VI NO CINEMA: Capitã Marvel

Capitã Marvel é um filme de origem. E como tal, tem todos os problemas que um filme de origem tem, independentemente de ser protagonizado por uma mulher, por um homem, por um gato, ornitorrinco, árvore, periquito e por aí vai! O filme precisa explicar quem é a pessoa, de onde vieram seus poderes, quais são suas motivações, quem são seus inimigos (de onde vieram seus poderes, quais são suas motivações…), qual é o ambiente em que a pessoa vive e etc, etc, etc!

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Nesse ponto, o roteiro acaba sendo o mais básico possível no início do filme, com cenas que só servem para explicar as coisas para o espectador. Não que isso seja um problema! As cenas inicias servem para isso mesmo, situar o espectador naquela história! O problema é quando você consegue perceber que os personagens estão te explicando ao invés de “viverem” algo natural (repare na cena em que conversam sobre a aparência da Inteligência Suprema no início do filme ou quando falam do sangue “azul” da Carol já pro final)! O enredo precisa enganar o público e, aqui, passa longe disso!

Por outro lado, não poderiam ter escolhido melhor atriz para viver a Carol Danvers. À exemplo de Robert Downey Jr., Chris Evans e Gal Gadot, aqui não vemos a persona de Brie Larson, mas sim a capitã da aeronáutica durona e determinada! A atriz consegue nos convencer que é, sim, a personagem! Para você entender o que estou dizendo, basta ver o caso de Aquaman, em que o Jason Momoa interpreta a si mesmo e só conseguimos gostar do personagem porque o ator tem muito carisma, mas ele não convence como o Rei dos Mares!

Quanto aos vilões… ah, os vilões dos filmes da Marvel! São sempre o elo mais fraco! Verdade seja dita: nos quadrinhos de super-heróis, apenas o Batman e o Homem-Aranha têm uma galeria memorável de vilões. E, mesmo assim, é muito difícil transpô-los de forma eficiente para a película. Imagine pra quem só tem bucha genérica como vilões! O roteiro tem que se esforçar para engrandecer a personagem e mostrar o quão poderosa ela é apenas por conta própria, já que os vilões são qualquer coisa de ridículos! Não representam a menor ameaça para a Capitã Marvel, ainda mais quando ela literalmente explode com todo o seu potencial!

Nesse universo cinematográfico da Marvel, não teremos o guerreiro kree Mar-Vell (pelo menos é o que deu a entender). Para quem é fã do personagem, como eu, é uma pena não vê-lo em carne e osso! Mas dá pra entender a sua exclusão para evitar confusão entre os personagens! No entanto, o roteiro acertadamente tratou de juntar à história da Capitã Marvel alguns elementos-chave da trajetória de Mar-Vell, como uma ligação com um certo artefato geométrico! E vale mencionar uma reviravolta na guerra Kree/Skrull que nos faz pensar sobre as consequências dessa guerra para as “pessoas” comuns! Muito bom!

Por fim, que cuti cuti mais fofa a atriz mirim que interpreta a Monica (cof, cof, Fóton…) Rambeau! Dá vontade de abraçar até espocar!!! E que homenagem de arrepiar para o bom e velho Stan Lee! Caiu um cisco no olho…

Enfim… como filme de origem, Capitã Marvel tem seus problemas de ritmo e didatismo exacerbado em algumas cenas em que precisa explicar as coisas. Mas está longe de ser um filme ruim! E o recado que fica para os nerds héteros de 30 anos que ainda vivem com os pais e que estão detonando o filme de uma mulher, é o seguinte: se você só gosta de filmes de super-heróis homens brancos, machos e musculosos de peito peludo (ou peito pelado) como o Henry Cavill, não precisa assistir a um filme com mulher! Basta lembrar que você não existe sozinho no mundo e que o planeta também é habitado por mulheres que merecem ter suas heroínas! E nem todo filme precisa ser feito só pra você!

