VI NO CINEMA: Turma da Mônica – Lições

É inegável o meu amor pelos personagens criados por meu mestre Mauricio de Sousa! Não é à toa que trabalho escrevendo roteiros para a turminha (e, desde o ano passado, também para a Turma Jovem). Sendo assim, não tenho como evitar me emocionar ao pisar no cinema para vê-los novamente em ação! E se for em um ótimo filme, então, tudo fica melhor ainda!

Lições, a meu ver, consegue ser ainda melhor que Laços, no sentido em que consegue ampliar o Bairro do Limoeiro sem, no entanto, inflar o filme para seguir a velha fórmula das sequências: tudo maior! Diferente do primeiro, em que o protagonismo era todo do Cebolinha, este consegue equilibrar melhor o quarteto, com cada um tendo os seus próprios problemas para lidar! A inclusão de outros personagens da Turma da Mônica, mesmo que a maioria seja como easter eggs ou “fanservices”, consegue dar um gás a mais no enredo, já que as principais novas aquisições estão ali para contribuir com o andamento da trama. E claro que dá vontade de vê-los novamente!

Esta sequência também consegue acertar um problema técnico do anterior: o som! Os diálogos de Laços estavam sempre muito abafados, difíceis de ouvir e, em consequência, de entender! Pareciam deslocados dos demais sons (ambiente, trilha…). Em Lições, esse problema é corrigido e conseguimos escutar direitinho o que todos estão falando!

Como ponto negativo, vejo que algumas questões do desenvolvimento pessoal do quarteto poderiam ter sido melhor aprofundadas! Mas entendo que o que foi mostrado é suficiente para fazer o público-alvo entender exatamente a mensagem que o filme queria passar! Meu filho entendeu direitinho, ao dizer no caminho de volta pra casa: “Pai, é que nem você, que cresceu sem deixar de ser criança”! Missão cumprida!

Como eu já disse, amo esses personagens! Foi muito emocionante vê-los novamente em carne e osso! Chorei bastante, ri bastante, senti uma sensação muito boa… o bastante! E, no final, bateu uma vontade tremenda de ver o filme novamente! Assim como dá uma vontade reler um gibi!

ILUSTRAÇÃO DA NOVA IDENTIDADE VISUAL 2022

E ficou pronta! A ilustração para a nova identidade visual que abre oficialmente os trabalhos para o ano de 2022! Com o tema “Guerra de Travesseiros”, resgato um personagem muito querido, o menino Tobias, ao lado do seu inseparável ursinho de pelúcia Potim!

Para quem não sabe, Tobias é o protagonista do álbum em quadrinhos “O Boi da Cara Preta”, lançado em 2013 pela Editora Ornitorrinco e posteriormente disponibilizado para leitura gratuita on line (clique aqui!). Em suas histórias, Tobias vive aventuras em um mundo surreal de sonhos, repleto de perigos, desafios e brincadeiras, toda vez que a sua mãe o põe para dormir entoando um cantiga de ninar ou de roda! Nesse mundo imaginário (ou não) o seu ursinho de pelúcia Potim ganha vida e o ajuda em diversos momentos, sempre com sensatez (ou não)!

A ilustração foi criada com técnica mista de Aquarela, Lápis de Cor Aquarelável e Lápis de Cor Seco, Tinta Guache e Pastel Seco. Além do blog, a ilustra também já está estampando as capas de todas as redes sociais do Estúdio Lederly Comics!

Agora só falta a foto oficial de perfil!  

O QUE ANDEI LENDO: X de Espadas!

Antes de começar a falar sobre esta saga, acho importante frisar que li anteriormente somente as edições de 01 à 06 da revista dos “Xis-men” dessa “nova” fase encabeçada pelo roteirista Jonatham Hickman (Quer saber a minha opinião? Clica aqui!), para só então retornar à edição 22 para o início de X de Espadas!

Como ponto positivo, posso afirmar que dá para acompanhar a saga numa boa! A sensação é de não ter perdido nada de importante nas edições anteriores! Se bem que, ao escrever isto agora, talvez nem seja tão positivo assim! Se fiquei com essa sensação, é porque talvez não tenha acontecimento realmente nada de importante de lá até aqui! E isso é preocupante! Pelo menos para quem vem gastando o seu rico dinheirinho desde o começo com os gibis quinzenais!

