VI NO CINEMA: O Esquadrão Suicida

O Esquadrão Suicida não tem nada de mais! Mas tem James Gunn no comando, o que já é a melhor coisa que o filme poderia ter! O diretor pega um punhado de vilões de décima quinta categoria do universo DC, se inspira na melhor fase da equipe nos quadrinhos (aquela produzida por John Ostrander e Luke Mcdonnell) e entrega o filme mais divertido e porradeiro da DC dos últimos tempos!

Assim como nas HQs de Ostrander/Mcdonnell, aqui o enredo acertadamente não perde tempo com os “comos” e “por quês”, e muito menos em entrelaçar com outros filmes (passados ou futuros), e já parte pra ação da missão do dia em um país chamado Corto Maltese, como em uma segunda-feira normal para os comandados da (ótima) Amanda Waller! A meu ver, este é o principal ponto positivo da trama! Como é bom voltar a assistir a um filme de super-heróis fechadinho, sem ter que se preocupar com o que veio antes ou virá depois! O expectador pode, enfim, voltar a se concentrar apenas na história vigente!

Outro ponto positivo é a forma como James Gunn trabalha os personagens e faz nos importar com cada um deles, mesmo os mais insignificantes! E olha que tem bastante, viu? A Arlequina nunca esteve tão bem, linda, maravilhosa, poderosa e sexy, sem apelar em momento algum para a hipersexualização ou a sensualização gratuita (em momento algum tem enquadramentos constrangedores sobre a moça)! Outro personagem que se destaca, é o Pacificador, unanimemente transformado naquele escroto que adoramos odiar! Ao final do filme, fiquei com uma pontinha de esperança de ver uma “Liguinha” nos cinemas, com um embate entre Pacificador e Guy Gardner (com direção de James Gunn, claro!). Outros que chamam a atenção, são a Caça-Ratos II e o Tubarão Rei, o “coração” da equipe! Por fim, o Sanguinário e o Homem das Bolinhas também dão o seu show! E que show!

O aparentemente simples roteiro do filme ainda consegue nos pregar algumas peças! Por isso, espere o inesperado em relação à sobrevivência dos personagens! Afinal, este é verdadeiramente o Esquadrão Suicida! Ah, destaco também a criatividade de algumas idas e vindas temporais nos acontecimentos e os “subtítulos” no decorrer da história, como se fosse uma minissérie em quadrinhos dividida em capítulos!

Por falar em quadrinhos, quer vilão mais “gibi” do que o Starro? Apesar da superexposição nos diversos trailers, a aparição de Starro ainda consegue causar espanto! Eu mesmo preferi assistir a somente um trailer, para manter as surpresas e potencializar as surpresas. E funcionou! James Gunn consegue até mesmo dar “humanidade” a uma estrela-do-mar alienígena, vejam só!

No frigir dos ovos, em meio ao mais do mesmo nos filmes de “supers”, O Esquadrão Suicida traz um certo frescor, mesmo tendo um enredo deveras clichê! Mas como é bem trabalhado por uma mente muito criativa, diverte e nos faz pedir por mais! E fica aqui a minha torcida para um novo filme da Liga da Justiça (Internacional), mas dessa vez com Besouro Azul, Gladiador Dourado, Gui Gardner, Shazam, Fogo, Gelo, Canário Negro, Senhor Milagre, Oberon e… Ajax e Batman! Pena que estragaram o Max Lord em Mulher-Maravilha 1984! Mas como os filmes da DC agora não se “amarram”, fica a torcida!

50 GIBIS QUE MARCARAM A MINHA VIDA – PARTE 2

Continuando com a lista de gibis que “marcaram a minha vida”, vamos para mais dez edições. Procurei puxar pela memória, evitando ao máximo recorrer à internet. Por isso, não repare caso os dados estejam errados ou imprecisos. Os gibis não aparecem em ordem cronológica de publicação, apenas seguem uma ordem (mais ou menos) cronológica em que chegaram às minhas mãos. Dito isso, vamos mergulhar na nostalgia mais uma vez!

11 – SUPERAMIGOS 13

Esta provavelmente foi a primeira Superamigos que peguei! Marcou pela capa icônica e pela Liga da Justiça do George Pérez. Não lembro se já conhecia o traço do Pérez, mas lembro que fiquei muito impactado com a riqueza de detalhes. Outra hq que me marcou, foi a do Batman, que trazia o Cara de Barro II (acho!) com uma armadura que achei sensacional!

