O QUE ANDEI LENDO: X de Espadas!

Antes de começar a falar sobre esta saga, acho importante frisar que li anteriormente somente as edições de 01 à 06 da revista dos “Xis-men” dessa “nova” fase encabeçada pelo roteirista Jonatham Hickman (Quer saber a minha opinião? Clica aqui!), para só então retornar à edição 22 para o início de X de Espadas!

Como ponto positivo, posso afirmar que dá para acompanhar a saga numa boa! A sensação é de não ter perdido nada de importante nas edições anteriores! Se bem que, ao escrever isto agora, talvez nem seja tão positivo assim! Se fiquei com essa sensação, é porque talvez não tenha acontecimento realmente nada de importante de lá até aqui! E isso é preocupante! Pelo menos para quem vem gastando o seu rico dinheirinho desde o começo com os gibis quinzenais!

Outro ponto positivo é quanto ao visual dos personagens! Apesar de ter uma penca de mutantes pululando de todos os lados – o que nos traz uma péssima memória dos Anos 1990 – aqui pelo menos resolveram simplificar os uniformes de todos e até retomar trajes clássicos! Assim, fica fácil identificar quem é quem no rolê! Mesmo assim, todos carecem de um desenvolvimento mais aprofundado, parecendo bem superficiais na grande maioria das vezes! Lemos a “voz” saindo da boca dos personagens, mas não parecem que são eles que falam, já que praticamente todos têm o mesmo jeito de falar (exceção para Wolverine, Senhor Sinistro, Apocalipse e Magia).

Esta fase dos heróis mutantes é superestimada, como já falei antes! É um velho arroz com feijão oriundo dos Anos 1990, mas requentado com um tempero novo para fazer parecer revolucionário aos olhos dos novos leitores! Jonatham Hickman tem essa habilidade! Mas não se engane, leitor das antigas! É tudo mais do mesmo, só que mais bonito e mais bem desenhado! Como exemplo, basta pegar as edições do Wolverine que, logo de cara, cai na mesmíssima ladainha de recorrer a flashbacks do passado do baixinho como ferramenta narrativa! Até parece que só tem essa forma de escrever Wolverine! Mais anos 90 do que isso, impossível! Sobre o design dos gibis que apresentam a todo momento aquelas páginas informativas, posso afirmar que em vários momentos elas só servem para travar o ritmo de leitura! Se eram relevantes nas primeiras quatro edições, aqui apenas atravancam a virada de página! Lá pela edição 4 da saga, já desisti de lê-las e continuei como se nada tivesse acontecido! Não fizeram falta!

Sobre a saga em si, até começa instigante com a invasão dos guerreiros de Arakko aos reinos do Extramundo para poder chegar até Krakoa! Dá vontade de saber como os mutantes lidarão com forças tão destrutivas! E pelo menos no visual, os novos personagens são bem bacanas, já que no desenvolvimento, nada é muito aprofundado! É até intrigante as “profecias” literalmente tiradas de cartas na manga pela regente do Extramundo, Opal Luna Saturnyne, sobre os dez portadores de espadas enigmáticas que deverão duelar pelo destino das realidades! E é somente isso que nos mantêm interessados em prosseguir na leitura! Como eu disse, é apenas uma saga com os vícios dos Anos 1990! Não vá esperando o último biscoito do pacote! A partir daqui, a saga até dá uma tropeçada, com a “inesperada” trégua dos invasores diante da Saturnyne, que os convence a participar do tal duelo de espadas! Com o poderio que eles detêm, não precisariam se sujeitar a isso! Mas tudo bem! Vamos ver até onde isso vai dar!

Nas partes dois e três, vemos os personagens na busca por suas espadas! Achei bem divertido (exceto as histórias do Wolverine, bem enfadonhas)! Pelo menos aqui as páginas informativas foram bem utilizadas, ao mostrar detalhes consistentes das espadas, à medida em que iam aparecendo no decorrer da trama!

Mas é nas partes quatro e cinco que a saga desanda de vez! O fio de credibilidade, que já não era lá tão forte, se parte de vez com um jantar entre todos os duelistas antes do famigerado duelo! Entendo que isso foi necessário para tentar aprofundar um pouco os (muitos) novos personagens, mas foi osso duro de roer chegar até o final dessa pendenga! E quando finalmente começa o duelo com as espadas… falta justamente UM DUELO COM ESPADAS! Se a intenção era mostrar uma pataquada entre os antagonistas, pra que perder tanto tempo mostrando vários personagens procurando por espadas que não usariam? Todas as regras narrativas estabelecidas no começo da saga são jogadas no lixo, com soluções estapafúrdias tiradas do nada pela Saturnyne… ou pelos roteiristas, já que a personagem não tem culpa! E nem vou citar um casamento absurdo que acontece do nada! Assim, temos um duelo pífio que não dá em nada e, no final, a saga se encerra com uma guerra, exatamente como começou, com os vilões voltando a demonstrar todo o poderio sanguinolento do início!

Entre mortos e feridos, foi até divertido retornar à personagens tão queridos (sou muito fã dos Xis-men), mas é latente como todos os vícios dos anos 90 ainda estão lá! Muitos títulos, muitos personagens, zero identidade! Tudo parece muito igual! Nenhum grupo tem identidade própria! Muda o nome da revista (Excalibur, X-Force, Novos Mutantes, X-men…) e parece que estamos lendo a mesma coisa! Tem uma certa coesão nisso tudo, mas uma coesão pro lado ruim! Tudo é mais do mesmo!

