Vi no cinema: JOGADOR Nº 01

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Não sei dizer se o Spielberg voltou à “boa forma” dos filmes de aventura da década de 80 com Jogador Nº 01. O que sei dizer é que os filmes de aventura da década de 80 não têm como voltar para os dias atuais. Vivi essa época e era um contexto completamente diferente de hoje em dia. Por mais que o Spielberg já comece o filme com uma música descolada da década de 80, o Jogador Nº 01 não passa de um exercício afetivo de nostalgia. E não tem como ser diferente, ora. As referências são todas de uma década que já passou. Por mais perfeito que seja o filme, ele continuará sendo apenas uma homenagem! Vou dizer que o diretor voltou à sua boa forma quando ele fizer um filme de aventura no contexto atual, com as referências contemporâneas.

Essa onda de revival é bacana, mas não basta o diretor escolher uma trilha da Cindy Lauper e colocar em um filme para torná-lo oitentista. A Cindy Lauper estava nos Goonies, por exemplo, porque as músicas simplesmente eram daquela época! E outra coisa: em Jogador Nº 01 os personagens ficam a todo momento explicando que as inúmeras referências do passado estão ali porque o criador do jogo cresceu com elas e gosta de tudo aquilo! É forçar um pouco a barra para justificar em tela elementos que não sejam contemporâneos! Mas isso quer dizer que o Jogador Nº 01 é ruim? Não! Pelo contrário! É um filme divertidíssimo, mas com cara de emulação dos ótimos filmes da década de 80! Gostei bastante e a molecada de hoje em dia com certeza vai delirar!

O que gostei também, além de toda a avalanche vertiginosa de referências, foi a pegada meio “Goonies” do filme. Tal qual o Mickey, que conhece a fundo a “cabeça” do Willie Caolho e usa esse conhecimento para decifrar as pistas do tesouro, aqui, o protagonista Wade Watts também se vale do seu conhecimento da personalidade e forma de pensar do criador do jogo Oasis, James Halliday, para conseguir decifrar as pistas e avançar de “fase”. Os vilões também representam ameaça, mas sem serem ameaçadores (faz sentido isso?). A atmosfera do enredo faz a gente lembrar, claro, de Tron e de Matrix.

Os-Goonies

Em relação às referências e aos diversos personagens que aparecem em tela, lembrei muito de “Uma Cilada para Roger Rabbit”. Em diversos momentos fiquei imaginando como estariam se sentido os jovens assistindo ao filme. Será que estavam tão empolgados quanto eu fiquei na primeira vez em que assisti ao filme do coelho Roger Rabbit e vi diversos personagens de cartoon contracenando juntos? Espero que tenham a mesma sensação. Porque cheguei à conclusão de que o Jogador Nº 01 é uma espécie de “Uma Cilada para Roger Rabbit” dessa geração. Aliás, a motivação de todo o enredo (que não vou falar pra não estragar a experiência) é muito parecida com a do filme do Rabbit.

WhoFramedRogerRabbit

Agora, uma crítica ferrenha vai para o tal do 3D. Ô recursozinho que já cansou e que não serve pra mais nada, além de escurecer a tela (pra mim, que sou cego, foi osso enxergar aquele monte de coisas acontecendo) e encarecer o ingresso! Tento fugir ao máximo das exibições 3D, mas dessa vez não foi possível. Infelizmente!

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O QUE ANDEI (RE)LENDO: GRAPHIC NOVEL

Sou da época do gibi em formatinho de papel jornal e preço de banana que tinha em qualquer banca da esquina. Aliás, sou do tempo em que existiam bancas em qualquer esquina! Mesmo com o gibi sendo baratinho, o meu poder aquisitivo não era essas maravilhas todas, então eu me virava como podia para ler. E lia de tudo! O que caía na rede, era peixe! Foi nesse cenário que, lá pelos meus 11-12 anos de idade, tive contato pela primeira vez com a série Graphic Novel da Editora Abril.

Não lembro exatamente como tomei conhecimento dessa coleção (alguém deve ter me emprestado), mas sei com certeza que foi com a primeira edição, a dos X-men! Até então, eu só havia lido o Grandes Heróis Marvel #07 com a Morte da Fênix (comecei bem!) e fiquei abismado quando toquei naquele “gibizão” dos heróis mutantes! Intitulada “O Conflito de uma raça”, a HQ inaugurava uma nova era de publicação de álbuns de luxo da Abril, em formato tipo “Veja”, papel “liso” e cores especiais. Pra quem era acostumado apenas com os formatinhos de cores chapadas, aquela revista representou um salto inimaginável de qualidade visual! Mas… isso tinha um preço! O preço de capa custava os olhos da cara, muito além do que o meu pobre bolso pudesse dar conta! Devorei cada centímetro dos quadrinhos da Graphic Novel #01 e depois, provavelmente, tive que devolver ao cara que me emprestou. Só depois é que consegui a minha própria edição, muito provavelmente através de troca!

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No início dessa coleção, a Editora Abril publicou apenas personagens da Marvel (em sua maioria) e da DC. Só depois é que diversificou para quadrinhos europeus e afins! A série fez tanto sucesso que, mais tarde, a editora resolveu criar uma coleção apenas com os heróis da Marvel, intitulada, claro, de Graphic Marvel! Mas isso é assunto para outro momento…

Como eu disse, na minha fase de moleque, eu lia de tudo e lia o que caísse na minha mão (ainda faço isso hoje em dia…)! Não tinha uma preocupação em colecionar os números em sequência das revistas. Ia guardando o que aparecia. E foi assim com a Graphic Novel. Até pouco tempo atrás, eu tinha somente as edições com HQs de super-heróis. Daí, comecei a pegar outros números para ver se as histórias prestavam e resolvi de vez fechar a coleção! Agora, deve faltar apenas uns sete números pra fechar tudo! Mas como nasci de sete meses, tive a ideia de (re)ler pela primeira vez em ordem numérica, mesmo com a coleção ainda incompleta (e o que é que tem, né?)!

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A primeira edição, como já mencionei, é dedicada aos X-men e me surpreendeu quando moleque, não apenas pelo “luxo” da revista, mas pela história pé no chão dos mutantes.

O segundo número só consegui um pouco depois. Eu já conhecia a arte do Bill Sienkiewicz do encadernado da Elektra Assassina. Aliás, ganhei esse encadernado de um amigo adulto, casado e pai de família, porque ele comprou a revista e não gostou dos desenhos “feios”! Aliás, ele me deu os encadernados do Skreemer e do Cavaleiro das Trevas pelo mesmo motivo! Mas depois eu conto essa história em detalhes! Obviamente, gostei bem mais da arte do Sienkiewicz do que esse meu amigo e fiquei muito feliz de poder ler mais coisas desse grande artista na Graphic Novel!

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O terceiro número é uma declaração de amor do Jim Starlin ao Capitão Marvel e às HQs cósmicas. Confesso que, ao reler essa edição nessa semana, novamente escorreu uma lágrima! Que bela história! E o Capitão Marvel continua sendo o único personagem de gibi que “ainda” não voltou da morte. Não que eu saiba! Mas já deve ter voltado em alguma fase “Nova Totalmente Fabulosa Novamente Excelsiorsamente Marvel” que saiu por aí e eu não li (e nem vou ler…).

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Falei em declaração de amor? Pois é essa a sensação que o Bernie Wrightson também passa na edição quatro da série, ao retratar magnificamente uma aventura de fantasia com o bom e velho cabeça de teia. Fazia tempo que eu não tirava essa edição do “saco”, acho que uns bons 15 anos! Já tinha na minha memória afetiva a bela arte do Wrightson, mas quando comecei a reler, passei uns bons momentos parado só babando em algumas páginas duplas da revista. Só vendo pra entender! Um espetáculo de arte!