12 – HOMEM-ARANHA 44

O primeiro gibi “Homem-Aranha” que li foi este! Na lista passada, citei a primeira “A Teia do Aranha”! Lembro com carinho dessa edição, porque foi aqui que conheci a Gata Negra e, de cara, já adorei! Que me perdoem os fãs da Gwen Stacy e da Mary Jane, mas, pra mim, o melhor casal é Peter Parker e Felícia Hardy! Outro fato que marcou, foi a estreia do Quarteto Fantástico do John Byrne! Eu já conhecia o quarteto do mestre que saiu no Grandes Heróis Marvel 12! Mas aqui, o traço não tinha o peso da arte-final do Joe Sinnott e o desenho do Byrne estava no auge! Fora que a história é sensacional, com o quarteto enfrentando criaturas elementais criadas pelo Diablo!

13 – HOMEM-ARANHA 114

E mais cabeça de teia na lista! Este gibi foi um presente de Natal! O primeiro gibi de super-herói (e do aranha) que comprei em uma banca! Como não acompanhava nada mensal por falta de grana, eu não fazia ideia do que estava acontecendo com os personagens! Assim, foi um choque quando vi essa capa e o traço do Todd McFarlane! Adorei tudo! Como tudo o que eu pegava, de uma maneira ou de outra, acabava influenciando nos meus desenhos, passei a emular o McFarlane no meu personagem “principal” (que antes sofria influência do Jaspion!).

14 – SUPERAVENTURAS MARVEL 02

Não sei exatamente se essa foi a primeira SAM que tive, mas com certeza foi a primeira vez que li o Demolidor do Frank Miller, mesmo que aqui ele só estivesse desenhando! E quer melhor primeira vez, do que em uma história em que o homem sem medo enfrenta logo de cara o meu personagem preferido, o Incrível Hulk? Nem preciso dizer que reli diversas vezes! Foi aqui também que li pela primeira vez a sensacional “A filha do gigante de gelo” protagonizada pelo Conan! Infelizmente não tenho mais esse exemplar! Mas um dia eu recupero!

15 – GRANDES HERÓIS MARVEL 07

Também não sei precisar se este foi o meu primeiro GHM e nem se foi o meu primeiro contato com os “Xis-men”, mas a minha mente tratou de catalogar esse momento como o início de tudo! E como gostei dessa história! Não fazia ideia de que havia um porrilhão de capítulos que antecediam esse momento. E, pra ser franco, nem me preocupava com isso! Só devorei os três capítulos derradeiros da Fênix e pronto!

16 – O INCRÍVEL HULK 61

Por falar em personagem preferido, olha aí o Hulk mais uma vez na lista! Como já mencionei, “naquele tempo” a molecada não acompanhava mensalmente os gibis. Ia lendo o que pegava. Era raro estar atualizado com os acontecimentos! Então era comum pegar o “bonde andando”! E não foi diferente com essa edição! Imagine um pivete acostumado ao Hulk verde “esmaga homenzinhos” que se transforma quando o Bruce Banner fica com raiva! Agora imagine esse pivete pegar um gibi em que o Hulk está bestial, animalesco, mudo, sem falar, apenas rosnar, vivendo aventuras em mundos fantásticos ao lado de criaturas mágicas e, ainda por cima, com uma capa sensacional do Mike Mignola! Ah, e com uma arte do Sal Buscema (de quem sempre fui fã) diferente, cheia de hachuras, com arte-final do Gerry Talaoc! Adorei tudo isso! Foi o meu primeiro contato com a Saga da Encruzilhada! Para você ver que mudanças no status quo dos personagens sempre existiram e a gente adorava. Mas hoje em dia a galera chia por qualquer mudancinha como se o mundo fosse acabar!

17 – CRISE NAS INFINITAS TERRAS 02

Por falar em “pegar o bonde andando”, este foi o meu primeiro contato com a grande saga da DC! Claro que eu não conhecia nem 10% dos personagens “pintados de roxo” que apareciam nas páginas desse gibi! E, claro, que eu não me importava nem um pouco com isso! Lembro que eu lia em voz alta junto com um amigo como se estivéssemos assistindo a um filme! E a cena derradeira da Supergirl? Que momento! Ah, depois desse gibi, passei a emular os layouts do Pérez em meus gibis de folha de caderno! Tudo influenciava os meus desenhos!

18 – RAÇA DAS TREVAS 01

Por falar em “influência”, já mencionei que eu era fã de filmes de terror quando adolescente! Cheguei até a fazer vários gibis de folha de caderno para o filme Sexta-Feira 13! Aliás, era difícil achar um moleque que não gostasse de filmes de terror. O mesmo amigo que lia comigo a “Crise 02”, foi quem arrumou emprestada a minissérie Raça das Trevas! E, claro, lemos em voz alta como se fosse um filme! E que filme! Depois disso, claro que passei a fazer gibis baseados em Raça das Trevas!

