O que andei lendo em outubro de 2017

Fazia tempo que eu não publicava as dicas de leitura. Mas tem um motivo pra isso: aquela história de ficar contando as páginas lidas por mês acabou deixando a leitura muito engessada e menos divertida. Então parei de contar e, por conta disso, catalogar o que ia lendo. Ou seja, voltei à programação normal!

Agora, só de vez em quando é que vou publicar algo, principalmente se tiver alguma coisa pertinente para falar sobre alguma obra. Nem sempre serão palavras elogiosas, como é o caso da série “X-men ‘92”!

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Quando soube do lançamento dessa série nos EUA, fiquei muito empolgado em ler, fã que sou dos heróis mutantes e da animação. Concluída a publicação aqui no Brasil (em três encadernados), a conclusão a que cheguei foi que a Marvel perdeu uma ótima oportunidade de fazer uma série, senão memorável, pelo menos prazerosa de se ler.

O que tornou a série animada memorável foi o fato de ter um elenco enxuto. Mesmo com diversas participações especiais, todo mundo sabia quem eram os X-men “oficiais”. Outro ponto positivo foram as histórias contidas em apenas um episódio. Quando muito, uma trama se estendia por dois, no máximo, quatro episódios (casos da Saga da Terra Selvagem e da Saga da Fênix). Por fim, as adaptações, também enxutas, das principais sagas dos quadrinhos e a interação “interpessoal” entre os personagens foram pontos positivos da animação.

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Os roteiristas do gibi parecem não ter captado o espírito da coisa. Ao invés de captar o melhor que o desenho animado ofereceu, resolveram pegar o “melhor” (#SQN) que os anos 90 mostraram nos quadrinhos! Estão lá a equipe abarrotada de integrantes! É tanta gente, que você acaba se perdendo em muitas partes da história! X-men, Geração X, X-Factor, X-Force, X-Ninhada (não me pergunte…), misturados com outra penca de mutantes descartáveis criados na fase do Grant Morrison! Aos desenhistas, coube a tarefa de representar caras e caretas infantilóides, como se precisassem disso para dizer que a série é baseada em uma animação.

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Quanto às tramas… também o pior dos anos 90 dos gibis! Lembra daquela pataquada de Upstarts, que eram um grupo formado por um tal de GameMaster para ganhar pontos caçando mutantes? Pois é! Nem eu lembrava dessa baboseira! Mas aqui, é a trama principal que permeia toda a série. O que ainda escapa é um ou outro momento com alguns episódios com vampiros. E nem vou falar do primeiro volume que, relacionado às Guerras Secretas, mostra um embate requentado com a Cassandra Nova (sim, a irmã gêmea do Xavier!). Se quiser saber mais sobre o primeiro volume, falei sobre isso aqui!

Como não só de nostalgia vive o leitor, a série foi cancelada! Na minha opinião, deveriam ter se inspirado em outra adaptação de animação para os gibis: Batman – Gotham Adventures. As histórias dessa série seguem totalmente a cartilha do desenho animado, com tramas episódicas, concisas, com um traço limpo, bonito, cartunesco, mas sem deixar os personagens abobados. Em muitas ocasiões, confesso que confundo em minha memória se algum episódio eu li ou assisti, de tão bons que são! Quem quiser dar uma lida, saiu por aqui em formatinho pela Editora Abril com o título “Batman: Gotham”!

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É uma pena que “X-men ’92” tenha ficado do jeito que ficou! Para quem é fã dos heróis mutantes, realmente está faltando uma série “fechada” e sem tantas pretensões, apenas a de contar boas histórias. Agora é esperar pela “X-men Grand Design” e ver no que dá!

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Agradecimentos ao site Guia dos Quadrinhos, de onde tirei a maioria das capas aqui expostas. =)

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Adoro meus formatinhos!

