O que andei lendo em abril de 2017

Este mês de abril foi puxado. Tivemos a Bienal do Livro de Fortaleza e nos dias em que eu não estava dando aula, estava no estande da Editora Senac divulgando a terceira edição do meu livro de Quadrinhos. E também foi mês de provas. E também tive todas as outras atribuições “normais” do dia-a-dia. E cansaço. Muito cansaço! Por isso, o saldo de leitura caiu um pouco, pra 1.136 páginas! Foi mais para um relaxamento no meio da correria do que pra qualquer outra coisa. Por isso a predominância de Batman Eterno na lista, com edições curtinhas e leituras de bate-pronto!

Batman Eterno Zero

Desde “A Noite das Corujas” que não lia uma história do Batman e retornei agora com essa edição “zero” da coleção “Eterno”. E o meu pensamento continuou o mesmo: o Cavaleiro das Trevas foi um dos poucos, senão o único, que não sofreu grandes mudanças com “Os Novos 52”. Isso quer dizer que o personagem continua muito divertido de se ler, mesmo que esse início de Batman Eterno não diga muita coisa sobre do que trata o enredo. Mas isso é bom! Fiquei instigado a ler as outras 52 edições.

Novíssimos X-men – X-men de ontem

Tento fugir, tento escapar, mas não tem jeito: gosto muito dos X-men. Meus queridos heróis mutantes vêm sendo muito maltratados com enredos péssimos ao longo dos anos, apenas com algumas exceções (entenda Grant Morrison e Joss Whedon). Depois de ler o encadernado de “A Batalha do Átomo”, resolvi dar uma chance para as histórias anteriores e comprei “X-men de ontem” (por um precinho camarada na Amazon, claro!). O Brian Michael Bendis é interessante. Não sei exatamente o que pensar sobre ele. Ele tem uma capacidade de nos ludibriar com seus enredos que nos faz achar que as histórias são boas. Ou então estamos tão saturados de histórias ruins e confusas, que basta pegar um enredo “arroz com feijão” com diálogos certinhos, que já vamos nos divertindo. E o Bendis faz exatamente isso. As ideias dele até que são boas e o cara não tenta inventar a roda a cada novo trabalho que pega para escrever. Simplesmente pega aquele arroz, o feijão, faz um temperinho bacana e coloca no prato. É assim que vejo essa fase “Nova Marvel” dos X-men. Frente ao que vinha sendo mostrado, já é um bom começo.

Batman Eterno #01

Gosto dessas histórias que começam no meio do caminho e, a partir daí, a trama começa a deslanchar. Aqui, o Comissário Gordon e o Batman estão no meio de um ataque da gangue do Porko e o que acontece em decorrência disso dá as pistas do que será desenvolvido ao longo da série. Gostei bastante! Os desenhos do desconhecido (pelo menos pra mim…) Jason Fabok lembram um pouco o traço do Phil Jimenez (que é “cria” do George Pérez…). O traço fica um pouco engessado em algumas cenas, mas nada que comprometa a diversão.

Batman Eterno #02

As consequências da primeira edição começam a tomar forma aqui. Nesse ponto, a trama lembra muito o que Jeph Loeb fez em “O Longo Dia das Bruxas” e “Vitória Sombria”, principalmente pela revelação no final da edição de quem aparentemente está por trás dos acontecimentos. Ou seja, temos a impressão de estar começando a ler uma longa novela do Homem Morcego. E isso é ótimo! O traço de Jason Fabok ainda está um pouco engessado, mas já começa a ficar mais relaxado.

Batman Eterno #03

O cerco começa a se fechar para o Homem Morcego. É interessante ver um Batman que, apesar de ter “olhos” na cidade inteira, está completamente perdido sobre o que realmente está acontecendo. Igualmente perdidos estão os policiais. Ao final da edição, também ficam de mãos atadas! Quanto ao traço, Jason Fabok parece estar mais à vontade. Ah, não posso deixar de mencionar a aparição de Stephanie Brown, uma das personagens que mais gostei na antiga revista do Robin “Tim Drake”. Não sei dizer se esta é a sua estreia nos Novos 52, mas é bom vê-la de novo. E se a Stephanie aparece, é lógico que o seu pai também dá as caras e já começo a entender qual o seu papel na trama (vislumbres disso foram mostrados na edição zero).

