Todo mundo quer ser Alan Moore, ninguém quer ser Maurício de Sousa

Esta semana tive a satisfação de gravar uma áudio-aula, a convite do meu querido amigo Raymundo Netto, para o Curso de Histórias em Quadrinhos em Sala de Aula da Fundação Demócrito Rocha. Dentre os diversos temas abordados no bate-papo, dois em especial me provocaram uma reflexão pós-gravação, que vou procurar explanar neste texto.

O primeiro, foi o velho e já batido tema de “as pessoas veem os quadrinhos como sendo coisa para crianças”. Na ocasião, parafraseei o grande Sidney Gusman ao falar “que bom que quadrinhos TAMBÉM são coisa para crianças” e acrescentei que os produtores de HQs precisam, de uma vez por todas, superar esse “complexo de vira-lata” e seguir a vida produzindo os seus gibis para o público que lhes convier. Daí, inevitavelmente desembocamos no também batido tema “mercado de quadrinhos”, no qual afirmei que não tinha opinião formada sobre isso!

Refletindo agora, continuo sem opinião formada sobre isso e cada vez mais longe de alguma solução! Mas é notório que não temos um mercado! O Brasil é enorme, a distribuição é péssima e o – pouco – público leitor está muito espaçado. Mas vejo outro problema também. Não há a renovação de leitores. E por quê? Simples! Porque todo mundo quer ser Alan Moore, mas ninguém quer ser Maurício de Sousa!

Polêmica? Vou explicar! No “meu tempo”, quando quadrinhos eram “coisa de criança”, nós tínhamos títulos para todos os gostos e bolsos, dos mais diversificados, dos melhores aos piores! Aquelas crianças que liam gibis, assim como eu, foram crescendo e se transformando em adultos. Coincidiu de também começarem a aparecer os gibis “adultos” para atender a demanda. Porém, mais do que simplesmente atender à demanda “adulta”, esses quadrinhos “sombrios e realistas” tinham como meta “provar” que HQs não eram “coisa de criança”. E o que aconteceu? Gibi deixou de ser coisa de criança! E isso foi péssimo. É péssimo até hoje!

Assim, quem consumia quadrinhos quando criança e cresceu, agora só quer produzir quadrinhos voltados para o público adulto, com tramas mais complexas, arte experimental e tudo o que tiver direito! Nada contra! Mas isso faz com que os quadrinhos produzidos atendam um público cada vez menor, até chegar ao ponto onde estamos, quando os quadrinhistas estão praticamente produzindo uns para os outros. E a renovação do público aonde fica? E as crianças que estão entrando na fase de leitura? Que vão crescer e poderiam aumentar o mercado? Quem está produzindo para elas? Quer uma resposta? Apenas o Maurício de Sousa! E sabe por quê? Porque ninguém quer produzir quadrinhos que sejam “coisa de criança”. Só querem produzir quadrinhos “adultos”. No final, todo mundo só quer ser Alan Moore, mas esquecem que, se não houver uma renovação de público, o mercado vai ficar cada vez menor!

Não adianta ficar apenas reclamando que as grandes editoras não investem em novos talentos, que o governo não incentiva ou que isso e aquilo outro! Não sei qual é a solução para melhorar o mercado. Mas sei que, se ninguém quiser produzir quadrinhos que sejam “coisa de criança”, é quase certo que a tendência é piorar. E não me venha falar sobre os “grandes eventos” com milhares de lançamentos! Enquanto o cara estiver vendendo o almoço para comprar a janta (que é o que acontece com essa onda de financiamento coletivo), e não conseguindo se sustentar apenas com a sua produção, com um salário mensal razoável, para mim, isso não é mercado. É apenas oba-oba. E me desculpe… sou artista, mas não vivo de amor à arte! A conta de luz não se paga com amor de arte!

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O QUE ANDEI (RE)LENDO: GRAPHIC NOVEL

Sou da época do gibi em formatinho de papel jornal e preço de banana que tinha em qualquer banca da esquina. Aliás, sou do tempo em que existiam bancas em qualquer esquina! Mesmo com o gibi sendo baratinho, o meu poder aquisitivo não era essas maravilhas todas, então eu me virava como podia para ler. E lia de tudo! O que caía na rede, era peixe! Foi nesse cenário que, lá pelos meus 11-12 anos de idade, tive contato pela primeira vez com a série Graphic Novel da Editora Abril.

Não lembro exatamente como tomei conhecimento dessa coleção (alguém deve ter me emprestado), mas sei com certeza que foi com a primeira edição, a dos X-men! Até então, eu só havia lido o Grandes Heróis Marvel #07 com a Morte da Fênix (comecei bem!) e fiquei abismado quando toquei naquele “gibizão” dos heróis mutantes! Intitulada “O Conflito de uma raça”, a HQ inaugurava uma nova era de publicação de álbuns de luxo da Abril, em formato tipo “Veja”, papel “liso” e cores especiais. Pra quem era acostumado apenas com os formatinhos de cores chapadas, aquela revista representou um salto inimaginável de qualidade visual! Mas… isso tinha um preço! O preço de capa custava os olhos da cara, muito além do que o meu pobre bolso pudesse dar conta! Devorei cada centímetro dos quadrinhos da Graphic Novel #01 e depois, provavelmente, tive que devolver ao cara que me emprestou. Só depois é que consegui a minha própria edição, muito provavelmente através de troca!

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No início dessa coleção, a Editora Abril publicou apenas personagens da Marvel (em sua maioria) e da DC. Só depois é que diversificou para quadrinhos europeus e afins! A série fez tanto sucesso que, mais tarde, a editora resolveu criar uma coleção apenas com os heróis da Marvel, intitulada, claro, de Graphic Marvel! Mas isso é assunto para outro momento…

Como eu disse, na minha fase de moleque, eu lia de tudo e lia o que caísse na minha mão (ainda faço isso hoje em dia…)! Não tinha uma preocupação em colecionar os números em sequência das revistas. Ia guardando o que aparecia. E foi assim com a Graphic Novel. Até pouco tempo atrás, eu tinha somente as edições com HQs de super-heróis. Daí, comecei a pegar outros números para ver se as histórias prestavam e resolvi de vez fechar a coleção! Agora, deve faltar apenas uns sete números pra fechar tudo! Mas como nasci de sete meses, tive a ideia de (re)ler pela primeira vez em ordem numérica, mesmo com a coleção ainda incompleta (e o que é que tem, né?)!

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A primeira edição, como já mencionei, é dedicada aos X-men e me surpreendeu quando moleque, não apenas pelo “luxo” da revista, mas pela história pé no chão dos mutantes.

O segundo número só consegui um pouco depois. Eu já conhecia a arte do Bill Sienkiewicz do encadernado da Elektra Assassina. Aliás, ganhei esse encadernado de um amigo adulto, casado e pai de família, porque ele comprou a revista e não gostou dos desenhos “feios”! Aliás, ele me deu os encadernados do Skreemer e do Cavaleiro das Trevas pelo mesmo motivo! Mas depois eu conto essa história em detalhes! Obviamente, gostei bem mais da arte do Sienkiewicz do que esse meu amigo e fiquei muito feliz de poder ler mais coisas desse grande artista na Graphic Novel!

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O terceiro número é uma declaração de amor do Jim Starlin ao Capitão Marvel e às HQs cósmicas. Confesso que, ao reler essa edição nessa semana, novamente escorreu uma lágrima! Que bela história! E o Capitão Marvel continua sendo o único personagem de gibi que “ainda” não voltou da morte. Não que eu saiba! Mas já deve ter voltado em alguma fase “Nova Totalmente Fabulosa Novamente Excelsiorsamente Marvel” que saiu por aí e eu não li (e nem vou ler…).

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Falei em declaração de amor? Pois é essa a sensação que o Bernie Wrightson também passa na edição quatro da série, ao retratar magnificamente uma aventura de fantasia com o bom e velho cabeça de teia. Fazia tempo que eu não tirava essa edição do “saco”, acho que uns bons 15 anos! Já tinha na minha memória afetiva a bela arte do Wrightson, mas quando comecei a reler, passei uns bons momentos parado só babando em algumas páginas duplas da revista. Só vendo pra entender! Um espetáculo de arte!

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Por fim, a primeira Graphic Novel dedicada a um personagem da DC. E já vem arrebentando tudo com “Batman: A Piada Mortal”! A última vez que reli essa HQ foi com o encadernado da Panini que trazia as cores refeitas pelo Brian Bolland numa paleta mais fria. Foi interessante rever a arte do Bolland com a paleta mais quente originalmente impressa! Apesar da história sensacional, esse número destoa do restante da coleção por ser em formato americano. Para um colecionador mais chato (já fui!), fica esquisito quando colocada junto às demais. Outra que destoou foi a do Surfista Prateado do Moebius, também em formato americano.

Pois é isso, amiguinho! Um pequeno texto de impressões (não guia de leitura e nem review) e lembranças nostálgicas e afetivas. Depois escrevo sobre as edições 06 à 10. Espero que tenha curtido!

As capas aqui presentes foram retiradas do site Guia dos Quadrinhos. Dá um pulo lá!

O que andei lendo: INVENCÍVEL!

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Finalmente coloquei as minhas mãos na série do Invencível, já que esperei (e como esperei!) para comprar baratinho em um sebo! Só para você ter uma ideia, o primeiro volume saiu por aqui em março de 2006 e o quarto (e último e sem continuação!), em outubro de 2012, ambos publicados pela HQM Editora, que chegou a anunciar o quinto encadernado, mas até hoje… Nada!

