NOVO ANO. NOVAS IDEIAS.

Todo final de ano costumo fazer um balanço de tudo o que aconteceu aqui no estúdio e traçar metas para o ano seguinte. Esta é a primeira vez que torno isso público!

O isolamento em 2020 tornou o ano um desafio para todo mundo. Como eu já trabalhava em casa, não mudou muita coisa adotar o tal do “home office”. O problema é que, quem trabalha com criatividade, precisa de uma válvula de escape para descansar o cérebro e recarregar as baterias criativas. A minha, era o cineminha, o barzinho, o forrozinho do final de semana e as viagens para eventos de quadrinhos! Como me vi desprovido disso tudo, minha mente entrou em parafuso e cheguei até a surtar em alguns momentos! Por conta disso, algumas metas que estabeleci para 2020 não chegaram a ser 100% alcançadas! Mas tudo bem! Sem pressão!

Então, sem mais delongas, vamos ao balanço de 2020 e às metas para 2021:

Turma da Mônica – MSP (Maurício de Sousa Produções)

A meta de 2020 era bater 50 roteiros aprovados! Por conta do psicológico abalado pela pandemia, consegui aprovar 44 roteiros (04 a mais que em 2019), em um total de 341 páginas escritas! A meta para 2021 é continuar na média de 45 roteiros! Um pouco menos ambiciosa, eu sei, mas um pouco mais realista em tempos de isolamento!

Zé Carioca – Disney (Editora Culturama)

Em 2020 tive a imensa alegria de publicar o meu primeiro roteiro para o mais brasileiro dos personagens Disney, o queridão Zé Carioca! A história “Para o papagaio que tem tudo” abriu a edição especial de Natal da revista “Aventuras Disney” Nº 21 (dezembro/2020). A meta para 2021? Quem sabe…

Livro teórico/prático na área de Ilustração

Esse foi o projeto que mais “sofreu”! Já estava um tanto quanto atrasado e eu esperava terminar em 2020! Mas como é um livro que exige muita pesquisa, produção complexa de texto e ilustrações, realmente não deu para continuar! A meta para 2021 é modesta: terminar ao menos 02 novos capítulos! E se tudo correr bem, concluir o livro inteiro para lançar em 2022! A minha editora agradece!

Teste para agenciamento

A boa notícia é que em 2020 ainda consegui produzir material para um teste de agenciamento. Foi uma experiência muito enriquecedora que pretendo voltar a experimentar. Só não tenho previsão! Quem quiser conferir o resultado, clique aqui!

Inktober

O Inktober é uma espécie de evento on line, encabeçado pelo ilustrador Jake Parker desde 2009, que propõe o desafio de fazer um desenho por dia durante todo o mês de outubro! O objetivo é soltar as amarras criativas e se divertir! Infelizmente não tive tempo de participar em 2020, mas esse ano quero voltar com todo o gás! Faz bem para a mente criativa!

As Ruínas de Angoera

Este é um mangá que surgiu a partir de um conto que escrevi há alguns anos! Em 2021 pretendo desenhar e publicar pelo menos 01 página por semana! Parece pouco, mas é o suficiente para encaixar no meu trabalho regular da MSP e uma maneira de espairecer a mente criativa! Espero começar a partir de abril!

Graphic Novel infantil

Depois de anos sem produzir um álbum (o último foi “Tobias e o Boi da Cara Preta” em 2013. Clique aqui para ler), no segundo semestre de 2021 pretendo tirar outro projeto da gaveta! Também será protagonizado por um pivetinho!

Contos em quadrinhos

Esse projeto está na categoria “quando der, eu faço”! O objetivo também é espairecer a mente criativa, produzindo histórias curtas de 08, 12 ou 16 páginas nos mais variados estilos, técnicas e gêneros!

Ufa! Bastante coisa, né? Estas são as metas para 2021!

Um novo ano, sempre pede novas ideias!

O QUE ANDEI LENDO: X-MEN de Jonatham Hickman

A Editora Panini Comics compilou nas quatro primeiras edições da nova revista de “linha” X-men as minisséries “Dinastia X” e “Potências de X”. A rigor, essas duas minisséries estabelecem o novo status quo dos heróis e vilões mutantes, e demais Homo Superiors, dentro do Universo Marvel, agora vivendo na Ilha Nação de Krakoa sob a liderança do Professor Xavier e do Magneto. Dinastia X aborda os desdobramentos no presente, enquanto Potências de X procura mostrar como os mutantes chegaram até aquele momento em duas linhas temporais, uma dez anos no passado e outra no presente, e as consequências da nova nação para o mundo em duas linhas temporais futuras, cem anos à frente e mil anos adiante!

Como roteirista, gosto sempre de pensar que os gibis precisam ser voltados primeiramente para atrair novos leitores e, depois, para os colecionadores. Afinal, são de novos leitores que precisamos para garantir a longevidade das revistas. Assim, esta nova fase é ideal para quem caiu de paraquedas no universo mutante. No entanto, é notório que Jonatham Hickman fez a lição de casa, quando percebemos em seu enredo conceitos criados por Stan Lee e Jack Kirby, Roy Thomas e Neal Adams e, principalmente, Chris Claremont e John Byrne, Dave Cockrum e John Romita Jr, e até Scott Lobdell e Fabian Nicieza, vejam só!