VI NO CINEMA: Homem-Aranha – Sem volta pra casa

O Homem-Aranha do Tom Holland sempre foi, pra mim, mais um sidekick do que um herói capaz de superar obstáculos e enfrentar os seus próprios desafios! Sempre amparado por muletas de terceiros, principalmente do Homem de Ferro, até os vilões dos dois primeiros filmes, Abutre e Mysterio, não eram necessariamente inimigos do Cabeça de Teia, mas pessoas que queriam atingir o Tony Stark e acabaram pegando o Teioso no fogo cruzado! Sendo assim, esse “novo” Homem-Aranha nunca me passou a sensação de que seria capaz de resolver as suas próprias tretas!

Mesmo assim, isso não é problema pra mim, já que cada geração precisa ter o seu Homem-Aranha preferido e essa foi a direção que a Marvel escolheu para essa nova versão! Eu não gosto muito, mas sei que é necessária!

Agora, nesse terceiro filme, começo a entender o que a Marvel estava planejando e tiro o meu chapéu para tamanha ousadia. Nós já tínhamos visto no Thanos o nível de paciência com que a Marvel planeja seus enredos! O Titã louco surgiu no primeiro Vingadores para, somente anos depois (e filmes depois) representar uma grande ameaça em Guerra Infinita! Com o Homem-Aranha, a Marvel faz de novo! Nos apresenta um Amigão da Vizinhança totalmente dependente de terceiros e desprovido de responsabilidade para, no terceiro filme, finalmente jogar uma luz no fim do túnel de que o Homem-Aranha “raiz” aparecerá no futuro! Tudo isso em um filme divertido, empolgante e muito, mas muito emotivo!

Entretanto, os problemas ainda estão lá! O Homem-Aranha do Tom Holland ainda usa muletas de terceiros (e que muletas!), já que dessa vez nem os vilões são surgidos em seu próprio filme! A história, aliás, é toda pautada em fatos passados em filmes anteriores, tanto da Era Marvel, quanto da Sony! As cenas de ação também são passáveis e genéricas, com muita coisa acontecendo à noite, o que deixa tudo muito confuso e caótico! As únicas exceções são dois embates, um com o Doutor Octopus e outro com o Duende Verde, mas também só ganham destaque, porque as outras cenas de luta são muito ruins! Vistas separadamente, estas duas também não têm nada de mais! O que deixa a luta com o Duende Verde melhor, é o que acontece do meio pro fim!

Finalmente, entre mortos e feridos, esse terceiro filme tem um saldo positivo! É divertido, nostálgico pra caramba e emotivo o suficiente para ficar na memória! Aliás, é a nostalgia e o lado emotivo que leva o filme nas costas! E fica a esperança de voltar a ver nos cinemas, finalmente, um Homem-Aranha que seja super-herói de verdade, que se supera, que faz parceria com outros heróis, mas que não se comporta como um sidekick! O futuro é promissor… Mesmo que tenhamos um Venom pelo caminho!

VI NO CINEMA: Eternos

Ando um pouco cansado dos filmes de super-heróis em geral. Talvez, por isso, a minha experiência com Eternos não tenha sido tão proveitosa quanto poderia ter sido. Ou talvez, justamente por isso, é que eu tenha enxergado certos aspectos que não veria caso ainda tivesse aquela empolgação e desprendimento de outrora!

Longe de mim querer que a adaptação em película seja igual ao que está no papel. Mas Eternos, por si só, deveria ser um espetáculo visual, a chance da Marvel de despirocar de vez nos conceitos cósmicos Kirbyanos, não apenas no que diz respeito ao que o Rei escreveu, mas também, e principalmente, ao que ele desenhou! Muitos dirão: “Ah, é porque isso ainda será mostrado nos próximos filmes!” Então… todo filme vigente da Marvel será mostrado nos próximos filmes! Entende o meu cansaço?

Ao escolher Chloé Zhao para dirigir o filme, a Marvel optou justamente pelo caminho contrário, preferindo o intimista ao grandioso! Talvez para distanciar-se de Guardiões da Galáxia, Guerra Infinita e Ultimato, quem sabe! Eternos tenta focar nos personagens e seus conflitos, ao invés de explorar a fundo os aspectos cósmicos! O espetáculo visual ainda está lá, nas belas cenas gravadas in loco, potencializadas por efeitos gráficos competentes! Mas isso, por si só, não sustenta a história!

Tem uma máxima na produção de roteiros que diz o seguinte: “Mostre, não fale”! A todo momento, os personagens estão descrevendo para o público quão grandiosos são os conceitos cósmicos, como se sentem, como se comportam, qual a sua relação uns com os outros e com o planeta Terra… Mas se isso não é mostrado, fica difícil ter alguma empatia! O pior é “perceber” claramente as intenções do roteiro de apresentar um por um dos personagens! Veja… é claro que o roteiro tem que apresentar os novos personagens! E, como roteirista, vou te dizer como é difícil fazer isso sem parecer “didático” e/ou “expositivo”! São raras as obras que fazem isso de forma orgânica, levando a trama adiante, sem que o público perceba as apresentações.

Aqui, a desculpa da separação da equipe e a desculpa para a reunião, parecem exatamente isso… apenas desculpas para o público conhecer aqueles heróis! Principalmente pelo péssimo aproveitamento dos antagonistas Deviantes, relegados a feras genéricas que não representam a menor ameaça para os poderosos Eternos e que, por isso, fica difícil de engolir que sejam o motivo para a reunião da equipe, séculos depois! Sem contar a “carta na manga” que tiram do nada, ao mostrar um Deviante absorvendo os poderes dos Eternos no tempo presente! Durante milênios, nunca fizeram isso! Agora, como é conveniente para o roteiro, do nada uma das feras começa a fazer isso! A desculpa? Os Deviantes “evoluem”, os Eternos, não! Mas os Deviantes “evoluídos” são também relegados a combates desnecessários, sem vida, sem empolgação! Vide o embate da Angelina Jolie no final, que só serve como easter egg de um relacionamento mostrado nos quadrinhos! Lembrei dos “Soldados Hidler”, dos Changeman, que convenientemente aparecem, levam uma “sofa” dos heróis e depois somem!