A espera valeu a pena, tanto na leitura quanto no bolso!

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Eu já tinha ouvido falar do quanto essa série era boa e já conhecia a competência do Robert Kirkman nos roteiros. O cara conhece muito das características, idiossincrasias e clichês dos gibis de super-heróis e usa esse conhecimento a seu favor para escrever uma HQ muito divertida! E o que é melhor: sem tentar reinventar a roda ou redescobrir a pólvora! Em diversos momentos me senti lendo um bom gibi do Homem-Aranha como antigamente, no qual um super-herói adolescente precisa salvar o dia lutando contra vilões ameaçadores, enquanto descobre a extensão dos próprios poderes e tem que chegar cedo em casa, lidar com os pais, com dever de casa, com a escola, com o trabalho, com os amigos e com as garotas! A relação do Invencível com o seu cotidiano de “civil” entremeado com superpoderes é o foco da atenção do enredo. Tanto é que na maioria dos combates contra os vilões, são mostrados apenas o início e o fim da briga. O enredo não se estende demais do quebra-pau, a não ser que seja de extrema importância para, mais na frente, mostrar como isso impacta na vida cotidiana do herói!

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E o que falar da arte? Que coisa “marlinda”! O Cory Walker tem um traço de linha clara tão limpo, que chega a dar gosto! Suas cenas desenhadas em um estilo mais cartunesco têm movimento, ao contrário de muitos desenhos “realistas” em outros gibis que mais parecem poses pra foto! E acredite: é mais fácil você treinar e desenhar “realistinha”, do que conseguir abstrair toda a gordura desnecessária e criar um traço estilizado e conciso! Por isso que esse cara, e tantos outros com essa pegada, têm a minha admiração! A todo momento fica a sensação de estar lendo um “desenho animado” graças, também, às cores de paletas suaves do Bill Crabtree. Entretanto, o Cory Walker ficou com dificuldade de cumprir os prazos e trocou de lugar no volume dois com o desenhista Ryan Ottley, que se perde um pouco no início tentando emular o traço do seu antecessor, mas que acerta o prumo no volume seguinte e deslancha de vez no quarto encadernado!

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Antes, durante e depois da leitura, várias referências a outros quadrinhos me vieram à mente, seja pela temática semelhante de roteiro ou pela arte. Uma delas foi a minissérie em duas edições “Ultra: Sete Dias”, também publicada originalmente pela Image Comics (à exemplo do Invencível), mas lançada aqui no Brasil pela Pixel Media. Produzida pelos Irmãos Luna (Joshua e Jonathan), a série conta a história das três amigas Liv, Jen e Pearl, também conhecidas como as super-heroínas Afrodite, Vaqueira e Ultra. Assim como em Invencível, o mais importante aqui não são os embates superpoderosos, mas a relação cotidiana das três amigas em um mundo onde os super-heróis são tratados como celebridades. O mais bacana da série é ver como a natureza feminina é abordada em personagens tão humanas, apesar de superpoderosas, com suas alegrias, frustrações, tristezas, incertezas… com uma arte de cair o queixo de tão boa! Uma sacada bacana, é que as capas simulam pôster de filme e capas de revistas de celebridades! Vale muito a pena! Tanto Invencível, quanto Ultra!

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Vi na Netflix: Legion

Ok, vi apenas o primeiro episódio! Ainda não tenho uma opinião formada sobre a série Legion que acabou de entrar no catálogo da Netflix e nem pretendo formá-la ou expor-la aqui neste texto! O que posso dizer, apenas como um bom bate-papo de beira de calçada entre amigos, é que o episódio começa muito bem, com umas pirações que te deixam grudado na tela com medo de piscar, perder algum detalhe e, depois, não entender o contexto daquela trama aparentemente complexa! Eu falei “aparentemente”? Pois é! Do meio pro fim, quando as peças do quebra cabeça vão se encaixando, você percebe que a trama é rasa e aquela loucura toda do começo foi apenas pirotecnia narrativa para esconder a falta de complexidade do enredo! Em suma, o episódio tenta parecer uma ferrari quando, na verdade, não passa de um chevette! Depois que se constata que a história é tão rasa quanto piscina pra criança, coisas que não incomodavam tanto, passam a incomodar demais, como o “cabelinho descolado” e milimetricamente assanhado com laquê do protagonista. Nada mais adequado para alguém que está em um hospício, correto? Coisas típicas de séries juvenis americanas… Mas enfim! Deu preguiça de prosseguir para o segundo episódio, mas vou tentar mais tarde!

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Mas vamos falar de coisa boa agora? As referências? Para quem não sabe, David Haller – o Legião – é o filho do Professor Charles Xavier com a embaixadora de Israel Gabrielle Haller. Os dois se conheceram quando jovens, na mesma ocasião em que o Xavier conheceu um tal de Erik Magnus Lehnsherr (aquele que viria a se tornar o Magneto). Na época, Gabrielle era apenas uma enfermeira e estava envolvida numa trama com o nefasto líder da Hidra, o Barão Wolfgang von Strucker, e acaba sendo sequestrada pelo vilão. Xavier e Magnus partem para o resgaste e o futuro líder dos X-men acaba se apaixonando pela bela enfermeira, o que resulta (sem que ele saiba) no David Haller! Parece óbvio que essa trama toda não será abordada na série, mas vale a pena conferir! A HQ escrita pelo Chris Claremont e desenhada por Dave Cockrum foi publicada em Uncanny X-men #161, bem no meio da Saga da Ninhada, e saiu no Brasil na saudosa Superaventuras Marvel #66, da Editora Abril.

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Só ficamos sabendo que o Xavier tinha um filho, inclusive ele próprio, anos mais tarde na edição de número 26 de The New Mutants, também escrita por Chris Claremont e soberbamente ilustrada, com diversas experimentações visuais e narrativas, por Bill Sienkiewicz! Aqui, saiu em O Incrível Hulk #79. Por se tratar do filho do maior telepata do mundo, era de se imaginar que David Haller seria um mutante de igual potencial. E, de fato, é o que acontece. David sofre de múltiplas personalidades e cada uma apresenta um poder diferente, que vai desde à telepatia e telecinese, até manipulação da realidade! E, pior, todas elas brigam para ver quem domina o corpo do jovem rapaz! Podia piorar? Sim! Nem todas as personalidades são boazinhas! Agora imagine o estrago! Aliás, não precisa imaginar! Corra atrás dos sebos para ver se encontra as edições antigas do Hulk da Editora Abril ou compre o encadernado em capa dura da Panini “Os Novos Mutantes: Entre a Luz e a Escuridão”. Esse encadernado traz o início da fase desenhada pelo Sienkiewicz, que vale muito a pena, mas não tem a história do Legião! Fica para um volume dois… talvez!

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As capas aqui apresentadas foram colhidas no sensacional site Guia dos Quadrinhos. Se você ainda não conhece, dá uma conferida!

O que andei lendo em outubro de 2017

Fazia tempo que eu não publicava as dicas de leitura. Mas tem um motivo pra isso: aquela história de ficar contando as páginas lidas por mês acabou deixando a leitura muito engessada e menos divertida. Então parei de contar e, por conta disso, catalogar o que ia lendo. Ou seja, voltei à programação normal!

Agora, só de vez em quando é que vou publicar algo, principalmente se tiver alguma coisa pertinente para falar sobre alguma obra. Nem sempre serão palavras elogiosas, como é o caso da série “X-men ‘92”!

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Quando soube do lançamento dessa série nos EUA, fiquei muito empolgado em ler, fã que sou dos heróis mutantes e da animação. Concluída a publicação aqui no Brasil (em três encadernados), a conclusão a que cheguei foi que a Marvel perdeu uma ótima oportunidade de fazer uma série, senão memorável, pelo menos prazerosa de se ler.

O que tornou a série animada memorável foi o fato de ter um elenco enxuto. Mesmo com diversas participações especiais, todo mundo sabia quem eram os X-men “oficiais”. Outro ponto positivo foram as histórias contidas em apenas um episódio. Quando muito, uma trama se estendia por dois, no máximo, quatro episódios (casos da Saga da Terra Selvagem e da Saga da Fênix). Por fim, as adaptações, também enxutas, das principais sagas dos quadrinhos e a interação “interpessoal” entre os personagens foram pontos positivos da animação.

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Os roteiristas do gibi parecem não ter captado o espírito da coisa. Ao invés de captar o melhor que o desenho animado ofereceu, resolveram pegar o “melhor” (#SQN) que os anos 90 mostraram nos quadrinhos! Estão lá a equipe abarrotada de integrantes! É tanta gente, que você acaba se perdendo em muitas partes da história! X-men, Geração X, X-Factor, X-Force, X-Ninhada (não me pergunte…), misturados com outra penca de mutantes descartáveis criados na fase do Grant Morrison! Aos desenhistas, coube a tarefa de representar caras e caretas infantilóides, como se precisassem disso para dizer que a série é baseada em uma animação.

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Quanto às tramas… também o pior dos anos 90 dos gibis! Lembra daquela pataquada de Upstarts, que eram um grupo formado por um tal de GameMaster para ganhar pontos caçando mutantes? Pois é! Nem eu lembrava dessa baboseira! Mas aqui, é a trama principal que permeia toda a série. O que ainda escapa é um ou outro momento com alguns episódios com vampiros. E nem vou falar do primeiro volume que, relacionado às Guerras Secretas, mostra um embate requentado com a Cassandra Nova (sim, a irmã gêmea do Xavier!). Se quiser saber mais sobre o primeiro volume, falei sobre isso aqui!