Outro ponto positivo é quanto ao visual dos personagens! Apesar de ter uma penca de mutantes pululando de todos os lados – o que nos traz uma péssima memória dos Anos 1990 – aqui pelo menos resolveram simplificar os uniformes de todos e até retomar trajes clássicos! Assim, fica fácil identificar quem é quem no rolê! Mesmo assim, todos carecem de um desenvolvimento mais aprofundado, parecendo bem superficiais na grande maioria das vezes! Lemos a “voz” saindo da boca dos personagens, mas não parecem que são eles que falam, já que praticamente todos têm o mesmo jeito de falar (exceção para Wolverine, Senhor Sinistro, Apocalipse e Magia).

Esta fase dos heróis mutantes é superestimada, como já falei antes! É um velho arroz com feijão oriundo dos Anos 1990, mas requentado com um tempero novo para fazer parecer revolucionário aos olhos dos novos leitores! Jonatham Hickman tem essa habilidade! Mas não se engane, leitor das antigas! É tudo mais do mesmo, só que mais bonito e mais bem desenhado! Como exemplo, basta pegar as edições do Wolverine que, logo de cara, cai na mesmíssima ladainha de recorrer a flashbacks do passado do baixinho como ferramenta narrativa! Até parece que só tem essa forma de escrever Wolverine! Mais anos 90 do que isso, impossível! Sobre o design dos gibis que apresentam a todo momento aquelas páginas informativas, posso afirmar que em vários momentos elas só servem para travar o ritmo de leitura! Se eram relevantes nas primeiras quatro edições, aqui apenas atravancam a virada de página! Lá pela edição 4 da saga, já desisti de lê-las e continuei como se nada tivesse acontecido! Não fizeram falta!

Sobre a saga em si, até começa instigante com a invasão dos guerreiros de Arakko aos reinos do Extramundo para poder chegar até Krakoa! Dá vontade de saber como os mutantes lidarão com forças tão destrutivas! E pelo menos no visual, os novos personagens são bem bacanas, já que no desenvolvimento, nada é muito aprofundado! É até intrigante as “profecias” literalmente tiradas de cartas na manga pela regente do Extramundo, Opal Luna Saturnyne, sobre os dez portadores de espadas enigmáticas que deverão duelar pelo destino das realidades! E é somente isso que nos mantêm interessados em prosseguir na leitura! Como eu disse, é apenas uma saga com os vícios dos Anos 1990! Não vá esperando o último biscoito do pacote! A partir daqui, a saga até dá uma tropeçada, com a “inesperada” trégua dos invasores diante da Saturnyne, que os convence a participar do tal duelo de espadas! Com o poderio que eles detêm, não precisariam se sujeitar a isso! Mas tudo bem! Vamos ver até onde isso vai dar!

Nas partes dois e três, vemos os personagens na busca por suas espadas! Achei bem divertido (exceto as histórias do Wolverine, bem enfadonhas)! Pelo menos aqui as páginas informativas foram bem utilizadas, ao mostrar detalhes consistentes das espadas, à medida em que iam aparecendo no decorrer da trama!

Mas é nas partes quatro e cinco que a saga desanda de vez! O fio de credibilidade, que já não era lá tão forte, se parte de vez com um jantar entre todos os duelistas antes do famigerado duelo! Entendo que isso foi necessário para tentar aprofundar um pouco os (muitos) novos personagens, mas foi osso duro de roer chegar até o final dessa pendenga! E quando finalmente começa o duelo com as espadas… falta justamente UM DUELO COM ESPADAS! Se a intenção era mostrar uma pataquada entre os antagonistas, pra que perder tanto tempo mostrando vários personagens procurando por espadas que não usariam? Todas as regras narrativas estabelecidas no começo da saga são jogadas no lixo, com soluções estapafúrdias tiradas do nada pela Saturnyne… ou pelos roteiristas, já que a personagem não tem culpa! E nem vou citar um casamento absurdo que acontece do nada! Assim, temos um duelo pífio que não dá em nada e, no final, a saga se encerra com uma guerra, exatamente como começou, com os vilões voltando a demonstrar todo o poderio sanguinolento do início!

Entre mortos e feridos, foi até divertido retornar à personagens tão queridos (sou muito fã dos Xis-men), mas é latente como todos os vícios dos anos 90 ainda estão lá! Muitos títulos, muitos personagens, zero identidade! Tudo parece muito igual! Nenhum grupo tem identidade própria! Muda o nome da revista (Excalibur, X-Force, Novos Mutantes, X-men…) e parece que estamos lendo a mesma coisa! Tem uma certa coesão nisso tudo, mas uma coesão pro lado ruim! Tudo é mais do mesmo!