A impressão que Eternos passa, é que os heróis ficam o tempo todo correndo atrás do próprio rabo, com dilemas vazios verbalizados o tempo todo (e não mostrados) e antagonistas fracos! As cenas do “passado” parecem falsas, de tão plásticas! Focaram tanto no minimalismo, que “minimalizaram” demais! Pior mesmo são as “reviravoltas”! Não tinha outra forma mais criativa dos personagens descobrirem o real plano dos Celestiais, que não uma desculpa (mais uma) para a Sersi “conversar” com o Arishem e ele próprio contar tudo? De novo uma exposição didática? E sério mesmo que precisava de mais um “Super-homem” do mal?

No frigir dos ovos, Eternos apresenta uma enxurrada de conceitos cósmicos, amarra toda a cronologia da Marvel nos cinemas, mas como o faz de forma expositiva, não consegue passar a grandiosidade do que se propõe. Parece uma cartilha, não um filme! O único momento em que senti de verdade essa grandiosidade, foi com o “quase” despertar do Celestial da Terra. Mas, assim que me senti apequenado e amedrontado diante de algo tão grandioso, a ameaça logo “Sersi”! Foi mal pelo trocadilho infame!

O filme saiu da “formula Marvel” como muitos alardeiam? Mais ou menos… mais ou menos! Ainda estão lá os vilões sub-aproveitados e as reviravoltas rasas! Só que em “embalagem” mais autoral! Mas o pior mesmo são as cenas pós-créditos que, de novo, gritam na nossa cara: O MELHOR É SEMPRE O QUE ESTÁ POR VIR, NÃO O QUE ESTÁ AQUI AGORA! Pra mim, o que era o ponto positivo da Marvel (o universo integrado), começa a se mostrar um estorvo! Irei ao cinema ver os próximos? É provável! Escreverei aqui reclamando? Também!

VI NO CINEMA: Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Não sei dizer se sou eu que estou cansando ou se os filmes estão ficando cansativos, mas “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” é a prova cabal de que a Marvel precisa urgentemente começar a se mexer para apresentar ideias novas! Desde “Vingadores: Ultimato”, a única produção que realmente apresentou algo de novidade, foi a série “WandaVision”! De lá pra cá, foi tudo mais do mesmo, embora tenha sido empolgante ver o Capitão “Sam Wilson” América e um pouco divertido de assistir as peripécias de Loki. Mas os vícios que a própria Marvel criou nos cinemas estão todos lá!

A impressão que tenho, é que a Marvel está vivendo um círculo vicioso de “fanservices” e “cenas pós-créditos”. Algumas vezes, tudo ao mesmo tempo, como na fatídica luta livre do Abominável contra o Wong! É um fanservice que não contribui em nada para a trama e, pior, tira o expectador da história principal ao ficar imaginando o próximo filme em que se dará a continuidade explicação por trás daquela luta! Percebeu o que eu quis dizer? Esse é um mal que acomete todas as produções! Você não assiste ao filme vigente! Está sempre pensando no próximo!

Pra piorar, Shang-Chi tem uns furos de roteiros de dar dó no início do filme, como os tais pingentes que, se o pai dele tivesse usado um pouquinho de inteligência, perceberia que não precisava deles, já que tinha a solução no seu próprio calabouço; e o tal cartão postal, que serviu para juntar os irmão Shang-Chi e Xialing para… Para que mesmo? Já que o pai não precisava dos dois…

Fora que é difícil de imaginar um herói fazer frente a um artista marcial de mil anos, tendo treinado apenas dos 07 aos 14 anos! Não quero ser o chato do “no gibi não é assim”, mas sendo o chato, no gibi o Shang-Chi treinou a vida inteira! E só se rebela contra o pai quando adulto. Ou seja, é completamente plausível aceitar as suas habilidades impressionantes. Não é o caso do filme! Esse seria um detalhe que passaria batido, não fossem os problemas que relatei acima! E não vou nem falar da garota que treina arco e flecha por cinco minutos… No final, fica a impressão de que a Marvel mirou em “Kung Fu Panda” e em “Como Treinar o Seu Dragão”, mas não acertou nem em metade do carisma desses filmes, dando a sensação de algo requentado, ao invés de um filme feito em homenagem ao estilo Chinês! Se tivesse chamado a garota do arco e flecha dos cinco minutos pra atirar, talvez tivesse acertado o coração! Ah, e de “Lenda dos Dez Anéis” também não tem nada! Mas não se preocupe… tem uma cena pós-créditos que promete responder de onde vieram os anéis em um próximo filme!

WHAT IF…? Exercício de criatividade ou nada se cria, tudo se copia!

A série de gibis intitulada “What If…?” ou “O que aconteceria se…”, como ficou conhecida no Brasil, sempre foi um exercício de criatividade dos autores da Casa das Ideias. No entanto, nostalgias à parte, quase sempre esse “exercício” gerou histórias de medianas para fracas, com argumentistas e desenhistas novatos sendo “testados”! Quando moleque, eu costumava até brincar dizendo que sempre resultava em uma catástrofe no final, coisa que não se via no Universo Marvel “regular”. As melhores edições, são aquelas produzidas pelos autores dos títulos “normais”, como John Byrne (E se o Quarteto Fantástico não tivesse poderes?) e Frank Miller (E se a Elektra não tivesse morrido?), por exemplo!

Mesmo assim, é inegável que algumas das ideias testadas nesse título foram incorporadas posteriormente nos gibis regulares. Abaixo, listo alguns exemplos bem curiosos!

“E se o Hulk tivesse o cérebro de Bruce Banner?” Publicada na edição 02, a ideia foi incorporada por Bill Mantlo e Sal Buscema na fase pré-Guerras Secretas e pré-Saga da Encruzilhada!