Como não só de nostalgia vive o leitor, a série foi cancelada! Na minha opinião, deveriam ter se inspirado em outra adaptação de animação para os gibis: Batman – Gotham Adventures. As histórias dessa série seguem totalmente a cartilha do desenho animado, com tramas episódicas, concisas, com um traço limpo, bonito, cartunesco, mas sem deixar os personagens abobados. Em muitas ocasiões, confesso que confundo em minha memória se algum episódio eu li ou assisti, de tão bons que são! Quem quiser dar uma lida, saiu por aqui em formatinho pela Editora Abril com o título “Batman: Gotham”!

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É uma pena que “X-men ’92” tenha ficado do jeito que ficou! Para quem é fã dos heróis mutantes, realmente está faltando uma série “fechada” e sem tantas pretensões, apenas a de contar boas histórias. Agora é esperar pela “X-men Grand Design” e ver no que dá!

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Agradecimentos ao site Guia dos Quadrinhos, de onde tirei a maioria das capas aqui expostas. =)

O que andei lendo em abril de 2017

Este mês de abril foi puxado. Tivemos a Bienal do Livro de Fortaleza e nos dias em que eu não estava dando aula, estava no estande da Editora Senac divulgando a terceira edição do meu livro de Quadrinhos. E também foi mês de provas. E também tive todas as outras atribuições “normais” do dia-a-dia. E cansaço. Muito cansaço! Por isso, o saldo de leitura caiu um pouco, pra 1.136 páginas! Foi mais para um relaxamento no meio da correria do que pra qualquer outra coisa. Por isso a predominância de Batman Eterno na lista, com edições curtinhas e leituras de bate-pronto!

Batman Eterno Zero

Desde “A Noite das Corujas” que não lia uma história do Batman e retornei agora com essa edição “zero” da coleção “Eterno”. E o meu pensamento continuou o mesmo: o Cavaleiro das Trevas foi um dos poucos, senão o único, que não sofreu grandes mudanças com “Os Novos 52”. Isso quer dizer que o personagem continua muito divertido de se ler, mesmo que esse início de Batman Eterno não diga muita coisa sobre do que trata o enredo. Mas isso é bom! Fiquei instigado a ler as outras 52 edições.

Novíssimos X-men – X-men de ontem

Tento fugir, tento escapar, mas não tem jeito: gosto muito dos X-men. Meus queridos heróis mutantes vêm sendo muito maltratados com enredos péssimos ao longo dos anos, apenas com algumas exceções (entenda Grant Morrison e Joss Whedon). Depois de ler o encadernado de “A Batalha do Átomo”, resolvi dar uma chance para as histórias anteriores e comprei “X-men de ontem” (por um precinho camarada na Amazon, claro!). O Brian Michael Bendis é interessante. Não sei exatamente o que pensar sobre ele. Ele tem uma capacidade de nos ludibriar com seus enredos que nos faz achar que as histórias são boas. Ou então estamos tão saturados de histórias ruins e confusas, que basta pegar um enredo “arroz com feijão” com diálogos certinhos, que já vamos nos divertindo. E o Bendis faz exatamente isso. As ideias dele até que são boas e o cara não tenta inventar a roda a cada novo trabalho que pega para escrever. Simplesmente pega aquele arroz, o feijão, faz um temperinho bacana e coloca no prato. É assim que vejo essa fase “Nova Marvel” dos X-men. Frente ao que vinha sendo mostrado, já é um bom começo.

Batman Eterno #01

Gosto dessas histórias que começam no meio do caminho e, a partir daí, a trama começa a deslanchar. Aqui, o Comissário Gordon e o Batman estão no meio de um ataque da gangue do Porko e o que acontece em decorrência disso dá as pistas do que será desenvolvido ao longo da série. Gostei bastante! Os desenhos do desconhecido (pelo menos pra mim…) Jason Fabok lembram um pouco o traço do Phil Jimenez (que é “cria” do George Pérez…). O traço fica um pouco engessado em algumas cenas, mas nada que comprometa a diversão.

Batman Eterno #02

As consequências da primeira edição começam a tomar forma aqui. Nesse ponto, a trama lembra muito o que Jeph Loeb fez em “O Longo Dia das Bruxas” e “Vitória Sombria”, principalmente pela revelação no final da edição de quem aparentemente está por trás dos acontecimentos. Ou seja, temos a impressão de estar começando a ler uma longa novela do Homem Morcego. E isso é ótimo! O traço de Jason Fabok ainda está um pouco engessado, mas já começa a ficar mais relaxado.

Batman Eterno #03

O cerco começa a se fechar para o Homem Morcego. É interessante ver um Batman que, apesar de ter “olhos” na cidade inteira, está completamente perdido sobre o que realmente está acontecendo. Igualmente perdidos estão os policiais. Ao final da edição, também ficam de mãos atadas! Quanto ao traço, Jason Fabok parece estar mais à vontade. Ah, não posso deixar de mencionar a aparição de Stephanie Brown, uma das personagens que mais gostei na antiga revista do Robin “Tim Drake”. Não sei dizer se esta é a sua estreia nos Novos 52, mas é bom vê-la de novo. E se a Stephanie aparece, é lógico que o seu pai também dá as caras e já começo a entender qual o seu papel na trama (vislumbres disso foram mostrados na edição zero).

Batman Eterno #04

Temos uma mudança muito bem-vinda de desenhista nesta edição. Imagino que seja uma espécie de rodízio para uma série dessa estirpe. Já conheço o traço do Dustin Nguyen de outros quadrinhos e posso dizer que muito me agrada esse desenho mais estilizado e limpo. Apesar de usar bastante sombra em alguns momentos, o traço do Dustin é baseado em auto contraste e quase não utiliza hachuras. E isso é ótimo! Traço limpo e agradável! Basta comparar com o desenhista da capa pra entender o que estou falando.

Batman Eterno #05

Neste número também há um novo desenhista, Andy Clarke. Esse nome não me é estranho! Estranhas são algumas expressões dos personagens. Mas compromete tanto. O que fica meio difícil de engolir são as coincidências de encontro de personagens no bairro Narrows.

Novíssimos X-men – Criando Raízes

O roteirista Brian Michael Bendis continha escrevendo o seu arroz com feijão. Se a gente tem a impressão de que as histórias dele sempre começam em lugar algum e chegam a lugar nenhum, pelo menos há uma consistência no elenco (dá pra saber quem é quem), mesmo que a Tempestade apareça do nada com o seu visual moicano! Bateu uma nostalgia ao ver os robôs Sentinelas, mesmo que na Sala de Perigo. E também de ver a Mística e o Dentes de Sabre sendo o que são: vilões! Não gosto muito da tal Lady Mental, mas é o que temos pra hoje! Quanto aos desenhos, continuam um deleite visual!

Batman Eterno #06

Entra um novo desenhista na equipe, o Trevor McCarthy. Gostei! Traço obscuro, mas objetivo. Quanto à trama, novos mistérios vão entrando em cena e começamos a constatar que o perigo não está apenas na figura do Falcone. Muita boa a aparição do Jim Corrigan (vulgo Espectro). Gosto desse lado “mágico” da DC. Vamos ver no que dá!

Novíssimos X-men – Deslocados

Os enredos criados pelo Brian Bendis não são a sétima maravilha do mundo, mas entretêm por serem redondinhos e não terem a pretensão de ser um best seller. É interessante como as tramas são pensadas para colocar os personagens em conflito com os X-men Originais, como quando o Scott novo encontra o irmão Alex velho ou quando a Jean Grey encontra a filha do Mestre Mental. Mas essa edição também mostra os absurdos da Marvel. Os X-men esbarram em outra (?) equipe de Vingadores (justamente a liderada pelo Destrutor). Os Vingadores agem como se fosse a primeira vez, mas metade dos membros já haviam visitado a mansão nas histórias anteriores. E como assim “outra” equipe com os onipresentes Capitão América e Thor?! Nos tempos de Vingadores da Costa Oeste pelo menos haviam membros distintos em cada equipe. Sinal dos tempos…

Casanova Avaritia

Eu não sabia nada sobre Casanova. Apenas o que as imagens das capas me levaram a deduzir, de que seria alguma série noir de algum ladrão charmoso. O preço nada convidativo não despertava maiores interesses na compra, fora um nome que vinha na capa: Gabriel Bá. Então, quando este volume apareceu em promoção na Amazon, não pensei duas vezes! Comprei só por causa do desenhista. E qual a minha surpresa ao ver que se tratava de uma série de ficção científica misturada com noir e com muita maluquice psicodélica espaço-temporal! Só coisas que gosto bastante. E os desenhos? Que coisa mais linda! Já mencionei várias vezes que hoje em dia prefiro mais traços nessa pegada estilizada, tanto para ler quanto para desenhar. E o Gabriel Bá não me decepcionou. O cara faz parecer fácil! Li todo o volume babando! Um ponto negativo é que a Panini em lugar nenhum do encadernado indica que este é o terceiro volume. Isso acontece em várias outras coleções. Nesse caso não teve tanta importância pra mim, já que só comprarei os demais caso estejam em promoção. Mas pra quem coleciona é chato começar a leitura justamente pela conclusão da saga ou precisar fazer uma pesquisa antes de comprar. Basta colocar na capa o número do volume e facilitar a vida na hora de chegar numa banca ou livraria. Nem todo mundo hoje em dia para a vida exclusivamente pra ir a um lugar comprar gibi. Geralmente a pessoa está “passando” por ali e compra o que tiver chegado! Eu, por exemplo, compro alguns gibis e só vou ler algum tempo depois. Resultado: acabei comprando duas edições repetidas do Homem-Animal porque não lembrava da capa e os encadernados não têm o número do volume!

