VI NO CINEMA: Eternos

Ando um pouco cansado dos filmes de super-heróis em geral. Talvez, por isso, a minha experiência com Eternos não tenha sido tão proveitosa quanto poderia ter sido. Ou talvez, justamente por isso, é que eu tenha enxergado certos aspectos que não veria caso ainda tivesse aquela empolgação e desprendimento de outrora!

Longe de mim querer que a adaptação em película seja igual ao que está no papel. Mas Eternos, por si só, deveria ser um espetáculo visual, a chance da Marvel de despirocar de vez nos conceitos cósmicos Kirbyanos, não apenas no que diz respeito ao que o Rei escreveu, mas também, e principalmente, ao que ele desenhou! Muitos dirão: “Ah, é porque isso ainda será mostrado nos próximos filmes!” Então… todo filme vigente da Marvel será mostrado nos próximos filmes! Entende o meu cansaço?

Ao escolher Chloé Zhao para dirigir o filme, a Marvel optou justamente pelo caminho contrário, preferindo o intimista ao grandioso! Talvez para distanciar-se de Guardiões da Galáxia, Guerra Infinita e Ultimato, quem sabe! Eternos tenta focar nos personagens e seus conflitos, ao invés de explorar a fundo os aspectos cósmicos! O espetáculo visual ainda está lá, nas belas cenas gravadas in loco, potencializadas por efeitos gráficos competentes! Mas isso, por si só, não sustenta a história!

Tem uma máxima na produção de roteiros que diz o seguinte: “Mostre, não fale”! A todo momento, os personagens estão descrevendo para o público quão grandiosos são os conceitos cósmicos, como se sentem, como se comportam, qual a sua relação uns com os outros e com o planeta Terra… Mas se isso não é mostrado, fica difícil ter alguma empatia! O pior é “perceber” claramente as intenções do roteiro de apresentar um por um dos personagens! Veja… é claro que o roteiro tem que apresentar os novos personagens! E, como roteirista, vou te dizer como é difícil fazer isso sem parecer “didático” e/ou “expositivo”! São raras as obras que fazem isso de forma orgânica, levando a trama adiante, sem que o público perceba as apresentações.

Aqui, a desculpa da separação da equipe e a desculpa para a reunião, parecem exatamente isso… apenas desculpas para o público conhecer aqueles heróis! Principalmente pelo péssimo aproveitamento dos antagonistas Deviantes, relegados a feras genéricas que não representam a menor ameaça para os poderosos Eternos e que, por isso, fica difícil de engolir que sejam o motivo para a reunião da equipe, séculos depois! Sem contar a “carta na manga” que tiram do nada, ao mostrar um Deviante absorvendo os poderes dos Eternos no tempo presente! Durante milênios, nunca fizeram isso! Agora, como é conveniente para o roteiro, do nada uma das feras começa a fazer isso! A desculpa? Os Deviantes “evoluem”, os Eternos, não! Mas os Deviantes “evoluídos” são também relegados a combates desnecessários, sem vida, sem empolgação! Vide o embate da Angelina Jolie no final, que só serve como easter egg de um relacionamento mostrado nos quadrinhos! Lembrei dos “Soldados Hidler”, dos Changeman, que convenientemente aparecem, levam uma “sofa” dos heróis e depois somem!

A impressão que Eternos passa, é que os heróis ficam o tempo todo correndo atrás do próprio rabo, com dilemas vazios verbalizados o tempo todo (e não mostrados) e antagonistas fracos! As cenas do “passado” parecem falsas, de tão plásticas! Focaram tanto no minimalismo, que “minimalizaram” demais! Pior mesmo são as “reviravoltas”! Não tinha outra forma mais criativa dos personagens descobrirem o real plano dos Celestiais, que não uma desculpa (mais uma) para a Sersi “conversar” com o Arishem e ele próprio contar tudo? De novo uma exposição didática? E sério mesmo que precisava de mais um “Super-homem” do mal?

No frigir dos ovos, Eternos apresenta uma enxurrada de conceitos cósmicos, amarra toda a cronologia da Marvel nos cinemas, mas como o faz de forma expositiva, não consegue passar a grandiosidade do que se propõe. Parece uma cartilha, não um filme! O único momento em que senti de verdade essa grandiosidade, foi com o “quase” despertar do Celestial da Terra. Mas, assim que me senti apequenado e amedrontado diante de algo tão grandioso, a ameaça logo “Sersi”! Foi mal pelo trocadilho infame!

O filme saiu da “formula Marvel” como muitos alardeiam? Mais ou menos… mais ou menos! Ainda estão lá os vilões sub-aproveitados e as reviravoltas rasas! Só que em “embalagem” mais autoral! Mas o pior mesmo são as cenas pós-créditos que, de novo, gritam na nossa cara: O MELHOR É SEMPRE O QUE ESTÁ POR VIR, NÃO O QUE ESTÁ AQUI AGORA! Pra mim, o que era o ponto positivo da Marvel (o universo integrado), começa a se mostrar um estorvo! Irei ao cinema ver os próximos? É provável! Escreverei aqui reclamando? Também!

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