“E se outras pessoas também tivessem sido mordidas pela aranha radioativa?” Os candidatos foram o Coronel John Jameson, Flash Tompson e Betty Brant. Anos depois, veríamos o Miles Morales e a Gwen Stacy como novos aracnídeos!

“E se o mundo descobrisse que o Demolidor é cego?” Tá, essa ideia é até meio óbvia e quicou no universo regular durante anos! Mas foi somente na longa fase escrita pelo Brian Michael Bendis que esse perrengue pegou de vez o Matt Murdock. Aliás, repercutiu até depois da saída do Bendis, nas fases do Brubaker e do Mark Waid!

“E se a Jane Foster tivesse erguido o martelo do Thor?” Acabou com a sua infância ver a Jane Foster, uma mulher, como a nova Thor, nerd careca de mais de quarenta anos? Pois saiba que, além de bem-vinda, essa ideia incorporada por Jason Aaron não foi nada nova!

“E se o Rick Jones tivesse se tornado o Hulk?” Logo após a saída do John Byrne do título do gigante ver… quer dizer… cinza, isso realmente aconteceu! O Hulk havia sido separado do corpo do Bruce Banner, mas o dois estavam morrendo e precisavam ser “juntados” o quanto antes! Acontece que o Rick Jones acidentalmente caiu no tanque de reintegração e, dali, saiu um Hulk Banner Cinza e um Hulk Jones Verde!

“E se o Conan viesse para os dias atuais?” Mais um da série “ain, acabou com a minha infância” para alguns nerds bocós! Assim que o Conan voltou para a Marvel, após um período na Dark Horse, a Casa das Ideias lançou o título “Vingadores Selvagens” com o Conan fazendo parte da equipe nos dias atuais, como uma espécie de despedida do Mike Deodato, que queria desenhar os “porradeiros” em seu último trabalho! Ah, como curiosidade, tivemos também um “E se” do “E se”, quando saiu o famigerado “E se o Conan tivesse ficado preso no século vinte?”.

“E se a Fênix não tivesse morrido?” Hoje em dia é arroz de festa a Jean Grey ressuscitar! Mas a sua primeira volta, digamos assim, se deu na estreia do grupo X-Factor, que contava com todos os X-men originais e não podia ficar sem a sua “Garota Marvel”!

“E se o Clone do Aranha não tivesse morrido?” Preciso dizer mais alguma coisa? Saga do… cof! cof!… Clone!!

Por fim, fica aquela dica marota: se você for contratado para trabalhar como roteirista da Marvel e não tiver ideia nenhuma do que fazer, sempre vale a pena dar aquela vasculhada no “lixo” de “What If…?”! Vai que cola?

VI NO CINEMA: Viúva Negra

É notório que este filme saiu atrasado! Não apenas por causa da pandemia, mas também porque a Scarlett Johansson já merecia faz tempo o seu filme solo! Por outro lado, esse duplo atraso beneficiou a experiência cinematográfica, pelo menos para mim! Como é um filme “deslocado” da ordem cronológica de lançamentos da Marvel (veio depois de Ultimato, mas a história passa-se após Guerra Civil), consegui assistir como um filme fechado, sem me importar muito com o que veio antes, nem com o que virá depois! Com isso, a história ganhou muito em emoção e empolgação! Mais até do que Capitã Marvel, que teve lançamento similar, passando-se antes na linha cronológica narrativa, mas tendo sido lançado depois!

É chover no molhado falar como a Scarlett é ótima como Viúva Negra! É uma daquelas atrizes (e atores) que entraram pro roll dos que “nasceram para esse personagem”! Outro grande brilho do filme, é a Florence Pugh, que entrega uma carismática (e fodona, e cínica, e danada!) Yelena Belova, que nos deixa com um gostinho de “quero mais”, mostrando que a passagem de bastão entre Viúvas Negras está em boas mãos. A Marvel, nesse quesito, não ficou viúva da personagem (ba-dum-tissss), muito embora fiquemos com uma pontinha de lágrima nos olhos de saudade da Scarlett!

Outro ponto bacana é o Guardião Vermelho do David Harbour! Não pela sua relevância na trama (tire-o da equação e a história segue normalmente), mas pela sua veia cômica e sentimental de paizão (a la “Senhor Incrível”), que nos faz rir e querer chorar ao mesmo tempo! Inclusive, algumas piadinhas em torno dele me fez querer ver mais desse lado “Russo” da Marvel (Ursa Maior e Dínamo Escarlate… a equipe “Super-soldados Russos”, quem sabe?).

Como pontos negativos, destaco a Rachel Weisz, não por ela, mas pelo enredo, que a construiu como uma personagem que nem fede, nem cheira! Aliás, padecem desse mal os vilões, o Grande Chefão da Sala Vermelha (cujo nome eu esqueci!), que é muito burro para quem manipulou tantas garotas/mulheres ao longo das décadas; e o Treinador, que à priori aparece arrasando, mas depois protagoniza uma reviravolta a la “Mandarim de Homem de Ferro 3” que chega a dar dó de tamanho desperdício de personagem em prol de uma reviravolta “impactante” (com muitas aspas em impactante!). Não por acaso, a parte mais fraca do filme é a sua resolução, justamente o ponto em que precisaria de antagonistas fortes para segurar o tranco, tanto intelectual, quanto fisicamente!

Por fim, entre mortos e feridos, esse filme solo da nossa querida Viúva Negra faz jus à personagem, com momentos sentimentais e cenas de ação de tirar o fôlego! É um bom epílogo e despedida digna para a Scarlett Johansson! Certamente assistirei novamente… tão logo esteja disponível “de grátis” no Disney+!