19 – O INCRÍVEL HULK 113

Chegando ao final dessa lista, não poderia faltar mais… Hulk! Este foi o meu primeiro contato com o Hulk Cinza! Como assim… o Hulk está cinza? Detestei? Claro que não! E como assim o Hulk está falando direito? Adorei! E como assim o Hulk está de… terno? E procurando encrenca com motoqueiros em Las Vegas? Cadê a Encruzilhada? Não sei dizer o que acontecia naquela época, mas eu me empolgava com tudo! Então, nem preciso dizer que gostei bastante do Senhor Tira-Teima! Esta passou a ser a minha edição favorita dessa fase do gigante ver… ops… cinza como leão de chácara! Depois eu viria a conhecer o Hulk Cinza do McFarlane, mas isso é assunto para outra lista!

20 – GRAPHIC MARVEL 01

Para finalizar, vamos de mais Hulk! Naquela época (isso já está ficando repetitivo, eu sei!), praticamente só existiam os formatinhos de papel jornal e cores chapadas! Mesmo as edições de “luxo” eram difíceis de cair nas mãos da molecada pelo alto preço (e você achando que tudo era comprado com troco de pão, né?). Só víamos essas revistas mais elaboradas nos anúncios de quarta-capa dos formatinhos! Foi nesse contexto que tive contato com a série Graphic Marvel! E logo com a primeira edição! Preciso dizer que pirei no encontro do meu personagem favorito com o Coisa? E com esse desenho fabuloso do Berni Wrightson e cores de explodir o cérebro! Morri de rir em todas as vezes que li essa história criada pelo Jim Starlin! Tenho falas decoradas até hoje! Muito bom mesmo!

E, assim, chegamos ao fim da segunda parte.

Leia também a PARTE UM!

Imagens extraídas do Guia dos Quadrinhos!

O QUE ANDEI LENDO: BOX AQUAMAN

A Panini aproveitou para “surfar na onda” do lançamento do filme do Aquaman e colocou à venda no final de 2018 um box contendo toda a trajetória do Rei da Atlântida sob a batuta de Geoff Johns nos famigerados “Novos 52”! A caixa contém, em ordem de leitura, os encadernados “Liga da Justiça: Origem”; “Aquaman: As profundezas”; “Aquaman: Os Outros”; “Liga da Justiça: O trono da Atlântida” e “Aquaman: A morte de um Rei”! Todos em capa cartonada. Os desenhos ficaram por conta de Jim Lee, Ivan Reis e Paul Pelletier, além de outros convidados.

O que posso dizer, logo de cara, é que o Geoff Johns passa a impressão de ter dupla personalidade! Na Liga da Justiça, seu texto é truncado, fragmentado, enfadonho e cheio de clichês absurdos, como na parte em que o Batman e o Lanterna Verde decidem ir até Metropólis para confrontar o Superman apenas por ele ser um alienígena (como os parademônios)! E, claro, chegando lá, o Superman também acabou de enfrentar (coincidentemente) os asseclas do Darkseid e vai pra cima do homem morcego e do Hal Jordan! Já no Aquaman, seu texto é redondinho, cheio de boas sacadas, aventuresco e agradável de se ler! Dá vontade de devorar as páginas e ver até onde o Arthur Curry vai parar!

A diferença entre os dois títulos também é sentida na arte. Na Liga da Justiça, o traço do Jim Lee é até bonito, mas parece corrido e desproporcional. Não ajuda muito os novos designs dos uniformes, cheios de firulas que não servem para nada, apenas para dar dor de cabeça aos desenhistas dos títulos solo dos personagens! A impressão que se tem, é que o Jim Lee é um péssimo character designer, daqueles que pega algo pronto e sai rabiscando linhas a esmo só para pagar de detalhista! Deviam ter chamado o veterano mestre José Luis Garcia-López para essa função! Do jeito que ficou, está com cara de Image Comics da década de 1990!