Batman Eterno #07

A queda do Pinguim acontece com cenas um tanto quanto confusas. Incomoda também as poses “ginecológicas” atribuídas à Mulher-Gato. Ela sempre teve como apelo a sua sensualidade, mas de uns tempos pra cá os desenhistas têm exagerado nos ângulos despropositadas.

Batman Eterno #08

O Batman aperta o cerco contra a bandidagem pra mostrar quem é que manda na cidade. Destaque para o traço Guillem March e as cores suaves de Tomeu Morey. O traço lembra vários outros desenhistas, mas o mais marcante é Joe Kubert por conta das hachuras mais firmes.

Batman Eterno #09

Foi só elogiar o tal de Guillem March, que o sujeito me vem com uma pose “ginecológica” da Mulher-Gato logo na página de abertura da história. Uma pena! Sem contar que esse uniforme de plástico da Selina Kyle é feio pra baralho! Tirando isso, é legal ver os caras usando os personagens da Corporação Batman. Só é um pouco estranho não estar nas mãos do Grant Morrison, mas diverte também.

Batman Eterno #10

Vamos falar novamente da Mulher-Gato! E dessa vez logo na capa! Será possível que não tenha uma criatura que consiga desenhar esse uniforme de plástico sem ficar esquisito. Me perdoe, mas parece uma camisinha gigante!!!! E não vou nem falar da pose! Cadê o Andy Kubert, que vinha sendo usado como capista? Pelo menos o Riccardo Burchielli consegue imprimir um traço com mais personalidade no miolo, embora logo de cara nos apareça com a Mulher-Gato amarrada numa cadeira com as pernas abertas apontando para direções extremamente opostas!

Batman Eterno #11

Vamos falar da BatGirl dessa vez! Que capa é essa, rapaz? É uma luta ou um relacionamento íntimo lésbico? Qual a necessidade dessa “abertura” de pernas da Bárbara? Sem contar com esse uniforme horrível a la “novos 52” cheio de detalhes que não dizem nada e que devem ser o pesadelo dos desenhistas! Pelo menos o Iam Bertram mostra um traço extremamente estilizado no miolo. Já mencionei que prefiro traços deste naipe hoje em dia. Alguns podem achar feio, mas essa pegada meio Frank Quitely me agrada mais do que os traços “realistas”. Aqui, mesmo sendo cheio de hachuras, você consegue entender o que está desenhado.

Força Psi #02

A HQ da Força Psi começa a ficar interessante ao mostrar questionamentos acerca do “recrutamento” que cria uma certa expectativa para os próximos capítulos. Essa pegada “Novos Mutantes” também agrada! Apesar disso, Estigma continua sendo a HQ mais divertida. O enredo não é uma sétima maravilha do mundo, mas o traço do Romita Jr. deixa tudo mais agradável de ler. Quem demonstra potencial é o Máscara Noturna, uma espécie de “Sandman” do Novo Universo, mesmo com um início um pouco confuso. Vamos ver no que dá!

Coleção História Marvel – Os Defensores – Volume 03

O Namor não é um personagem fácil de se gostar e, imagino, igualmente difícil de escrever. Sua arrogância e petulância podem afugentar os leitores. Por outro lado, sua nobreza, coragem e determinação, são valores que o tornam um personagem intrigante. Nesse volume dedicado ao Príncipe Submarino, vemos um Namor preocupado com o destino do seu povo, ao mesmo tempo em que tenta se desvencilhar de ameaças que, em alguns momentos, o deixam até indefeso. O belo traço do sempre competente John Buscema, aliado aos roteiros certeiros do não menos experiente Roy Thomas, proporcionam grandes momentos e encontros com personagens e inimigos clássicos, como Triton dos Inumanos e Lorde Attuma. Tem até a origem de um outro adversário que gosto muito, o Tubarão Tigre.

Mês que vem tem mais!

Vi no cinema: Guardiões da Galáxia Vol II

Assisti ao filme Guardiões da Galáxia Vol II e achei sensacional por vários motivos. O primeiro é porque o filme não usa a fórmula batida do “cada vez maior” para a sequência. Seu enredo é até mais contido do que o filme anterior, focando principalmente na busca do Senhor das Estrelas por sua identidade. Outro motivo é o fato de o filme também se conter em relação à interligação com o Universo Cinematográfico Marvel. Tudo bem que é divertido ver como cada filme está ligado ao outro. Mas, pelo menos da minha parte, já cansei um pouco disso! E Guardiões da Galáxia, a exemplo do Doutor Estranho e (um pouco) de Homem-Formiga, só insinua a interligação, sem a necessidade de cada acontecimento ter que obrigatoriamente repercutir o que aconteceu antes em outros filmes.

Mas o principal motivo de ter gostado bastante desse filme, foi ver algumas das criaturas e personagens mais bizarros e obscuros da Marvel em carne (?) e osso. Só pra ficar no principal personagem bizarro, nunca passou pela minha cabeça ver Ego, o Planeta Vivo, em toda a sua glória (não vou nem falar de outras criaturas que aparecem junto com o Stan Lee). E é claro que tudo isso trouxe várias referências à minha mente durante e depois do filme.

Só pra começar, me deu logo vontade de reler as histórias da Liga de Justiça Internacional por conta do mesmo tipo de humor que foi empregado no filme. Pra quem não conhece, essa versão da Liga surgiu como parte da reformulação da Crise nas Infinitas Terras, mas que só deu as caras mesmo após outra minissérie, Lendas. Como na época os maiores figurões da DC estavam tendo suas próprias reformulações (Superman, Mulher-Maravilha, Batman…), os roteiristas não liberaram seus personagens e coube a Keith Giffen e J.M. Dematteis a tarefa de se virar apenas com heróis de segundo escalão (tipo o James Gunn)! Só o Batman foi liberado porque o seu editor ficou com pena dos caras!

Daí surgiu a ideia de fazer uma Liga diferente, com pegadas de humor pastelão, do tipo que você está vendo hoje nos filmes dos Guardiões. Em meio a tantas histórias memoráveis (e impagáveis) recomendo o arco em que a Liga vai parar em Apokolipse para resgatar o Senhor Milagre que havia sido sequestrado a mando da Vovó Bondade, assecla de Darkseid. Nem preciso dizer que os heróis se metem em confusões inacreditáveis (O Caçador de Marte, a Grande Barda e o Gnort juntos em uma nave é demais!). Sem contar que o Lobo ainda está tentando assassinar o grupo. O arco começa mesmo por volta da edição 17, mas pega fogo nos números 21 e 22 (formatinhos da Abril).

Por falar em humor e criaturas bizarras, também veio à mente a sensacional Graphic Marvel 01: Hulk e o Coisa! Escrita pelo cara que “manja dos paranauê” cósmicos Jim Starlin e soberbamente desenhada pelo grande Berni Wrightson, o álbum conta a história de como os dois monstros foram “contratados” para entregar uma intimação para um chefão, só que do outro lado da galáxia. Sobram aí criaturas e situações impagáveis de todo jeito. Destaque para o “chapéu” que o Hulk usa para se disfarçar na multidão de aliens!

E por falar em Jim Starlin, outra obra que deu vontade de reler após o filme foi a Graphic Novel 03: A Morte do Capitão Marvel. A HQ narra, claro, os últimos momentos de vida do guerreiro kree e vemos um desfile de personagens cósmicos da Marvel, incluindo Thanos e a própria Morte. Sem contar vários dos super-heróis que também aparecem para prestar sua homenagem ao colega.

É claro que tem as referências mais óbvias, como A Saga de Thanos que traz, entre outras coisas, todo o surgimento de Adam Warlock, e a minissérie Desafio Infinito, que coloca o Titã louco de posse da manopla do infinito e mostra também a vingança da Nebulosa. Quem assistir ao Guardiões da Galáxia Vol II e ler as HQs, certamente vai começar a ter um vislumbre de como o Thanos pode vir a ser derrotado nos filmes vindouros!

Pra finalizar as referências, recomendo a minissérie em duas edições “Thanos: Em busca de Poder”. Escrita por Jim Starlin (claro!) e desenhada por Rom Lim, a história se passa antes de Desafio Infinito e mostra como Thanos conseguiu as joias do infinito.

O que andei lendo em março de 2017

E chegou ao fim o primeiro trimestre do ano! E como já está virando tradição, eis a lista do que andei lendo no mês de março. Algumas pessoas me perguntaram por que não tem tantos livros. A resposta é simples: uma das “regras” da brincadeira é postar apenas o que comecei e terminei a ler durante o mês. Leio por volta de dez livros simultaneamente (entre pesquisas, estudos e diversão), por isso é difícil coincidir de ler tudo em um único mês. Mas estou pensando em publicar algumas “dicas” de livros mais pra frente. Vamos ver se dá certo! Sem mais delongas, o saldo de leitura desse mês foi de 2.407 páginas! Vamos à lista…

A Espada Selvagem de Conan #73

O Michael Fleisher até que escreve bem. O cara é esforçado, tem boas ideias! No entanto, na hora de colocar essas ideias no papel, ele se perde no meio do caminho e o final de suas histórias sempre passa a sensação de ser apressado demais, como se o enredo fosse esticado além do necessário e faltasse páginas para a conclusão. Apesar dos pesares, é uma boa HQ. Ainda mais por contar com a bela arte de Alfredo Alcala.

