Vi no cinema: Guardiões da Galáxia Vol II

Assisti ao filme Guardiões da Galáxia Vol II e achei sensacional por vários motivos. O primeiro é porque o filme não usa a fórmula batida do “cada vez maior” para a sequência. Seu enredo é até mais contido do que o filme anterior, focando principalmente na busca do Senhor das Estrelas por sua identidade. Outro motivo é o fato de o filme também se conter em relação à interligação com o Universo Cinematográfico Marvel. Tudo bem que é divertido ver como cada filme está ligado ao outro. Mas, pelo menos da minha parte, já cansei um pouco disso! E Guardiões da Galáxia, a exemplo do Doutor Estranho e (um pouco) de Homem-Formiga, só insinua a interligação, sem a necessidade de cada acontecimento ter que obrigatoriamente repercutir o que aconteceu antes em outros filmes.

Mas o principal motivo de ter gostado bastante desse filme, foi ver algumas das criaturas e personagens mais bizarros e obscuros da Marvel em carne (?) e osso. Só pra ficar no principal personagem bizarro, nunca passou pela minha cabeça ver Ego, o Planeta Vivo, em toda a sua glória (não vou nem falar de outras criaturas que aparecem junto com o Stan Lee). E é claro que tudo isso trouxe várias referências à minha mente durante e depois do filme.

Só pra começar, me deu logo vontade de reler as histórias da Liga de Justiça Internacional por conta do mesmo tipo de humor que foi empregado no filme. Pra quem não conhece, essa versão da Liga surgiu como parte da reformulação da Crise nas Infinitas Terras, mas que só deu as caras mesmo após outra minissérie, Lendas. Como na época os maiores figurões da DC estavam tendo suas próprias reformulações (Superman, Mulher-Maravilha, Batman…), os roteiristas não liberaram seus personagens e coube a Keith Giffen e J.M. Dematteis a tarefa de se virar apenas com heróis de segundo escalão (tipo o James Gunn)! Só o Batman foi liberado porque o seu editor ficou com pena dos caras!

Daí surgiu a ideia de fazer uma Liga diferente, com pegadas de humor pastelão, do tipo que você está vendo hoje nos filmes dos Guardiões. Em meio a tantas histórias memoráveis (e impagáveis) recomendo o arco em que a Liga vai parar em Apokolipse para resgatar o Senhor Milagre que havia sido sequestrado a mando da Vovó Bondade, assecla de Darkseid. Nem preciso dizer que os heróis se metem em confusões inacreditáveis (O Caçador de Marte, a Grande Barda e o Gnort juntos em uma nave é demais!). Sem contar que o Lobo ainda está tentando assassinar o grupo. O arco começa mesmo por volta da edição 17, mas pega fogo nos números 21 e 22 (formatinhos da Abril).

Por falar em humor e criaturas bizarras, também veio à mente a sensacional Graphic Marvel 01: Hulk e o Coisa! Escrita pelo cara que “manja dos paranauê” cósmicos Jim Starlin e soberbamente desenhada pelo grande Berni Wrightson, o álbum conta a história de como os dois monstros foram “contratados” para entregar uma intimação para um chefão, só que do outro lado da galáxia. Sobram aí criaturas e situações impagáveis de todo jeito. Destaque para o “chapéu” que o Hulk usa para se disfarçar na multidão de aliens!

E por falar em Jim Starlin, outra obra que deu vontade de reler após o filme foi a Graphic Novel 03: A Morte do Capitão Marvel. A HQ narra, claro, os últimos momentos de vida do guerreiro kree e vemos um desfile de personagens cósmicos da Marvel, incluindo Thanos e a própria Morte. Sem contar vários dos super-heróis que também aparecem para prestar sua homenagem ao colega.

É claro que tem as referências mais óbvias, como A Saga de Thanos que traz, entre outras coisas, todo o surgimento de Adam Warlock, e a minissérie Desafio Infinito, que coloca o Titã louco de posse da manopla do infinito e mostra também a vingança da Nebulosa. Quem assistir ao Guardiões da Galáxia Vol II e ler as HQs, certamente vai começar a ter um vislumbre de como o Thanos pode vir a ser derrotado nos filmes vindouros!

Pra finalizar as referências, recomendo a minissérie em duas edições “Thanos: Em busca de Poder”. Escrita por Jim Starlin (claro!) e desenhada por Rom Lim, a história se passa antes de Desafio Infinito e mostra como Thanos conseguiu as joias do infinito.

Dicas Ilustradas: Máscara da Ilusão

O britânico Dave Mckean é popularmente conhecido como “o cara que fez as capas do Sandman”. Mas ele é mais do que isso. Muito mais! Embora não seja pouca coisa ser capista do Sandman, Mckean também é artista plástico, desenhista, quadrinhista, diretor de arte, designer gráfico, escritor, fotógrafo, músico e ilustrador (dentre outras coisas!). E o mais impressionante é que o cara faz tudo isso bem!