Batman Eterno #04

Temos uma mudança muito bem-vinda de desenhista nesta edição. Imagino que seja uma espécie de rodízio para uma série dessa estirpe. Já conheço o traço do Dustin Nguyen de outros quadrinhos e posso dizer que muito me agrada esse desenho mais estilizado e limpo. Apesar de usar bastante sombra em alguns momentos, o traço do Dustin é baseado em auto contraste e quase não utiliza hachuras. E isso é ótimo! Traço limpo e agradável! Basta comparar com o desenhista da capa pra entender o que estou falando.

Batman Eterno #05

Neste número também há um novo desenhista, Andy Clarke. Esse nome não me é estranho! Estranhas são algumas expressões dos personagens. Mas compromete tanto. O que fica meio difícil de engolir são as coincidências de encontro de personagens no bairro Narrows.

Novíssimos X-men – Criando Raízes

O roteirista Brian Michael Bendis continha escrevendo o seu arroz com feijão. Se a gente tem a impressão de que as histórias dele sempre começam em lugar algum e chegam a lugar nenhum, pelo menos há uma consistência no elenco (dá pra saber quem é quem), mesmo que a Tempestade apareça do nada com o seu visual moicano! Bateu uma nostalgia ao ver os robôs Sentinelas, mesmo que na Sala de Perigo. E também de ver a Mística e o Dentes de Sabre sendo o que são: vilões! Não gosto muito da tal Lady Mental, mas é o que temos pra hoje! Quanto aos desenhos, continuam um deleite visual!

Batman Eterno #06

Entra um novo desenhista na equipe, o Trevor McCarthy. Gostei! Traço obscuro, mas objetivo. Quanto à trama, novos mistérios vão entrando em cena e começamos a constatar que o perigo não está apenas na figura do Falcone. Muita boa a aparição do Jim Corrigan (vulgo Espectro). Gosto desse lado “mágico” da DC. Vamos ver no que dá!

Novíssimos X-men – Deslocados

Os enredos criados pelo Brian Bendis não são a sétima maravilha do mundo, mas entretêm por serem redondinhos e não terem a pretensão de ser um best seller. É interessante como as tramas são pensadas para colocar os personagens em conflito com os X-men Originais, como quando o Scott novo encontra o irmão Alex velho ou quando a Jean Grey encontra a filha do Mestre Mental. Mas essa edição também mostra os absurdos da Marvel. Os X-men esbarram em outra (?) equipe de Vingadores (justamente a liderada pelo Destrutor). Os Vingadores agem como se fosse a primeira vez, mas metade dos membros já haviam visitado a mansão nas histórias anteriores. E como assim “outra” equipe com os onipresentes Capitão América e Thor?! Nos tempos de Vingadores da Costa Oeste pelo menos haviam membros distintos em cada equipe. Sinal dos tempos…

Casanova Avaritia

Eu não sabia nada sobre Casanova. Apenas o que as imagens das capas me levaram a deduzir, de que seria alguma série noir de algum ladrão charmoso. O preço nada convidativo não despertava maiores interesses na compra, fora um nome que vinha na capa: Gabriel Bá. Então, quando este volume apareceu em promoção na Amazon, não pensei duas vezes! Comprei só por causa do desenhista. E qual a minha surpresa ao ver que se tratava de uma série de ficção científica misturada com noir e com muita maluquice psicodélica espaço-temporal! Só coisas que gosto bastante. E os desenhos? Que coisa mais linda! Já mencionei várias vezes que hoje em dia prefiro mais traços nessa pegada estilizada, tanto para ler quanto para desenhar. E o Gabriel Bá não me decepcionou. O cara faz parecer fácil! Li todo o volume babando! Um ponto negativo é que a Panini em lugar nenhum do encadernado indica que este é o terceiro volume. Isso acontece em várias outras coleções. Nesse caso não teve tanta importância pra mim, já que só comprarei os demais caso estejam em promoção. Mas pra quem coleciona é chato começar a leitura justamente pela conclusão da saga ou precisar fazer uma pesquisa antes de comprar. Basta colocar na capa o número do volume e facilitar a vida na hora de chegar numa banca ou livraria. Nem todo mundo hoje em dia para a vida exclusivamente pra ir a um lugar comprar gibi. Geralmente a pessoa está “passando” por ali e compra o que tiver chegado! Eu, por exemplo, compro alguns gibis e só vou ler algum tempo depois. Resultado: acabei comprando duas edições repetidas do Homem-Animal porque não lembrava da capa e os encadernados não têm o número do volume!