A Espada Selvagem de Conan #74

A revista retoma a fase de mercenário do Conan em uma história em que as características do bárbaro de bronze são novamente ignoradas por um roteirista iniciante. Onde já se viu o Conan chamar para si um pupilo? Ainda mais incentivando um jovem agricultor a largar a sua família para seguir a vida de mercenário? Pois é isso o que acontece! Pior: no decorrer da história, Conan e seu pupilo acabam em exércitos diferentes de uma guerra. Nem preciso dizer o que acontece com o pupilo…

Capitã Marvel Vol. 01

Não deve ser fácil escrever histórias de heroínas. Digo isso, porque o gênero é cheio de estereótipos e tentar fugir pode acabar saindo pela culatra. É o caso da Capitã Marvel. Pelo menos da primeira história. O roteiro se preocupa tanto em mostrar uma Carol Danvers independente, empoderada, decidida, que acaba indo pelo contrário e mostrando uma mulher chata, individualista, e até histérica! O enredo começa a melhorar um pouco da segunda história em diante, mas daí o desenho não ajuda muito. A anatomia estranha, as cores carregadas e o papel jornal da HQ dificultam em muito a leitura. Apenas nos dois últimos capítulos, quando muda o desenhista, é que dá pra curtir melhor a trama e seguir até o fim. Não é um recomeço brilhante para a Carol Danvers, mas dá pra sentir vontade de ler os próximos volumes.

Capitã Marvel Vol. 02

Agora, sim, as histórias da Capitã Marvel conseguiram me fisgar. Agora, sim, vi uma personagem forte e com personalidade própria. Ela é teimosa? Sim! Durona? Certamente! Mas também é amável, solidária e sociável (o bate-papo com a pequena vizinha foi de encher o coração!). Sem contar com a participação de outras heroínas das “antigas” (que gosto muito) que enriqueceram ainda mais as histórias: a ex-Capitã Marvel Mônica Rambeau e a Mulher-Aranha Jéssica Drew. Ah, também tem a aparição de uma super-vilã do tempo do “ronca” saída diretamente das saudosas HQs dos X-men da década de 80: a Rapina (nem preciso dizer que também gosto muito dela). O único senão fica por conta dos desenhos das duas primeiras partes. Muito “3 Espiãs Demais” pro meu gosto (basta ver o rosto do “carinha bonito” que aparece pra ajudar as moças). Da terceira parte em diante, entra um desenhista que até tem o traço bem feioso, mas é cheio de estilo e me agrada mais.

Capitã Marvel Vol. 03

Uma dupla corrida contra o tempo para descobrir quem está por trás dos ataques contra a Capitã Marvel e também para tentar impedir o mal que acomete o seu cérebro. Nessa batalha, entram em cena os Vingadores. O resultado? Uma sequência muito divertida de histórias! Já não posso dizer o mesmo da péssima interligação com a saga “Infinito”. Se já é um saco para o leitor ter que interromper o fluxo da história para ser “obrigado” a ler uma interligação com uma saga, imagine pro roteirista. Pelo menos a última história do encadernado compensa essa tortura momentânea, com a Carol Danvers tentando retomar a sua vida “normal” depois de ter suas recordações destruídas.

Pecado Original – Edição Zero

Gosto muito de histórias “cósmicas”, seja da Marvel ou DC. Como também gosto dos personagens cósmicos. Então não foi muito difícil curtir essa edição zero na qual aparecem o Nova e o Vigia. Ainda não sei o porquê das “revelações” mostradas no enredo, mas achei muito divertido rememorar grandes momentos dos gibis Marvel. E tem Mark Waid no roteiro! Isso por si só já é indício de, no mínimo, uma história boa. Mesmo que curtinha como essa.

Pecado Original – 01 de 04

Esta edição que marca o início propriamente dito da saga Pecado Original tem vários elementos que curto bastante do universo Marvel: Os Acéfalos, Doutor Estranho e suas dimensões esquisitas, Os Homens-Toupeira (aqui chamados de “Toupeiroides”…) e o Vigia, claro! Sem contar com a interação entre vários heróis e o clima de investigação policial encabeçado pelo Nick Fury. Trama redondinha (não me importa os desdobramentos da saga nas edições mensais) com arte matadora de Mike Deodato!

Pecado Original – 02 de 04

Esta edição aprofunda a investigação sobre o assassinato do Vigia. Em várias frentes, à propósito. Mas começa a mostrar uma tendência atual das HQs de super-heróis e de suas super-sagas: Os suspeitos são os próprios super-heróis. Isso incomoda demais! Já faz tempo que os heróis se tornaram as ameaças. Toda saga agora os coloca uns contra os outros. E chega a ser ridículo, como em uma cena em que o Doutor Estranho e o Justiceiro encontra o Hulk e o Wolverine e o Logan simplesmente diz “Isto não é o que parece, pessoal!”. E o Doutor Estranho simplesmente aprisiona o Wolverine e o Justiceiro joga uma bomba no Hulk. Eles são o quê? Cegos? Burros? Idiotas? Ou os três? Os roteiristas estão escrevendo os super-heróis de forma tão cínica que ninguém confia em ninguém e não precisam de vilões para enfrentá-los. Eles próprios são os vilões! Saudade dos tempos em que as sagas eram geradas por algum vilão fodástico!

Pecado Original – 03 de 04

E o responsável por toda a bagaça é um vilão cósmico, correto? Errado! É um dos mocinhos! Desse ponto em diante, já liguei o meu botão do “relaxa e termina a leitura” pra não desgostar da história. Apesar dos pesares, a trama é bem engendrada e bem desenhada. Mas é triste ver que faz tempo que os heróis são suas próprias ameaças.

Pecado Original – 04 de 04

E na conclusão da minissérie, temos todo um clima de “Quem matou Odete Roitman”! Como liguei meu botão da descrença na edição anterior, consegui curtir o desfecho. Mesmo que seja mais uma saga que coloca herói contra herói. Os caras viraram a ameaça! Dá até pra ser a favor da Lei de Registro com esse paradigma atual das sagas. Mas enfim… Pecado Original conseguiu ser uma história que dá pra ler apenas na minissérie sem precisar recorrer e milhões de tie-ins para entender o contexto geral, como geralmente ocorre nesse tipo de saga. É um enredo enxuto, bem orquestrado e com desenhos da alta categoria.

Quaisqualigundum

Sou muito fã da pintura do Davi Calil e me tornei fã da “persona” roteirista de Roger Cruz com este álbum. Dá pra “sentir” o cheiro da tinta guache, quase tocar na viscosidade do pastel a óleo e na textura do papel pincelado de aquarela. Não sou muito conhecedor de Adoniran Barbosa, fora as figurinhas tarimbadas de rodas de samba improvisadas em churrascos de fundo de quintal. Mas é impossível não “escutar” a trilha sonora enquanto se lê os contos desse álbum. A sensação é a de estar lendo o lado tupiniquim de Will Eisner. E isso é muito bom! Quero mais!!

Graphic Novel 06 – Homem de Ferro: Crash

Confesso que sempre tive uma certa dificuldade em começar a ler essa revista justamente pela arte altamente tecnológica e avançada gerada por computador (sempre achei meio “diferentona”!). Mas resolvi encarar de frente e… Não é que a história é boa? Senti uma certa nostalgia com o quê de filme futurista produzido na década de 80 que a HQ tem. Parece até o “Tron” do Homem de Ferro (o antigão, não o “Legado”). Sem contar que a história antecipou alguns conceitos desenvolvidos anos depois, como a guerra das armaduras e o Extremis.

X-men ‘92

A ideia de lançar histórias dentro da continuidade do desenho animado de 1992 dos X-men foi excelente. E a capa de traço limpo e consistente já cria uma expectativa nostálgica incrível. O campo das possibilidades é imenso! Imagine voltar a ler HQs dos X-men em que todos os seus inimigos estão vivos e permanecem com suas características originais. Imagine voltar a ter uma equipe enxuta de heróis mutantes na qual sabemos exatamente qual a função de cada personagem na equipe. Pois é! Nada disso acontece nessa edição! Parece que o roteirista “esqueceu” de assistir aos episódios do desenho animado para entender o contexto. Pior: fica tentando emular a animação e deixa tudo muito infantilóide. E ainda se perde nas referências. Não sabe se segue a continuidade do desenho animado ou a cronologia dos gibis da década de 90. Assim, temos o que há de pior nos quadrinhos dessa década: personagens sem carisma e um desenho pra lá de genérico. Pena que o capista não desenhe o miolo, senão pelo menos isso se salvaria. Seria bacana se o roteiro seguisse o mesmo caminho proposto pela adaptação em quadrinhos do desenho do Batman também da década de 90. No gibi, os roteiristas seguiam o mesmo contexto da animação, mas criavam histórias novas sem tentar fazer um novo desenho animado em quadrinhos. No frigir dos ovos, esse especial dos X-men ficou só na promessa da nostalgia mesmo. Veremos o que vem por aí.

