O QUE ANDEI LENDO: O Imortal Hulk

O que acontece quando um roteirista conhece toda a trajetória de um personagem? Surgem desse conhecimento histórias herméticas cheias de referências descartáveis atreladas a uma confusa cronologia e que ninguém entende, apenas o próprio roteirista! Certo?

Errado!

Quando o roteirista conhece a fundo o seu personagem e tem a habilidade suficiente para escrever boas histórias a partir daí, as referências passam a trabalhar a favor da narrativa e não contra! Este é o caso do Al Ewing, que entrega ao leitor um Hulk “raiz” acessível tanto para quem só viu o verdão no cinema e um deleite para quem lê desde tempos imemoriais (é o meu caso!)!

O Hulk sempre foi o meu personagem preferido e me doía a alma (exagero!) querer ler algo atual bom do personagem e só encontrar pataquadas sem tamanho (Hulk Vermelho… oi?). Quando peguei O Imortal Hulk para ler, a expectativa estava nas alturas. Não que eu esperasse algo fora do comum (assim como você também não deve esperar), mas por saber que finalmente o bom e velho Gigante Verde estava voltando às origens!

E que origens! A começar pela bela arte de Alex Ross que faz uma releitura da clássica capa desenhada pela grande Marie Severin! Já na primeira história, dá pra sacar logo de cara que Stan Lee e Jack Kirby estão naquelas páginas, com o Bruce Banner foragido procurando esconder o seu alter ego, ao mesmo tempo em que acaba se metendo em pequenos casos de “heroísmo”! Outra “presença” no gibi é a homenagem ao seriado estrelado pelo Bill Bixby e Lou Ferrigno, tanto no enredo do Bruce/Hulk andarilho, quanto na inserção de uma repórter investigativa que segue o rastro do verdão! Repare no nome da moça! Uma referência mais recente, é da fase escrita pelo Bruce Jones e desenhada pelo John Romita Jr., que também usava como mote das histórias o Banner “andarilho” (ou fugitivo)! Tem até referência ao filme dirigido pelo Ang Lee (repare no último quadro da primeira história).

E as bizarrices gama? Também estão aqui! Lembrando muito a fase inicial do Peter David com o personagem, o Hulk enfrenta um adversário irradiado gama que faz referência ao Meia-Vida!

O mais bacana, além de tudo isso, é a introdução do fator psicológico nas duas últimas páginas, puxando o gancho do que já haviam feito o Bill Mantlo e o já citado Peter David e já dando um gostinho do que ainda vem por aí! Para dar mais um gostinho do que se trata, basta ver a expressão de terror que o Hulk faz ao se deparar com um importante ente do passado!

Por falar em expressão, que traço é esse do Joe Bennett?! O nosso grande Bené Nascimento está arrebentando nos desenhos! Se as cores fossem menos saturadas e luminosas, ficaria ainda melhor! Mas vamos assim mesmo, que vale a pena! Se as influências do passado do Verdão aparecem no texto, a arte não deixa por menos! Temos aqui um Hulk com cabeça mais alongada a la Jack “The King” Kirby (bem Frankenstein!), bem como um corpanzil bem próximo do desenhado pelo Todd McFarlane na fase “Hulk Cinza”. E, claro, não podia faltar o bom e velho Sal Buscema, no jeito de caminhar, na linguagem corporal e na hora da briga! Os músculos também lembram muito as versões desenhadas pelo Dale Keown e Gary Frank!

Ou seja… ao juntar um roteirista que conhece a fundo o personagem, com um desenhista que não deixa por menos, temos aqui uma fase que vale muito a pena ser acompanhada, com um enredo acessível para qualquer leitor! E pela primeira vez em anos, fiquei com vontade de ler a edição seguinte!

Artes à lápis extraídas do Facebook de Joe Bennett!