Já no Aquaman, os uniformes do herói e da Mera dão gosto de ver, de tão elegantes que são! Dá para sentir o constrangimento do Ivan Reis em ter que seguir (mais ou menos) o visual estabelecido pelo “chefe”. Mas, assim como a elegância de seu traço, o Reis elegantemente dá um chega para lá no visual “Image” e mostra uma proposta anos-luz de distância em termos de qualidade! Sem falar que o seu traço é muito mais consistente do que o do Jim Lee. No segundo encadernado da Liga de Justiça, o Lee sai de cena e o Ivan Reis assume o título da superequipe, sendo substituído em Aquaman pelo Paul Pelletier, que não tem o mesmo nível do Reis, mas consegue segurar a peteca e entregar um feijão com arroz bem competente. No último volume de Aquaman (A morte de um rei), Pelletier chega a impressionar com algumas cenas de panorâmicas!

Sobre os enredos, é o que eu já falei: no título da Liga da Justiça, Johns parece não saber o que fazer ao contar as origens da equipe. O ponto positivo é a inclusão do Ciborgue! Para quem é fã dos Novos Titãs (como é o meu caso), pode ficar com um pé atrás! Mas como o Victor Stone é o único personagem bem trabalhado, acaba ganhando uma relevância bem interessante de se ver. Se não fosse por essa armadura genérica… Pelo menos ficou melhor desenhada pelo Ivan Reis! No título do Aquaman, o enredo está melhor estruturado e acompanhamos a trajetória de Arthur Curry pós-recusa do reinado da Atlântida. Quem está no trono é o seu irmão Orm! Quem dá as caras também são “Os Outros”, antiga equipe de Aquaman, e o vilão Arraia Negra! Além dos impressionantes habitantes do Fosso!

Quando os títulos se encontram em “O Trono da Atlântida”, as histórias da Liga da Justiça dão uma leve melhorada. Como eu disse, parecem ser dois Geoff Johns, e ambos têm uma certa dificuldade em realizar o crossover, dadas as inconsistências nas linhas cronológicas dos enredos! Até o uniforme do Aquaman fica inconsistente, já que no gibi da Liga era de um jeito e no do Rei dos Setes Mares, de outro! Mas o Ivan Reis consegue segurar o tranco, seguido fielmente pelo Paul Pelletier! Quando entra o Tony Daniel… xiiii!

São mais de 800 páginas de quadrinhos que li voando! Apesar de ser uma leitura mais truncada na Liga da Justiça, o gibi do Aquaman foi devorado em um piscar de olhos, tamanha a diversão dos enredos! O Rei dos Sete Mares entra no hall das boas coisas dos Novos 52, ao lado da Mulher-Maravilha, Action Comics, Batman e Flash! Já Liga da Justiça…

Imagens extraídas do site da Panini.

OS CROSSOVERS IMAGINÁRIOS!

Costumo dizer que um médico ou um advogado, quando estafados, podem recorrer às artes para dar uma relaxada! Mas e quando a pessoa trabalha com artes, o que faria para relaxar? Uma cirurgia? Soltar um preso?

Foi pensando nisso que surgiu, meio que por brincadeira, a série de ilustrações “Crossovers Imaginários”. O propósito é unicamente relaxar e descansar a mente do trabalho “normal”, digamos assim! Sem regras, sem amarras, sem prazos! Apenas focando na diversão e nos encontros inusitados entre personagens de diferentes mídias! Saca só como ficaram as ilustrações produzidas até aqui…

O QUE ANDEI LENDO: Conan, O Bárbaro

O Conan é um personagem que tem uma história com começo, meio e fim bem estabelecidos pelo seu criador Robert Ervin Howard nos contos que escreveu originalmente na década de 1930! O personagem já foi ladrão, mercenário, soldado, pirata… até se tornar Rei! Com isso, o bárbaro cimério consegue a façanha de ser acessível para qualquer leitor de qualquer época (assim como o Tex, por exemplo), com HQs sem amarras cronológicas que possibilitam ser narrados momentos de qualquer período de sua vida! E quando bem escritas, então, se tornam um deleite! É o que acontece com essa nova série escrita por Jason Aaron!

Jason Aaron não inventa a roda, nem descobre a pólvora! Apenas replica no seu Conan o que já havia feito com o Thor: coloca o cimério para enfrentar uma mesma terrível ameaça ao longo de vários momentos de sua vida, começando aos 17 anos, recém saído da Ciméria, e culminando na velhice, nos últimos resquícios como Rei da Aquilônia! Além de ser uma aventura instigante, bem estruturada e arquitetada, o enredo claramente serve para reapresentar a personalidade e as facetas de Conan aos novos leitores! Para o leitores veteranos, é uma alegria ver um personagem tão querido receber um tratamento tão cuidadoso e zeloso! Dá gosto devorar as novas revistinhas, fininhas que são, e aguardar com ansiedade pela próxima!