X-men Adventures III – 01 de 04

Aproveitei o embalo de X-men ’92 pra ler essa última minissérie que adapta para os quadrinhos os episódios do desenho animado que adaptaram para as telinhas as sagas dos quadrinhos! Ficou confuso? Enfim… Essa primeira edição mostra o que seria o início dos conflitos com Graydon Creed e possivelmente desembocaria na Operação Tolerância Zero. A HQ também apresenta o Mojo. Paralelo a esses acontecimentos, ocorre a Saga da Terra Selvagem. É interessante recordar como essa série animada era boa, mesmo com a sensação de correria nos quadrinhos (não deve ser fácil condensar episódios de 20 minutos em HQs de 20 páginas). E era boa não por seu primor da animação, mas pelo respeito à essência dos personagens. O mesmo respeito que o roteirista dessa minissérie procura colocar nas páginas impressas.

X-men Adventures III – 02 de 04

Neste número temos a conclusão da Saga da Terra Selvagem e uma história que introduz os Carniceiros, inclusive com o retorno dos Morlocks. Mas o melhor fica pro final: o anúncio de que a Saga da Fênix terá início na terceira edição!

X-men Adventures III – 03 de 04

Tem início a Saga da Fênix. É interessante ver condensado em três partes acontecimentos mostrados em, pelo menos, o triplo disso. Só a ida original dos X-men à Estação Starcore são quatro edições (se não me falhe a memória). Isso torna essa edição de X-men Adventures ruim? Não! Só fica um pouco corrida pra quem conhece a saga antiga. Por outro lado, também fica bem enxuta e direta. Vale lembrar que os caras estão adaptando para HQs de 20 páginas os acontecimentos mostrados em episódios de 20 minutos (que também já são adaptados e condensados).

X-men Adventures III – 04 de 04

A derradeira edição desta terceira minissérie dedicada a adaptar o desenho animado dos X-men também é o desfecho da Saga da Fênix. Infelizmente não dá tempo de mostrar os desdobramentos que levariam à Fênix Negra, mas é interessante ler (ou reler) uma versão resumida e condensada da saga original. O final da quarta edição também mostra o destino de Sauron na Terra Selvagem, bem como a introdução da Zaladane e Garokk.

Thanos: Revelação Infinita

Só mesmo o Jim Starlin para conseguir extrair mais alguma coisa do Thanos sem soar forçado. O criador conhece tão bem sua criatura, que consegue produzir uma graphic novel inteira praticamente com um “bate-papo” filosófico entre Thanos e Warlock. E ainda coloca mais de suas experimentações sensoriais ao longo das páginas. O desenho pode não estar em sua melhor forma (há desproporções entre os personagens em diversos momentos), mas ainda é um deleite para os olhos vislumbrar um traço tão limpo e, ao mesmo tempo, tão rico em detalhes. Valeu cada página de leitura e deu vontade de reler os gibis antigos e também o Dreadstar.

Kid Eternidade – Edição de Luxo

“Descobri” o Kid Eternidade numa época em que eu estava alucinadamente atrás de coisas do Grant Morrison pra ler e também atrás de “quadrinhos pintados”. Não lembro exatamente como aconteceu, mas tenho quase certeza de que comprei a minissérie da Metal Pesado em um “pacote promocional”. Só li “Grant Morrison” na capa e já comprei! A arte do Duncan Fegredo vim conhecer quando rasguei o saco plástico! Só tinha um problema… o papel jornal vagabundo das revistas deixava tudo muito escuro e quase incompreensível!!! Então imagine a minha alegria quando a Panini anunciou a republicação da minissérie! Finalmente consegui “enxergar” a bela pintura de Duncan Fegredo em todo o seu esplendor. E a história? Bem… sou suspeito de falar, porque gosto das doideiras do Morrison! Mas essa edição mostra uma narrativa não-linear de acontecimentos de tirar o fôlego. E o melhor: sem gratuidade! Só uma coisa se perdeu com o encadernado… a montagem do rosto do Kid Eternidade que tínhamos ao colocar lado a lado as três capas da minissérie.

O Uso das Cores

Eis um livro bem básico sobre a teoria das cores que pode ser a porta de entrada de quem ainda está engatinhando nesse tema. Uma pena, porque o conteúdo do livro não condiz com a qualidade do trabalho da profissional que o escreveu. Ou criei expectativa demais em cima de uma das melhores e maiores coloristas de quadrinhos do Brasil. Vai saber! O que sei é que o livro tem uma linguagem bem “you tube”, inclusive com algumas opiniões pessoais disfarçadas de “verdades absolutas” acerca do tema (prática bem comum entre os “youtubers”), mas que denota um pouco a falta de aprofundamento na pesquisa. O que é estranho, já que na bibliografia consta alguns dos maiores teóricos da cor já publicados. Ao atirar pra todo lado, a autora deixa de focar na sua especialidade: colorização de quadrinhos. A desculpa para não focar no tema, é que ela não queria fazer “tutoriais” de you tube. Tutorial por tutorial, era melhor ter feito um que abordasse um tema que a autora domina. Ótimos livros de teoria da cor, nós já temos aos montes nas prateleiras. Ótimos livros sobre “Teoria da Cor aplicada aos Quadrinhos”, não. Assim, ela perde uma ótima oportunidade de preencher uma lacuna no mercado nacional. Mas ainda dá tempo!

Coleção Super-Heróis – Volume 03: Capitão América e Lanterna Verde

Essa coleção é simplesmente um deleite nostálgico! Os dossiês “turbinados” que cada volume traz nos leva em uma viagem no tempo que dá vontade de reler todas as edições dos super-heróis! E que viagem ao mundo do Sentinela da Liberdade e do Cavaleiro Esmeralda!

Coleção Histórica Marvel – Os Defensores – Volume 02

Quase sempre me surpreendo ao ler as HQs mais antigas. Foi o caso dessa edição dedicada ao Doutor Estranho. Eu já gostava bastante do traço do Steve Ditko nas histórias do Homem-Aranha e passei a gostar ainda mais ao vislumbrar seus cenários surreais e psicodélicos criados para o Mago Supremo. Porém, o que mais me surpreendeu não foi esse motivo, mas a quantidade de boas ideias desenvolvidas por centímetro quadrado de gibi! É claro que as histórias são datadas, ainda mais se levar em conta o avanço tecnológico. Mas fico de queixo caído ao ler as histórias contextualizando com a situação de época. A equipe da Marvel era pequena e criava um número absurdo de quadrinhos por mês. E o pior – ou melhor – tudo criado do zero! Sim, do zero! O Universo Marvel estava em expansão e os caras simplesmente conseguiam produzir conceitos do zero que são requentados pelos autores de hoje em dia. Está tudo aqui: a personalidade do Doutor Estranho, sua rixa com Dormammu e Barão Mordo, Cléa, os “Sem-Mente” (chamados aqui de Acéfalos) as dimensões “estranhas” e até a primeira aparição de Eternidade, personagem tão comum no elenco das histórias de Thanos produzidas por Jim Starlin.

Homem-Aranha: Negócios de Família

Devo confessar que hesitei um pouco em comprar essa revista devido ao fato de que as HQs atuais do Homem-Aranha não estão do meu agrado. Na verdade, não leio suas histórias desde o final da Ilha das Aranhas. Mas resolvi prestar atenção em quem eram os autores e logo o nome “Mark Waid” me fez mudar de ideia. O enredo não é a sétima maravilha do mundo, mas diverte do início ao fim. A ideia de inserir uma irmã para o Peter é bem bacana e, através desse parentesco, também vamos conhecendo um pouco mais sobre os pais do Cabeça de Teia. Tenho a impressão de que esse assunto é uma espécie de tabu e só lembro de algumas poucas histórias das décadas de 70 e 90 terem abordado-o. Da minha parte, eu leria mais a respeito dos dois! O que também ajuda a deixar essa história divertida é a linda arte de Gabriele Dell’Otto. É inevitável não parar em algumas páginas para apreciar tamanha obra de arte.

Força Psi

Essa é do tempo do “ronca”! Já faz um tempinho que tenho a coleção completa de Força Psi, mas só agora peguei pra ler. Tenho essa mania de deixar algumas HQs antigas guardadas pra quando bater aquela vontade de ler velharias! O Novo Universo surgiu em comemoração aos 25 anos da Marvel e foi a primeira incursão da Casa das Ideias na criação de, claro, novos universos! Depois vieram os Universos 2099 e UItimate. Nessa edição, estreiam três novas séries. De cara, a série do Estigma é a melhor de todas, tanto pelo roteiro enxuto do Jim Shooter, quanto pela arte sempre matadora de John Romita Jr. Não por acaso, quando o Novo Universo acabou, apenas a série do Estigma teve continuidade pelas mãos de nada mais, nada menos que John Byrne. As outras duas séries devo confessar que li meio pra “cumprir tabela”. Principalmente “a” Trovão, uma espécie de versão feminina do Homem de Ferro. A série que dá título à revista, Força Psi, é até um pouco instigante. Difícil não lembrar do Capitão Planeta quando os cinco jovens juntam seus poderes para dar vida ao “Gavião Psíquico”.

Agradecimentos ao pessoal do Guia dos Quadrinhos, Planeta Gibi e Excelsior Comics, de onde peguei algumas capas aqui postadas. =D

Vi no cinema: Logan

Assisti ao filme que teoricamente encerra a participação de Hugh Jackman no papel do “baixinho” invocado que é o melhor no que faz! Ao sair do cinema, me bateu uma vontade imensa de escrever alguma coisa sobre a experiência. Não sou crítico de cinema e nem tenho a pretensão de tornar estas linhas uma resenha do filme. No meu tempo, isso que estou fazendo aqui na forma de texto, era feito pessoalmente entre amigos ao pé da calçada. Em suma, vamos jogar um pouco de conversa fora sobre o filme Logan!

