VI NO CINEMA: Capitã Marvel

Capitã Marvel é um filme de origem. E como tal, tem todos os problemas que um filme de origem tem, independentemente de ser protagonizado por uma mulher, por um homem, por um gato, ornitorrinco, árvore, periquito e por aí vai! O filme precisa explicar quem é a pessoa, de onde vieram seus poderes, quais são suas motivações, quem são seus inimigos (de onde vieram seus poderes, quais são suas motivações…), qual é o ambiente em que a pessoa vive e etc, etc, etc!

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Nesse ponto, o roteiro acaba sendo o mais básico possível no início do filme, com cenas que só servem para explicar as coisas para o espectador. Não que isso seja um problema! As cenas inicias servem para isso mesmo, situar o espectador naquela história! O problema é quando você consegue perceber que os personagens estão te explicando ao invés de “viverem” algo natural (repare na cena em que conversam sobre a aparência da Inteligência Suprema no início do filme ou quando falam do sangue “azul” da Carol já pro final)! O enredo precisa enganar o público e, aqui, passa longe disso!

Por outro lado, não poderiam ter escolhido melhor atriz para viver a Carol Danvers. À exemplo de Robert Downey Jr., Chris Evans e Gal Gadot, aqui não vemos a persona de Brie Larson, mas sim a capitã da aeronáutica durona e determinada! A atriz consegue nos convencer que é, sim, a personagem! Para você entender o que estou dizendo, basta ver o caso de Aquaman, em que o Jason Momoa interpreta a si mesmo e só conseguimos gostar do personagem porque o ator tem muito carisma, mas ele não convence como o Rei dos Mares!

Quanto aos vilões… ah, os vilões dos filmes da Marvel! São sempre o elo mais fraco! Verdade seja dita: nos quadrinhos de super-heróis, apenas o Batman e o Homem-Aranha têm uma galeria memorável de vilões. E, mesmo assim, é muito difícil transpô-los de forma eficiente para a película. Imagine pra quem só tem bucha genérica como vilões! O roteiro tem que se esforçar para engrandecer a personagem e mostrar o quão poderosa ela é apenas por conta própria, já que os vilões são qualquer coisa de ridículos! Não representam a menor ameaça para a Capitã Marvel, ainda mais quando ela literalmente explode com todo o seu potencial!

Nesse universo cinematográfico da Marvel, não teremos o guerreiro kree Mar-Vell (pelo menos é o que deu a entender). Para quem é fã do personagem, como eu, é uma pena não vê-lo em carne e osso! Mas dá pra entender a sua exclusão para evitar confusão entre os personagens! No entanto, o roteiro acertadamente tratou de juntar à história da Capitã Marvel alguns elementos-chave da trajetória de Mar-Vell, como uma ligação com um certo artefato geométrico! E vale mencionar uma reviravolta na guerra Kree/Skrull que nos faz pensar sobre as consequências dessa guerra para as “pessoas” comuns! Muito bom!

Por fim, que cuti cuti mais fofa a atriz mirim que interpreta a Monica (cof, cof, Fóton…) Rambeau! Dá vontade de abraçar até espocar!!! E que homenagem de arrepiar para o bom e velho Stan Lee! Caiu um cisco no olho…

Enfim… como filme de origem, Capitã Marvel tem seus problemas de ritmo e didatismo exacerbado em algumas cenas em que precisa explicar as coisas. Mas está longe de ser um filme ruim! E o recado que fica para os nerds héteros de 30 anos que ainda vivem com os pais e que estão detonando o filme de uma mulher, é o seguinte: se você só gosta de filmes de super-heróis homens brancos, machos e musculosos de peito peludo (ou peito pelado) como o Henry Cavill, não precisa assistir a um filme com mulher! Basta lembrar que você não existe sozinho no mundo e que o planeta também é habitado por mulheres que merecem ter suas heroínas! E nem todo filme precisa ser feito só pra você!