VI NO CINEMA: Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Não sei dizer se sou eu que estou cansando ou se os filmes estão ficando cansativos, mas “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” é a prova cabal de que a Marvel precisa urgentemente começar a se mexer para apresentar ideias novas! Desde “Vingadores: Ultimato”, a única produção que realmente apresentou algo de novidade, foi a série “WandaVision”! De lá pra cá, foi tudo mais do mesmo, embora tenha sido empolgante ver o Capitão “Sam Wilson” América e um pouco divertido de assistir as peripécias de Loki. Mas os vícios que a própria Marvel criou nos cinemas estão todos lá!

A impressão que tenho, é que a Marvel está vivendo um círculo vicioso de “fanservices” e “cenas pós-créditos”. Algumas vezes, tudo ao mesmo tempo, como na fatídica luta livre do Abominável contra o Wong! É um fanservice que não contribui em nada para a trama e, pior, tira o expectador da história principal ao ficar imaginando o próximo filme em que se dará a continuidade explicação por trás daquela luta! Percebeu o que eu quis dizer? Esse é um mal que acomete todas as produções! Você não assiste ao filme vigente! Está sempre pensando no próximo!

Pra piorar, Shang-Chi tem uns furos de roteiros de dar dó no início do filme, como os tais pingentes que, se o pai dele tivesse usado um pouquinho de inteligência, perceberia que não precisava deles, já que tinha a solução no seu próprio calabouço; e o tal cartão postal, que serviu para juntar os irmão Shang-Chi e Xialing para… Para que mesmo? Já que o pai não precisava dos dois…

Fora que é difícil de imaginar um herói fazer frente a um artista marcial de mil anos, tendo treinado apenas dos 07 aos 14 anos! Não quero ser o chato do “no gibi não é assim”, mas sendo o chato, no gibi o Shang-Chi treinou a vida inteira! E só se rebela contra o pai quando adulto. Ou seja, é completamente plausível aceitar as suas habilidades impressionantes. Não é o caso do filme! Esse seria um detalhe que passaria batido, não fossem os problemas que relatei acima! E não vou nem falar da garota que treina arco e flecha por cinco minutos… No final, fica a impressão de que a Marvel mirou em “Kung Fu Panda” e em “Como Treinar o Seu Dragão”, mas não acertou nem em metade do carisma desses filmes, dando a sensação de algo requentado, ao invés de um filme feito em homenagem ao estilo Chinês! Se tivesse chamado a garota do arco e flecha dos cinco minutos pra atirar, talvez tivesse acertado o coração! Ah, e de “Lenda dos Dez Anéis” também não tem nada! Mas não se preocupe… tem uma cena pós-créditos que promete responder de onde vieram os anéis em um próximo filme!

WHAT IF…? Exercício de criatividade ou nada se cria, tudo se copia!

A série de gibis intitulada “What If…?” ou “O que aconteceria se…”, como ficou conhecida no Brasil, sempre foi um exercício de criatividade dos autores da Casa das Ideias. No entanto, nostalgias à parte, quase sempre esse “exercício” gerou histórias de medianas para fracas, com argumentistas e desenhistas novatos sendo “testados”! Quando moleque, eu costumava até brincar dizendo que sempre resultava em uma catástrofe no final, coisa que não se via no Universo Marvel “regular”. As melhores edições, são aquelas produzidas pelos autores dos títulos “normais”, como John Byrne (E se o Quarteto Fantástico não tivesse poderes?) e Frank Miller (E se a Elektra não tivesse morrido?), por exemplo!

Mesmo assim, é inegável que algumas das ideias testadas nesse título foram incorporadas posteriormente nos gibis regulares. Abaixo, listo alguns exemplos bem curiosos!

“E se o Hulk tivesse o cérebro de Bruce Banner?” Publicada na edição 02, a ideia foi incorporada por Bill Mantlo e Sal Buscema na fase pré-Guerras Secretas e pré-Saga da Encruzilhada!

“E se outras pessoas também tivessem sido mordidas pela aranha radioativa?” Os candidatos foram o Coronel John Jameson, Flash Tompson e Betty Brant. Anos depois, veríamos o Miles Morales e a Gwen Stacy como novos aracnídeos!

“E se o mundo descobrisse que o Demolidor é cego?” Tá, essa ideia é até meio óbvia e quicou no universo regular durante anos! Mas foi somente na longa fase escrita pelo Brian Michael Bendis que esse perrengue pegou de vez o Matt Murdock. Aliás, repercutiu até depois da saída do Bendis, nas fases do Brubaker e do Mark Waid!

“E se a Jane Foster tivesse erguido o martelo do Thor?” Acabou com a sua infância ver a Jane Foster, uma mulher, como a nova Thor, nerd careca de mais de quarenta anos? Pois saiba que, além de bem-vinda, essa ideia incorporada por Jason Aaron não foi nada nova!