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Que o filme é muito bom, você já deve ter ouvido em algum lugar. Então não vou chover no molhado! O que vou falar são das referências que vieram à minha mente enquanto assistia. Além da óbvia referência à HQ “O Velho Logan”, o filme tem algumas cenas que lembram muito Mad Max (os filmes antigos). Tanto que na hora “gritei mentalmente” BARALHO, É O MAD MAX DO WOLVERINE! Só faltou aquela música (meio ópera) alucinante pra deixar a sequência ainda mais emocionante. Então corre e vai atrás da trilogia Mad Max com o Mel Gibson. Deixa a Fúria de lado…

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Outra referência foi o grupo de vilões Carniceiros. Nas HQs, esse grupo é formado por diversos vilões que foram, em algum momento ou outro, humilhados pelos X-men e depois acabaram se reunindo. Temos aí o líder Donald Pierce, ex-Clube do Inferno; a terrível Lady Letal, inimiga ferrenha do Wolverine; os capangas Reese, Cole e Macon, também ex-Clube do Inferno; e os ciborgues Lindinho, Racha-Crânio e Esmaga-Ossos, membros “fundadores” dos Carniceiros!

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O grupo inicia uma caçada sem precedentes aos X-men. Mas como os heróis mutantes estavam “desaparecidos” na época, sobrou para o Wolverine. É aqui que entra a próxima referência: a sensacional HQ “Devaneios Febris”, publicada no Brasil em X-men #53 (formatinho da Abril) e que mostra o Logan capturado e torturado pelos Carniceiros. Ele só consegue fugir no final com a ajuda da Jubileu, o que dá início na edição seguinte a uma caçada alucinante!

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Para finalizar, uma última referência que me ocorreu foi a fase “Caolho” do Wolverine em Madripoor. Muita gente está torcendo o nariz pela ausência do uniforme. Eu mesmo gostaria de ver um filme dos X-men em que os produtores finalmente abraçassem essa “causa”. Mas é inegável que uma das melhores fases do Wolverine é justamente a que não tem um pingo de amarelo, laranja ou marrom em seu figurino. Tudo bem! Tem um uniforme azul que aparece de vez em quando! Mas o bacana das histórias do “Caolho” era justamente mostrar esse lado mundano e menos fantástico do Wolverine, mesmo que tivesse alguns vilões bem esquisitos!

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Agradecimento ao pessoal do Guia dos Quadrinhos, de onde peguei as capas restauradas aqui publicadas.

O que andei lendo em Fevereiro de 2017

Neste mês de fevereiro voltei à sala de aula. Como todos sabem (ou não) ministrar aulas não é apenas chegar no dia e passar o conteúdo para os alunos. Temos toda uma preparação antes em casa. Mas o que isso tem a ver com os gibis? Isso quer dizer que o meu já escasso tempo para a leitura ficou ainda menor! Nesses períodos de aulas (e mais o trampo no estúdio), costumo ler para dar uma arejada na cabeça. Então dou preferência para HQs mais curtas que dê para ler de “bate-pronto”. Curiosamente, nessa lista de fevereiro tem uma predominância de velharias. Além de não curtir muito as HQs atuais (pelo menos as dos supers…), tenho muita coleção de gibis mais antigos que estou juntando aos poucos e também lendo aos poucos. Lembrando que o que escrevi sobre cada leitura não é uma resenha. Não tenho nenhuma pretensão disso! São apenas comentários que eu faria se estivesse conversando com um amigo. Ah, este mês o saldo foi de 2.020 páginas lidas. Vamos ao que interessa…

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Kingdom Hearts – 01 de 04

O mangá demora um pouco a engrenar. Os personagens vão sendo apresentados em meio a acontecimentos desconexos e deixa a história confusa em alguns momentos. Não sei se tive essa impressão porque não conheço o game. De qualquer forma, quando aparecerem os personagens Disney, o enredo começa a ganhar em diversão, principalmente do meio pro fim, quando surge uma certa vilã Disney.

Kingdom Hearts – 02 de 04

Esta edição é um deleite de diversão! Os personagens começam a visitar vários cenários conhecidos dos desenhos animados Disney, como Agrabah e o Olimpo. A diversão fica por conta da interação entre Donald e Pateta com Alladin e Hércules, por exemplo. Lembrou-me os gibis antigos de Disney Especial e Almanaque Disney, onde essa interação entre “núcleos” era mais comum. A aliança entre os vilões também é um dos destaques. O ponto fraco, por incrível que pareça, são os personagens “japoneses”. Parecem deslocados. Mas o traço limpo e preciso de Shiro Amano (bem menos confuso nessa edição) compensa essa estranheza.

Kingdom Hearts – 03 de 04

Nesta edição, os personagens visitam os mundos da Pequena Sereia e do Peter Pan. O traço do Shiro Amano está ainda mais solto e agradável. É surpreendente como ele consegue desenhar tantos personagens clássicos da Disney. O enredo finalmente engrena de vez e chega a empolgar.

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Kingdom Hearts – 04 de 04

Na conclusão da minissérie, o verdadeiro vilão por trás da destruição dos mundos é revelado. Cheguei a pensar em “Crise nas Infinitas Terras” da Disney enquanto lia este capítulo final. A história demorou um pouco a ganhar força no primeiro capítulo, mas chega ao final deixando um gostinho de quero mais. Vamos ver se encontro as outras minisséries.

O Incrível Hulk #15

Esta é do “tempo do ronca”. Dificilmente a garotada de hoje em dia curtiria essas histórias, ainda mais pela limitação gráfica da edição brasileira. Mesmo assim, é uma diversão nostálgica voltar a ler o bom e velho Hulk “esmaga” verde e burro contra vilões clássicos como o monstro de eletricidade Zzzax e o cientista-chefe da IMA Modok. Sem falar no velho drama de amor entre Bruce Banner e Betty Ross. Tudo no traço do grande Herb Trimpe (aquele que desenhou a primeira aparição do Wolverine nos gibis). E por falar na Betty, que saudade desses coadjuvantes que não vemos mais hoje em dia, como o General Ross (sem aquela aberração de Hulk Vermelho), Glen Talbot (aqui, como esposo de Betty) e Jim Wilson. Destaque para a aparição do Gavião Arqueiro, aqui chamado de “Falcão” pela tradução antiga. Bons tempos!

O Incrível Hulk #16

Esta edição dá continuidade aos planos de Modok contra o Hulk. O vilão transforma a Betty Ross na terrível Harpia (não confundir com aquela dos Vingadores) e a joga contra o gigante verde. Outro vilão clássico do Hulk dá as caras neste número, literalmente, já que o Bifera possui duas cabeças, uma em cima da outra! O traço do Herb Trimpe está destruidor como sempre. Infelizmente a história continua na edição seguinte… exemplar que ainda não tenho na coleção!

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O Incrível Hulk #19

O Incrível Hulk enfrenta o Homem-Cobalto em plena Austrália. O interessante dessa fase é justamente esse status de “andarilho” do gigante verde. Suas histórias acontecem em qualquer parte do mundo, do universo e até de outras dimensões! Tanto é que, como consequência do confronto com o Homem-Cobalto, o Hulk vai parar no Himalaia, exatamente onde fica o Grande Refúgio que, como sabemos, é o lar dos Inumanos. Nem preciso dizer que o confronto é espetacular. Principalmente quando o Raio Negro entra na briga!

O Incrível Hulk #25

Finalmente a ação retorna para a boa e velha Base Gama no deserto do Novo México. Mas não demora muito, e o gigante verde acaba indo parar na Rússia em meio a um resgaste alucinante do Coronel Glen Talbot. Os créditos da arte citam apenas Herb Trimpe e Joe Staton, sem citar quem fez o quê. O que é certo é que os desenhos perderam a consistência, apesar de tentar emular o traço do Jack “The King” Kirby.

O Incrível Hulk #27

Só personagens clássicos aparecem nesta edição, a começar por Glorian, o ser de pele dourada que sempre oferece ao gigante verde o sonho de uma vida de paz. E se o Glorian aparece, não tarda para o alienígena Figurador dar as caras. Esse inimigo do Hulk é muito interessante, já que possui o imenso poder de tornar qualquer coisa realidade mas, no entanto, não possui imaginação para criar nada, e se alimenta da imaginação dos outros. E é exatamente da “imaginação” do Hulk que o Figurador concebe um mundo perfeito para o gigante verde onde encontramos inclusive a sua amada Jarella. Mas não tarda para outros personagens clássicos reaparecerem para estragar tudo, os Homens Sapo! A primeira história com arte-final de Marie Severin, creio eu, casou muito bem com o traço do Herb Trimpe. Já a segunda tem uma leve queda de qualidade com a volta do Joe Staton.

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O Incrível Hulk #28

As histórias dessa edição não condizem com a anunciada na capa. Na primeira, o Hulk enfrenta uma espécie de Monstro do Lago Ness. O enredo é bem arrastado e cansativo para uma HQ de 20 páginas. O ritmo de pancadaria ao estilo “Hulk Esmaga” volta a predominar a segunda história com o retorno do Doutor Samson, aqui chamado de Doutor “Sansão” pela tradução da época.