VI NO CINEMA: Uma Aventura Lego 2

A relação que temos com os nossos brinquedos vai se modificando ao longo do tempo. De início lúdico e imaginativo, passa para algo antagonista quando começamos a enxergá-los como “coisa de criança”, até chegar na pura nostalgia guardados dentro de caixas ou em estantes de colecionismo.

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Muito da nossa personalidade também é mostrada através dos brinquedos, principalmente para quem tem irmão mais novo (ou mais velho) e precisa aprender a lidar com a “partilha dos bens”, algo que vai desenvolvendo o nosso senso de solidariedade, comunhão e união, mesmo que entremeadas por momentos de soberba e egoísmo.

Tudo isso é mostrado em “Uma Aventura Lego 2” através de uma… aventura, claro… frenética, engraçadíssima, emocionante e… emocional! À exemplo do primeiro, as relações entre as figuras humanas na “vida real” refletem na vida dos personagens de plástico colorido. Vemos o que acontece com aquela cidade onde “tudo é incrível” quando os habitantes se deparam com a chegada de uma misteriosa raça alienígena cuti cuti que destrói tudo com ataques de fofura! Acontece um verdadeiro apocalipse a la Mad Max!

Na verdade, esse evento marca a chegada da irmã mais nova ao porão da brincadeira e, também, o início da fase pré-adolescente do menino, cheia de dúvidas e incertezas (crescer ou não crescer?), que reflete diretamente nos habitantes da cidade feita de Lego e impulsiona a trama pra frente durante todo o filme!

O roteiro mostra tantas camadas de mensagens para crianças e, pasmen, para os adultos, que daria para falar por horas a fio! E o melhor, sem se tornar um filme didático e chato! É tudo muito… caham… incrível!

Mas se tem uma mensagem principal que pode ser tirada, é que somos uma colcha de retalhos que vamos costurando pedacinho por pedacinho à medida que vamos crescendo. Por isso mesmo, não se deve endoidar tentando ser um adulto maduro 24h por dia só porque já chegamos nessa fase. Não deixamos nenhum aspecto de nossa personalidade pra trás, apenas vão ficando menos dominantes! O que é natural, já que é óbvio que um adulto já não tem mais a mesma imaginação para brincar que uma criança! Mas daí a deixar de sorrir, de se divertir, de rir da própria cara, de fazer mungangos, de só pensar em trabalho, trabalho, trabalho, contas, contas, contas, tristeza, amargura, pessimismo, só porque é “adulto”, já é um exagero!

Como o próprio filme nos ensina (de novo, já que esquecemos com frequência!), quando crescemos “nem tudo é incrível, mas não podemos perder a esperança, nem a alegria”!

VI NO CINEMA: Alita – Anjo de Combate

O primeiro contato que tive com a Alita (nome pelo qual a personagem é chamada nos EUA) foi através de uma versão não-autorizada de volume único que encontrei por acaso em uma banquinha de esquina no centro da cidade! Logo de cara, o mangá passou a figurar entre os meus favoritos, ao lado de Evangelion, Lobo Solitário, Mai e Blade!

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Tempos depois, foi lançada um versão oficial da Gally (nome pelo qual a personagem é chamada no Japão) em dezoito volumes com o título “Hyper Future Vision Gunnm”. Eu, que já era fã, fiquei ainda mais fascinado pela personagem!

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Imagem extraída do Guia dos Quadrinhos

 

Mais algum tempo, e Hollywood anuncia que estaria sendo preparada uma versão “live action” (o velho “com gente se mexendo”) sob a batuta de James Cameron. Não posso dizer que fiquei “preocupado” com isso! Aliás, acho um exagero quando vejo por aí o povo alardeando aos quatro ventos que está “muito preocupado, com muito medo” ou coisa do tipo ao se referir a algum filme, série, gibi… Gente, menos, né? Minha vida segue normalmente se uma adaptação for boa ou ruim!

Mesmo assim, já sabemos como é difícil o povo acertar a mão com adaptações de mangá e vídeo game! Por isso, a recepção à notícia de um filme da Alita (não me acostumo a vê-la como Gally de jeito nenhum!) não foi das mais calorosas. E piorou muito após a divulgação das primeiras imagens da atriz com os “zóios” arregalados por computador!