“E se o Rick Jones tivesse se tornado o Hulk?” Logo após a saída do John Byrne do título do gigante ver… quer dizer… cinza, isso realmente aconteceu! O Hulk havia sido separado do corpo do Bruce Banner, mas o dois estavam morrendo e precisavam ser “juntados” o quanto antes! Acontece que o Rick Jones acidentalmente caiu no tanque de reintegração e, dali, saiu um Hulk Banner Cinza e um Hulk Jones Verde!

“E se o Conan viesse para os dias atuais?” Mais um da série “ain, acabou com a minha infância” para alguns nerds bocós! Assim que o Conan voltou para a Marvel, após um período na Dark Horse, a Casa das Ideias lançou o título “Vingadores Selvagens” com o Conan fazendo parte da equipe nos dias atuais, como uma espécie de despedida do Mike Deodato, que queria desenhar os “porradeiros” em seu último trabalho! Ah, como curiosidade, tivemos também um “E se” do “E se”, quando saiu o famigerado “E se o Conan tivesse ficado preso no século vinte?”.

“E se a Fênix não tivesse morrido?” Hoje em dia é arroz de festa a Jean Grey ressuscitar! Mas a sua primeira volta, digamos assim, se deu na estreia do grupo X-Factor, que contava com todos os X-men originais e não podia ficar sem a sua “Garota Marvel”!

“E se o Clone do Aranha não tivesse morrido?” Preciso dizer mais alguma coisa? Saga do… cof! cof!… Clone!!

Por fim, fica aquela dica marota: se você for contratado para trabalhar como roteirista da Marvel e não tiver ideia nenhuma do que fazer, sempre vale a pena dar aquela vasculhada no “lixo” de “What If…?”! Vai que cola?

VI NO CINEMA: O Esquadrão Suicida

O Esquadrão Suicida não tem nada de mais! Mas tem James Gunn no comando, o que já é a melhor coisa que o filme poderia ter! O diretor pega um punhado de vilões de décima quinta categoria do universo DC, se inspira na melhor fase da equipe nos quadrinhos (aquela produzida por John Ostrander e Luke Mcdonnell) e entrega o filme mais divertido e porradeiro da DC dos últimos tempos!

Assim como nas HQs de Ostrander/Mcdonnell, aqui o enredo acertadamente não perde tempo com os “comos” e “por quês”, e muito menos em entrelaçar com outros filmes (passados ou futuros), e já parte pra ação da missão do dia em um país chamado Corto Maltese, como em uma segunda-feira normal para os comandados da (ótima) Amanda Waller! A meu ver, este é o principal ponto positivo da trama! Como é bom voltar a assistir a um filme de super-heróis fechadinho, sem ter que se preocupar com o que veio antes ou virá depois! O expectador pode, enfim, voltar a se concentrar apenas na história vigente!

Outro ponto positivo é a forma como James Gunn trabalha os personagens e faz nos importar com cada um deles, mesmo os mais insignificantes! E olha que tem bastante, viu? A Arlequina nunca esteve tão bem, linda, maravilhosa, poderosa e sexy, sem apelar em momento algum para a hipersexualização ou a sensualização gratuita (em momento algum tem enquadramentos constrangedores sobre a moça)! Outro personagem que se destaca, é o Pacificador, unanimemente transformado naquele escroto que adoramos odiar! Ao final do filme, fiquei com uma pontinha de esperança de ver uma “Liguinha” nos cinemas, com um embate entre Pacificador e Guy Gardner (com direção de James Gunn, claro!). Outros que chamam a atenção, são a Caça-Ratos II e o Tubarão Rei, o “coração” da equipe! Por fim, o Sanguinário e o Homem das Bolinhas também dão o seu show! E que show!

O aparentemente simples roteiro do filme ainda consegue nos pregar algumas peças! Por isso, espere o inesperado em relação à sobrevivência dos personagens! Afinal, este é verdadeiramente o Esquadrão Suicida! Ah, destaco também a criatividade de algumas idas e vindas temporais nos acontecimentos e os “subtítulos” no decorrer da história, como se fosse uma minissérie em quadrinhos dividida em capítulos!

Por falar em quadrinhos, quer vilão mais “gibi” do que o Starro? Apesar da superexposição nos diversos trailers, a aparição de Starro ainda consegue causar espanto! Eu mesmo preferi assistir a somente um trailer, para manter as surpresas e potencializar as surpresas. E funcionou! James Gunn consegue até mesmo dar “humanidade” a uma estrela-do-mar alienígena, vejam só!

