqueles que pega algo pronto e sai rabiscando linhas a esmo só para pagar de detalhista! Deviam ter chamado o veterano mestre José Luis Garcia-López para essa função! Do jeito que ficou, está com cara de Image Comics da década de 1990!

Já no Aquaman, os uniformes do herói e da Mera dão gosto de ver, de tão elegantes que são! Dá para sentir o constrangimento do Ivan Reis em ter que seguir (mais ou menos) o visual estabelecido pelo “chefe”. Mas, assim como a elegância de seu traço, o Reis elegantemente dá um chega para lá no visual “Image” e mostra uma proposta anos-luz de distância em termos de qualidade! Sem falar que o seu traço é muito mais consistente do que o do Jim Lee. No segundo encadernado da Liga de Justiça, o Lee sai de cena e o Ivan Reis assume o título da superequipe, sendo substituído em Aquaman pelo Paul Pelletier, que não tem o mesmo nível do Reis, mas consegue segurar a peteca e entregar um feijão com arroz bem competente. No último volume de Aquaman (A morte de um rei), Pelletier chega a impressionar com algumas cenas de panorâmicas!

Sobre os enredos, é o que eu já falei: no título da Liga da Justiça, Johns parece não saber o que fazer ao contar as origens da equipe. O ponto positivo é a inclusão do Ciborgue! Para quem é fã dos Novos Titãs (como é o meu caso), pode ficar com um pé atrás! Mas como o Victor Stone é o único personagem bem trabalhado, acaba ganhando uma relevância bem interessante de se ver. Se não fosse por essa armadura genérica… Pelo menos ficou melhor desenhada pelo Ivan Reis! No título do Aquaman, o enredo está melhor estruturado e acompanhamos a trajetória de Arthur Curry pós-recusa do reinado da Atlântida. Quem está no trono é o seu irmão Orm! Quem dá as caras também são “Os Outros”, antiga equipe de Aquaman, e o vilão Arraia Negra! Além dos impressionantes habitantes do Fosso!

Quando os títulos se encontram em “O Trono da Atlântida”, as histórias da Liga da Justiça dão uma leve melhorada. Como eu disse, parecem ser dois Geoff Johns, e ambos têm uma certa dificuldade em realizar o crossover, dadas as inconsistências nas linhas cronológicas dos enredos! Até o uniforme do Aquaman fica inconsistente, já que no gibi da Liga era de um jeito e no do Rei dos Setes Mares, de outro! Mas o Ivan Reis consegue segurar o tranco, seguido fielmente pelo Paul Pelletier! Quando entra o Tony Daniel… xiiii!

São mais de 800 páginas de quadrinhos que li voando! Apesar de ser uma leitura mais truncada na Liga da Justiça, o gibi do Aquaman foi devorado em um piscar de olhos, tamanha a diversão dos enredos! O Rei dos Sete Mares entra no hall das boas coisas dos Novos 52, ao lado da Mulher-Maravilha, Action Comics, Batman e Flash! Já Liga da Justiça…

Imagens extraídas do site da Panini.

OS CROSSOVERS IMAGINÁRIOS!

Costumo dizer que um médico ou um advogado, quando estafados, podem recorrer às artes para dar uma relaxada! Mas e quando a pessoa trabalha com artes, o que faria para relaxar? Uma cirurgia? Soltar um preso?

Foi pensando nisso que surgiu, meio que por brincadeira, a série de ilustrações “Crossovers Imaginários”. O propósito é unicamente relaxar e descansar a mente do trabalho “normal”, digamos assim! Sem regras, sem amarras, sem prazos! Apenas focando na diversão e nos encontros inusitados entre personagens de diferentes mídias! Saca só como ficaram as ilustrações produzidas até aqui…

O QUE ANDEI LENDO: Conan, O Bárbaro

O Conan é um personagem que tem uma história com começo, meio e fim bem estabelecidos pelo seu criador Robert Ervin Howard nos contos que escreveu originalmente na década de 1930! O personagem já foi ladrão, mercenário, soldado, pirata… até se tornar Rei! Com isso, o bárbaro cimério consegue a façanha de ser acessível para qualquer leitor de qualquer época (assim como o Tex, por exemplo), com HQs sem amarras cronológicas que possibilitam ser narrados momentos de qualquer período de sua vida! E quando bem escritas, então, se tornam um deleite! É o que acontece com essa nova série escrita por Jason Aaron!

Jason Aaron não inventa a roda, nem descobre a pólvora! Apenas replica no seu Conan o que já havia feito com o Thor: coloca o cimério para enfrentar uma mesma terrível ameaça ao longo de vários momentos de sua vida, começando aos 17 anos, recém saído da Ciméria, e culminando na velhice, nos últimos resquícios como Rei da Aquilônia! Além de ser uma aventura instigante, bem estruturada e arquitetada, o enredo claramente serve para reapresentar a personalidade e as facetas de Conan aos novos leitores! Para o leitores veteranos, é uma alegria ver um personagem tão querido receber um tratamento tão cuidadoso e zeloso! Dá gosto devorar as novas revistinhas, fininhas que são, e aguardar com ansiedade pela próxima!