Como quadrinhista, já produziu obras sensacionais, como “Batman: Asilo Arkham”, a graphic novel que mais tarde daria título à franquia de jogos do homem morcego. Sempre ao lado de grandes feras dos roteiros como Grant Morrinson (que escreveu o “Asilo Arkham”), e o seu parceiro de longa data Neil Gaiman.

Foi justamente com Neil Gaiman que Dave Mckean mais colaborou. Nos quadrinhos, a dupla produziu preciosidades como “Orquídea Negra”, “Violent Cases”, “Mr. Punch”, “Sinal e Ruído”… apenas para citar alguns! Essa parceria também foi levada para os livros ilustrados, de onde saiu “Os Lobos dentro das paredes”, “Cabelo doido” e a primeira versão de “Coraline”, em que Mckean fez belíssimas ilustrações com bico de pena, pincel e nanquim.

Diante de tantos trabalhos, o que mais faltava? Dave Mckean em “movimento”, claro! Foi daí que surgiu o filme “Máscara da Ilusão”, com história por Mckean e Gaiman, roteiro de Gaiman e direção de Mckean. Além de um terceiro parceiro na produção, a “Jim Henson Company”, conhecida por criar os Muppets e dar vida às Tartarugas Ninja nos filmes das décadas de 80 e 90.

Máscara da Ilusão é uma espécie de “O que aconteceria se Dave Mckean fizesse a sua versão de Alice no País das Maravilhas?”. O filme conta a história de Helena, uma menina que trabalha no circo, mas que gostaria de ter uma vida comum. Tal qual Alice, ela embarca em uma jornada para uma terra fantástica e precisa encontrar a tal máscara da ilusão para poder voltar pra casa.

Tudo o que caracteriza o trabalho de Dave Mckean está no filme. Seus personagens exóticos e com visual estilizado; os cenários fantásticos (mesmo os do “mundo real”); as cores ora saturadas, ora dessaturadas; as colagens de elementos estranhos; e até a ilustração! A experimentação imagética que é a sua marca nos quadrinhos, livros ilustrados e capas de CD de bandas de rock e heavy metal, estão em cada frame desse filme. Em determinado momento, é até difícil prestar atenção no enredo sem ficar observando cada detalhe do visual.

Para quem ainda não conhece o trabalho do Dave Mckean, o filme Máscara da Ilusão é uma ótima porta de entrada. Depois de subirem os créditos finais, vai ser impossível não querer correr pra livraria!

Para assistir ao trailer, clique aqui.

Dicas Ilustradas: A Casa dos Contos de Fadas

Descobri o filme “A Casa dos Contos de Fadas” por acaso, quando zapeava a Netflix à procura de algo interessante para assistir (quase não tem opções, né?). Bem, não foi assim tão por acaso, já que o algoritmo o colocou entre as opções que poderiam me interessar, baseado no que eu já havia assistido antes.

O filme conta a história de uma família que herda a casa à beira-mar de uma tia. Cada ente recebe um presente. O pai e a mãe recebem a casa, claro, enquanto a filha mais velha fica com uma boneca (que a recebe um pouco a contragosto!) e o filho mais novo, fica com a chave para a biblioteca. O menino tem a missão de ser o novo guardião dos personagens dos contos de fadas, mas um pequeno detalhe (que não vou dizer qual é pra não estragar a história!) quase põe tudo a perder.

Logo de cara fiquei fascinado pelo filme, não apenas por sua história, mas pelo estilo das ilustrações. O traço estilizado de linhas sinuosas (nada é rigorosamente “reto” aqui) sai do lugar comum do que estamos acostumados a ver nas animações e mostra versões dos personagens dos contos de fadas diferentes do que já vimos nos filmes da Disney, por exemplo. A paleta de cores usada em cada ambiente, as padronagens de papel de parede, toalha de mesa, piso e as texturas da areia da praia, dos troncos das árvores e objetos, dão a impressão de que estamos vendo um livro ilustrado em movimento. O visual dos personagens “reais” e os detalhes dos cenários mostrados em ângulos e enquadramentos requintados, são outros pontos que tornam esse filme uma ótima referência de como criar ilustrações com estilo.

Como já falei, “A Casa dos Contos de Fadas” está disponível na Netflix. Corre lá! Se preferir, dá uma olhadinha antes no trailer clicando aqui. Bom filme e boas referências!

Vi no cinema: Logan

Assisti ao filme que teoricamente encerra a participação de Hugh Jackman no papel do “baixinho” invocado que é o melhor no que faz! Ao sair do cinema, me bateu uma vontade imensa de escrever alguma coisa sobre a experiência. Não sou crítico de cinema e nem tenho a pretensão de tornar estas linhas uma resenha do filme. No meu tempo, isso que estou fazendo aqui na forma de texto, era feito pessoalmente entre amigos ao pé da calçada. Em suma, vamos jogar um pouco de conversa fora sobre o filme Logan!