Batman Eterno #07

A queda do Pinguim acontece com cenas um tanto quanto confusas. Incomoda também as poses “ginecológicas” atribuídas à Mulher-Gato. Ela sempre teve como apelo a sua sensualidade, mas de uns tempos pra cá os desenhistas têm exagerado nos ângulos despropositadas.

Batman Eterno #08

O Batman aperta o cerco contra a bandidagem pra mostrar quem é que manda na cidade. Destaque para o traço Guillem March e as cores suaves de Tomeu Morey. O traço lembra vários outros desenhistas, mas o mais marcante é Joe Kubert por conta das hachuras mais firmes.

Batman Eterno #09

Foi só elogiar o tal de Guillem March, que o sujeito me vem com uma pose “ginecológica” da Mulher-Gato logo na página de abertura da história. Uma pena! Sem contar que esse uniforme de plástico da Selina Kyle é feio pra baralho! Tirando isso, é legal ver os caras usando os personagens da Corporação Batman. Só é um pouco estranho não estar nas mãos do Grant Morrison, mas diverte também.

Batman Eterno #10

Vamos falar novamente da Mulher-Gato! E dessa vez logo na capa! Será possível que não tenha uma criatura que consiga desenhar esse uniforme de plástico sem ficar esquisito. Me perdoe, mas parece uma camisinha gigante!!!! E não vou nem falar da pose! Cadê o Andy Kubert, que vinha sendo usado como capista? Pelo menos o Riccardo Burchielli consegue imprimir um traço com mais personalidade no miolo, embora logo de cara nos apareça com a Mulher-Gato amarrada numa cadeira com as pernas abertas apontando para direções extremamente opostas!

Batman Eterno #11

Vamos falar da BatGirl dessa vez! Que capa é essa, rapaz? É uma luta ou um relacionamento íntimo lésbico? Qual a necessidade dessa “abertura” de pernas da Bárbara? Sem contar com esse uniforme horrível a la “novos 52” cheio de detalhes que não dizem nada e que devem ser o pesadelo dos desenhistas! Pelo menos o Iam Bertram mostra um traço extremamente estilizado no miolo. Já mencionei que prefiro traços deste naipe hoje em dia. Alguns podem achar feio, mas essa pegada meio Frank Quitely me agrada mais do que os traços “realistas”. Aqui, mesmo sendo cheio de hachuras, você consegue entender o que está desenhado.

Força Psi #02

A HQ da Força Psi começa a ficar interessante ao mostrar questionamentos acerca do “recrutamento” que cria uma certa expectativa para os próximos capítulos. Essa pegada “Novos Mutantes” também agrada! Apesar disso, Estigma continua sendo a HQ mais divertida. O enredo não é uma sétima maravilha do mundo, mas o traço do Romita Jr. deixa tudo mais agradável de ler. Quem demonstra potencial é o Máscara Noturna, uma espécie de “Sandman” do Novo Universo, mesmo com um início um pouco confuso. Vamos ver no que dá!

Coleção História Marvel – Os Defensores – Volume 03

O Namor não é um personagem fácil de se gostar e, imagino, igualmente difícil de escrever. Sua arrogância e petulância podem afugentar os leitores. Por outro lado, sua nobreza, coragem e determinação, são valores que o tornam um personagem intrigante. Nesse volume dedicado ao Príncipe Submarino, vemos um Namor preocupado com o destino do seu povo, ao mesmo tempo em que tenta se desvencilhar de ameaças que, em alguns momentos, o deixam até indefeso. O belo traço do sempre competente John Buscema, aliado aos roteiros certeiros do não menos experiente Roy Thomas, proporcionam grandes momentos e encontros com personagens e inimigos clássicos, como Triton dos Inumanos e Lorde Attuma. Tem até a origem de um outro adversário que gosto muito, o Tubarão Tigre.

Mês que vem tem mais!

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