O que andei lendo em Fevereiro de 2017

Neste mês de fevereiro voltei à sala de aula. Como todos sabem (ou não) ministrar aulas não é apenas chegar no dia e passar o conteúdo para os alunos. Temos toda uma preparação antes em casa. Mas o que isso tem a ver com os gibis? Isso quer dizer que o meu já escasso tempo para a leitura ficou ainda menor! Nesses períodos de aulas (e mais o trampo no estúdio), costumo ler para dar uma arejada na cabeça. Então dou preferência para HQs mais curtas que dê para ler de “bate-pronto”. Curiosamente, nessa lista de fevereiro tem uma predominância de velharias. Além de não curtir muito as HQs atuais (pelo menos as dos supers…), tenho muita coleção de gibis mais antigos que estou juntando aos poucos e também lendo aos poucos. Lembrando que o que escrevi sobre cada leitura não é uma resenha. Não tenho nenhuma pretensão disso! São apenas comentários que eu faria se estivesse conversando com um amigo. Ah, este mês o saldo foi de 2.020 páginas lidas. Vamos ao que interessa…

leitura-01

Kingdom Hearts – 01 de 04

O mangá demora um pouco a engrenar. Os personagens vão sendo apresentados em meio a acontecimentos desconexos e deixa a história confusa em alguns momentos. Não sei se tive essa impressão porque não conheço o game. De qualquer forma, quando aparecerem os personagens Disney, o enredo começa a ganhar em diversão, principalmente do meio pro fim, quando surge uma certa vilã Disney.

Kingdom Hearts – 02 de 04

Esta edição é um deleite de diversão! Os personagens começam a visitar vários cenários conhecidos dos desenhos animados Disney, como Agrabah e o Olimpo. A diversão fica por conta da interação entre Donald e Pateta com Alladin e Hércules, por exemplo. Lembrou-me os gibis antigos de Disney Especial e Almanaque Disney, onde essa interação entre “núcleos” era mais comum. A aliança entre os vilões também é um dos destaques. O ponto fraco, por incrível que pareça, são os personagens “japoneses”. Parecem deslocados. Mas o traço limpo e preciso de Shiro Amano (bem menos confuso nessa edição) compensa essa estranheza.

Kingdom Hearts – 03 de 04

Nesta edição, os personagens visitam os mundos da Pequena Sereia e do Peter Pan. O traço do Shiro Amano está ainda mais solto e agradável. É surpreendente como ele consegue desenhar tantos personagens clássicos da Disney. O enredo finalmente engrena de vez e chega a empolgar.

leitura-02

Kingdom Hearts – 04 de 04

Na conclusão da minissérie, o verdadeiro vilão por trás da destruição dos mundos é revelado. Cheguei a pensar em “Crise nas Infinitas Terras” da Disney enquanto lia este capítulo final. A história demorou um pouco a ganhar força no primeiro capítulo, mas chega ao final deixando um gostinho de quero mais. Vamos ver se encontro as outras minisséries.

O Incrível Hulk #15

Esta é do “tempo do ronca”. Dificilmente a garotada de hoje em dia curtiria essas histórias, ainda mais pela limitação gráfica da edição brasileira. Mesmo assim, é uma diversão nostálgica voltar a ler o bom e velho Hulk “esmaga” verde e burro contra vilões clássicos como o monstro de eletricidade Zzzax e o cientista-chefe da IMA Modok. Sem falar no velho drama de amor entre Bruce Banner e Betty Ross. Tudo no traço do grande Herb Trimpe (aquele que desenhou a primeira aparição do Wolverine nos gibis). E por falar na Betty, que saudade desses coadjuvantes que não vemos mais hoje em dia, como o General Ross (sem aquela aberração de Hulk Vermelho), Glen Talbot (aqui, como esposo de Betty) e Jim Wilson. Destaque para a aparição do Gavião Arqueiro, aqui chamado de “Falcão” pela tradução antiga. Bons tempos!