50 GIBIS QUE MARCARAM A MINHA VIDA – PARTE 2

Continuando com a lista de gibis que “marcaram a minha vida”, vamos para mais dez edições. Procurei puxar pela memória, evitando ao máximo recorrer à internet. Por isso, não repare caso os dados estejam errados ou imprecisos. Os gibis não aparecem em ordem cronológica de publicação, apenas seguem uma ordem (mais ou menos) cronológica em que chegaram às minhas mãos. Dito isso, vamos mergulhar na nostalgia mais uma vez!

11 – SUPERAMIGOS 13

Esta provavelmente foi a primeira Superamigos que peguei! Marcou pela capa icônica e pela Liga da Justiça do George Pérez. Não lembro se já conhecia o traço do Pérez, mas lembro que fiquei muito impactado com a riqueza de detalhes. Outra hq que me marcou, foi a do Batman, que trazia o Cara de Barro II (acho!) com uma armadura que achei sensacional!

12 – HOMEM-ARANHA 44

O primeiro gibi “Homem-Aranha” que li foi este! Na lista passada, citei a primeira “A Teia do Aranha”! Lembro com carinho dessa edição, porque foi aqui que conheci a Gata Negra e, de cara, já adorei! Que me perdoem os fãs da Gwen Stacy e da Mary Jane, mas, pra mim, o melhor casal é Peter Parker e Felícia Hardy! Outro fato que marcou, foi a estreia do Quarteto Fantástico do John Byrne! Eu já conhecia o quarteto do mestre que saiu no Grandes Heróis Marvel 12! Mas aqui, o traço não tinha o peso da arte-final do Joe Sinnott e o desenho do Byrne estava no auge! Fora que a história é sensacional, com o quarteto enfrentando criaturas elementais criadas pelo Diablo!

13 – HOMEM-ARANHA 114

E mais cabeça de teia na lista! Este gibi foi um presente de Natal! O primeiro gibi de super-herói (e do aranha) que comprei em uma banca! Como não acompanhava nada mensal por falta de grana, eu não fazia ideia do que estava acontecendo com os personagens! Assim, foi um choque quando vi essa capa e o traço do Todd McFarlane! Adorei tudo! Como tudo o que eu pegava, de uma maneira ou de outra, acabava influenciando nos meus desenhos, passei a emular o McFarlane no meu personagem “principal” (que antes sofria influência do Jaspion!).

14 – SUPERAVENTURAS MARVEL 02

Não sei exatamente se essa foi a primeira SAM que tive, mas com certeza foi a primeira vez que li o Demolidor do Frank Miller, mesmo que aqui ele só estivesse desenhando! E quer melhor primeira vez, do que em uma história em que o homem sem medo enfrenta logo de cara o meu personagem preferido, o Incrível Hulk? Nem preciso dizer que reli diversas vezes! Foi aqui também que li pela primeira vez a sensacional “A filha do gigante de gelo” protagonizada pelo Conan! Infelizmente não tenho mais esse exemplar! Mas um dia eu recupero!

15 – GRANDES HERÓIS MARVEL 07

Também não sei precisar se este foi o meu primeiro GHM e nem se foi o meu primeiro contato com os “Xis-men”, mas a minha mente tratou de catalogar esse momento como o início de tudo! E como gostei dessa história! Não fazia ideia de que havia um porrilhão de capítulos que antecediam esse momento. E, pra ser franco, nem me preocupava com isso! Só devorei os três capítulos derradeiros da Fênix e pronto!

16 – O INCRÍVEL HULK 61

Por falar em personagem preferido, olha aí o Hulk mais uma vez na lista! Como já mencionei, “naquele tempo” a molecada não acompanhava mensalmente os gibis. Ia lendo o que pegava. Era raro estar atualizado com os acontecimentos! Então era comum pegar o “bonde andando”! E não foi diferente com essa edição! Imagine um pivete acostumado ao Hulk verde “esmaga homenzinhos” que se transforma quando o Bruce Banner fica com raiva! Agora imagine esse pivete pegar um gibi em que o Hulk está bestial, animalesco, mudo, sem falar, apenas rosnar, vivendo aventuras em mundos fantásticos ao lado de criaturas mágicas e, ainda por cima, com uma capa sensacional do Mike Mignola! Ah, e com uma arte do Sal Buscema (de quem sempre fui fã) diferente, cheia de hachuras, com arte-final do Gerry Talaoc! Adorei tudo isso! Foi o meu primeiro contato com a Saga da Encruzilhada! Para você ver que mudanças no status quo dos personagens sempre existiram e a gente adorava. Mas hoje em dia a galera chia por qualquer mudancinha como se o mundo fosse acabar!

17 – CRISE NAS INFINITAS TERRAS 02

Por falar em “pegar o bonde andando”, este foi o meu primeiro contato com a grande saga da DC! Claro que eu não conhecia nem 10% dos personagens “pintados de roxo” que apareciam nas páginas desse gibi! E, claro, que eu não me importava nem um pouco com isso! Lembro que eu lia em voz alta junto com um amigo como se estivéssemos assistindo a um filme! E a cena derradeira da Supergirl? Que momento! Ah, depois desse gibi, passei a emular os layouts do Pérez em meus gibis de folha de caderno! Tudo influenciava os meus desenhos!

18 – RAÇA DAS TREVAS 01

Por falar em “influência”, já mencionei que eu era fã de filmes de terror quando adolescente! Cheguei até a fazer vários gibis de folha de caderno para o filme Sexta-Feira 13! Aliás, era difícil achar um moleque que não gostasse de filmes de terror. O mesmo amigo que lia comigo a “Crise 02”, foi quem arrumou emprestada a minissérie Raça das Trevas! E, claro, lemos em voz alta como se fosse um filme! E que filme! Depois disso, claro que passei a fazer gibis baseados em Raça das Trevas!

