VI NO CINEMA: Uma Aventura Lego 2

A relação que temos com os nossos brinquedos vai se modificando ao longo do tempo. De início lúdico e imaginativo, passa para algo antagonista quando começamos a enxergá-los como “coisa de criança”, até chegar na pura nostalgia guardados dentro de caixas ou em estantes de colecionismo.

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Muito da nossa personalidade também é mostrada através dos brinquedos, principalmente para quem tem irmão mais novo (ou mais velho) e precisa aprender a lidar com a “partilha dos bens”, algo que vai desenvolvendo o nosso senso de solidariedade, comunhão e união, mesmo que entremeadas por momentos de soberba e egoísmo.

Tudo isso é mostrado em “Uma Aventura Lego 2” através de uma… aventura, claro… frenética, engraçadíssima, emocionante e… emocional! À exemplo do primeiro, as relações entre as figuras humanas na “vida real” refletem na vida dos personagens de plástico colorido. Vemos o que acontece com aquela cidade onde “tudo é incrível” quando os habitantes se deparam com a chegada de uma misteriosa raça alienígena cuti cuti que destrói tudo com ataques de fofura! Acontece um verdadeiro apocalipse a la Mad Max!

Na verdade, esse evento marca a chegada da irmã mais nova ao porão da brincadeira e, também, o início da fase pré-adolescente do menino, cheia de dúvidas e incertezas (crescer ou não crescer?), que reflete diretamente nos habitantes da cidade feita de Lego e impulsiona a trama pra frente durante todo o filme!

O roteiro mostra tantas camadas de mensagens para crianças e, pasmen, para os adultos, que daria para falar por horas a fio! E o melhor, sem se tornar um filme didático e chato! É tudo muito… caham… incrível!

Mas se tem uma mensagem principal que pode ser tirada, é que somos uma colcha de retalhos que vamos costurando pedacinho por pedacinho à medida que vamos crescendo. Por isso mesmo, não se deve endoidar tentando ser um adulto maduro 24h por dia só porque já chegamos nessa fase. Não deixamos nenhum aspecto de nossa personalidade pra trás, apenas vão ficando menos dominantes! O que é natural, já que é óbvio que um adulto já não tem mais a mesma imaginação para brincar que uma criança! Mas daí a deixar de sorrir, de se divertir, de rir da própria cara, de fazer mungangos, de só pensar em trabalho, trabalho, trabalho, contas, contas, contas, tristeza, amargura, pessimismo, só porque é “adulto”, já é um exagero!

Como o próprio filme nos ensina (de novo, já que esquecemos com frequência!), quando crescemos “nem tudo é incrível, mas não podemos perder a esperança, nem a alegria”!

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