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Que o filme é muito bom, você já deve ter ouvido em algum lugar. Então não vou chover no molhado! O que vou falar são das referências que vieram à minha mente enquanto assistia. Além da óbvia referência à HQ “O Velho Logan”, o filme tem algumas cenas que lembram muito Mad Max (os filmes antigos). Tanto que na hora “gritei mentalmente” BARALHO, É O MAD MAX DO WOLVERINE! Só faltou aquela música (meio ópera) alucinante pra deixar a sequência ainda mais emocionante. Então corre e vai atrás da trilogia Mad Max com o Mel Gibson. Deixa a Fúria de lado…

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Outra referência foi o grupo de vilões Carniceiros. Nas HQs, esse grupo é formado por diversos vilões que foram, em algum momento ou outro, humilhados pelos X-men e depois acabaram se reunindo. Temos aí o líder Donald Pierce, ex-Clube do Inferno; a terrível Lady Letal, inimiga ferrenha do Wolverine; os capangas Reese, Cole e Macon, também ex-Clube do Inferno; e os ciborgues Lindinho, Racha-Crânio e Esmaga-Ossos, membros “fundadores” dos Carniceiros!

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O grupo inicia uma caçada sem precedentes aos X-men. Mas como os heróis mutantes estavam “desaparecidos” na época, sobrou para o Wolverine. É aqui que entra a próxima referência: a sensacional HQ “Devaneios Febris”, publicada no Brasil em X-men #53 (formatinho da Abril) e que mostra o Logan capturado e torturado pelos Carniceiros. Ele só consegue fugir no final com a ajuda da Jubileu, o que dá início na edição seguinte a uma caçada alucinante!

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Para finalizar, uma última referência que me ocorreu foi a fase “Caolho” do Wolverine em Madripoor. Muita gente está torcendo o nariz pela ausência do uniforme. Eu mesmo gostaria de ver um filme dos X-men em que os produtores finalmente abraçassem essa “causa”. Mas é inegável que uma das melhores fases do Wolverine é justamente a que não tem um pingo de amarelo, laranja ou marrom em seu figurino. Tudo bem! Tem um uniforme azul que aparece de vez em quando! Mas o bacana das histórias do “Caolho” era justamente mostrar esse lado mundano e menos fantástico do Wolverine, mesmo que tivesse alguns vilões bem esquisitos!

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Agradecimento ao pessoal do Guia dos Quadrinhos, de onde peguei as capas restauradas aqui publicadas.

O Robocop do Padilha é bom!

Passei por um misto de expectativas antes de ver o remake do Robocop, que variou entre não esperar coisa alguma do filme e aguardar com ansiedade a sua estreia. E agora, após sair do cinema, posso afirmar que a película é, sim, boa. Sem comparações com o original, por favor, já que é um clássico irretocável que ainda continuará na mente dos fãs, felizmente!

O que me agradou no remake é que não existe um maniqueísmo exacerbado. Cada personagem ali posto tem a sua motivação para fazer o que faz. E o enredo é todo construído com base nisso. É, acima de tudo, um filme sério, que trata os temas propostos com seriedade, mas sem querer ir além disso e tentar oferecer uma história “sombria” com a desculpa de ser realista. Mas já tem um ponto a favor o fato de não ter as famigeradas piadinhas que acometem a maioria dos filmes atuais. Tem, sim, muita ironia e sarcasmo, principalmente por parte do personagem do Samuel L. Jackson. Uma das poucas coisas que me incomodou foi a armadura preta. Mas até isso tem um propósito narrativo e o final deixa um gancho referente à armadura que causa entusiasmo. Agora é torcer para o filme fazer grana e o estúdio oferecer os bagos para o Padilha fazer o segundo. Pelo menos eu fiquei com vontade de ver uma continuação.

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Uma Aventura Lego para crianças e adultos

O filme de pecinhas de montar da Lego remonta (sem trocadilhos) a outro filme muito querido pelos fãs de cinema, Uma Cilada para Roger Rabbit. Primeiro, pela quantidade de referências a outros personagens e “universos” que a história faz, todos “inventados” ou licenciados pela fabricante de brinquedos ou propriedades dos estúdios que produziu a película. Sobra até uma engraçadíssima cena com personagens da concorrência (a Disney, no caso). Em Roger Rabbit, a referência são os cartoons. Depois, a semelhança do enredo entre os dois filmes. Mas isso não é demérito algum. Pelo contrário! Uma Aventura Lego consegue empolgar crianças e adultos na mesma proporção e ainda nos mostra um paralelo entre esses dois públicos no que tange “brincar” com as pecinhas coloridas. O único senão é o 3D. Não acrescenta em nada à história, é totalmente descartável e, no cinema em que assisti, os óculos estavam extremamente manchados e arranhados e as cenas muito escuras. Em muitos momentos, tive que tirar os óculos pra poder enxergar algo!

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