Jason Aaron aproveita essa característica atemporal de Conan e brinca com os vários períodos da sua vida, além de demonstrar profundo conhecimento da mitologia do personagem, já que a personalidade do cimério de bronze muda sutilmente de um período a outro. Basta reparar como o Conan é petulante e descuidado quando jovem, mas já cauteloso e sábio quando rei!

A nova série nos faz pensar em como seria se essa característica atemporal também fosse aplicada aos quadrinhos de super-heróis. O Homem-Aranha, por exemplo, teria sido estudante do ensino médio, fotógrafo do Clarim Diário, universitário, namorado da Gwen Stacy, namorado da Mary Jane, teria usado o uniforme negro simbionte, teria sido namorado da Gata Negra, cientista, casado, vingador e pai da Garota Aranha! Daí, cada roteirista escolheria que período da vida do cabeça de teia abordaria em suas histórias. Acabariam as amarras cronológicas e as histórias chatas…

Mais ou menos!

O Conan é acessível, mas nem sempre tem histórias bem escritas, apesar de a média de boas histórias ser maior! Felizmente Jason Aaron está dentro dessa boa média, juntamente com a equipe de arte formada por Mahmud Asrar (desenhos) e Mattew Wilson (cores), além de Esad Ribic nas belas capas! Vale muito a pena acompanhar essa série!

Imagens das capas extraídas do Guia dos Quadrinhos

O QUE ANDEI LENDO: O Imortal Hulk

O que acontece quando um roteirista conhece toda a trajetória de um personagem? Surgem desse conhecimento histórias herméticas cheias de referências descartáveis atreladas a uma confusa cronologia e que ninguém entende, apenas o próprio roteirista! Certo?

Errado!

Quando o roteirista conhece a fundo o seu personagem e tem a habilidade suficiente para escrever boas histórias a partir daí, as referências passam a trabalhar a favor da narrativa e não contra! Este é o caso do Al Ewing, que entrega ao leitor um Hulk “raiz” acessível tanto para quem só viu o verdão no cinema e um deleite para quem lê desde tempos imemoriais (é o meu caso!)!

O Hulk sempre foi o meu personagem preferido e me doía a alma (exagero!) querer ler algo atual bom do personagem e só encontrar pataquadas sem tamanho (Hulk Vermelho… oi?). Quando peguei O Imortal Hulk para ler, a expectativa estava nas alturas. Não que eu esperasse algo fora do comum (assim como você também não deve esperar), mas por saber que finalmente o bom e velho Gigante Verde estava voltando às origens!

E que origens! A começar pela bela arte de Alex Ross que faz uma releitura da clássica capa desenhada pela grande Marie Severin! Já na primeira história, dá pra sacar logo de cara que Stan Lee e Jack Kirby estão naquelas páginas, com o Bruce Banner foragido procurando esconder o seu alter ego, ao mesmo tempo em que acaba se metendo em pequenos casos de “heroísmo”! Outra “presença” no gibi é a homenagem ao seriado estrelado pelo Bill Bixby e Lou Ferrigno, tanto no enredo do Bruce/Hulk andarilho, quanto na inserção de uma repórter investigativa que segue o rastro do verdão! Repare no nome da moça! Uma referência mais recente, é da fase escrita pelo Bruce Jones e desenhada pelo John Romita Jr., que também usava como mote das histórias o Banner “andarilho” (ou fugitivo)! Tem até referência ao filme dirigido pelo Ang Lee (repare no último quadro da primeira história).

E as bizarrices gama? Também estão aqui! Lembrando muito a fase inicial do Peter David com o personagem, o Hulk enfrenta um adversário irradiado gama que faz referência ao Meia-Vida!

O mais bacana, além de tudo isso, é a introdução do fator psicológico nas duas últimas páginas, puxando o gancho do que já haviam feito o Bill Mantlo e o já citado Peter David e já dando um gostinho do que ainda vem por aí! Para dar mais um gostinho do que se trata, basta ver a expressão de terror que o Hulk faz ao se deparar com um importante ente do passado!

Por falar em expressão, que traço é esse do Joe Bennett?! O nosso grande Bené Nascimento está arrebentando nos desenhos! Se as cores fossem menos saturadas e luminosas, ficaria ainda melhor! Mas vamos assim mesmo, que vale a pena! Se as influências do passado do Verdão aparecem no texto, a arte não deixa por menos! Temos aqui um Hulk com cabeça mais alongada a la Jack “The King” Kirby (bem Frankenstein!), bem como um corpanzil bem próximo do desenhado pelo Todd McFarlane na fase “Hulk Cinza”. E, claro, não podia faltar o bom e velho Sal Buscema, no jeito de caminhar, na linguagem corporal e na hora da briga! Os músculos também lembram muito as versões desenhadas pelo Dale Keown e Gary Frank!