19 – O INCRÍVEL HULK 113

Chegando ao final dessa lista, não poderia faltar mais… Hulk! Este foi o meu primeiro contato com o Hulk Cinza! Como assim… o Hulk está cinza? Detestei? Claro que não! E como assim o Hulk está falando direito? Adorei! E como assim o Hulk está de… terno? E procurando encrenca com motoqueiros em Las Vegas? Cadê a Encruzilhada? Não sei dizer o que acontecia naquela época, mas eu me empolgava com tudo! Então, nem preciso dizer que gostei bastante do Senhor Tira-Teima! Esta passou a ser a minha edição favorita dessa fase do gigante ver… ops… cinza como leão de chácara! Depois eu viria a conhecer o Hulk Cinza do McFarlane, mas isso é assunto para outra lista!

20 – GRAPHIC MARVEL 01

Para finalizar, vamos de mais Hulk! Naquela época (isso já está ficando repetitivo, eu sei!), praticamente só existiam os formatinhos de papel jornal e cores chapadas! Mesmo as edições de “luxo” eram difíceis de cair nas mãos da molecada pelo alto preço (e você achando que tudo era comprado com troco de pão, né?). Só víamos essas revistas mais elaboradas nos anúncios de quarta-capa dos formatinhos! Foi nesse contexto que tive contato com a série Graphic Marvel! E logo com a primeira edição! Preciso dizer que pirei no encontro do meu personagem favorito com o Coisa? E com esse desenho fabuloso do Berni Wrightson e cores de explodir o cérebro! Morri de rir em todas as vezes que li essa história criada pelo Jim Starlin! Tenho falas decoradas até hoje! Muito bom mesmo!

E, assim, chegamos ao fim da segunda parte.

Leia também a PARTE UM!

Imagens extraídas do Guia dos Quadrinhos!

O QUE ANDEI LENDO: ESCREVENDO PARA QUADRINHOS de Brian Michael Bendis

O livro do Brian Michael Bendis, publicado por estas paragens pela Editora Martins Fontes, não tem a pretensão de reinventar a roda e muito menos de redescobrir a pólvora no quesito produção de roteiros para quadrinhos. À priori, o aspecto básico e “mais do mesmo” do conteúdo pode ser um pouco frustrante para o roteirista já inserido no mercado que comprou o livro esperando descobrir os “segredos sobre como escrever igual ao Bendis”! Por outro lado, o livro é ideal para quem está iniciando, justamente por focar nos quesitos mais básicos!

Bendis prefere seguir uma narrativa de bate-papo franco sobre a sua experiência e o seu processo criativo, ao invés de produzir um manual técnico. A meu ver, ele acertou em cheio nessa abordagem!

Um roteiro é formado por, pelo menos, dois pilares: a forma e o conteúdo! A forma abrange a maneira como o roteiro será escrito! No caso dos quadrinhos, pode ser através de um argumento prévio (também conhecido como “método Marvel”) ou em formato de script (chamado no livro de “roteiro completo”). Bendis dá ótimos exemplos sobre os dois formatos. Inclusive, deixa claro que, no caso dos quadrinhos, não existe uma forma “certa”, como no cinema e na TV. Cada roteirista tem a sua forma de escrever ou irá desenvolver a partir de uma base. Bendis também deixa claro que o propósito do seu livro não é ensinar a como escrever como ele! A ideia é que cada um desenvolva a sua voz própria, já que, se uma editora quiser contratar alguém que escreva igual ao Bendis, terá o próprio autor à disposição, ao invés de uma cópia! É nesse ponto que o conteúdo faz a diferença!

Manuais técnicos sobre como escrever roteiros, você encontra aos montes pelo mercado! Mas é no conteúdo que essa parte técnica se destacará… ou não! Não adianta nada o roteirista devorar inúmeros livros técnicos, se não souber como preencher os seus roteiros! Bendis deixa isso bem claro! É preciso ter uma bagagem para escrever! O Bendis só escreve como Bendis por conta da bagagem que tem! É a sua experiência de vida, leitura, vivência e pesquisa que constrói o conteúdo dos roteiros! O roteirista precisa ler muito para poder escrever muito! De preferência todos os dias, mesmo que ainda não tenha tanta bagagem! Não é à toa que existe aquele ditado “a prática leva à perfeição”! Com roteiro – e desenho – não é diferente!

Outro ponto positivo do livro são as entrevistas com vários profissionais do mercado. Desenhistas, outros roteiristas e editores que falam sobre as suas experiências, dão os seus pontos de vista sobre como lidar com os roteiros, quais as dificuldades, quais as virtudes, o que se espera de um roteirista (iniciante ou veterano) e por aí vai! Esse conteúdo é riquíssimo e abre os olhos para questões que provavelmente muita gente nunca havia parado para pensar, como o fato de que os roteiros são escritos para os desenhistas, não para o público! Como bônus, tem uma entrevista com a esposa e administradora do Bendis que revela muito da parte chata do negócio, que é tratar a sua produção como uma empresa!

Escrevendo para Quadrinhos pode não ser um livro técnico sobre roteiros e nem se destacar em meio a tantos outros livros sobre o tema! Mas a imensa galeria de profissionais de quadrinhos que o livro traz, revelando pontos importantes sobre o mercado, já compensa tê-lo na prateleira da estante para consulta constante. E como o próprio Bendis fala, foi preciso convidar um monte de gente para que o livro pudesse sequer estar ao lado do Will Eisner e Scott McCloud na estante! Ele está certo!