No frigir dos ovos, em meio ao mais do mesmo nos filmes de “supers”, O Esquadrão Suicida traz um certo frescor, mesmo tendo um enredo deveras clichê! Mas como é bem trabalhado por uma mente muito criativa, diverte e nos faz pedir por mais! E fica aqui a minha torcida para um novo filme da Liga da Justiça (Internacional), mas dessa vez com Besouro Azul, Gladiador Dourado, Gui Gardner, Shazam, Fogo, Gelo, Canário Negro, Senhor Milagre, Oberon e… Ajax e Batman! Pena que estragaram o Max Lord em Mulher-Maravilha 1984! Mas como os filmes da DC agora não se “amarram”, fica a torcida!

ELIZA, A ELFA LOUCA MERCENÁRIA SEM CORAÇÃO!

Mais ou menos por volta de 2011-2012, em uma das várias turmas do Curso de Mangá que ministrei no Senac Ceará, aproveitei as aulas para criar uma personagem como forma de demonstração aos alunos. A ideia era participar do mesmo processo criativo a que a turma estava passando no decorrer do curso. Além de ter sido um recurso didático muito divertido e proveitoso, essa brincadeira rendeu-me a Eliza! Na ocasião, a exemplo dos alunos, criei uma pequena história de quatro páginas para a personagem. Com ordem de leitura oriental e tudo! Pena que só consegui arte-finalizar a primeira página, já que eu tinha que orientar os projetos dos meus queridos alunos! Dá só uma olhada como ficou:

Sobre a personagem, Eliza é uma implacável caçadora de recompensas com a má fama de ser a “elfa louca mercenária sem coração”, apelido provavelmente adquirido pelo seu mau humor e ferocidade com que cumpre suas demandas. Eliza é extremamente ambiciosa e não se preocupa com nada além de obter suas recompensas.

Passado mais algum tempo, me apaixonei tanto pela personagem, que resolvi expandir a antiga história de quatro páginas em um conto intitulado “As Ruínas de Angoera”. No conto, Eliza empreende uma caçada a um criminoso orc, quando se depara com um ladrão galanteador humano, de nome Julio, que aparenta estar com o mesmo objetivo. Depois de uma acirrada disputa para ver quem captura o orc, no qual Eliza sagra-se bem-sucedida, o humano lança uma proposta tão tentadora quanto perigosa à ambiciosa elfa: partir à procura de um valioso tesouro guardado por uma terrível criatura sobrenatural conhecida pela alcunha de Angoera.

Em 2013 resolvi transformar esse conto em Mangá, dessa vez com ordem de leitura ocidental! Mas acabei deixando de lado por conta de outros afazeres profissionais. Cheguei a desenhar algumas páginas e arte-finalizar outras poucas. O resultado você confere abaixo:

Agora em 2021, tenho a imensa alegria de anunciar que o mangá “As Ruínas de Angoera” vai finalmente sair do papel! Ou melhor, vai entrar no papel, já que vou retomar os desenhos! E vou recomeçar tudo do zero, já que não desenho mais do mesmo jeito que em 2013! Será na ordem de leitura ocidental! Para não correr o risco de morrer na praia, dessa vez vou desenhar aos poucos, apenas uma página por semana, para não conflitar com o meu trabalho na Mauricio de Sousa Produções. E você vai poder conferir tudo isso, semana a semana, aqui mesmo, a partir de abril!

O QUE ANDEI LENDO: ESCREVENDO PARA QUADRINHOS de Brian Michael Bendis

O livro do Brian Michael Bendis, publicado por estas paragens pela Editora Martins Fontes, não tem a pretensão de reinventar a roda e muito menos de redescobrir a pólvora no quesito produção de roteiros para quadrinhos. À priori, o aspecto básico e “mais do mesmo” do conteúdo pode ser um pouco frustrante para o roteirista já inserido no mercado que comprou o livro esperando descobrir os “segredos sobre como escrever igual ao Bendis”! Por outro lado, o livro é ideal para quem está iniciando, justamente por focar nos quesitos mais básicos!

Bendis prefere seguir uma narrativa de bate-papo franco sobre a sua experiência e o seu processo criativo, ao invés de produzir um manual técnico. A meu ver, ele acertou em cheio nessa abordagem!