Episódio 01: Quando peguei os gibis do Aranha

 

Antigamente, lá no meu tempo, a pivetada costumava se reunir para trocar e emprestar gibis uns aos outros e jogar conversa fora sobre seus personagens e histórias favoritos (quem era mais forte?). Como a gente não tinha quase nenhuma grana, era comum essa prática do empréstimo. Eram bons tempos que não voltam mais. Baseado nisso, resolvi registrar um pouco da minha memória afetiva sobre os bons momentos que vivi juntando os gibis da minha coleção.

Não lembro exatamente como tomei conhecimento da existência do Homem-Aranha. Provavelmente através de algum desenho animado do Escalador de Paredes. O que recordo com muito carinho é das primeiras HQs que tive contato do Cabeça de Teia.

Fazia pouco tempo que me mudara de Fortaleza para uma cidade da região metropolitana e estava começando a fazer novos amigos na vizinhança. Logo descobri um vizinho a umas quatro ou cinco casas de distância que colecionava quadrinhos. Ele era mais velho, devia ter os seus vinte e poucos anos, enquanto eu ainda tinha onze para doze anos.

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Certa noite, ele resolve mostrar as suas preciosidades (era outra prática comum também, exibir a coleção) e meus olhos brilharam com tanta coisa legal na minha frente! Nessa época, minha coleção ainda predominava de Disney e Turma da Mônica guardadas em caixas da Avon debaixo da cama dos meus pais. E quando vi aquela edição 44 do Homem-Aranha, fiquei alucinado logo de cara com o desenho dinâmico da capa mostrando uma cena de perigo vista de cima com o Cabeça de Teia, a Gata Negra e o Coruja presos pelos tentáculos do Doutor Octopus. Outra revista que me chamou a atenção, foi a Teia do Aranha #26 com o Tarântula na capa tentando dar uma picada no Aranha. Na verdade, toda a coleção do cara me deixou doido (inclusive um livro pop-up do Aranha enfrentando o Tarântula que achei a coisa mais legal do mundo!). Mas humildemente pedi emprestadas apenas as duas revistas do Aranha e o meu novo amigo atendeu meu pedido. Foi demais!

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A história de Homem-Aranha #44 contava a trama de uma guerra entre o Doutor Octopus e o Coruja, enquanto o Peter Parker tinha que lidar com os delírios da Debra Whitman (sua namorada na época). Naquele tempo (tempos mais inocentes, por sinal), eu não fazia ideia do que diabos era cronologia e pouco me importava com isso! O que caía na mão, eu lia sem me preocupar com o que aconteceu antes. Lembro que fiquei apaixonado pela Gata Negra, mesmo ela aparecendo apenas na última página da história.

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A história seguinte do Capitão Marvel não me chamou tanto atenção. Não gostei dos desenhos “sérios” demais. Mas a última história do Quarteto Fantástico me deixou doido! Que história bacana aquela do tal Diablo e os monstros baseados nos quatro elementos para enfrentar o Quarteto. E que desenhos eram aqueles, meu Deus? Sem me ligar muito nos créditos (HQs Disney e Mônica não tinham isso na época), essa história me apresentou ao grande John Byrne! Nem preciso dizer que foi a aventura que reli diversas vezes naquela edição!

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A Teia do Aranha #26 me chamou atenção pelos desenhos limpos e pelas cores diferenciadas (tinham uns degradês que não vi na outra revista). Sem falar, claro, do Tarântula, que achei sensacional pela agilidade e sacada bacana do visual do uniforme. A primeira história era muito louca! O Doutor Octopus estava para casar com a Tia May e o Aranha tentava impedir. Tudo isso em meio a uma guerra de gangsters com o Cabeça de Martelo! Na segunda aventura, conheci mais um inimigo do Cabeça de Teia, o Magma. E o melhor ficou para o final: o quebra-pau do Aranha com o Tarântula no meio de um transatlântico. A fichinha no final da revista falando sobre as edições originais americanas foram uma alegria à parte (imagine uma época com zero internet e você vai entender como eram ricos esses momentos informativos). Que bacana! Reli essa edição inteira várias vezes antes de devolver ao dono!

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– Homem-Aranha # 44 (Editora Abril) – 14/02/87

– A Teia do Aranha #26 (Abril Jovem) – Novembro/91