50 GIBIS QUE MARCARAM A MINHA VIDA – PARTE 1

Resolvi surfar na onda da tag “50 coisas que…” e fazer uma lista dos gibis que, de uma forma ou de outra, tiveram algum tipo de importância na minha formação como leitor e como produtor de quadrinhos. Como estou escrevendo de “memória”, perdoe qualquer incoerência nos dados fornecidos. Dito isso, vamos lá…

01 – ALMANAQUE DISNEY 214

Até onde consigo lembrar, este foi o primeiro gibi que tive em mãos! Eu devia ter entre 7-8 anos! Na época, uma prima me deu de presente, mas eu não fazia ideia de qual revista se tratava, já que estava sem capa e faltando páginas no começo e no fim do gibi! Só sei que adorei a história do Donald Caça-Fantasmas! E, sem saber, já tinha ficado fã do mestre Giorgio Cavazzano, mesmo sem entender ainda sobre quem fazia o quê em cada gibi! Só depois de adulto, por volta dos 38 anos, é que consegui comprar esse gibi, agora todo completinho! Se tivesse que fazer um paralelo com o universo Disney, eu diria que este almanaque é a minha moedinha número 01!

02 – TIO PATINHAS 294

Este gibi eu já peguei completo com amiguinhos da escola! Já deu para reparar que o meu início de leitura dos gibis foi com a Disney, não é mesmo? Esta edição do Tio Patinhas marcou por conta da última história! Nela, o nosso querido muquirana faz uma aposta com o Patacôncio para ver quem recupera um tesouro numa ilha deserta! Lembro que gostei tanto do barco do Tio Patinhas, que fiz uma réplica para brincar com a minha irmã, utilizando embalagens de papelão de café!

03 – TIO PATINHAS 237

Esta lista segue uma certa linha do tempo! Mas como eu não comprava gibi em banca por falta de grana (eu nem sabia que existia banca!), o que caía na mão, era peixe! Geralmente eu trocava gibis com os colegas da vizinhança ou da escola. Então era muito comum pegar números mais avançados, depois outros mais antigos! Na verdade, eu nem me importava com isso! Só queria ler! E como gostei dessa parodia de “…E o vento levou!” Eu não fazia ideia de que era uma paródia! Gostei mesmo foi de ver os patos em outro contexto!

04 – TIO PATINHAS 256

E mais Tio Patinhas! E mais Giorgio Cavazzano nos desenhos! Nem preciso dizer que adorei essa história! Ainda mais com um tema tão chamativo para a pivetada: corrida de “carrinhos”! Com o passar do tempo, fui perdendo esses gibis da lista. Mas já recuperei todos e guardo com todo carinho!

05 – DISNEY ESPECIAL 114: LENDAS E MISTÉRIOS

E mais Disney na lista! Tem uma explicação bem plausível para a minha predileção pela Disney no início da minha leitura: os desenhos animados clássicos passavam na TV todos os dias! Este foi o meu primeiro Disney Especial! Li e reli inúmeras vezes! Adorei o clima de mistério das histórias, principalmente a primeira história “O tesouro dos Nibelungos”, de onde já fiquei fã do Romano Scarpa, cujo traço é bem parecido com o do Cavazzano (novamente sem saber quem era “Romano”)! Outras duas histórias que adoro, são “A Lenda das Amazonas” e “A Sereia do Lago Dourado”, ambas produzidas pelos mestres brasileiros. Claro que eu não sabia nada sobre autorias na época, mas eu já tinha os meus preferidos!

06 – O INCRÍVEL HULK 10

Como mencionei, a forma que eu tinha de ler gibis, era trocando com outros colegas! Lembro que eu detestava gibis de heróis por achar os desenhos muito “sérios”! Mas depois de descobrir que cada gibi de herói valia dois gibis infantis nas trocas, se tornaram um ótimo negócio! Assim, nessas idas e vindas do “mercado” de trocas, resolvi dar uma chance para o Hulk! E não é que adorei? Mas também, olha o apelo para o moleque: um gigante verde enfurecido trocando sopapos com bichos humanóides! Sem contar a história do robô no final (o Rom)! Qualquer moleque ficaria doido com isso! E foi o que aconteceu comigo! Assim, o Hulk foi (e ainda é) o meu personagem favorito de super-heróis!

07 – CEBOLINHA 36

O primeiro contato que tive com a Turma da Mônica foi com a animação “A Estrelinha Mágica” que passava na época de Natal! Nos quadrinhos, lembro de pegar alguns suplementos coloridos que saía nos jornais! Não lembro exatamente dos gibis, mas é claro que também os tive! Mas um que marcou a minha infância, certamente foi este do Cebolinha! A minha família havia acabado de mudar para outra cidade e o meu pai me levou pela primeira vez para uma banca de gibis! Foi o paraíso! Nunca tinha visto nada daquilo! Na ocasião, ele me comprou dois gibis, esse do Cebolinha e um da Liga da Justiça (falo já sobre este)! Até hoje lembro da historinha de abertura “O Natal do JJ Junior”, que contava a história de um menino rico que tinha tudo, menos a alegria de passar o Natal com os seus pais. Daí, ele foge de casa e acaba encontrando a turminha! Muito emocionante! Infelizmente não o tenho mais e até hoje não consegui encontrar esse gibi para vender… Uma pena!

08 – LIGA DA JUSTIÇA INTERNACIONAL 20

Hoje em dia vejo muito o pessoal se perguntando por onde começar a ler gibis! Na minha época, não tinha isso! Como já mencionei, o que caía na rede, era peixe! A única noção de “Liga da Justiça” que eu tinha, era a do desenho animado “Superamigos”! Mesmo assim, eu não fazia ideia de que aquele grupo das animações era a Liga! Então, peguei o bonde andando ao comprar esse gibi! Junto de Cebolinha 36, foram os primeiros gibis que comprei em banca! Acho que pedi esse ao meu pai pela capa curiosa! Lembra que eu não gostava dos desenhos “sérios” dos heróis? Nesse caso, pirei com a arte expressiva do Kevin Maguire! Tem coisa mais “séria” do que os desenhos do Maguire? Li e reli um monte! Adorei também o Esquadrão Suicida e o Cão Raivoso, que usava uma máscara parecida com a do Jason. Na época eu era fã de filmes de terror, especificamente de Sexta-Feira 13… então já viu, né?