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Mesmo assim (já falei isso?), eis um caso de uma adaptação quase perfeita de um mangá para o cinema. Falo “quase perfeita”, porque o filme tem um probleminha de ritmo no primeiro terço devido à velha necessidade de situar o espectador no mundo da história. E parece que os roteiristas só sabem fazer isso com o didatismo, em que um ou mais personagens “explicam” tudo para o protagonista, geralmente desmemoriado, confuso ou recém-chegado (ou os três!). Tenho aprendido que, em um enredo, você deve seguir a máxima de “mostrar, não falar”! Com isso, o começo do filme fica um pouco lento demais, chato demais, sem muita naturalidade. Dá pra perceber que os personagens só estão falando pra situar o espectador, quando o ideal é que a gente não perceba (mesmo sabendo qual a função daquelas cenas).

O visual da Alita incomoda um pouco no início, não vou mentir! Mas logo nos acostumamos com os olhos desproporcionais devido à doçura com que a atriz interpreta a personagem. E aí, sim, dá pra entender a escolha em deixar os olhos como no mangá, porque transmitem de forma potencializada todas as emoções vividas pela Alita. No entanto, o corpo da menina destoa um pouco dos demais “humanos” por causa de uma leveza exagerada! Não sei dizer se a Alita foi feita por captura de movimento, mas no início do filme ela parece não ter peso, nem volume! Mas passados uns vinte minutos (quando tem a primeira cena de ação), esse problema parece ter sido corrigido e seguimos sem sentir mais nenhum estranhamento até o final!

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A Alita realmente vai crescendo como “pessoa” ao longo da trama, mostrando que dá pra escrever uma personagem feminina forte (por dentro e por fora, literalmente), sem deixar de lado a meiguice e a doçura. Não é porque ela é forte, que não possa ser meiga e até se apaixonar, por exemplo! Aliás, é impossível não se apaixonar pela Alita por todos esses atributos! Quanto às bizarrices mais extremadas do mangá, foram todas amenizadas no filme para evitar uma censura alta! Mesmo assim (de novo?), a essência da brutalidade das cenas de ação estão todas lá! E são de encher os olhos!

Por fim, “Alita – Anjo de Combate” traz uma nova esperança por boas adaptações de mangá, onde o respeito pela essência da obra original prevaleça. Para quem tem a versão em dezoito volumes da Editora JBC, saiba que o filme adapta os cinco primeiros. Agora é torcer para a bilheteria ter um bom resultado que propicie a gravação da continuação. A Alita merece!

Vi no cinema: JOGADOR Nº 01

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Não sei dizer se o Spielberg voltou à “boa forma” dos filmes de aventura da década de 80 com Jogador Nº 01. O que sei dizer é que os filmes de aventura da década de 80 não têm como voltar para os dias atuais. Vivi essa época e era um contexto completamente diferente de hoje em dia. Por mais que o Spielberg já comece o filme com uma música descolada da década de 80, o Jogador Nº 01 não passa de um exercício afetivo de nostalgia. E não tem como ser diferente, ora. As referências são todas de uma década que já passou. Por mais perfeito que seja o filme, ele continuará sendo apenas uma homenagem! Vou dizer que o diretor voltou à sua boa forma quando ele fizer um filme de aventura no contexto atual, com as referências contemporâneas.

Essa onda de revival é bacana, mas não basta o diretor escolher uma trilha da Cindy Lauper e colocar em um filme para torná-lo oitentista. A Cindy Lauper estava nos Goonies, por exemplo, porque as músicas simplesmente eram daquela época! E outra coisa: em Jogador Nº 01 os personagens ficam a todo momento explicando que as inúmeras referências do passado estão ali porque o criador do jogo cresceu com elas e gosta de tudo aquilo! É forçar um pouco a barra para justificar em tela elementos que não sejam contemporâneos! Mas isso quer dizer que o Jogador Nº 01 é ruim? Não! Pelo contrário! É um filme divertidíssimo, mas com cara de emulação dos ótimos filmes da década de 80! Gostei bastante e a molecada de hoje em dia com certeza vai delirar!