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Por fim, a primeira Graphic Novel dedicada a um personagem da DC. E já vem arrebentando tudo com “Batman: A Piada Mortal”! A última vez que reli essa HQ foi com o encadernado da Panini que trazia as cores refeitas pelo Brian Bolland numa paleta mais fria. Foi interessante rever a arte do Bolland com a paleta mais quente originalmente impressa! Apesar da história sensacional, esse número destoa do restante da coleção por ser em formato americano. Para um colecionador mais chato (já fui!), fica esquisito quando colocada junto às demais. Outra que destoou foi a do Surfista Prateado do Moebius, também em formato americano.

Pois é isso, amiguinho! Um pequeno texto de impressões (não guia de leitura e nem review) e lembranças nostálgicas e afetivas. Depois escrevo sobre as edições 06 à 10. Espero que tenha curtido!

As capas aqui presentes foram retiradas do site Guia dos Quadrinhos. Dá um pulo lá!

Dicas Ilustradas: ANINA

Zapeando pela Netflix (como sempre!), descobri mais uma pequena pérola animada, o filme ANINA. Nunca tinha ouvido falar dessa produção espanhola antes de encontrá-lo no meio do catálogo do streaming. Aliás, nem tenho certeza se é da Espanha (deduzi isso pelo idioma principal da dublagem)! Mas pouco importa também! Parece-me, inclusive, que se trata de uma adaptação de um livro infantil. Depois vou atrás de buscar algo mais a respeito das origens dessa obra. Por enquanto, o que me interessou logo de cara foi o estilo da ilustração. E é sobre isso que vou falar nesse “Dicas Ilustradas”.

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Falando um pouco do enredo, o filme conta a história da pequena Anina, que tem dificuldade em lidar com o seu próprio nome por se tratar de um palíndromo, que são palavras que podem ser lidas do mesmo jeito nos dois sentidos, de trás pra frente, de frente pra trás, vice-versa, simultaneamente e concomitantemente… Tá, você já entendeu, eu sei! O nome da menina é resultado de uma obsessão do seu pai por palíndromos. Se você, assim como eu, tem um nome um “pouco” diferente, deve imaginar o que a menina passa na escola de zoação entre os amiguinhos. E é justamente durante uma confusão com o seu nome, que Anina se mete em uma tremenda encrenca com a valentona da escola e vai parar na diretoria. O que se segue, é uma série de questionamentos sobre bullyng, sobre pontos de vista (colocar-se no lugar do outro antes julgá-lo) e, claro, sobre coisas da vida que vão e vêm, assim como o nome da protagonista. Uma bela história de aprendizado na infância!

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Sobre o estilo da ilustração, o filme mostra uma animação gerada por computador, mas que emula uma estética cheia de texturas que lembram muito técnicas de pintura à seco como lápis de cor, giz ou pastel. O traço é bem estilizado, com construções de personagens baseadas em formas mais geometrizadas como círculos, retângulos, quadrados, e uma perspectiva mais distorcida para os cenários, com linhas esguias e sinuosas. E as cores? Que bela paleta de cores quebradas e dessaturadas! Os cenários são sempre representados com cores mais sóbrias (marrons quentes e frios, verdes “musgo”, sépias, ocres), ao passo que os personagens são mostrados com cores um pouco mais vibrantes e saturadas (laranjas, vermelhos, azuis), o que gera um contraste sensacional! Juntando todos esses elementos de linha visual, você tem a sensação de estar assistindo a um livro ilustrado em movimento!

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Para assistir ao trailer, basta clicar aqui. E para ver o filme inteiro, é só acessar a sua Netflix!

Vi na Netflix: Legion

Ok, vi apenas o primeiro episódio! Ainda não tenho uma opinião formada sobre a série Legion que acabou de entrar no catálogo da Netflix e nem pretendo formá-la ou expor-la aqui neste texto! O que posso dizer, apenas como um bom bate-papo de beira de calçada entre amigos, é que o episódio começa muito bem, com umas pirações que te deixam grudado na tela com medo de piscar, perder algum detalhe e, depois, não entender o contexto daquela trama aparentemente complexa! Eu falei “aparentemente”? Pois é! Do meio pro fim, quando as peças do quebra cabeça vão se encaixando, você percebe que a trama é rasa e aquela loucura toda do começo foi apenas pirotecnia narrativa para esconder a falta de complexidade do enredo! Em suma, o episódio tenta parecer uma ferrari quando, na verdade, não passa de um chevette! Depois que se constata que a história é tão rasa quanto piscina pra criança, coisas que não incomodavam tanto, passam a incomodar demais, como o “cabelinho descolado” e milimetricamente assanhado com laquê do protagonista. Nada mais adequado para alguém que está em um hospício, correto? Coisas típicas de séries juvenis americanas… Mas enfim! Deu preguiça de prosseguir para o segundo episódio, mas vou tentar mais tarde!

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Mas vamos falar de coisa boa agora? As referências? Para quem não sabe, David Haller – o Legião – é o filho do Professor Charles Xavier com a embaixadora de Israel Gabrielle Haller. Os dois se conheceram quando jovens, na mesma ocasião em que o Xavier conheceu um tal de Erik Magnus Lehnsherr (aquele que viria a se tornar o Magneto). Na época, Gabrielle era apenas uma enfermeira e estava envolvida numa trama com o nefasto líder da Hidra, o Barão Wolfgang von Strucker, e acaba sendo sequestrada pelo vilão. Xavier e Magnus partem para o resgaste e o futuro líder dos X-men acaba se apaixonando pela bela enfermeira, o que resulta (sem que ele saiba) no David Haller! Parece óbvio que essa trama toda não será abordada na série, mas vale a pena conferir! A HQ escrita pelo Chris Claremont e desenhada por Dave Cockrum foi publicada em Uncanny X-men #161, bem no meio da Saga da Ninhada, e saiu no Brasil na saudosa Superaventuras Marvel #66, da Editora Abril.

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Só ficamos sabendo que o Xavier tinha um filho, inclusive ele próprio, anos mais tarde na edição de número 26 de The New Mutants, também escrita por Chris Claremont e soberbamente ilustrada, com diversas experimentações visuais e narrativas, por Bill Sienkiewicz! Aqui, saiu em O Incrível Hulk #79. Por se tratar do filho do maior telepata do mundo, era de se imaginar que David Haller seria um mutante de igual potencial. E, de fato, é o que acontece. David sofre de múltiplas personalidades e cada uma apresenta um poder diferente, que vai desde à telepatia e telecinese, até manipulação da realidade! E, pior, todas elas brigam para ver quem domina o corpo do jovem rapaz! Podia piorar? Sim! Nem todas as personalidades são boazinhas! Agora imagine o estrago! Aliás, não precisa imaginar! Corra atrás dos sebos para ver se encontra as edições antigas do Hulk da Editora Abril ou compre o encadernado em capa dura da Panini “Os Novos Mutantes: Entre a Luz e a Escuridão”. Esse encadernado traz o início da fase desenhada pelo Sienkiewicz, que vale muito a pena, mas não tem a história do Legião! Fica para um volume dois… talvez!

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As capas aqui apresentadas foram colhidas no sensacional site Guia dos Quadrinhos. Se você ainda não conhece, dá uma conferida!

Passo-a-passo: Chapeuzinho Vermelho entra na floresta

Uma das dúvidas que mais me deparo em sala de aula a respeito de ilustração digital é em relação aos pincéis (ou brushes), mais especificamente, quais os pincéis “certos” para fazer as ilustras e onde baixar outras opções. Ora, qualquer que seja o software utilizado, certamente este já apresentará uma infinidade de possibilidades. E você ainda precisa de mais? A meu ver, mais do que querer descobrir quais os pincéis “certos”, o que ainda existe é uma visão errônea de que ilustrar por meios digitais será mais rápido e “fácil”, beirando ao toque mágico e automático de um botão e… puf!… lá está a ilustração pronta! Não é bem assim, pequeno padawan! Assim como na vida real (de papel e lápis na mão!), no digital, você também precisa treinar bastante para poder dominar as ferramentas do software e estudar técnicas tradicionais. Entender qual exatamente é o seu propósito, já vai ajudar a estabelecer um norte na sua prática. No mais, entenda que na tela do computador o processo é muito parecido como na vida real, você também vai lidar com papel e lápis, e caneta, e pincél, e bico de pena… só que virtual!