09 – A TEIA DO ARANHA 26

Não lembro se esse foi o primeiro gibi que li do Cabeça de Teia, mas com certeza foi a primeira “A Teia do Aranha”! Peguei emprestada de um colega da vizinhança! E o que ela tem de tão especial? Pirei no visual do Tarântula no traço charmoso do Ross Andru! Ah, também pirei no Magma do John Romita (o pai) e as cores diferentonas do gibi (não eram tão chapadas quanto as outras, tinham algumas nuances).

10 – BATMAN 05

Essa com certeza foi a primeira vez que li um gibi do homem morcego. Era comum na época os jornaleiros arrancarem as capas e devolverem para as distribuidoras (descobri isso anos depois!). Isso explica por que eu tive tantos gibis apenas no miolo no início da minha leitura! Essa não foi exceção! Além de pirar com traço do Neal Adams na história do Batman, também foi a primeira vez que tive contato com a Liga da Justiça clássica!

E essa foi a primeira lista! Nas próximas semanas, teremos mais! Até a próxima!

Imagens extraídas do site Guia dos Quadrinhos!

O QUE ANDEI LENDO: X-MEN de Jonatham Hickman

A Editora Panini Comics compilou nas quatro primeiras edições da nova revista de “linha” X-men as minisséries “Dinastia X” e “Potências de X”. A rigor, essas duas minisséries estabelecem o novo status quo dos heróis e vilões mutantes, e demais Homo Superiors, dentro do Universo Marvel, agora vivendo na Ilha Nação de Krakoa sob a liderança do Professor Xavier e do Magneto. Dinastia X aborda os desdobramentos no presente, enquanto Potências de X procura mostrar como os mutantes chegaram até aquele momento em duas linhas temporais, uma dez anos no passado e outra no presente, e as consequências da nova nação para o mundo em duas linhas temporais futuras, cem anos à frente e mil anos adiante!

Como roteirista, gosto sempre de pensar que os gibis precisam ser voltados primeiramente para atrair novos leitores e, depois, para os colecionadores. Afinal, são de novos leitores que precisamos para garantir a longevidade das revistas. Assim, esta nova fase é ideal para quem caiu de paraquedas no universo mutante. No entanto, é notório que Jonatham Hickman fez a lição de casa, quando percebemos em seu enredo conceitos criados por Stan Lee e Jack Kirby, Roy Thomas e Neal Adams e, principalmente, Chris Claremont e John Byrne, Dave Cockrum e John Romita Jr, e até Scott Lobdell e Fabian Nicieza, vejam só!

Com uma narrativa não-linear, Hickman “esquece” tudo o que foi mostrado anteriormente em termos cronológicos e joga o leitor logo de cara no novo status quo. Isso é ótimo! Porque demonstra uma certa preocupação com o novo leitor ao estabelecer uma forma de escrever similar à que encontramos nos desenhos animados, por exemplo. Quando uma série animada é encerrada e outra iniciada, os produtores não ficam se preocupando em “explicar” o que veio antes. Simplesmente criam algo novo para uma nova audiência!

Por outro lado, essa narrativa não-linear pode causar certa confusão para leitores mais apressados, já que as explicações são dadas em doses homeopáticas, principalmente nos inúmeros infográficos espalhados pelas páginas, recurso encontrado por Hickman para não perder tempo com tramas expositivas demais! Por isso, tenha paciência e leia também os infográficos na sequência em que são apresentados. Isso é importante para a compreensão do enredo como um todo!

Falando agora da trama geral, ela não apresenta nada de novo e nem tampouco é genial como muitas pessoas têm alardeado aos quatro ventos. O ponto é que as histórias dos X-men estão tão ruins há tanto tempo, com uma “qualidade” nivelada tão por baixo, que qualquer roteiro mais consistente já é motivo para ser taxado de “genial”. Claro que isso não tira o mérito do Hickman! Como eu disse, o roteirista fez a lição de casa e bebeu direto da fonte clássica dos X-men. Ele se apropriou de conceitos já estabelecidos e está apresentando aos novos leitores de uma forma moderna e repaginada. A meu ver, essa é a maneira certa de atrair novos leitores, já que os personagens têm décadas de conceitos interessantes para serem reapresentados.

Assim, vemos na obra do Hickman uma inspiração principalmente em “Dias de um Futuro Esquecido”, com a diferença de que, nesse contexto, quem “volta” para o passado para tentar evitar um futuro trágico para os mutantes não é a Kitty Pryde, mas a geneticista Moira MacTaggert, com uma sacada bacana que lembra muito os filmes “Feitiço do Tempo” e “No Limite do Amanhã”. Porém, os leitores veteranos podem tender a perder o seu tempo tentando “encaixar” as várias vidas de Moira dentro da “cronologia canônica”. Quer um conselho? Esqueça isso e curta a jornada! Simples assim!

Pra finalizar, reitero que esse arco inicial é uma introdução ao novo status quo, de modo que a trama é bastante focada no trio Professor Xavier, Magneto e Moira, deixando um pouco de lado explicações mais aprofundadas para os demais personagens, o que deve ser desenvolvido nas próximas edições, quando a Panini começará a publicar as revistas de linha. Fica a torcida de que os enredos continuem nessa pegada de construir um universo próprio, sem se preocupar em encaixar os seus eventos na cronologia passada. Vai por mim, é isso que está estragando os gibis de heróis há tempos. Toda vez que algo foi feito um pouco deslocado dessa cronologia rígida – vide Surpreendentes X-men do Joss Whedom – resultou em histórias mais divertidas e consistentes. Como exemplo do contrário, basta lembrar da fase do Brian Michael Bendis que, apesar de diálogos relativamente bem escritos, é bastante confusa e picotada por estar inteiramente intricada na cronologia.