Ou seja… ao juntar um roteirista que conhece a fundo o personagem, com um desenhista que não deixa por menos, temos aqui uma fase que vale muito a pena ser acompanhada, com um enredo acessível para qualquer leitor! E pela primeira vez em anos, fiquei com vontade de ler a edição seguinte!

Artes à lápis extraídas do Facebook de Joe Bennett!

MAD 90: Animanés da Mad e onde se escondem!

Demorei, mas voltei!

Em dois sentidos, aliás!

Primeiro, fazia tempo que não atualizava o blog devido à correria do cotidiano e pela facilidade e rapidez de postar as novidades através das redes sociais! Mas a partir de agora tudo será diferente (assim espero)! Vou me dedicar mais a esse espaço tão querido, voltando com todo o gás com as seções que tanto gosto de escrever (e espero que você também goste de ler). A saber:

  • Vi no cinema – pitacos sobre os filmes lançados e dicas acerca das referências.
  • Vi no streaming – também pitacos de séries, animações ou filmes vistos no streaming e dicas de referências puxadas por essas obras.
  • O que andei lendo (ou relendo) – achismos sobre gibis, livros, bulas de remédio e afins!
  • Dicas ilustradas – referências para turbinar a criatividade da galera que ilustra ou curte ilustrações!
  • Passo-a-passo – análise de algum trampo meu que valha a pena compartilhar com vocês!
  • Contos em gibi – essa é uma novidade que tenho vontade de fazer há tempos! Tenho aqui na minha caixola alguns contos que transformarei em quadrinhos de 08 à 12 páginas e postarei no blog semanalmente!

Segundo, fazia tempo que eu estava devendo a minha última incursão na já saudosa revista MAD, que foi cancelada pela Panini Comics na edição de Nº 90 em maio de 2016. Como você já percebeu pelo título da postagem, trata-se de uma paródia do primeiro filme da nova franquia do Harry Potter sem o Harry Potter (ops!), “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, que sob a ótica da MAD, ficou como “Animanés da MAD e onde se escondem”! Boa leitura e até breve!

MAD 90_Animanes Fanaticos_pag 01_final

MAD 90_Animanes Fanaticos_pag 02_final

Todo mundo quer ser Alan Moore, ninguém quer ser Maurício de Sousa

Esta semana tive a satisfação de gravar uma áudio-aula, a convite do meu querido amigo Raymundo Netto, para o Curso de Histórias em Quadrinhos em Sala de Aula da Fundação Demócrito Rocha. Dentre os diversos temas abordados no bate-papo, dois em especial me provocaram uma reflexão pós-gravação, que vou procurar explanar neste texto.

O primeiro, foi o velho e já batido tema de “as pessoas veem os quadrinhos como sendo coisa para crianças”. Na ocasião, parafraseei o grande Sidney Gusman ao falar “que bom que quadrinhos TAMBÉM são coisa para crianças” e acrescentei que os produtores de HQs precisam, de uma vez por todas, superar esse “complexo de vira-lata” e seguir a vida produzindo os seus gibis para o público que lhes convier. Daí, inevitavelmente desembocamos no também batido tema “mercado de quadrinhos”, no qual afirmei que não tinha opinião formada sobre isso!

Refletindo agora, continuo sem opinião formada sobre isso e cada vez mais longe de alguma solução! Mas é notório que não temos um mercado! O Brasil é enorme, a distribuição é péssima e o – pouco – público leitor está muito espaçado. Mas vejo outro problema também. Não há a renovação de leitores. E por quê? Simples! Porque todo mundo quer ser Alan Moore, mas ninguém quer ser Maurício de Sousa!

Polêmica? Vou explicar! No “meu tempo”, quando quadrinhos eram “coisa de criança”, nós tínhamos títulos para todos os gostos e bolsos, dos mais diversificados, dos melhores aos piores! Aquelas crianças que liam gibis, assim como eu, foram crescendo e se transformando em adultos. Coincidiu de também começarem a aparecer os gibis “adultos” para atender a demanda. Porém, mais do que simplesmente atender à demanda “adulta”, esses quadrinhos “sombrios e realistas” tinham como meta “provar” que HQs não eram “coisa de criança”. E o que aconteceu? Gibi deixou de ser coisa de criança! E isso foi péssimo. É péssimo até hoje!