O Incrível Hulk #33

Jarella e Sal Buscema: dois motivos que me fizeram literalmente devorar esta edição. Primeiro, porque adoro as histórias envolvendo a amada microscópica do gigante verde. Segundo, porque cresci lendo o Hulk desenhado pelo Sal Buscema e, pra mim, este é o visual definitivo do personagem. Também gosto do Herb Trimp, mas com o Sal Buscema, o Hulk ganha uma dramaticidade maior nas expressões e nos movimentos. Sem contar com a narrativa do Sal, que é bem melhor.

A Espada Selvagem de Conan #44

Sempre achei essa arte produzida pelo Joe Jusko uma das melhores capas da Espada Selvagem de Conan. Pena que as histórias contidas nesta edição não sigam a mesma qualidade. A primeira HQ dá continuidade à Saga da Rainha da Costa Negra e narra o primeiro contato de Conan com os mares. Nem parece que foi escrita pelo Roy Thomas, de tão fraca! As outras duas histórias seguintes são meros tapa-buracos com personagens obscuros para encher linguiça e “esticar” por mais edições a saga da Bêlit.

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O Incrível Hulk #39

O Hulk enfrenta o Valete de Copas e, em seguida, é abduzido pelo Aeroporta-aviões da Shield a fim de combater o Bi-fera, que se apoderou do quartel voador. O traço de Sal Buscema continua sensacional, agora na arte-final de Ernie Chan.

O Incrível Hulk #40

Sempre gostei dessas capas “mistas” mostrando os personagens que aparecem na revista. Esta, por exemplo, traz um reforço de peso ao gibi do Golias Verde, nada mais, nada menos que sua prima Jennifer Walters, conhecida pela alcunha de Mulher-Hulk. Para quem está familiarizado com a sua versão “Sensacional”, é interessante ler um material do seu tempo de “Selvagem”. Aqui, a Mulher-Hulk enfrenta as consequências que a levaram a se tornar o que é hoje. E quanto ao Hulk? Temos o embate final com o Bi-fera nas alturas do Aeroporta-Aviões da Shield (chamado pela tradução da época de “Helicargueiro”). A HQ é soberbamente desenhada por Sal Buscema com arte-final espetacular de Ernie Chan.

O Incrível Hulk #41

Uma das coisas que eu gostava muito na época do “Hulk Esmaga” eram as pausas no esquema “Ross caça Hulk” para apresentar histórias mais introspectivas. Essas histórias geralmente eram bem próximas do seriado de TV e o Hulk quase sempre se apaixonava por alguém. É o caso dessa edição, em que ele encontra um grupo bizarro no meio de uma floresta após sobreviver ao confronto com o Bi-fera na edição anterior. A arte espetacular fica por conta de Sal Buscema e Ernie Chan, cada vez mais à vontade um com o outro.

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O Incrível Hulk #45

Por falar em histórias “introspectivas”, esta edição traz mais uma nesse estilo. O Hulk está enfrentando o exército quando se depara com duas crianças, um menino e uma menina. Os dois levam Bruce Banner a encarar uma realidade bizarra que envolve um terceiro irmão, lixo radioativo e canibalismo. E tudo isso no traço sensacional de Alfredo “Conan” Alcala. O seu Hulk lembra um pouco o desenhado pelo grande Bernie Wrightson. A história da Mulher-Hulk dá início a uma trama que a colocará em rota de colisão contra o Homem-Coisa, aqui chamado pela tradução de “Coisa Humana”. O projeto gráfico do gibi ganhou algumas melhorias, como mais páginas para a seção de correspondência e uma página para anunciar as HQs do próximo número. É interessante ver como a concorrência da Editora Abril começava a desbancar a RGE.

A Espada Selvagem de Conan #58

Não é todo mundo que consegue escrever o Conan. Esta edição escrita por Chris Claremont é a prova disso. O roteirista até se esforça, mas tudo o que coloca nos quadrinhos soa forçado e gratuito, como quando Conan tem um devaneio dos seus tempos de Ciméria em que salva um grande amigo ou quando o cimério aceita uma missão de escoltar uma mulher fazendo um pacto de sangue para cumprir a tal missão! Isso sem contar que Conan fica perdidamente apaixonado pela mulher e passa a história inteira se declarando e insistindo que eles fujam para serem felizes. Esse não é o Conan que conheço! A história é arrastada e confusa em alguns momentos graças ao desenho muito escuro de Val Mayerick. Bem diferente da segunda HQ da revista, escrita por Roy Thomas e desenhada pela lenda Gil Kane que mostra, de forma bem dinâmica, como Conan conheceu o vanir Fafnir.

A Espada Selvagem de Conan #70

Michael Fleischer dá continuidade à saga de Conan versus Bor’Aqh Sharaq. Dessa vez, o cimério acaba se envolvendo com um pai e uma filha que precisam viajar até uma região pantanosa para evitar que um demônio milenar retorne à Terra. Enquanto isso, o corsário baracho Bor’Aqh Sharaq percorre o rastro de Conan em busca de sua vingança. O destaque fica por conta da belíssima arte de Alfredo Alcala. Na segunda história, John Buscema apresenta com a competência de sempre um enredo de terror nas profundezas de um castelo.

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A Espada Selvagem de Conan #71

E continua a saga de Bor’Aqh Sharaq! Sim, ele está vivo! O que, em se tratando de Conan, é muito estranho um inimigo “normal”, embora sanguinário, durar tanto! Claro que isso começa a ficar repetitivo e enfadonho! Parece que o Michael Fleischer achou que havia criado o melhor personagem do universo e quis usá-lo o maior tempo possível! Pelo menos o enredo principal, em que Conan vai em busca de uma cidade perdida, é bem conduzido e tem um quê de aventura que empolga. O problema é quando o tal corsário baracho reaparece! Enfim…

Sonja: Crânios Flamejantes – 01 de 03

Quem era acostumado, assim como eu, a ler as histórias da guerreira ruiva desenhadas pelo Frank Thorne, pode estranhar um pouco o estilo de desenho mais “Image Comics” dessa edição. Graficamente, a revista é um primor, mas o traço carece um pouco de personalidade própria, principalmente nas feições da Sonja. O problema é que o visual concebido por Thorne era imbatível! Mas para quem nunca leu as HQs das “antigas”, não vai ter problema nenhum. Ah, rola uma homenagem ao grande desenhista na segunda parte dessa edição (repare no nome do cavalo da Sonja). Quanto à história, começa meio sem rumo, com uma missão misteriosa que Sonja precisa cumprir, mas que não fica exatamente clara para o leitor qual seria. Na hora da briga, a guerreira Hirkaniana permanece impecável e até resolve algumas situações de forma bem engenhosa. Boa também é a explicação – rápida – que o roteirista dá para justificar (hoje em dia precisa disso…) o diminuto traje da Sonja.

Sonja: Crânios Flamejantes – 02 de 03

Nesta edição, a história descamba pro velho clichê “vamos derrubar o ditador deste reino”! A todo momento Sonja é descrita como a “escolhida” que apareceria na cidade para salvar o povo. No entanto, se você remover a guerreira ruiva de todo o enredo, fica a sensação que daria no mesmo. Então é inevitável surgir a pergunta: “se tanto faz a presença dela ou não, por que os rebeldes não agiram antes? ”. Vamos ver se a derradeira terceira edição mostrará porque Sonja é tão importante, afinal!

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Sonja: Crânios Flamejantes – 03 de 03

Na conclusão da minissérie, temos um “mais do mesmo”. Sonja consegue invadir o castelo e chegar até o ditador. Mas até aí, qualquer um conseguiria, da forma como é mostrado no enredo. Talvez o seu poder de liderança e determinação tenham sido fatores preponderantes para cumprir a missão, quem sabe? Uma reflexão ao final salva um pouco o desfecho dessa história, quando a tribo que passou tempos sendo oprimida e violentada pelo ditador do reino, toma o poder com igual – ou até pior – dose de violência (inclusive contra crianças). Esse povo foi realmente “salvo”? Destaque para a capa sensacional de Alex Ross.

O lado sombrio dos contos de fadas

O objetivo do livro, a despeito do que o título possa denotar, não é acabar com a infância de ninguém! Sua autora procura contextualizar historicamente os contos de fadas e entender como se originaram. Trata-se de uma abordagem “superinteressante”, se levarmos em conta que tudo ao nosso redor é produto do nosso tempo. Assim, procurando enxergar os contos de fadas com os olhos da época em que foram surgindo, conseguimos entender de onde vieram tantos conceitos, histórias e personagens fascinantes. Não apenas isso, a autora mostra no livro a “real” história dos contos de fadas, que foram lapidadas ao longo do tempo (de acordo com cada contexto histórico) e chegaram até nós nas versões “açucaradas” de Walt Disney. Excelente leitura!

A Espada Selvagem de Conan #72

Mais um capítulo da interminável rixa entre Bor’Aqh Sharaq e Conan! Aqui, Michal Fleisher ultrapassa todos os limites do absurdo para justificar o fato de o corsário baracho ainda estar vivo. E olha que estamos falando da Era Hiboriana, onde o absurdo é coisa corriqueira! Pra completar o péssimo enredo, temos um desenho medonho executado por Dave Simons. Salvam-se apenas alguns efeitos de aguadas e cinzas. Já estou até com medo de abrir a próxima edição e me deparar de novo com esse corsário. A julgar de como termina a história desse número, parece que isso ainda vai longe… Por Crom!

 

Agradecimento especial ao pessoal do Guia dos Quadrinhos, de onde peguei a maioria das capas restauradas aqui publicadas. =D