Um roteiro é formado por, pelo menos, dois pilares: a forma e o conteúdo! A forma abrange a maneira como o roteiro será escrito! No caso dos quadrinhos, pode ser através de um argumento prévio (também conhecido como “método Marvel”) ou em formato de script (chamado no livro de “roteiro completo”). Bendis dá ótimos exemplos sobre os dois formatos. Inclusive, deixa claro que, no caso dos quadrinhos, não existe uma forma “certa”, como no cinema e na TV. Cada roteirista tem a sua forma de escrever ou irá desenvolver a partir de uma base. Bendis também deixa claro que o propósito do seu livro não é ensinar a como escrever como ele! A ideia é que cada um desenvolva a sua voz própria, já que, se uma editora quiser contratar alguém que escreva igual ao Bendis, terá o próprio autor à disposição, ao invés de uma cópia! É nesse ponto que o conteúdo faz a diferença!

Manuais técnicos sobre como escrever roteiros, você encontra aos montes pelo mercado! Mas é no conteúdo que essa parte técnica se destacará… ou não! Não adianta nada o roteirista devorar inúmeros livros técnicos, se não souber como preencher os seus roteiros! Bendis deixa isso bem claro! É preciso ter uma bagagem para escrever! O Bendis só escreve como Bendis por conta da bagagem que tem! É a sua experiência de vida, leitura, vivência e pesquisa que constrói o conteúdo dos roteiros! O roteirista precisa ler muito para poder escrever muito! De preferência todos os dias, mesmo que ainda não tenha tanta bagagem! Não é à toa que existe aquele ditado “a prática leva à perfeição”! Com roteiro – e desenho – não é diferente!

Outro ponto positivo do livro são as entrevistas com vários profissionais do mercado. Desenhistas, outros roteiristas e editores que falam sobre as suas experiências, dão os seus pontos de vista sobre como lidar com os roteiros, quais as dificuldades, quais as virtudes, o que se espera de um roteirista (iniciante ou veterano) e por aí vai! Esse conteúdo é riquíssimo e abre os olhos para questões que provavelmente muita gente nunca havia parado para pensar, como o fato de que os roteiros são escritos para os desenhistas, não para o público! Como bônus, tem uma entrevista com a esposa e administradora do Bendis que revela muito da parte chata do negócio, que é tratar a sua produção como uma empresa!

Escrevendo para Quadrinhos pode não ser um livro técnico sobre roteiros e nem se destacar em meio a tantos outros livros sobre o tema! Mas a imensa galeria de profissionais de quadrinhos que o livro traz, revelando pontos importantes sobre o mercado, já compensa tê-lo na prateleira da estante para consulta constante. E como o próprio Bendis fala, foi preciso convidar um monte de gente para que o livro pudesse sequer estar ao lado do Will Eisner e Scott McCloud na estante! Ele está certo!

50 GIBIS QUE MARCARAM A MINHA VIDA – PARTE 1

Resolvi surfar na onda da tag “50 coisas que…” e fazer uma lista dos gibis que, de uma forma ou de outra, tiveram algum tipo de importância na minha formação como leitor e como produtor de quadrinhos. Como estou escrevendo de “memória”, perdoe qualquer incoerência nos dados fornecidos. Dito isso, vamos lá…

01 – ALMANAQUE DISNEY 214

Até onde consigo lembrar, este foi o primeiro gibi que tive em mãos! Eu devia ter entre 7-8 anos! Na época, uma prima me deu de presente, mas eu não fazia ideia de qual revista se tratava, já que estava sem capa e faltando páginas no começo e no fim do gibi! Só sei que adorei a história do Donald Caça-Fantasmas! E, sem saber, já tinha ficado fã do mestre Giorgio Cavazzano, mesmo sem entender ainda sobre quem fazia o quê em cada gibi! Só depois de adulto, por volta dos 38 anos, é que consegui comprar esse gibi, agora todo completinho! Se tivesse que fazer um paralelo com o universo Disney, eu diria que este almanaque é a minha moedinha número 01!

02 – TIO PATINHAS 294

Este gibi eu já peguei completo com amiguinhos da escola! Já deu para reparar que o meu início de leitura dos gibis foi com a Disney, não é mesmo? Esta edição do Tio Patinhas marcou por conta da última história! Nela, o nosso querido muquirana faz uma aposta com o Patacôncio para ver quem recupera um tesouro numa ilha deserta! Lembro que gostei tanto do barco do Tio Patinhas, que fiz uma réplica para brincar com a minha irmã, utilizando embalagens de papelão de café!

03 – TIO PATINHAS 237

Esta lista segue uma certa linha do tempo! Mas como eu não comprava gibi em banca por falta de grana (eu nem sabia que existia banca!), o que caía na mão, era peixe! Geralmente eu trocava gibis com os colegas da vizinhança ou da escola. Então era muito comum pegar números mais avançados, depois outros mais antigos! Na verdade, eu nem me importava com isso! Só queria ler! E como gostei dessa parodia de “…E o vento levou!” Eu não fazia ideia de que era uma paródia! Gostei mesmo foi de ver os patos em outro contexto!