Assim, quem consumia quadrinhos quando criança e cresceu, agora só quer produzir quadrinhos voltados para o público adulto, com tramas mais complexas, arte experimental e tudo o que tiver direito! Nada contra! Mas isso faz com que os quadrinhos produzidos atendam um público cada vez menor, até chegar ao ponto onde estamos, quando os quadrinhistas estão praticamente produzindo uns para os outros. E a renovação do público aonde fica? E as crianças que estão entrando na fase de leitura? Que vão crescer e poderiam aumentar o mercado? Quem está produzindo para elas? Quer uma resposta? Apenas o Maurício de Sousa! E sabe por quê? Porque ninguém quer produzir quadrinhos que sejam “coisa de criança”. Só querem produzir quadrinhos “adultos”. No final, todo mundo só quer ser Alan Moore, mas esquecem que, se não houver uma renovação de público, o mercado vai ficar cada vez menor!

Não adianta ficar apenas reclamando que as grandes editoras não investem em novos talentos, que o governo não incentiva ou que isso e aquilo outro! Não sei qual é a solução para melhorar o mercado. Mas sei que, se ninguém quiser produzir quadrinhos que sejam “coisa de criança”, é quase certo que a tendência é piorar. E não me venha falar sobre os “grandes eventos” com milhares de lançamentos! Enquanto o cara estiver vendendo o almoço para comprar a janta (que é o que acontece com essa onda de financiamento coletivo), e não conseguindo se sustentar apenas com a sua produção, com um salário mensal razoável, para mim, isso não é mercado. É apenas oba-oba. E me desculpe… sou artista, mas não vivo de amor à arte! A conta de luz não se paga com amor de arte!

O que andei lendo: INVENCÍVEL!

InvencivelVol01

Finalmente coloquei as minhas mãos na série do Invencível, já que esperei (e como esperei!) para comprar baratinho em um sebo! Só para você ter uma ideia, o primeiro volume saiu por aqui em março de 2006 e o quarto (e último e sem continuação!), em outubro de 2012, ambos publicados pela HQM Editora, que chegou a anunciar o quinto encadernado, mas até hoje… Nada!

A espera valeu a pena, tanto na leitura quanto no bolso!

InvencivelVol02

Eu já tinha ouvido falar do quanto essa série era boa e já conhecia a competência do Robert Kirkman nos roteiros. O cara conhece muito das características, idiossincrasias e clichês dos gibis de super-heróis e usa esse conhecimento a seu favor para escrever uma HQ muito divertida! E o que é melhor: sem tentar reinventar a roda ou redescobrir a pólvora! Em diversos momentos me senti lendo um bom gibi do Homem-Aranha como antigamente, no qual um super-herói adolescente precisa salvar o dia lutando contra vilões ameaçadores, enquanto descobre a extensão dos próprios poderes e tem que chegar cedo em casa, lidar com os pais, com dever de casa, com a escola, com o trabalho, com os amigos e com as garotas! A relação do Invencível com o seu cotidiano de “civil” entremeado com superpoderes é o foco da atenção do enredo. Tanto é que na maioria dos combates contra os vilões, são mostrados apenas o início e o fim da briga. O enredo não se estende demais do quebra-pau, a não ser que seja de extrema importância para, mais na frente, mostrar como isso impacta na vida cotidiana do herói!

InvencivelVol03

E o que falar da arte? Que coisa “marlinda”! O Cory Walker tem um traço de linha clara tão limpo, que chega a dar gosto! Suas cenas desenhadas em um estilo mais cartunesco têm movimento, ao contrário de muitos desenhos “realistas” em outros gibis que mais parecem poses pra foto! E acredite: é mais fácil você treinar e desenhar “realistinha”, do que conseguir abstrair toda a gordura desnecessária e criar um traço estilizado e conciso! Por isso que esse cara, e tantos outros com essa pegada, têm a minha admiração! A todo momento fica a sensação de estar lendo um “desenho animado” graças, também, às cores de paletas suaves do Bill Crabtree. Entretanto, o Cory Walker ficou com dificuldade de cumprir os prazos e trocou de lugar no volume dois com o desenhista Ryan Ottley, que se perde um pouco no início tentando emular o traço do seu antecessor, mas que acerta o prumo no volume seguinte e deslancha de vez no quarto encadernado!