Dito isso, vamos ao nosso passo-a-passo da vez! A cena que ilustrei é o exato momento em que a Chapeuzinho Vermelho adentrou a floresta toda serelepe, feliz e saltitante, desconhecendo o perigo pelo qual estava correndo! Naturalmente que antes desse esboço, eu já havia planejado a cena em um rafe (ou thumbnail) e já sabia o que queria fazer antes de criar a primeira camada.

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PASSO 01: O ESBOÇO – Se você quiser bancar o ninja e fazer todas as etapas da ilustra numa única camada, vai em frente! Também é válido para o aprendizado! Aliás, tudo é válido! Só ficar parado é que não é! Afinal, no papel não existem camadas, não é mesmo? Porém, aqui eu dividi tudo em camadas. A primeira, claro, é reservada ao esboço. Procure pela aba dos “pincéis de mídia à seco”. Você encontrará os pincéis que simulam o traçado do lápis. Particularmente, prefiro utilizar as opções de “lápis de carvão”, cujos traços parecem mais de grafite do que os próprios lápis! Mas vá testando até encontrar o seu preferido!

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PASSO 02: A ARTE-FINAL – Aqui, não tem mistério! É nanquim no papel! Ou na tela! Como eu queria um traçado forte e, por vezes, interrompido, utilizei os “pincéis redondos com tamanhos variados”. Fui mudando o pincél de acordo com a área que estava finalizando, pontas maiores para o primeiro plano e pontas menores para os planos mais afastados. E a mudança de pressão da mão sobre a caneta óptica também influencia na variação dos traçados.

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PASSO 03: CORES-BASE – Pra variar, assim como na “vida real”, no virtual também procure começar a pintura do geral para o específico, separando em camadas cada uma dessas etapas. Aqui utilizei os “pincéis naturais” que, como o próprio nome denota, deixam transparecer uma naturalidade nas pinceladas (você “enxerga” a trajetória das cerdas). Ajuda também se você…

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…modificar a textura do papel! Sim, isso é possível! Basta procurar na aba “configurações do pincel” e, em seguida, marcar a opção “textura”. Depois, clique no “quadradinho” com a textura e escolha a sua opção. Tem vários tipos de “papeis” e o que você escolher, aparecerão as “fibras” na pintura!

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PASSO 04: A PINTURA – Agora é diversão a valer! O que vai contar na hora da pintura não e tanto o seu conhecimento do software ou dos pincéis, mas o conhecimento de… pintura! O propósito é criar a ilusão de peso e volume, luz e sombras, através das cores! A ideia para essa ilustra foi criar um clima assustador para a floresta, em contraste com a felicidade da menina desavisada! Daí as cores mais densas!

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Em alguns momentos, fui adicionando fachos de luz pra poder “enxergar” melhor o cenário e separar um pouco os planos de visão. Em seguida…

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…Preenchi com toda a carga de sombra que a ilustra pedia!

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PASSO 05 – A ILUMINAÇÃO – Geralmente a iluminação é a última etapa de uma pintura. É ela que vai criar o contraponto às sombras e gerar a ilusão de profundidade (nesse caso!). Depois da iluminação, criei uma camada nova apenas para a pintura da Chapeuzinho Vermelho. Aqui dei uma de ninja e pintei toda a menina nessa única camada! Podia não ter dado certo, mas como eu já havia estabelecido toda a paleta do cenário, ficou mais fácil na hora de pintar a Chapeuzinho.

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PASSO 06 – TRATAMENTO DE IMAGEM – Fala-se muito do termo “tratamento da fotografia da imagem” quando nos referimos, geralmente, ao cinema. Mas na ilustra isso também existe! Basicamente, é um tratamento final nas cores com o propósito de criar uma homogeneidade na paleta a fim de provocar uma determinada sensação psicológica na imagem. Nessa ilustra, utilizei um “filtro de foto” (encontrado na base da aba de “camadas”, clicando no círculo com meia-lua “preta e branca”) na cor azul para tirar o brilho da paleta verde-musgo-amarronzado e deixar a composição mais fria e dessaturada, o que provavelmente contribuiu para aumentar o clima soturno e amedrontador da floresta em contraste à carinha de felicidade inocente da Chapeuzinho!

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PASSO 07 – FINISH! – Resolvi eliminar os contornos do cenário e… voilá! Tal qual os acidentes felizes da vida real (como quando a gente derruba tinta no papel sem querer e cria uma mancha espetacular!), o efeito ficou bem melhor do que quando haviam os contornos! Então… mesmo com o Ctrl+Z à sua disposição, permita-se experimentar e não tenha medo de errar! Fuce bastante, modifique bastante os pincéis e se divirta!

 

 

O que andei lendo em outubro de 2017

Fazia tempo que eu não publicava as dicas de leitura. Mas tem um motivo pra isso: aquela história de ficar contando as páginas lidas por mês acabou deixando a leitura muito engessada e menos divertida. Então parei de contar e, por conta disso, catalogar o que ia lendo. Ou seja, voltei à programação normal!

Agora, só de vez em quando é que vou publicar algo, principalmente se tiver alguma coisa pertinente para falar sobre alguma obra. Nem sempre serão palavras elogiosas, como é o caso da série “X-men ‘92”!

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Quando soube do lançamento dessa série nos EUA, fiquei muito empolgado em ler, fã que sou dos heróis mutantes e da animação. Concluída a publicação aqui no Brasil (em três encadernados), a conclusão a que cheguei foi que a Marvel perdeu uma ótima oportunidade de fazer uma série, senão memorável, pelo menos prazerosa de se ler.

O que tornou a série animada memorável foi o fato de ter um elenco enxuto. Mesmo com diversas participações especiais, todo mundo sabia quem eram os X-men “oficiais”. Outro ponto positivo foram as histórias contidas em apenas um episódio. Quando muito, uma trama se estendia por dois, no máximo, quatro episódios (casos da Saga da Terra Selvagem e da Saga da Fênix). Por fim, as adaptações, também enxutas, das principais sagas dos quadrinhos e a interação “interpessoal” entre os personagens foram pontos positivos da animação.

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Os roteiristas do gibi parecem não ter captado o espírito da coisa. Ao invés de captar o melhor que o desenho animado ofereceu, resolveram pegar o “melhor” (#SQN) que os anos 90 mostraram nos quadrinhos! Estão lá a equipe abarrotada de integrantes! É tanta gente, que você acaba se perdendo em muitas partes da história! X-men, Geração X, X-Factor, X-Force, X-Ninhada (não me pergunte…), misturados com outra penca de mutantes descartáveis criados na fase do Grant Morrison! Aos desenhistas, coube a tarefa de representar caras e caretas infantilóides, como se precisassem disso para dizer que a série é baseada em uma animação.

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Quanto às tramas… também o pior dos anos 90 dos gibis! Lembra daquela pataquada de Upstarts, que eram um grupo formado por um tal de GameMaster para ganhar pontos caçando mutantes? Pois é! Nem eu lembrava dessa baboseira! Mas aqui, é a trama principal que permeia toda a série. O que ainda escapa é um ou outro momento com alguns episódios com vampiros. E nem vou falar do primeiro volume que, relacionado às Guerras Secretas, mostra um embate requentado com a Cassandra Nova (sim, a irmã gêmea do Xavier!). Se quiser saber mais sobre o primeiro volume, falei sobre isso aqui!