O Incrível Hulk #16

Esta edição dá continuidade aos planos de Modok contra o Hulk. O vilão transforma a Betty Ross na terrível Harpia (não confundir com aquela dos Vingadores) e a joga contra o gigante verde. Outro vilão clássico do Hulk dá as caras neste número, literalmente, já que o Bifera possui duas cabeças, uma em cima da outra! O traço do Herb Trimpe está destruidor como sempre. Infelizmente a história continua na edição seguinte… exemplar que ainda não tenho na coleção!

leitura-03

O Incrível Hulk #19

O Incrível Hulk enfrenta o Homem-Cobalto em plena Austrália. O interessante dessa fase é justamente esse status de “andarilho” do gigante verde. Suas histórias acontecem em qualquer parte do mundo, do universo e até de outras dimensões! Tanto é que, como consequência do confronto com o Homem-Cobalto, o Hulk vai parar no Himalaia, exatamente onde fica o Grande Refúgio que, como sabemos, é o lar dos Inumanos. Nem preciso dizer que o confronto é espetacular. Principalmente quando o Raio Negro entra na briga!

O Incrível Hulk #25

Finalmente a ação retorna para a boa e velha Base Gama no deserto do Novo México. Mas não demora muito, e o gigante verde acaba indo parar na Rússia em meio a um resgaste alucinante do Coronel Glen Talbot. Os créditos da arte citam apenas Herb Trimpe e Joe Staton, sem citar quem fez o quê. O que é certo é que os desenhos perderam a consistência, apesar de tentar emular o traço do Jack “The King” Kirby.

O Incrível Hulk #27

Só personagens clássicos aparecem nesta edição, a começar por Glorian, o ser de pele dourada que sempre oferece ao gigante verde o sonho de uma vida de paz. E se o Glorian aparece, não tarda para o alienígena Figurador dar as caras. Esse inimigo do Hulk é muito interessante, já que possui o imenso poder de tornar qualquer coisa realidade mas, no entanto, não possui imaginação para criar nada, e se alimenta da imaginação dos outros. E é exatamente da “imaginação” do Hulk que o Figurador concebe um mundo perfeito para o gigante verde onde encontramos inclusive a sua amada Jarella. Mas não tarda para outros personagens clássicos reaparecerem para estragar tudo, os Homens Sapo! A primeira história com arte-final de Marie Severin, creio eu, casou muito bem com o traço do Herb Trimpe. Já a segunda tem uma leve queda de qualidade com a volta do Joe Staton.

leitura-04

O Incrível Hulk #28

As histórias dessa edição não condizem com a anunciada na capa. Na primeira, o Hulk enfrenta uma espécie de Monstro do Lago Ness. O enredo é bem arrastado e cansativo para uma HQ de 20 páginas. O ritmo de pancadaria ao estilo “Hulk Esmaga” volta a predominar a segunda história com o retorno do Doutor Samson, aqui chamado de Doutor “Sansão” pela tradução da época.

O Incrível Hulk #33

Jarella e Sal Buscema: dois motivos que me fizeram literalmente devorar esta edição. Primeiro, porque adoro as histórias envolvendo a amada microscópica do gigante verde. Segundo, porque cresci lendo o Hulk desenhado pelo Sal Buscema e, pra mim, este é o visual definitivo do personagem. Também gosto do Herb Trimp, mas com o Sal Buscema, o Hulk ganha uma dramaticidade maior nas expressões e nos movimentos. Sem contar com a narrativa do Sal, que é bem melhor.

A Espada Selvagem de Conan #44

Sempre achei essa arte produzida pelo Joe Jusko uma das melhores capas da Espada Selvagem de Conan. Pena que as histórias contidas nesta edição não sigam a mesma qualidade. A primeira HQ dá continuidade à Saga da Rainha da Costa Negra e narra o primeiro contato de Conan com os mares. Nem parece que foi escrita pelo Roy Thomas, de tão fraca! As outras duas histórias seguintes são meros tapa-buracos com personagens obscuros para encher linguiça e “esticar” por mais edições a saga da Bêlit.

leitura-05

O Incrível Hulk #39

O Hulk enfrenta o Valete de Copas e, em seguida, é abduzido pelo Aeroporta-aviões da Shield a fim de combater o Bi-fera, que se apoderou do quartel voador. O traço de Sal Buscema continua sensacional, agora na arte-final de Ernie Chan.