04 – TIO PATINHAS 256

E mais Tio Patinhas! E mais Giorgio Cavazzano nos desenhos! Nem preciso dizer que adorei essa história! Ainda mais com um tema tão chamativo para a pivetada: corrida de “carrinhos”! Com o passar do tempo, fui perdendo esses gibis da lista. Mas já recuperei todos e guardo com todo carinho!

05 – DISNEY ESPECIAL 114: LENDAS E MISTÉRIOS

E mais Disney na lista! Tem uma explicação bem plausível para a minha predileção pela Disney no início da minha leitura: os desenhos animados clássicos passavam na TV todos os dias! Este foi o meu primeiro Disney Especial! Li e reli inúmeras vezes! Adorei o clima de mistério das histórias, principalmente a primeira história “O tesouro dos Nibelungos”, de onde já fiquei fã do Romano Scarpa, cujo traço é bem parecido com o do Cavazzano (novamente sem saber quem era “Romano”)! Outras duas histórias que adoro, são “A Lenda das Amazonas” e “A Sereia do Lago Dourado”, ambas produzidas pelos mestres brasileiros. Claro que eu não sabia nada sobre autorias na época, mas eu já tinha os meus preferidos!

06 – O INCRÍVEL HULK 10

Como mencionei, a forma que eu tinha de ler gibis, era trocando com outros colegas! Lembro que eu detestava gibis de heróis por achar os desenhos muito “sérios”! Mas depois de descobrir que cada gibi de herói valia dois gibis infantis nas trocas, se tornaram um ótimo negócio! Assim, nessas idas e vindas do “mercado” de trocas, resolvi dar uma chance para o Hulk! E não é que adorei? Mas também, olha o apelo para o moleque: um gigante verde enfurecido trocando sopapos com bichos humanóides! Sem contar a história do robô no final (o Rom)! Qualquer moleque ficaria doido com isso! E foi o que aconteceu comigo! Assim, o Hulk foi (e ainda é) o meu personagem favorito de super-heróis!

07 – CEBOLINHA 36

O primeiro contato que tive com a Turma da Mônica foi com a animação “A Estrelinha Mágica” que passava na época de Natal! Nos quadrinhos, lembro de pegar alguns suplementos coloridos que saía nos jornais! Não lembro exatamente dos gibis, mas é claro que também os tive! Mas um que marcou a minha infância, certamente foi este do Cebolinha! A minha família havia acabado de mudar para outra cidade e o meu pai me levou pela primeira vez para uma banca de gibis! Foi o paraíso! Nunca tinha visto nada daquilo! Na ocasião, ele me comprou dois gibis, esse do Cebolinha e um da Liga da Justiça (falo já sobre este)! Até hoje lembro da historinha de abertura “O Natal do JJ Junior”, que contava a história de um menino rico que tinha tudo, menos a alegria de passar o Natal com os seus pais. Daí, ele foge de casa e acaba encontrando a turminha! Muito emocionante! Infelizmente não o tenho mais e até hoje não consegui encontrar esse gibi para vender… Uma pena!

08 – LIGA DA JUSTIÇA INTERNACIONAL 20

Hoje em dia vejo muito o pessoal se perguntando por onde começar a ler gibis! Na minha época, não tinha isso! Como já mencionei, o que caía na rede, era peixe! A única noção de “Liga da Justiça” que eu tinha, era a do desenho animado “Superamigos”! Mesmo assim, eu não fazia ideia de que aquele grupo das animações era a Liga! Então, peguei o bonde andando ao comprar esse gibi! Junto de Cebolinha 36, foram os primeiros gibis que comprei em banca! Acho que pedi esse ao meu pai pela capa curiosa! Lembra que eu não gostava dos desenhos “sérios” dos heróis? Nesse caso, pirei com a arte expressiva do Kevin Maguire! Tem coisa mais “séria” do que os desenhos do Maguire? Li e reli um monte! Adorei também o Esquadrão Suicida e o Cão Raivoso, que usava uma máscara parecida com a do Jason. Na época eu era fã de filmes de terror, especificamente de Sexta-Feira 13… então já viu, né?

09 – A TEIA DO ARANHA 26

Não lembro se esse foi o primeiro gibi que li do Cabeça de Teia, mas com certeza foi a primeira “A Teia do Aranha”! Peguei emprestada de um colega da vizinhança! E o que ela tem de tão especial? Pirei no visual do Tarântula no traço charmoso do Ross Andru! Ah, também pirei no Magma do John Romita (o pai) e as cores diferentonas do gibi (não eram tão chapadas quanto as outras, tinham algumas nuances).