Como não só de nostalgia vive o leitor, a série foi cancelada! Na minha opinião, deveriam ter se inspirado em outra adaptação de animação para os gibis: Batman – Gotham Adventures. As histórias dessa série seguem totalmente a cartilha do desenho animado, com tramas episódicas, concisas, com um traço limpo, bonito, cartunesco, mas sem deixar os personagens abobados. Em muitas ocasiões, confesso que confundo em minha memória se algum episódio eu li ou assisti, de tão bons que são! Quem quiser dar uma lida, saiu por aqui em formatinho pela Editora Abril com o título “Batman: Gotham”!

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É uma pena que “X-men ’92” tenha ficado do jeito que ficou! Para quem é fã dos heróis mutantes, realmente está faltando uma série “fechada” e sem tantas pretensões, apenas a de contar boas histórias. Agora é esperar pela “X-men Grand Design” e ver no que dá!

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Agradecimentos ao site Guia dos Quadrinhos, de onde tirei a maioria das capas aqui expostas. =)

Passo-a-passo: A Pequena Sereia e a Bruxa do Mar

Não sei se você sabe, mas no curso de Design Gráfico do Centro Universitário Estácio do Ceará temos uma disciplina de Ilustração no terceiro semestre, na qual costumo fazer algumas demonstrações para os alunos quando chegamos no tema “materiais e técnicas”. O passo-a-passo a seguir foi produzido durante as aulas e mostro a criação de uma ilustração com técnica mista para A Pequena Sereia.

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PASSO 01: O RAFE – No início do semestre, os alunos recebem um texto clássico para produzir as ilustrações que comporão o portfólio da primeira avaliação. Como a brincadeira aqui não é de “casa de ferreiro, espeto de pau”, também sigo as mesmas orientações passadas em sala. Assim, após a decupagem do texto, fiz o rafe de dois trechos que escolhi para serem ilustrados. Comecei com a cena do encontro da Pequena Sereia com a Bruxa do Mar.

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PASSO 02: O ESBOÇO – O traço foi feito com lapiseira 0,3mm e grafite 2H sobre papel algodão. O original está bem mais claro que este, já que dei uma escurecida no Photoshop pra ficar melhor de enxergar! O motivo do traço bem claro é simples: como a base do acabamento será com Aquarela, a ideia é que o lápis interfira pouco no resultado final.

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PASSO 03: OS CONTORNOS – Geralmente gosto de fazer os contornos por último, depois da última pincelada de cores (e se tiver necessidade!). Mas já que o propósito aqui é sair da zona de conforto, fiz o contorno antes com canetinhas e “matizei” algumas áreas de cinza com canetas marcadores. O propósito desse cinza é quebrar um pouco a saturação da cor na hora da pintura. Esses contornos também podem ser feitos com lápis de cor secos. Se usar aquareláveis, recomendo deixar por último mesmo pra não danificar com a água na hora da pintura.

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PASSO 04: A TEXTURA – “Sujei” a ilustra com areia molhada pra criar algumas texturas e esse efeito de… sujeira mesmo! Pode ser feito com café ou qualquer outro meio que gere sujeira! Além disso, não dá pra enxergar, mas fiz alguns “sulcos” no papel com objetos pontiagudos e esfreguei vela pelo papel todo!

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PASSO 05: A COR – Aqui já dá pra ver o resultado dos sulcos e da vela sobre o papel. A pintura fica mais irregular (já que estamos no fundo do mar…). A pintura feita com tinta Aquarela ainda não tem contraste (está “lavada”, sem trocadilhos!).

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PASSO 06: CONTRASTE – Acrescentei as sombras e valorizei mais a linhas dos contornos que haviam sido cobertos. Com uma caneta posca branca adicionei as linhas de brilho mais espessas e, com uma caneta gel branca, iluminei as escamas da Bruxa do Mar. Ainda assim, após escanear, dupliquei a camada e coloquei no modo “Multiplicação” do Photoshop para deixar as áreas escuras ainda mais contrastantes. Como trata-se de uma ilustração analógica, a ideia é interferir o menos possível no computador (não que seja proibido, nem nada!).

Este é o resultado! Inté a próxima!

O que andei lendo em abril de 2017

Este mês de abril foi puxado. Tivemos a Bienal do Livro de Fortaleza e nos dias em que eu não estava dando aula, estava no estande da Editora Senac divulgando a terceira edição do meu livro de Quadrinhos. E também foi mês de provas. E também tive todas as outras atribuições “normais” do dia-a-dia. E cansaço. Muito cansaço! Por isso, o saldo de leitura caiu um pouco, pra 1.136 páginas! Foi mais para um relaxamento no meio da correria do que pra qualquer outra coisa. Por isso a predominância de Batman Eterno na lista, com edições curtinhas e leituras de bate-pronto!

Batman Eterno Zero

Desde “A Noite das Corujas” que não lia uma história do Batman e retornei agora com essa edição “zero” da coleção “Eterno”. E o meu pensamento continuou o mesmo: o Cavaleiro das Trevas foi um dos poucos, senão o único, que não sofreu grandes mudanças com “Os Novos 52”. Isso quer dizer que o personagem continua muito divertido de se ler, mesmo que esse início de Batman Eterno não diga muita coisa sobre do que trata o enredo. Mas isso é bom! Fiquei instigado a ler as outras 52 edições.

Novíssimos X-men – X-men de ontem

Tento fugir, tento escapar, mas não tem jeito: gosto muito dos X-men. Meus queridos heróis mutantes vêm sendo muito maltratados com enredos péssimos ao longo dos anos, apenas com algumas exceções (entenda Grant Morrison e Joss Whedon). Depois de ler o encadernado de “A Batalha do Átomo”, resolvi dar uma chance para as histórias anteriores e comprei “X-men de ontem” (por um precinho camarada na Amazon, claro!). O Brian Michael Bendis é interessante. Não sei exatamente o que pensar sobre ele. Ele tem uma capacidade de nos ludibriar com seus enredos que nos faz achar que as histórias são boas. Ou então estamos tão saturados de histórias ruins e confusas, que basta pegar um enredo “arroz com feijão” com diálogos certinhos, que já vamos nos divertindo. E o Bendis faz exatamente isso. As ideias dele até que são boas e o cara não tenta inventar a roda a cada novo trabalho que pega para escrever. Simplesmente pega aquele arroz, o feijão, faz um temperinho bacana e coloca no prato. É assim que vejo essa fase “Nova Marvel” dos X-men. Frente ao que vinha sendo mostrado, já é um bom começo.

Batman Eterno #01

Gosto dessas histórias que começam no meio do caminho e, a partir daí, a trama começa a deslanchar. Aqui, o Comissário Gordon e o Batman estão no meio de um ataque da gangue do Porko e o que acontece em decorrência disso dá as pistas do que será desenvolvido ao longo da série. Gostei bastante! Os desenhos do desconhecido (pelo menos pra mim…) Jason Fabok lembram um pouco o traço do Phil Jimenez (que é “cria” do George Pérez…). O traço fica um pouco engessado em algumas cenas, mas nada que comprometa a diversão.

Batman Eterno #02

As consequências da primeira edição começam a tomar forma aqui. Nesse ponto, a trama lembra muito o que Jeph Loeb fez em “O Longo Dia das Bruxas” e “Vitória Sombria”, principalmente pela revelação no final da edição de quem aparentemente está por trás dos acontecimentos. Ou seja, temos a impressão de estar começando a ler uma longa novela do Homem Morcego. E isso é ótimo! O traço de Jason Fabok ainda está um pouco engessado, mas já começa a ficar mais relaxado.