O Incrível Hulk #40

Sempre gostei dessas capas “mistas” mostrando os personagens que aparecem na revista. Esta, por exemplo, traz um reforço de peso ao gibi do Golias Verde, nada mais, nada menos que sua prima Jennifer Walters, conhecida pela alcunha de Mulher-Hulk. Para quem está familiarizado com a sua versão “Sensacional”, é interessante ler um material do seu tempo de “Selvagem”. Aqui, a Mulher-Hulk enfrenta as consequências que a levaram a se tornar o que é hoje. E quanto ao Hulk? Temos o embate final com o Bi-fera nas alturas do Aeroporta-Aviões da Shield (chamado pela tradução da época de “Helicargueiro”). A HQ é soberbamente desenhada por Sal Buscema com arte-final espetacular de Ernie Chan.

O Incrível Hulk #41

Uma das coisas que eu gostava muito na época do “Hulk Esmaga” eram as pausas no esquema “Ross caça Hulk” para apresentar histórias mais introspectivas. Essas histórias geralmente eram bem próximas do seriado de TV e o Hulk quase sempre se apaixonava por alguém. É o caso dessa edição, em que ele encontra um grupo bizarro no meio de uma floresta após sobreviver ao confronto com o Bi-fera na edição anterior. A arte espetacular fica por conta de Sal Buscema e Ernie Chan, cada vez mais à vontade um com o outro.

leitura-06

O Incrível Hulk #45

Por falar em histórias “introspectivas”, esta edição traz mais uma nesse estilo. O Hulk está enfrentando o exército quando se depara com duas crianças, um menino e uma menina. Os dois levam Bruce Banner a encarar uma realidade bizarra que envolve um terceiro irmão, lixo radioativo e canibalismo. E tudo isso no traço sensacional de Alfredo “Conan” Alcala. O seu Hulk lembra um pouco o desenhado pelo grande Bernie Wrightson. A história da Mulher-Hulk dá início a uma trama que a colocará em rota de colisão contra o Homem-Coisa, aqui chamado pela tradução de “Coisa Humana”. O projeto gráfico do gibi ganhou algumas melhorias, como mais páginas para a seção de correspondência e uma página para anunciar as HQs do próximo número. É interessante ver como a concorrência da Editora Abril começava a desbancar a RGE.

A Espada Selvagem de Conan #58

Não é todo mundo que consegue escrever o Conan. Esta edição escrita por Chris Claremont é a prova disso. O roteirista até se esforça, mas tudo o que coloca nos quadrinhos soa forçado e gratuito, como quando Conan tem um devaneio dos seus tempos de Ciméria em que salva um grande amigo ou quando o cimério aceita uma missão de escoltar uma mulher fazendo um pacto de sangue para cumprir a tal missão! Isso sem contar que Conan fica perdidamente apaixonado pela mulher e passa a história inteira se declarando e insistindo que eles fujam para serem felizes. Esse não é o Conan que conheço! A história é arrastada e confusa em alguns momentos graças ao desenho muito escuro de Val Mayerick. Bem diferente da segunda HQ da revista, escrita por Roy Thomas e desenhada pela lenda Gil Kane que mostra, de forma bem dinâmica, como Conan conheceu o vanir Fafnir.

A Espada Selvagem de Conan #70

Michael Fleischer dá continuidade à saga de Conan versus Bor’Aqh Sharaq. Dessa vez, o cimério acaba se envolvendo com um pai e uma filha que precisam viajar até uma região pantanosa para evitar que um demônio milenar retorne à Terra. Enquanto isso, o corsário baracho Bor’Aqh Sharaq percorre o rastro de Conan em busca de sua vingança. O destaque fica por conta da belíssima arte de Alfredo Alcala. Na segunda história, John Buscema apresenta com a competência de sempre um enredo de terror nas profundezas de um castelo.

leitura-07

A Espada Selvagem de Conan #71

E continua a saga de Bor’Aqh Sharaq! Sim, ele está vivo! O que, em se tratando de Conan, é muito estranho um inimigo “normal”, embora sanguinário, durar tanto! Claro que isso começa a ficar repetitivo e enfadonho! Parece que o Michael Fleischer achou que havia criado o melhor personagem do universo e quis usá-lo o maior tempo possível! Pelo menos o enredo principal, em que Conan vai em busca de uma cidade perdida, é bem conduzido e tem um quê de aventura que empolga. O problema é quando o tal corsário baracho reaparece! Enfim…