InvencivelVol04

Antes, durante e depois da leitura, várias referências a outros quadrinhos me vieram à mente, seja pela temática semelhante de roteiro ou pela arte. Uma delas foi a minissérie em duas edições “Ultra: Sete Dias”, também publicada originalmente pela Image Comics (à exemplo do Invencível), mas lançada aqui no Brasil pela Pixel Media. Produzida pelos Irmãos Luna (Joshua e Jonathan), a série conta a história das três amigas Liv, Jen e Pearl, também conhecidas como as super-heroínas Afrodite, Vaqueira e Ultra. Assim como em Invencível, o mais importante aqui não são os embates superpoderosos, mas a relação cotidiana das três amigas em um mundo onde os super-heróis são tratados como celebridades. O mais bacana da série é ver como a natureza feminina é abordada em personagens tão humanas, apesar de superpoderosas, com suas alegrias, frustrações, tristezas, incertezas… com uma arte de cair o queixo de tão boa! Uma sacada bacana, é que as capas simulam pôster de filme e capas de revistas de celebridades! Vale muito a pena! Tanto Invencível, quanto Ultra!

ultra-destaque

 

O que andei lendo em outubro de 2017

Fazia tempo que eu não publicava as dicas de leitura. Mas tem um motivo pra isso: aquela história de ficar contando as páginas lidas por mês acabou deixando a leitura muito engessada e menos divertida. Então parei de contar e, por conta disso, catalogar o que ia lendo. Ou seja, voltei à programação normal!

Agora, só de vez em quando é que vou publicar algo, principalmente se tiver alguma coisa pertinente para falar sobre alguma obra. Nem sempre serão palavras elogiosas, como é o caso da série “X-men ‘92”!

01

Quando soube do lançamento dessa série nos EUA, fiquei muito empolgado em ler, fã que sou dos heróis mutantes e da animação. Concluída a publicação aqui no Brasil (em três encadernados), a conclusão a que cheguei foi que a Marvel perdeu uma ótima oportunidade de fazer uma série, senão memorável, pelo menos prazerosa de se ler.

O que tornou a série animada memorável foi o fato de ter um elenco enxuto. Mesmo com diversas participações especiais, todo mundo sabia quem eram os X-men “oficiais”. Outro ponto positivo foram as histórias contidas em apenas um episódio. Quando muito, uma trama se estendia por dois, no máximo, quatro episódios (casos da Saga da Terra Selvagem e da Saga da Fênix). Por fim, as adaptações, também enxutas, das principais sagas dos quadrinhos e a interação “interpessoal” entre os personagens foram pontos positivos da animação.

02

Os roteiristas do gibi parecem não ter captado o espírito da coisa. Ao invés de captar o melhor que o desenho animado ofereceu, resolveram pegar o “melhor” (#SQN) que os anos 90 mostraram nos quadrinhos! Estão lá a equipe abarrotada de integrantes! É tanta gente, que você acaba se perdendo em muitas partes da história! X-men, Geração X, X-Factor, X-Force, X-Ninhada (não me pergunte…), misturados com outra penca de mutantes descartáveis criados na fase do Grant Morrison! Aos desenhistas, coube a tarefa de representar caras e caretas infantilóides, como se precisassem disso para dizer que a série é baseada em uma animação.

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Quanto às tramas… também o pior dos anos 90 dos gibis! Lembra daquela pataquada de Upstarts, que eram um grupo formado por um tal de GameMaster para ganhar pontos caçando mutantes? Pois é! Nem eu lembrava dessa baboseira! Mas aqui, é a trama principal que permeia toda a série. O que ainda escapa é um ou outro momento com alguns episódios com vampiros. E nem vou falar do primeiro volume que, relacionado às Guerras Secretas, mostra um embate requentado com a Cassandra Nova (sim, a irmã gêmea do Xavier!). Se quiser saber mais sobre o primeiro volume, falei sobre isso aqui!

Como não só de nostalgia vive o leitor, a série foi cancelada! Na minha opinião, deveriam ter se inspirado em outra adaptação de animação para os gibis: Batman – Gotham Adventures. As histórias dessa série seguem totalmente a cartilha do desenho animado, com tramas episódicas, concisas, com um traço limpo, bonito, cartunesco, mas sem deixar os personagens abobados. Em muitas ocasiões, confesso que confundo em minha memória se algum episódio eu li ou assisti, de tão bons que são! Quem quiser dar uma lida, saiu por aqui em formatinho pela Editora Abril com o título “Batman: Gotham”!

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É uma pena que “X-men ’92” tenha ficado do jeito que ficou! Para quem é fã dos heróis mutantes, realmente está faltando uma série “fechada” e sem tantas pretensões, apenas a de contar boas histórias. Agora é esperar pela “X-men Grand Design” e ver no que dá!

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Agradecimentos ao site Guia dos Quadrinhos, de onde tirei a maioria das capas aqui expostas. =)