O que gostei também, além de toda a avalanche vertiginosa de referências, foi a pegada meio “Goonies” do filme. Tal qual o Mickey, que conhece a fundo a “cabeça” do Willie Caolho e usa esse conhecimento para decifrar as pistas do tesouro, aqui, o protagonista Wade Watts também se vale do seu conhecimento da personalidade e forma de pensar do criador do jogo Oasis, James Halliday, para conseguir decifrar as pistas e avançar de “fase”. Os vilões também representam ameaça, mas sem serem ameaçadores (faz sentido isso?). A atmosfera do enredo faz a gente lembrar, claro, de Tron e de Matrix.

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Em relação às referências e aos diversos personagens que aparecem em tela, lembrei muito de “Uma Cilada para Roger Rabbit”. Em diversos momentos fiquei imaginando como estariam se sentido os jovens assistindo ao filme. Será que estavam tão empolgados quanto eu fiquei na primeira vez em que assisti ao filme do coelho Roger Rabbit e vi diversos personagens de cartoon contracenando juntos? Espero que tenham a mesma sensação. Porque cheguei à conclusão de que o Jogador Nº 01 é uma espécie de “Uma Cilada para Roger Rabbit” dessa geração. Aliás, a motivação de todo o enredo (que não vou falar pra não estragar a experiência) é muito parecida com a do filme do Rabbit.

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Agora, uma crítica ferrenha vai para o tal do 3D. Ô recursozinho que já cansou e que não serve pra mais nada, além de escurecer a tela (pra mim, que sou cego, foi osso enxergar aquele monte de coisas acontecendo) e encarecer o ingresso! Tento fugir ao máximo das exibições 3D, mas dessa vez não foi possível. Infelizmente!

Vi no cinema: Pantera Negra

Hoje em dia todo mundo é crítico de cinema! Todo mundo aponta o dedo para o enredo, para o roteiro, para a narrativa, para a direção, para a atuação, fotografia, figurino, cenografia, computação gráfica, trilha sonora… e esquece de simplesmente sentar na poltrona do cinema e curtir o momento! Hoje em dia todo mundo quer ter a sua opinião formada a todo custo sobre o filme e perde a magia que é imergir naquela tela por duas horas e meia (ou menos)! E não só isso… Como a concorrência está ferrenha, os estúdios “entregam” praticamente o filme inteiro em inúmeros trailers, o que faz com que a audiência já compre o ingresso com a tal da opinião formada! Tudo bem que um mísero ingresso não é mais a coisa mais barata do mundo, mas a galera parece ser tão insegura consigo mesma, que precisa saber de tudo antes de “investir” aquela grana milionária no tal ingresso, com a certeza de que terá o seu retorno financeiro garantido na figura de um filme perfeito da sua vida! E pior: esperam saber a opinião de terceiros para saber se é “seguro” ir ao cinema! Se quer um conselho, evite isso! Tente ao menos uma vez ir ao cinema às cegas! É tão bom! E se está lendo isso aqui pra saber se deve ou não assistir ao Pantera Negra, não perca seu tempo! Primeiro, porque não sou crítico de cinema e, segundo, porque esse texto é apenas um bate-papo!

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Antigamente, no “meu tempo”, costumávamos ir aos cinemas de rua, daqueles enormes que também serviam de teatro de vez em quando. Como o acesso à informação era muito difícil (um mundo sem internet), o que a gente conseguia saber era através da saudosa revista SET e do “trailer” de 30 segundos que passava na TV no período de estreia dos filmes. Só isso! E vou te dizer… Era maravilhoso! A imersão no filme era completa! Saíamos empolgados do cinema e sentávamos na calçada de casa para comentar, mesmo se o filme não fosse lá essas coisas!