Sonja: Crânios Flamejantes – 01 de 03

Quem era acostumado, assim como eu, a ler as histórias da guerreira ruiva desenhadas pelo Frank Thorne, pode estranhar um pouco o estilo de desenho mais “Image Comics” dessa edição. Graficamente, a revista é um primor, mas o traço carece um pouco de personalidade própria, principalmente nas feições da Sonja. O problema é que o visual concebido por Thorne era imbatível! Mas para quem nunca leu as HQs das “antigas”, não vai ter problema nenhum. Ah, rola uma homenagem ao grande desenhista na segunda parte dessa edição (repare no nome do cavalo da Sonja). Quanto à história, começa meio sem rumo, com uma missão misteriosa que Sonja precisa cumprir, mas que não fica exatamente clara para o leitor qual seria. Na hora da briga, a guerreira Hirkaniana permanece impecável e até resolve algumas situações de forma bem engenhosa. Boa também é a explicação – rápida – que o roteirista dá para justificar (hoje em dia precisa disso…) o diminuto traje da Sonja.

Sonja: Crânios Flamejantes – 02 de 03

Nesta edição, a história descamba pro velho clichê “vamos derrubar o ditador deste reino”! A todo momento Sonja é descrita como a “escolhida” que apareceria na cidade para salvar o povo. No entanto, se você remover a guerreira ruiva de todo o enredo, fica a sensação que daria no mesmo. Então é inevitável surgir a pergunta: “se tanto faz a presença dela ou não, por que os rebeldes não agiram antes? ”. Vamos ver se a derradeira terceira edição mostrará porque Sonja é tão importante, afinal!

leitura-08

Sonja: Crânios Flamejantes – 03 de 03

Na conclusão da minissérie, temos um “mais do mesmo”. Sonja consegue invadir o castelo e chegar até o ditador. Mas até aí, qualquer um conseguiria, da forma como é mostrado no enredo. Talvez o seu poder de liderança e determinação tenham sido fatores preponderantes para cumprir a missão, quem sabe? Uma reflexão ao final salva um pouco o desfecho dessa história, quando a tribo que passou tempos sendo oprimida e violentada pelo ditador do reino, toma o poder com igual – ou até pior – dose de violência (inclusive contra crianças). Esse povo foi realmente “salvo”? Destaque para a capa sensacional de Alex Ross.

O lado sombrio dos contos de fadas

O objetivo do livro, a despeito do que o título possa denotar, não é acabar com a infância de ninguém! Sua autora procura contextualizar historicamente os contos de fadas e entender como se originaram. Trata-se de uma abordagem “superinteressante”, se levarmos em conta que tudo ao nosso redor é produto do nosso tempo. Assim, procurando enxergar os contos de fadas com os olhos da época em que foram surgindo, conseguimos entender de onde vieram tantos conceitos, histórias e personagens fascinantes. Não apenas isso, a autora mostra no livro a “real” história dos contos de fadas, que foram lapidadas ao longo do tempo (de acordo com cada contexto histórico) e chegaram até nós nas versões “açucaradas” de Walt Disney. Excelente leitura!

A Espada Selvagem de Conan #72

Mais um capítulo da interminável rixa entre Bor’Aqh Sharaq e Conan! Aqui, Michal Fleisher ultrapassa todos os limites do absurdo para justificar o fato de o corsário baracho ainda estar vivo. E olha que estamos falando da Era Hiboriana, onde o absurdo é coisa corriqueira! Pra completar o péssimo enredo, temos um desenho medonho executado por Dave Simons. Salvam-se apenas alguns efeitos de aguadas e cinzas. Já estou até com medo de abrir a próxima edição e me deparar de novo com esse corsário. A julgar de como termina a história desse número, parece que isso ainda vai longe… Por Crom!

 

Agradecimento especial ao pessoal do Guia dos Quadrinhos, de onde peguei a maioria das capas restauradas aqui publicadas. =D

Anúncios

Uma resposta em “O que andei lendo em Fevereiro de 2017

  1. cara, ce tá maluco, essas revistas do hulk são velhas demais até praquela época, pensei que eram da EDITORA ABRIL, IHHHHHHHHHHHHH, ainda é da época dos anos 70…………..e esse conan, hem, ihhhhh, eu li isso quando eu tinha uns 13 anos ali nos meados de 90, hoje pré-história pra humanidade, época do vídeo cassete, vídeo game máster system 1, o 1 hem, liquid paper, o original, preto e branco, copydesq, editor disso aquilo, mimeográfo na escola, foi só o que eu lembrei de imediato……….ih, rapaz, isso é muito véio mesmo …………..

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s