Batman Eterno #03

O cerco começa a se fechar para o Homem Morcego. É interessante ver um Batman que, apesar de ter “olhos” na cidade inteira, está completamente perdido sobre o que realmente está acontecendo. Igualmente perdidos estão os policiais. Ao final da edição, também ficam de mãos atadas! Quanto ao traço, Jason Fabok parece estar mais à vontade. Ah, não posso deixar de mencionar a aparição de Stephanie Brown, uma das personagens que mais gostei na antiga revista do Robin “Tim Drake”. Não sei dizer se esta é a sua estreia nos Novos 52, mas é bom vê-la de novo. E se a Stephanie aparece, é lógico que o seu pai também dá as caras e já começo a entender qual o seu papel na trama (vislumbres disso foram mostrados na edição zero).

Batman Eterno #04

Temos uma mudança muito bem-vinda de desenhista nesta edição. Imagino que seja uma espécie de rodízio para uma série dessa estirpe. Já conheço o traço do Dustin Nguyen de outros quadrinhos e posso dizer que muito me agrada esse desenho mais estilizado e limpo. Apesar de usar bastante sombra em alguns momentos, o traço do Dustin é baseado em auto contraste e quase não utiliza hachuras. E isso é ótimo! Traço limpo e agradável! Basta comparar com o desenhista da capa pra entender o que estou falando.

Batman Eterno #05

Neste número também há um novo desenhista, Andy Clarke. Esse nome não me é estranho! Estranhas são algumas expressões dos personagens. Mas compromete tanto. O que fica meio difícil de engolir são as coincidências de encontro de personagens no bairro Narrows.

Novíssimos X-men – Criando Raízes

O roteirista Brian Michael Bendis continha escrevendo o seu arroz com feijão. Se a gente tem a impressão de que as histórias dele sempre começam em lugar algum e chegam a lugar nenhum, pelo menos há uma consistência no elenco (dá pra saber quem é quem), mesmo que a Tempestade apareça do nada com o seu visual moicano! Bateu uma nostalgia ao ver os robôs Sentinelas, mesmo que na Sala de Perigo. E também de ver a Mística e o Dentes de Sabre sendo o que são: vilões! Não gosto muito da tal Lady Mental, mas é o que temos pra hoje! Quanto aos desenhos, continuam um deleite visual!

Batman Eterno #06

Entra um novo desenhista na equipe, o Trevor McCarthy. Gostei! Traço obscuro, mas objetivo. Quanto à trama, novos mistérios vão entrando em cena e começamos a constatar que o perigo não está apenas na figura do Falcone. Muita boa a aparição do Jim Corrigan (vulgo Espectro). Gosto desse lado “mágico” da DC. Vamos ver no que dá!

Novíssimos X-men – Deslocados

Os enredos criados pelo Brian Bendis não são a sétima maravilha do mundo, mas entretêm por serem redondinhos e não terem a pretensão de ser um best seller. É interessante como as tramas são pensadas para colocar os personagens em conflito com os X-men Originais, como quando o Scott novo encontra o irmão Alex velho ou quando a Jean Grey encontra a filha do Mestre Mental. Mas essa edição também mostra os absurdos da Marvel. Os X-men esbarram em outra (?) equipe de Vingadores (justamente a liderada pelo Destrutor). Os Vingadores agem como se fosse a primeira vez, mas metade dos membros já haviam visitado a mansão nas histórias anteriores. E como assim “outra” equipe com os onipresentes Capitão América e Thor?! Nos tempos de Vingadores da Costa Oeste pelo menos haviam membros distintos em cada equipe. Sinal dos tempos…

Casanova Avaritia

Eu não sabia nada sobre Casanova. Apenas o que as imagens das capas me levaram a deduzir, de que seria alguma série noir de algum ladrão charmoso. O preço nada convidativo não despertava maiores interesses na compra, fora um nome que vinha na capa: Gabriel Bá. Então, quando este volume apareceu em promoção na Amazon, não pensei duas vezes! Comprei só por causa do desenhista. E qual a minha surpresa ao ver que se tratava de uma série de ficção científica misturada com noir e com muita maluquice psicodélica espaço-temporal! Só coisas que gosto bastante. E os desenhos? Que coisa mais linda! Já mencionei várias vezes que hoje em dia prefiro mais traços nessa pegada estilizada, tanto para ler quanto para desenhar. E o Gabriel Bá não me decepcionou. O cara faz parecer fácil! Li todo o volume babando! Um ponto negativo é que a Panini em lugar nenhum do encadernado indica que este é o terceiro volume. Isso acontece em várias outras coleções. Nesse caso não teve tanta importância pra mim, já que só comprarei os demais caso estejam em promoção. Mas pra quem coleciona é chato começar a leitura justamente pela conclusão da saga ou precisar fazer uma pesquisa antes de comprar. Basta colocar na capa o número do volume e facilitar a vida na hora de chegar numa banca ou livraria. Nem todo mundo hoje em dia para a vida exclusivamente pra ir a um lugar comprar gibi. Geralmente a pessoa está “passando” por ali e compra o que tiver chegado! Eu, por exemplo, compro alguns gibis e só vou ler algum tempo depois. Resultado: acabei comprando duas edições repetidas do Homem-Animal porque não lembrava da capa e os encadernados não têm o número do volume!

Batman Eterno #07

A queda do Pinguim acontece com cenas um tanto quanto confusas. Incomoda também as poses “ginecológicas” atribuídas à Mulher-Gato. Ela sempre teve como apelo a sua sensualidade, mas de uns tempos pra cá os desenhistas têm exagerado nos ângulos despropositadas.

Batman Eterno #08

O Batman aperta o cerco contra a bandidagem pra mostrar quem é que manda na cidade. Destaque para o traço Guillem March e as cores suaves de Tomeu Morey. O traço lembra vários outros desenhistas, mas o mais marcante é Joe Kubert por conta das hachuras mais firmes.

Batman Eterno #09

Foi só elogiar o tal de Guillem March, que o sujeito me vem com uma pose “ginecológica” da Mulher-Gato logo na página de abertura da história. Uma pena! Sem contar que esse uniforme de plástico da Selina Kyle é feio pra baralho! Tirando isso, é legal ver os caras usando os personagens da Corporação Batman. Só é um pouco estranho não estar nas mãos do Grant Morrison, mas diverte também.

Batman Eterno #10

Vamos falar novamente da Mulher-Gato! E dessa vez logo na capa! Será possível que não tenha uma criatura que consiga desenhar esse uniforme de plástico sem ficar esquisito. Me perdoe, mas parece uma camisinha gigante!!!! E não vou nem falar da pose! Cadê o Andy Kubert, que vinha sendo usado como capista? Pelo menos o Riccardo Burchielli consegue imprimir um traço com mais personalidade no miolo, embora logo de cara nos apareça com a Mulher-Gato amarrada numa cadeira com as pernas abertas apontando para direções extremamente opostas!

Batman Eterno #11

Vamos falar da BatGirl dessa vez! Que capa é essa, rapaz? É uma luta ou um relacionamento íntimo lésbico? Qual a necessidade dessa “abertura” de pernas da Bárbara? Sem contar com esse uniforme horrível a la “novos 52” cheio de detalhes que não dizem nada e que devem ser o pesadelo dos desenhistas! Pelo menos o Iam Bertram mostra um traço extremamente estilizado no miolo. Já mencionei que prefiro traços deste naipe hoje em dia. Alguns podem achar feio, mas essa pegada meio Frank Quitely me agrada mais do que os traços “realistas”. Aqui, mesmo sendo cheio de hachuras, você consegue entender o que está desenhado.

Força Psi #02

A HQ da Força Psi começa a ficar interessante ao mostrar questionamentos acerca do “recrutamento” que cria uma certa expectativa para os próximos capítulos. Essa pegada “Novos Mutantes” também agrada! Apesar disso, Estigma continua sendo a HQ mais divertida. O enredo não é uma sétima maravilha do mundo, mas o traço do Romita Jr. deixa tudo mais agradável de ler. Quem demonstra potencial é o Máscara Noturna, uma espécie de “Sandman” do Novo Universo, mesmo com um início um pouco confuso. Vamos ver no que dá!