Hoje em dia, o que dá pra fazer é isso que você está lendo agora: escrever algumas linhas no blog. Principalmente para uma pessoa como eu, que já não tenho mais amigos para sentar na beira da calçada e conversar a valer!

Uma coisa que venho fazendo já há algum tempo, é saber o mínimo possível sobre os filmes que pretendo assistir. Não leio mais nada antes do lançamento e, trailer… só vejo o primeiro, quando muito! E isso tem me ajudado a imergir melhor na experiência! Se ponha no meu lugar… um cara de 39 anos, viciado em filmes, que já assiste há pelo menos… 32 anos (vamos colocar o marco zero como sendo aos 7 anos, que é uma idade que acredito já ter começado a ter um pouco de entendimento das coisas!), que também é quadrinhista (uma linguagem irmã do cinema) e que estuda há anos o bê-á-bá dessa linguagem… É muito fácil eu perder o interesse no que está rolando em cena e começar a analisar os quesitos técnicos! Agora imagine se eu visse todos os trailers e lesse tudo a respeito! Seria o inferno! Não conseguiria o mínimo de imersão e o cinema estaria morto pra mim!

Agora, o que isso tudo tem a ver com o Pantera Negra? Como só assisti ao primeiro trailer e não vi mais nada (nem posteres), o filme teve um sabor diferente pra mim. E olha que fui ao cinema com praticamente zero de referência. Diferente da maioria dos outros super-heróis em que já li quase tudo, do Pantera Negra nunca li as HQs clássicas. Aliás, detestava as histórias dele na Superaventuras Marvel e as pulava para ler as mais legais (Demolidor, X-men, Justiceiro…). Nem sabia que o Garra Sônica era originalmente um inimigo dele! Pra mim, Ulisses Klau era apenas o ajudante apalermado do Beyonder em Guerras Secretas (a primeira!) e que fora utilizado soberbamente em histórias mais recentes do Demolidor escritas pelo Mark Waid. As únicas vezes em que li histórias com o T’Challa, era como integrante dos Vingadores, e não entendia como um rei deixava o seu país para ser “besta” em uma equipe de super-heróis americana! Mas isso tudo serviu para tornar a experiência do filme ainda melhor! E vou dizer só mais uma coisa… que bela equipe de guarda-costas femininas, viu? Deu gosto de ver! Roubou a cena!

É isso!

Vi no cinema: Guardiões da Galáxia Vol II

Assisti ao filme Guardiões da Galáxia Vol II e achei sensacional por vários motivos. O primeiro é porque o filme não usa a fórmula batida do “cada vez maior” para a sequência. Seu enredo é até mais contido do que o filme anterior, focando principalmente na busca do Senhor das Estrelas por sua identidade. Outro motivo é o fato de o filme também se conter em relação à interligação com o Universo Cinematográfico Marvel. Tudo bem que é divertido ver como cada filme está ligado ao outro. Mas, pelo menos da minha parte, já cansei um pouco disso! E Guardiões da Galáxia, a exemplo do Doutor Estranho e (um pouco) de Homem-Formiga, só insinua a interligação, sem a necessidade de cada acontecimento ter que obrigatoriamente repercutir o que aconteceu antes em outros filmes.

Mas o principal motivo de ter gostado bastante desse filme, foi ver algumas das criaturas e personagens mais bizarros e obscuros da Marvel em carne (?) e osso. Só pra ficar no principal personagem bizarro, nunca passou pela minha cabeça ver Ego, o Planeta Vivo, em toda a sua glória (não vou nem falar de outras criaturas que aparecem junto com o Stan Lee). E é claro que tudo isso trouxe várias referências à minha mente durante e depois do filme.

