O QUE ANDEI LENDO: Conan, O Bárbaro

O Conan é um personagem que tem uma história com começo, meio e fim bem estabelecidos pelo seu criador Robert Ervin Howard nos contos que escreveu originalmente na década de 1930! O personagem já foi ladrão, mercenário, soldado, pirata… até se tornar Rei! Com isso, o bárbaro cimério consegue a façanha de ser acessível para qualquer leitor de qualquer época (assim como o Tex, por exemplo), com HQs sem amarras cronológicas que possibilitam ser narrados momentos de qualquer período de sua vida! E quando bem escritas, então, se tornam um deleite! É o que acontece com essa nova série escrita por Jason Aaron!

Jason Aaron não inventa a roda, nem descobre a pólvora! Apenas replica no seu Conan o que já havia feito com o Thor: coloca o cimério para enfrentar uma mesma terrível ameaça ao longo de vários momentos de sua vida, começando aos 17 anos, recém saído da Ciméria, e culminando na velhice, nos últimos resquícios como Rei da Aquilônia! Além de ser uma aventura instigante, bem estruturada e arquitetada, o enredo claramente serve para reapresentar a personalidade e as facetas de Conan aos novos leitores! Para o leitores veteranos, é uma alegria ver um personagem tão querido receber um tratamento tão cuidadoso e zeloso! Dá gosto devorar as novas revistinhas, fininhas que são, e aguardar com ansiedade pela próxima!

Jason Aaron aproveita essa característica atemporal de Conan e brinca com os vários períodos da sua vida, além de demonstrar profundo conhecimento da mitologia do personagem, já que a personalidade do cimério de bronze muda sutilmente de um período a outro. Basta reparar como o Conan é petulante e descuidado quando jovem, mas já cauteloso e sábio quando rei!

A nova série nos faz pensar em como seria se essa característica atemporal também fosse aplicada aos quadrinhos de super-heróis. O Homem-Aranha, por exemplo, teria sido estudante do ensino médio, fotógrafo do Clarim Diário, universitário, namorado da Gwen Stacy, namorado da Mary Jane, teria usado o uniforme negro simbionte, teria sido namorado da Gata Negra, cientista, casado, vingador e pai da Garota Aranha! Daí, cada roteirista escolheria que período da vida do cabeça de teia abordaria em suas histórias. Acabariam as amarras cronológicas e as histórias chatas…

Mais ou menos!

O Conan é acessível, mas nem sempre tem histórias bem escritas, apesar de a média de boas histórias ser maior! Felizmente Jason Aaron está dentro dessa boa média, juntamente com a equipe de arte formada por Mahmud Asrar (desenhos) e Mattew Wilson (cores), além de Esad Ribic nas belas capas! Vale muito a pena acompanhar essa série!

Imagens das capas extraídas do Guia dos Quadrinhos

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