Coleção História Marvel – Os Defensores – Volume 03

O Namor não é um personagem fácil de se gostar e, imagino, igualmente difícil de escrever. Sua arrogância e petulância podem afugentar os leitores. Por outro lado, sua nobreza, coragem e determinação, são valores que o tornam um personagem intrigante. Nesse volume dedicado ao Príncipe Submarino, vemos um Namor preocupado com o destino do seu povo, ao mesmo tempo em que tenta se desvencilhar de ameaças que, em alguns momentos, o deixam até indefeso. O belo traço do sempre competente John Buscema, aliado aos roteiros certeiros do não menos experiente Roy Thomas, proporcionam grandes momentos e encontros com personagens e inimigos clássicos, como Triton dos Inumanos e Lorde Attuma. Tem até a origem de um outro adversário que gosto muito, o Tubarão Tigre.

Mês que vem tem mais!

O que andei lendo em março de 2017

E chegou ao fim o primeiro trimestre do ano! E como já está virando tradição, eis a lista do que andei lendo no mês de março. Algumas pessoas me perguntaram por que não tem tantos livros. A resposta é simples: uma das “regras” da brincadeira é postar apenas o que comecei e terminei a ler durante o mês. Leio por volta de dez livros simultaneamente (entre pesquisas, estudos e diversão), por isso é difícil coincidir de ler tudo em um único mês. Mas estou pensando em publicar algumas “dicas” de livros mais pra frente. Vamos ver se dá certo! Sem mais delongas, o saldo de leitura desse mês foi de 2.407 páginas! Vamos à lista…

A Espada Selvagem de Conan #73

O Michael Fleisher até que escreve bem. O cara é esforçado, tem boas ideias! No entanto, na hora de colocar essas ideias no papel, ele se perde no meio do caminho e o final de suas histórias sempre passa a sensação de ser apressado demais, como se o enredo fosse esticado além do necessário e faltasse páginas para a conclusão. Apesar dos pesares, é uma boa HQ. Ainda mais por contar com a bela arte de Alfredo Alcala.

A Espada Selvagem de Conan #74

A revista retoma a fase de mercenário do Conan em uma história em que as características do bárbaro de bronze são novamente ignoradas por um roteirista iniciante. Onde já se viu o Conan chamar para si um pupilo? Ainda mais incentivando um jovem agricultor a largar a sua família para seguir a vida de mercenário? Pois é isso o que acontece! Pior: no decorrer da história, Conan e seu pupilo acabam em exércitos diferentes de uma guerra. Nem preciso dizer o que acontece com o pupilo…

Capitã Marvel Vol. 01

Não deve ser fácil escrever histórias de heroínas. Digo isso, porque o gênero é cheio de estereótipos e tentar fugir pode acabar saindo pela culatra. É o caso da Capitã Marvel. Pelo menos da primeira história. O roteiro se preocupa tanto em mostrar uma Carol Danvers independente, empoderada, decidida, que acaba indo pelo contrário e mostrando uma mulher chata, individualista, e até histérica! O enredo começa a melhorar um pouco da segunda história em diante, mas daí o desenho não ajuda muito. A anatomia estranha, as cores carregadas e o papel jornal da HQ dificultam em muito a leitura. Apenas nos dois últimos capítulos, quando muda o desenhista, é que dá pra curtir melhor a trama e seguir até o fim. Não é um recomeço brilhante para a Carol Danvers, mas dá pra sentir vontade de ler os próximos volumes.

Capitã Marvel Vol. 02

Agora, sim, as histórias da Capitã Marvel conseguiram me fisgar. Agora, sim, vi uma personagem forte e com personalidade própria. Ela é teimosa? Sim! Durona? Certamente! Mas também é amável, solidária e sociável (o bate-papo com a pequena vizinha foi de encher o coração!). Sem contar com a participação de outras heroínas das “antigas” (que gosto muito) que enriqueceram ainda mais as histórias: a ex-Capitã Marvel Mônica Rambeau e a Mulher-Aranha Jéssica Drew. Ah, também tem a aparição de uma super-vilã do tempo do “ronca” saída diretamente das saudosas HQs dos X-men da década de 80: a Rapina (nem preciso dizer que também gosto muito dela). O único senão fica por conta dos desenhos das duas primeiras partes. Muito “3 Espiãs Demais” pro meu gosto (basta ver o rosto do “carinha bonito” que aparece pra ajudar as moças). Da terceira parte em diante, entra um desenhista que até tem o traço bem feioso, mas é cheio de estilo e me agrada mais.

Capitã Marvel Vol. 03

Uma dupla corrida contra o tempo para descobrir quem está por trás dos ataques contra a Capitã Marvel e também para tentar impedir o mal que acomete o seu cérebro. Nessa batalha, entram em cena os Vingadores. O resultado? Uma sequência muito divertida de histórias! Já não posso dizer o mesmo da péssima interligação com a saga “Infinito”. Se já é um saco para o leitor ter que interromper o fluxo da história para ser “obrigado” a ler uma interligação com uma saga, imagine pro roteirista. Pelo menos a última história do encadernado compensa essa tortura momentânea, com a Carol Danvers tentando retomar a sua vida “normal” depois de ter suas recordações destruídas.

Pecado Original – Edição Zero

Gosto muito de histórias “cósmicas”, seja da Marvel ou DC. Como também gosto dos personagens cósmicos. Então não foi muito difícil curtir essa edição zero na qual aparecem o Nova e o Vigia. Ainda não sei o porquê das “revelações” mostradas no enredo, mas achei muito divertido rememorar grandes momentos dos gibis Marvel. E tem Mark Waid no roteiro! Isso por si só já é indício de, no mínimo, uma história boa. Mesmo que curtinha como essa.

Pecado Original – 01 de 04

Esta edição que marca o início propriamente dito da saga Pecado Original tem vários elementos que curto bastante do universo Marvel: Os Acéfalos, Doutor Estranho e suas dimensões esquisitas, Os Homens-Toupeira (aqui chamados de “Toupeiroides”…) e o Vigia, claro! Sem contar com a interação entre vários heróis e o clima de investigação policial encabeçado pelo Nick Fury. Trama redondinha (não me importa os desdobramentos da saga nas edições mensais) com arte matadora de Mike Deodato!

Pecado Original – 02 de 04

Esta edição aprofunda a investigação sobre o assassinato do Vigia. Em várias frentes, à propósito. Mas começa a mostrar uma tendência atual das HQs de super-heróis e de suas super-sagas: Os suspeitos são os próprios super-heróis. Isso incomoda demais! Já faz tempo que os heróis se tornaram as ameaças. Toda saga agora os coloca uns contra os outros. E chega a ser ridículo, como em uma cena em que o Doutor Estranho e o Justiceiro encontra o Hulk e o Wolverine e o Logan simplesmente diz “Isto não é o que parece, pessoal!”. E o Doutor Estranho simplesmente aprisiona o Wolverine e o Justiceiro joga uma bomba no Hulk. Eles são o quê? Cegos? Burros? Idiotas? Ou os três? Os roteiristas estão escrevendo os super-heróis de forma tão cínica que ninguém confia em ninguém e não precisam de vilões para enfrentá-los. Eles próprios são os vilões! Saudade dos tempos em que as sagas eram geradas por algum vilão fodástico!

Pecado Original – 03 de 04

E o responsável por toda a bagaça é um vilão cósmico, correto? Errado! É um dos mocinhos! Desse ponto em diante, já liguei o meu botão do “relaxa e termina a leitura” pra não desgostar da história. Apesar dos pesares, a trama é bem engendrada e bem desenhada. Mas é triste ver que faz tempo que os heróis são suas próprias ameaças.