Só pra começar, me deu logo vontade de reler as histórias da Liga de Justiça Internacional por conta do mesmo tipo de humor que foi empregado no filme. Pra quem não conhece, essa versão da Liga surgiu como parte da reformulação da Crise nas Infinitas Terras, mas que só deu as caras mesmo após outra minissérie, Lendas. Como na época os maiores figurões da DC estavam tendo suas próprias reformulações (Superman, Mulher-Maravilha, Batman…), os roteiristas não liberaram seus personagens e coube a Keith Giffen e J.M. Dematteis a tarefa de se virar apenas com heróis de segundo escalão (tipo o James Gunn)! Só o Batman foi liberado porque o seu editor ficou com pena dos caras!

Daí surgiu a ideia de fazer uma Liga diferente, com pegadas de humor pastelão, do tipo que você está vendo hoje nos filmes dos Guardiões. Em meio a tantas histórias memoráveis (e impagáveis) recomendo o arco em que a Liga vai parar em Apokolipse para resgatar o Senhor Milagre que havia sido sequestrado a mando da Vovó Bondade, assecla de Darkseid. Nem preciso dizer que os heróis se metem em confusões inacreditáveis (O Caçador de Marte, a Grande Barda e o Gnort juntos em uma nave é demais!). Sem contar que o Lobo ainda está tentando assassinar o grupo. O arco começa mesmo por volta da edição 17, mas pega fogo nos números 21 e 22 (formatinhos da Abril).

Por falar em humor e criaturas bizarras, também veio à mente a sensacional Graphic Marvel 01: Hulk e o Coisa! Escrita pelo cara que “manja dos paranauê” cósmicos Jim Starlin e soberbamente desenhada pelo grande Berni Wrightson, o álbum conta a história de como os dois monstros foram “contratados” para entregar uma intimação para um chefão, só que do outro lado da galáxia. Sobram aí criaturas e situações impagáveis de todo jeito. Destaque para o “chapéu” que o Hulk usa para se disfarçar na multidão de aliens!

E por falar em Jim Starlin, outra obra que deu vontade de reler após o filme foi a Graphic Novel 03: A Morte do Capitão Marvel. A HQ narra, claro, os últimos momentos de vida do guerreiro kree e vemos um desfile de personagens cósmicos da Marvel, incluindo Thanos e a própria Morte. Sem contar vários dos super-heróis que também aparecem para prestar sua homenagem ao colega.

É claro que tem as referências mais óbvias, como A Saga de Thanos que traz, entre outras coisas, todo o surgimento de Adam Warlock, e a minissérie Desafio Infinito, que coloca o Titã louco de posse da manopla do infinito e mostra também a vingança da Nebulosa. Quem assistir ao Guardiões da Galáxia Vol II e ler as HQs, certamente vai começar a ter um vislumbre de como o Thanos pode vir a ser derrotado nos filmes vindouros!

Pra finalizar as referências, recomendo a minissérie em duas edições “Thanos: Em busca de Poder”. Escrita por Jim Starlin (claro!) e desenhada por Rom Lim, a história se passa antes de Desafio Infinito e mostra como Thanos conseguiu as joias do infinito.

Dicas Ilustradas: Máscara da Ilusão

O britânico Dave Mckean é popularmente conhecido como “o cara que fez as capas do Sandman”. Mas ele é mais do que isso. Muito mais! Embora não seja pouca coisa ser capista do Sandman, Mckean também é artista plástico, desenhista, quadrinhista, diretor de arte, designer gráfico, escritor, fotógrafo, músico e ilustrador (dentre outras coisas!). E o mais impressionante é que o cara faz tudo isso bem!

Como quadrinhista, já produziu obras sensacionais, como “Batman: Asilo Arkham”, a graphic novel que mais tarde daria título à franquia de jogos do homem morcego. Sempre ao lado de grandes feras dos roteiros como Grant Morrinson (que escreveu o “Asilo Arkham”), e o seu parceiro de longa data Neil Gaiman.

Foi justamente com Neil Gaiman que Dave Mckean mais colaborou. Nos quadrinhos, a dupla produziu preciosidades como “Orquídea Negra”, “Violent Cases”, “Mr. Punch”, “Sinal e Ruído”… apenas para citar alguns! Essa parceria também foi levada para os livros ilustrados, de onde saiu “Os Lobos dentro das paredes”, “Cabelo doido” e a primeira versão de “Coraline”, em que Mckean fez belíssimas ilustrações com bico de pena, pincel e nanquim.