Jason Aaron aproveita essa característica atemporal de Conan e brinca com os vários períodos da sua vida, além de demonstrar profundo conhecimento da mitologia do personagem, já que a personalidade do cimério de bronze muda sutilmente de um período a outro. Basta reparar como o Conan é petulante e descuidado quando jovem, mas já cauteloso e sábio quando rei!

A nova série nos faz pensar em como seria se essa característica atemporal também fosse aplicada aos quadrinhos de super-heróis. O Homem-Aranha, por exemplo, teria sido estudante do ensino médio, fotógrafo do Clarim Diário, universitário, namorado da Gwen Stacy, namorado da Mary Jane, teria usado o uniforme negro simbionte, teria sido namorado da Gata Negra, cientista, casado, vingador e pai da Garota Aranha! Daí, cada roteirista escolheria que período da vida do cabeça de teia abordaria em suas histórias. Acabariam as amarras cronológicas e as histórias chatas…

Mais ou menos!

O Conan é acessível, mas nem sempre tem histórias bem escritas, apesar de a média de boas histórias ser maior! Felizmente Jason Aaron está dentro dessa boa média, juntamente com a equipe de arte formada por Mahmud Asrar (desenhos) e Mattew Wilson (cores), além de Esad Ribic nas belas capas! Vale muito a pena acompanhar essa série!

Imagens das capas extraídas do Guia dos Quadrinhos

O QUE ANDEI LENDO: O Imortal Hulk

O que acontece quando um roteirista conhece toda a trajetória de um personagem? Surgem desse conhecimento histórias herméticas cheias de referências descartáveis atreladas a uma confusa cronologia e que ninguém entende, apenas o próprio roteirista! Certo?

Errado!

Quando o roteirista conhece a fundo o seu personagem e tem a habilidade suficiente para escrever boas histórias a partir daí, as referências passam a trabalhar a favor da narrativa e não contra! Este é o caso do Al Ewing, que entrega ao leitor um Hulk “raiz” acessível tanto para quem só viu o verdão no cinema e um deleite para quem lê desde tempos imemoriais (é o meu caso!)!

O Hulk sempre foi o meu personagem preferido e me doía a alma (exagero!) querer ler algo atual bom do personagem e só encontrar pataquadas sem tamanho (Hulk Vermelho… oi?). Quando peguei O Imortal Hulk para ler, a expectativa estava nas alturas. Não que eu esperasse algo fora do comum (assim como você também não deve esperar), mas por saber que finalmente o bom e velho Gigante Verde estava voltando às origens!

E que origens! A começar pela bela arte de Alex Ross que faz uma releitura da clássica capa desenhada pela grande Marie Severin! Já na primeira história, dá pra sacar logo de cara que Stan Lee e Jack Kirby estão naquelas páginas, com o Bruce Banner foragido procurando esconder o seu alter ego, ao mesmo tempo em que acaba se metendo em pequenos casos de “heroísmo”! Outra “presença” no gibi é a homenagem ao seriado estrelado pelo Bill Bixby e Lou Ferrigno, tanto no enredo do Bruce/Hulk andarilho, quanto na inserção de uma repórter investigativa que segue o rastro do verdão! Repare no nome da moça! Uma referência mais recente, é da fase escrita pelo Bruce Jones e desenhada pelo John Romita Jr., que também usava como mote das histórias o Banner “andarilho” (ou fugitivo)! Tem até referência ao filme dirigido pelo Ang Lee (repare no último quadro da primeira história).

E as bizarrices gama? Também estão aqui! Lembrando muito a fase inicial do Peter David com o personagem, o Hulk enfrenta um adversário irradiado gama que faz referência ao Meia-Vida!

O mais bacana, além de tudo isso, é a introdução do fator psicológico nas duas últimas páginas, puxando o gancho do que já haviam feito o Bill Mantlo e o já citado Peter David e já dando um gostinho do que ainda vem por aí! Para dar mais um gostinho do que se trata, basta ver a expressão de terror que o Hulk faz ao se deparar com um importante ente do passado!

Por falar em expressão, que traço é esse do Joe Bennett?! O nosso grande Bené Nascimento está arrebentando nos desenhos! Se as cores fossem menos saturadas e luminosas, ficaria ainda melhor! Mas vamos assim mesmo, que vale a pena! Se as influências do passado do Verdão aparecem no texto, a arte não deixa por menos! Temos aqui um Hulk com cabeça mais alongada a la Jack “The King” Kirby (bem Frankenstein!), bem como um corpanzil bem próximo do desenhado pelo Todd McFarlane na fase “Hulk Cinza”. E, claro, não podia faltar o bom e velho Sal Buscema, no jeito de caminhar, na linguagem corporal e na hora da briga! Os músculos também lembram muito as versões desenhadas pelo Dale Keown e Gary Frank!

Ou seja… ao juntar um roteirista que conhece a fundo o personagem, com um desenhista que não deixa por menos, temos aqui uma fase que vale muito a pena ser acompanhada, com um enredo acessível para qualquer leitor! E pela primeira vez em anos, fiquei com vontade de ler a edição seguinte!

Artes à lápis extraídas do Facebook de Joe Bennett!