Pecado Original – 04 de 04

E na conclusão da minissérie, temos todo um clima de “Quem matou Odete Roitman”! Como liguei meu botão da descrença na edição anterior, consegui curtir o desfecho. Mesmo que seja mais uma saga que coloca herói contra herói. Os caras viraram a ameaça! Dá até pra ser a favor da Lei de Registro com esse paradigma atual das sagas. Mas enfim… Pecado Original conseguiu ser uma história que dá pra ler apenas na minissérie sem precisar recorrer e milhões de tie-ins para entender o contexto geral, como geralmente ocorre nesse tipo de saga. É um enredo enxuto, bem orquestrado e com desenhos da alta categoria.

Quaisqualigundum

Sou muito fã da pintura do Davi Calil e me tornei fã da “persona” roteirista de Roger Cruz com este álbum. Dá pra “sentir” o cheiro da tinta guache, quase tocar na viscosidade do pastel a óleo e na textura do papel pincelado de aquarela. Não sou muito conhecedor de Adoniran Barbosa, fora as figurinhas tarimbadas de rodas de samba improvisadas em churrascos de fundo de quintal. Mas é impossível não “escutar” a trilha sonora enquanto se lê os contos desse álbum. A sensação é a de estar lendo o lado tupiniquim de Will Eisner. E isso é muito bom! Quero mais!!

Graphic Novel 06 – Homem de Ferro: Crash

Confesso que sempre tive uma certa dificuldade em começar a ler essa revista justamente pela arte altamente tecnológica e avançada gerada por computador (sempre achei meio “diferentona”!). Mas resolvi encarar de frente e… Não é que a história é boa? Senti uma certa nostalgia com o quê de filme futurista produzido na década de 80 que a HQ tem. Parece até o “Tron” do Homem de Ferro (o antigão, não o “Legado”). Sem contar que a história antecipou alguns conceitos desenvolvidos anos depois, como a guerra das armaduras e o Extremis.

X-men ‘92

A ideia de lançar histórias dentro da continuidade do desenho animado de 1992 dos X-men foi excelente. E a capa de traço limpo e consistente já cria uma expectativa nostálgica incrível. O campo das possibilidades é imenso! Imagine voltar a ler HQs dos X-men em que todos os seus inimigos estão vivos e permanecem com suas características originais. Imagine voltar a ter uma equipe enxuta de heróis mutantes na qual sabemos exatamente qual a função de cada personagem na equipe. Pois é! Nada disso acontece nessa edição! Parece que o roteirista “esqueceu” de assistir aos episódios do desenho animado para entender o contexto. Pior: fica tentando emular a animação e deixa tudo muito infantilóide. E ainda se perde nas referências. Não sabe se segue a continuidade do desenho animado ou a cronologia dos gibis da década de 90. Assim, temos o que há de pior nos quadrinhos dessa década: personagens sem carisma e um desenho pra lá de genérico. Pena que o capista não desenhe o miolo, senão pelo menos isso se salvaria. Seria bacana se o roteiro seguisse o mesmo caminho proposto pela adaptação em quadrinhos do desenho do Batman também da década de 90. No gibi, os roteiristas seguiam o mesmo contexto da animação, mas criavam histórias novas sem tentar fazer um novo desenho animado em quadrinhos. No frigir dos ovos, esse especial dos X-men ficou só na promessa da nostalgia mesmo. Veremos o que vem por aí.

X-men Adventures III – 01 de 04

Aproveitei o embalo de X-men ’92 pra ler essa última minissérie que adapta para os quadrinhos os episódios do desenho animado que adaptaram para as telinhas as sagas dos quadrinhos! Ficou confuso? Enfim… Essa primeira edição mostra o que seria o início dos conflitos com Graydon Creed e possivelmente desembocaria na Operação Tolerância Zero. A HQ também apresenta o Mojo. Paralelo a esses acontecimentos, ocorre a Saga da Terra Selvagem. É interessante recordar como essa série animada era boa, mesmo com a sensação de correria nos quadrinhos (não deve ser fácil condensar episódios de 20 minutos em HQs de 20 páginas). E era boa não por seu primor da animação, mas pelo respeito à essência dos personagens. O mesmo respeito que o roteirista dessa minissérie procura colocar nas páginas impressas.

X-men Adventures III – 02 de 04

Neste número temos a conclusão da Saga da Terra Selvagem e uma história que introduz os Carniceiros, inclusive com o retorno dos Morlocks. Mas o melhor fica pro final: o anúncio de que a Saga da Fênix terá início na terceira edição!

X-men Adventures III – 03 de 04

Tem início a Saga da Fênix. É interessante ver condensado em três partes acontecimentos mostrados em, pelo menos, o triplo disso. Só a ida original dos X-men à Estação Starcore são quatro edições (se não me falhe a memória). Isso torna essa edição de X-men Adventures ruim? Não! Só fica um pouco corrida pra quem conhece a saga antiga. Por outro lado, também fica bem enxuta e direta. Vale lembrar que os caras estão adaptando para HQs de 20 páginas os acontecimentos mostrados em episódios de 20 minutos (que também já são adaptados e condensados).

X-men Adventures III – 04 de 04

A derradeira edição desta terceira minissérie dedicada a adaptar o desenho animado dos X-men também é o desfecho da Saga da Fênix. Infelizmente não dá tempo de mostrar os desdobramentos que levariam à Fênix Negra, mas é interessante ler (ou reler) uma versão resumida e condensada da saga original. O final da quarta edição também mostra o destino de Sauron na Terra Selvagem, bem como a introdução da Zaladane e Garokk.

Thanos: Revelação Infinita

Só mesmo o Jim Starlin para conseguir extrair mais alguma coisa do Thanos sem soar forçado. O criador conhece tão bem sua criatura, que consegue produzir uma graphic novel inteira praticamente com um “bate-papo” filosófico entre Thanos e Warlock. E ainda coloca mais de suas experimentações sensoriais ao longo das páginas. O desenho pode não estar em sua melhor forma (há desproporções entre os personagens em diversos momentos), mas ainda é um deleite para os olhos vislumbrar um traço tão limpo e, ao mesmo tempo, tão rico em detalhes. Valeu cada página de leitura e deu vontade de reler os gibis antigos e também o Dreadstar.

Kid Eternidade – Edição de Luxo

“Descobri” o Kid Eternidade numa época em que eu estava alucinadamente atrás de coisas do Grant Morrison pra ler e também atrás de “quadrinhos pintados”. Não lembro exatamente como aconteceu, mas tenho quase certeza de que comprei a minissérie da Metal Pesado em um “pacote promocional”. Só li “Grant Morrison” na capa e já comprei! A arte do Duncan Fegredo vim conhecer quando rasguei o saco plástico! Só tinha um problema… o papel jornal vagabundo das revistas deixava tudo muito escuro e quase incompreensível!!! Então imagine a minha alegria quando a Panini anunciou a republicação da minissérie! Finalmente consegui “enxergar” a bela pintura de Duncan Fegredo em todo o seu esplendor. E a história? Bem… sou suspeito de falar, porque gosto das doideiras do Morrison! Mas essa edição mostra uma narrativa não-linear de acontecimentos de tirar o fôlego. E o melhor: sem gratuidade! Só uma coisa se perdeu com o encadernado… a montagem do rosto do Kid Eternidade que tínhamos ao colocar lado a lado as três capas da minissérie.