Diante de tantos trabalhos, o que mais faltava? Dave Mckean em “movimento”, claro! Foi daí que surgiu o filme “Máscara da Ilusão”, com história por Mckean e Gaiman, roteiro de Gaiman e direção de Mckean. Além de um terceiro parceiro na produção, a “Jim Henson Company”, conhecida por criar os Muppets e dar vida às Tartarugas Ninja nos filmes das décadas de 80 e 90.

Máscara da Ilusão é uma espécie de “O que aconteceria se Dave Mckean fizesse a sua versão de Alice no País das Maravilhas?”. O filme conta a história de Helena, uma menina que trabalha no circo, mas que gostaria de ter uma vida comum. Tal qual Alice, ela embarca em uma jornada para uma terra fantástica e precisa encontrar a tal máscara da ilusão para poder voltar pra casa.

Tudo o que caracteriza o trabalho de Dave Mckean está no filme. Seus personagens exóticos e com visual estilizado; os cenários fantásticos (mesmo os do “mundo real”); as cores ora saturadas, ora dessaturadas; as colagens de elementos estranhos; e até a ilustração! A experimentação imagética que é a sua marca nos quadrinhos, livros ilustrados e capas de CD de bandas de rock e heavy metal, estão em cada frame desse filme. Em determinado momento, é até difícil prestar atenção no enredo sem ficar observando cada detalhe do visual.

Para quem ainda não conhece o trabalho do Dave Mckean, o filme Máscara da Ilusão é uma ótima porta de entrada. Depois de subirem os créditos finais, vai ser impossível não querer correr pra livraria!

Para assistir ao trailer, clique aqui.

Dicas Ilustradas: A Casa dos Contos de Fadas

Descobri o filme “A Casa dos Contos de Fadas” por acaso, quando zapeava a Netflix à procura de algo interessante para assistir (quase não tem opções, né?). Bem, não foi assim tão por acaso, já que o algoritmo o colocou entre as opções que poderiam me interessar, baseado no que eu já havia assistido antes.

O filme conta a história de uma família que herda a casa à beira-mar de uma tia. Cada ente recebe um presente. O pai e a mãe recebem a casa, claro, enquanto a filha mais velha fica com uma boneca (que a recebe um pouco a contragosto!) e o filho mais novo, fica com a chave para a biblioteca. O menino tem a missão de ser o novo guardião dos personagens dos contos de fadas, mas um pequeno detalhe (que não vou dizer qual é pra não estragar a história!) quase põe tudo a perder.

Logo de cara fiquei fascinado pelo filme, não apenas por sua história, mas pelo estilo das ilustrações. O traço estilizado de linhas sinuosas (nada é rigorosamente “reto” aqui) sai do lugar comum do que estamos acostumados a ver nas animações e mostra versões dos personagens dos contos de fadas diferentes do que já vimos nos filmes da Disney, por exemplo. A paleta de cores usada em cada ambiente, as padronagens de papel de parede, toalha de mesa, piso e as texturas da areia da praia, dos troncos das árvores e objetos, dão a impressão de que estamos vendo um livro ilustrado em movimento. O visual dos personagens “reais” e os detalhes dos cenários mostrados em ângulos e enquadramentos requintados, são outros pontos que tornam esse filme uma ótima referência de como criar ilustrações com estilo.

Como já falei, “A Casa dos Contos de Fadas” está disponível na Netflix. Corre lá! Se preferir, dá uma olhadinha antes no trailer clicando aqui. Bom filme e boas referências!

Vi no cinema: Logan

Assisti ao filme que teoricamente encerra a participação de Hugh Jackman no papel do “baixinho” invocado que é o melhor no que faz! Ao sair do cinema, me bateu uma vontade imensa de escrever alguma coisa sobre a experiência. Não sou crítico de cinema e nem tenho a pretensão de tornar estas linhas uma resenha do filme. No meu tempo, isso que estou fazendo aqui na forma de texto, era feito pessoalmente entre amigos ao pé da calçada. Em suma, vamos jogar um pouco de conversa fora sobre o filme Logan!