10 – BATMAN 05

Essa com certeza foi a primeira vez que li um gibi do homem morcego. Era comum na época os jornaleiros arrancarem as capas e devolverem para as distribuidoras (descobri isso anos depois!). Isso explica por que eu tive tantos gibis apenas no miolo no início da minha leitura! Essa não foi exceção! Além de pirar com traço do Neal Adams na história do Batman, também foi a primeira vez que tive contato com a Liga da Justiça clássica!

E essa foi a primeira lista! Nas próximas semanas, teremos mais! Até a próxima!

Imagens extraídas do site Guia dos Quadrinhos!

NOVO ANO. NOVAS IDEIAS.

Todo final de ano costumo fazer um balanço de tudo o que aconteceu aqui no estúdio e traçar metas para o ano seguinte. Esta é a primeira vez que torno isso público!

O isolamento em 2020 tornou o ano um desafio para todo mundo. Como eu já trabalhava em casa, não mudou muita coisa adotar o tal do “home office”. O problema é que, quem trabalha com criatividade, precisa de uma válvula de escape para descansar o cérebro e recarregar as baterias criativas. A minha, era o cineminha, o barzinho, o forrozinho do final de semana e as viagens para eventos de quadrinhos! Como me vi desprovido disso tudo, minha mente entrou em parafuso e cheguei até a surtar em alguns momentos! Por conta disso, algumas metas que estabeleci para 2020 não chegaram a ser 100% alcançadas! Mas tudo bem! Sem pressão!

Então, sem mais delongas, vamos ao balanço de 2020 e às metas para 2021:

Turma da Mônica – MSP (Maurício de Sousa Produções)

A meta de 2020 era bater 50 roteiros aprovados! Por conta do psicológico abalado pela pandemia, consegui aprovar 44 roteiros (04 a mais que em 2019), em um total de 341 páginas escritas! A meta para 2021 é continuar na média de 45 roteiros! Um pouco menos ambiciosa, eu sei, mas um pouco mais realista em tempos de isolamento!

Zé Carioca – Disney (Editora Culturama)

Em 2020 tive a imensa alegria de publicar o meu primeiro roteiro para o mais brasileiro dos personagens Disney, o queridão Zé Carioca! A história “Para o papagaio que tem tudo” abriu a edição especial de Natal da revista “Aventuras Disney” Nº 21 (dezembro/2020). A meta para 2021? Quem sabe…

Livro teórico/prático na área de Ilustração

Esse foi o projeto que mais “sofreu”! Já estava um tanto quanto atrasado e eu esperava terminar em 2020! Mas como é um livro que exige muita pesquisa, produção complexa de texto e ilustrações, realmente não deu para continuar! A meta para 2021 é modesta: terminar ao menos 02 novos capítulos! E se tudo correr bem, concluir o livro inteiro para lançar em 2022! A minha editora agradece!

Teste para agenciamento

A boa notícia é que em 2020 ainda consegui produzir material para um teste de agenciamento. Foi uma experiência muito enriquecedora que pretendo voltar a experimentar. Só não tenho previsão! Quem quiser conferir o resultado, clique aqui!

Inktober

O Inktober é uma espécie de evento on line, encabeçado pelo ilustrador Jake Parker desde 2009, que propõe o desafio de fazer um desenho por dia durante todo o mês de outubro! O objetivo é soltar as amarras criativas e se divertir! Infelizmente não tive tempo de participar em 2020, mas esse ano quero voltar com todo o gás! Faz bem para a mente criativa!

As Ruínas de Angoera

Este é um mangá que surgiu a partir de um conto que escrevi há alguns anos! Em 2021 pretendo desenhar e publicar pelo menos 01 página por semana! Parece pouco, mas é o suficiente para encaixar no meu trabalho regular da MSP e uma maneira de espairecer a mente criativa! Espero começar a partir de abril!

Graphic Novel infantil

Depois de anos sem produzir um álbum (o último foi “Tobias e o Boi da Cara Preta” em 2013. Clique aqui para ler), no segundo semestre de 2021 pretendo tirar outro projeto da gaveta! Também será protagonizado por um pivetinho!

Contos em quadrinhos

Esse projeto está na categoria “quando der, eu faço”! O objetivo também é espairecer a mente criativa, produzindo histórias curtas de 08, 12 ou 16 páginas nos mais variados estilos, técnicas e gêneros!

Ufa! Bastante coisa, né? Estas são as metas para 2021!

Um novo ano, sempre pede novas ideias!