O Uso das Cores

Eis um livro bem básico sobre a teoria das cores que pode ser a porta de entrada de quem ainda está engatinhando nesse tema. Uma pena, porque o conteúdo do livro não condiz com a qualidade do trabalho da profissional que o escreveu. Ou criei expectativa demais em cima de uma das melhores e maiores coloristas de quadrinhos do Brasil. Vai saber! O que sei é que o livro tem uma linguagem bem “you tube”, inclusive com algumas opiniões pessoais disfarçadas de “verdades absolutas” acerca do tema (prática bem comum entre os “youtubers”), mas que denota um pouco a falta de aprofundamento na pesquisa. O que é estranho, já que na bibliografia consta alguns dos maiores teóricos da cor já publicados. Ao atirar pra todo lado, a autora deixa de focar na sua especialidade: colorização de quadrinhos. A desculpa para não focar no tema, é que ela não queria fazer “tutoriais” de you tube. Tutorial por tutorial, era melhor ter feito um que abordasse um tema que a autora domina. Ótimos livros de teoria da cor, nós já temos aos montes nas prateleiras. Ótimos livros sobre “Teoria da Cor aplicada aos Quadrinhos”, não. Assim, ela perde uma ótima oportunidade de preencher uma lacuna no mercado nacional. Mas ainda dá tempo!

Coleção Super-Heróis – Volume 03: Capitão América e Lanterna Verde

Essa coleção é simplesmente um deleite nostálgico! Os dossiês “turbinados” que cada volume traz nos leva em uma viagem no tempo que dá vontade de reler todas as edições dos super-heróis! E que viagem ao mundo do Sentinela da Liberdade e do Cavaleiro Esmeralda!

Coleção Histórica Marvel – Os Defensores – Volume 02

Quase sempre me surpreendo ao ler as HQs mais antigas. Foi o caso dessa edição dedicada ao Doutor Estranho. Eu já gostava bastante do traço do Steve Ditko nas histórias do Homem-Aranha e passei a gostar ainda mais ao vislumbrar seus cenários surreais e psicodélicos criados para o Mago Supremo. Porém, o que mais me surpreendeu não foi esse motivo, mas a quantidade de boas ideias desenvolvidas por centímetro quadrado de gibi! É claro que as histórias são datadas, ainda mais se levar em conta o avanço tecnológico. Mas fico de queixo caído ao ler as histórias contextualizando com a situação de época. A equipe da Marvel era pequena e criava um número absurdo de quadrinhos por mês. E o pior – ou melhor – tudo criado do zero! Sim, do zero! O Universo Marvel estava em expansão e os caras simplesmente conseguiam produzir conceitos do zero que são requentados pelos autores de hoje em dia. Está tudo aqui: a personalidade do Doutor Estranho, sua rixa com Dormammu e Barão Mordo, Cléa, os “Sem-Mente” (chamados aqui de Acéfalos) as dimensões “estranhas” e até a primeira aparição de Eternidade, personagem tão comum no elenco das histórias de Thanos produzidas por Jim Starlin.

Homem-Aranha: Negócios de Família

Devo confessar que hesitei um pouco em comprar essa revista devido ao fato de que as HQs atuais do Homem-Aranha não estão do meu agrado. Na verdade, não leio suas histórias desde o final da Ilha das Aranhas. Mas resolvi prestar atenção em quem eram os autores e logo o nome “Mark Waid” me fez mudar de ideia. O enredo não é a sétima maravilha do mundo, mas diverte do início ao fim. A ideia de inserir uma irmã para o Peter é bem bacana e, através desse parentesco, também vamos conhecendo um pouco mais sobre os pais do Cabeça de Teia. Tenho a impressão de que esse assunto é uma espécie de tabu e só lembro de algumas poucas histórias das décadas de 70 e 90 terem abordado-o. Da minha parte, eu leria mais a respeito dos dois! O que também ajuda a deixar essa história divertida é a linda arte de Gabriele Dell’Otto. É inevitável não parar em algumas páginas para apreciar tamanha obra de arte.

Força Psi

Essa é do tempo do “ronca”! Já faz um tempinho que tenho a coleção completa de Força Psi, mas só agora peguei pra ler. Tenho essa mania de deixar algumas HQs antigas guardadas pra quando bater aquela vontade de ler velharias! O Novo Universo surgiu em comemoração aos 25 anos da Marvel e foi a primeira incursão da Casa das Ideias na criação de, claro, novos universos! Depois vieram os Universos 2099 e UItimate. Nessa edição, estreiam três novas séries. De cara, a série do Estigma é a melhor de todas, tanto pelo roteiro enxuto do Jim Shooter, quanto pela arte sempre matadora de John Romita Jr. Não por acaso, quando o Novo Universo acabou, apenas a série do Estigma teve continuidade pelas mãos de nada mais, nada menos que John Byrne. As outras duas séries devo confessar que li meio pra “cumprir tabela”. Principalmente “a” Trovão, uma espécie de versão feminina do Homem de Ferro. A série que dá título à revista, Força Psi, é até um pouco instigante. Difícil não lembrar do Capitão Planeta quando os cinco jovens juntam seus poderes para dar vida ao “Gavião Psíquico”.

Agradecimentos ao pessoal do Guia dos Quadrinhos, Planeta Gibi e Excelsior Comics, de onde peguei algumas capas aqui postadas. =D

Dicas Ilustradas: Máscara da Ilusão

O britânico Dave Mckean é popularmente conhecido como “o cara que fez as capas do Sandman”. Mas ele é mais do que isso. Muito mais! Embora não seja pouca coisa ser capista do Sandman, Mckean também é artista plástico, desenhista, quadrinhista, diretor de arte, designer gráfico, escritor, fotógrafo, músico e ilustrador (dentre outras coisas!). E o mais impressionante é que o cara faz tudo isso bem!

Como quadrinhista, já produziu obras sensacionais, como “Batman: Asilo Arkham”, a graphic novel que mais tarde daria título à franquia de jogos do homem morcego. Sempre ao lado de grandes feras dos roteiros como Grant Morrinson (que escreveu o “Asilo Arkham”), e o seu parceiro de longa data Neil Gaiman.

Foi justamente com Neil Gaiman que Dave Mckean mais colaborou. Nos quadrinhos, a dupla produziu preciosidades como “Orquídea Negra”, “Violent Cases”, “Mr. Punch”, “Sinal e Ruído”… apenas para citar alguns! Essa parceria também foi levada para os livros ilustrados, de onde saiu “Os Lobos dentro das paredes”, “Cabelo doido” e a primeira versão de “Coraline”, em que Mckean fez belíssimas ilustrações com bico de pena, pincel e nanquim.

Diante de tantos trabalhos, o que mais faltava? Dave Mckean em “movimento”, claro! Foi daí que surgiu o filme “Máscara da Ilusão”, com história por Mckean e Gaiman, roteiro de Gaiman e direção de Mckean. Além de um terceiro parceiro na produção, a “Jim Henson Company”, conhecida por criar os Muppets e dar vida às Tartarugas Ninja nos filmes das décadas de 80 e 90.

Máscara da Ilusão é uma espécie de “O que aconteceria se Dave Mckean fizesse a sua versão de Alice no País das Maravilhas?”. O filme conta a história de Helena, uma menina que trabalha no circo, mas que gostaria de ter uma vida comum. Tal qual Alice, ela embarca em uma jornada para uma terra fantástica e precisa encontrar a tal máscara da ilusão para poder voltar pra casa.

Tudo o que caracteriza o trabalho de Dave Mckean está no filme. Seus personagens exóticos e com visual estilizado; os cenários fantásticos (mesmo os do “mundo real”); as cores ora saturadas, ora dessaturadas; as colagens de elementos estranhos; e até a ilustração! A experimentação imagética que é a sua marca nos quadrinhos, livros ilustrados e capas de CD de bandas de rock e heavy metal, estão em cada frame desse filme. Em determinado momento, é até difícil prestar atenção no enredo sem ficar observando cada detalhe do visual.

Para quem ainda não conhece o trabalho do Dave Mckean, o filme Máscara da Ilusão é uma ótima porta de entrada. Depois de subirem os créditos finais, vai ser impossível não querer correr pra livraria!

Para assistir ao trailer, clique aqui.