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Que o filme é muito bom, você já deve ter ouvido em algum lugar. Então não vou chover no molhado! O que vou falar são das referências que vieram à minha mente enquanto assistia. Além da óbvia referência à HQ “O Velho Logan”, o filme tem algumas cenas que lembram muito Mad Max (os filmes antigos). Tanto que na hora “gritei mentalmente” BARALHO, É O MAD MAX DO WOLVERINE! Só faltou aquela música (meio ópera) alucinante pra deixar a sequência ainda mais emocionante. Então corre e vai atrás da trilogia Mad Max com o Mel Gibson. Deixa a Fúria de lado…

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Outra referência foi o grupo de vilões Carniceiros. Nas HQs, esse grupo é formado por diversos vilões que foram, em algum momento ou outro, humilhados pelos X-men e depois acabaram se reunindo. Temos aí o líder Donald Pierce, ex-Clube do Inferno; a terrível Lady Letal, inimiga ferrenha do Wolverine; os capangas Reese, Cole e Macon, também ex-Clube do Inferno; e os ciborgues Lindinho, Racha-Crânio e Esmaga-Ossos, membros “fundadores” dos Carniceiros!

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O grupo inicia uma caçada sem precedentes aos X-men. Mas como os heróis mutantes estavam “desaparecidos” na época, sobrou para o Wolverine. É aqui que entra a próxima referência: a sensacional HQ “Devaneios Febris”, publicada no Brasil em X-men #53 (formatinho da Abril) e que mostra o Logan capturado e torturado pelos Carniceiros. Ele só consegue fugir no final com a ajuda da Jubileu, o que dá início na edição seguinte a uma caçada alucinante!

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Para finalizar, uma última referência que me ocorreu foi a fase “Caolho” do Wolverine em Madripoor. Muita gente está torcendo o nariz pela ausência do uniforme. Eu mesmo gostaria de ver um filme dos X-men em que os produtores finalmente abraçassem essa “causa”. Mas é inegável que uma das melhores fases do Wolverine é justamente a que não tem um pingo de amarelo, laranja ou marrom em seu figurino. Tudo bem! Tem um uniforme azul que aparece de vez em quando! Mas o bacana das histórias do “Caolho” era justamente mostrar esse lado mundano e menos fantástico do Wolverine, mesmo que tivesse alguns vilões bem esquisitos!

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Agradecimento ao pessoal do Guia dos Quadrinhos, de onde peguei as capas restauradas aqui publicadas.

O Robocop do Padilha é bom!

Passei por um misto de expectativas antes de ver o remake do Robocop, que variou entre não esperar coisa alguma do filme e aguardar com ansiedade a sua estreia. E agora, após sair do cinema, posso afirmar que a película é, sim, boa. Sem comparações com o original, por favor, já que é um clássico irretocável que ainda continuará na mente dos fãs, felizmente!

O que me agradou no remake é que não existe um maniqueísmo exacerbado. Cada personagem ali posto tem a sua motivação para fazer o que faz. E o enredo é todo construído com base nisso. É, acima de tudo, um filme sério, que trata os temas propostos com seriedade, mas sem querer ir além disso e tentar oferecer uma história “sombria” com a desculpa de ser realista. Mas já tem um ponto a favor o fato de não ter as famigeradas piadinhas que acometem a maioria dos filmes atuais. Tem, sim, muita ironia e sarcasmo, principalmente por parte do personagem do Samuel L. Jackson. Uma das poucas coisas que me incomodou foi a armadura preta. Mas até isso tem um propósito narrativo e o final deixa um gancho referente à armadura que causa entusiasmo. Agora é torcer para o filme fazer grana e o estúdio oferecer os bagos para o Padilha fazer o segundo. Pelo menos eu fiquei com vontade de ver uma continuação.

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