Com uma narrativa não-linear, Hickman “esquece” tudo o que foi mostrado anteriormente em termos cronológicos e joga o leitor logo de cara no novo status quo. Isso é ótimo! Porque demonstra uma certa preocupação com o novo leitor ao estabelecer uma forma de escrever similar à que encontramos nos desenhos animados, por exemplo. Quando uma série animada é encerrada e outra iniciada, os produtores não ficam se preocupando em “explicar” o que veio antes. Simplesmente criam algo novo para uma nova audiência!

Por outro lado, essa narrativa não-linear pode causar certa confusão para leitores mais apressados, já que as explicações são dadas em doses homeopáticas, principalmente nos inúmeros infográficos espalhados pelas páginas, recurso encontrado por Hickman para não perder tempo com tramas expositivas demais! Por isso, tenha paciência e leia também os infográficos na sequência em que são apresentados. Isso é importante para a compreensão do enredo como um todo!

Falando agora da trama geral, ela não apresenta nada de novo e nem tampouco é genial como muitas pessoas têm alardeado aos quatro ventos. O ponto é que as histórias dos X-men estão tão ruins há tanto tempo, com uma “qualidade” nivelada tão por baixo, que qualquer roteiro mais consistente já é motivo para ser taxado de “genial”. Claro que isso não tira o mérito do Hickman! Como eu disse, o roteirista fez a lição de casa e bebeu direto da fonte clássica dos X-men. Ele se apropriou de conceitos já estabelecidos e está apresentando aos novos leitores de uma forma moderna e repaginada. A meu ver, essa é a maneira certa de atrair novos leitores, já que os personagens têm décadas de conceitos interessantes para serem reapresentados.

Assim, vemos na obra do Hickman uma inspiração principalmente em “Dias de um Futuro Esquecido”, com a diferença de que, nesse contexto, quem “volta” para o passado para tentar evitar um futuro trágico para os mutantes não é a Kitty Pryde, mas a geneticista Moira MacTaggert, com uma sacada bacana que lembra muito os filmes “Feitiço do Tempo” e “No Limite do Amanhã”. Porém, os leitores veteranos podem tender a perder o seu tempo tentando “encaixar” as várias vidas de Moira dentro da “cronologia canônica”. Quer um conselho? Esqueça isso e curta a jornada! Simples assim!

Pra finalizar, reitero que esse arco inicial é uma introdução ao novo status quo, de modo que a trama é bastante focada no trio Professor Xavier, Magneto e Moira, deixando um pouco de lado explicações mais aprofundadas para os demais personagens, o que deve ser desenvolvido nas próximas edições, quando a Panini começará a publicar as revistas de linha. Fica a torcida de que os enredos continuem nessa pegada de construir um universo próprio, sem se preocupar em encaixar os seus eventos na cronologia passada. Vai por mim, é isso que está estragando os gibis de heróis há tempos. Toda vez que algo foi feito um pouco deslocado dessa cronologia rígida – vide Surpreendentes X-men do Joss Whedom – resultou em histórias mais divertidas e consistentes. Como exemplo do contrário, basta lembrar da fase do Brian Michael Bendis que, apesar de diálogos relativamente bem escritos, é bastante confusa e picotada por estar inteiramente intricada na cronologia.

VI NO CINEMA: Capitã Marvel

Capitã Marvel é um filme de origem. E como tal, tem todos os problemas que um filme de origem tem, independentemente de ser protagonizado por uma mulher, por um homem, por um gato, ornitorrinco, árvore, periquito e por aí vai! O filme precisa explicar quem é a pessoa, de onde vieram seus poderes, quais são suas motivações, quem são seus inimigos (de onde vieram seus poderes, quais são suas motivações…), qual é o ambiente em que a pessoa vive e etc, etc, etc!

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Nesse ponto, o roteiro acaba sendo o mais básico possível no início do filme, com cenas que só servem para explicar as coisas para o espectador. Não que isso seja um problema! As cenas inicias servem para isso mesmo, situar o espectador naquela história! O problema é quando você consegue perceber que os personagens estão te explicando ao invés de “viverem” algo natural (repare na cena em que conversam sobre a aparência da Inteligência Suprema no início do filme ou quando falam do sangue “azul” da Carol já pro final)! O enredo precisa enganar o público e, aqui, passa longe disso!

Por outro lado, não poderiam ter escolhido melhor atriz para viver a Carol Danvers. À exemplo de Robert Downey Jr., Chris Evans e Gal Gadot, aqui não vemos a persona de Brie Larson, mas sim a capitã da aeronáutica durona e determinada! A atriz consegue nos convencer que é, sim, a personagem! Para você entender o que estou dizendo, basta ver o caso de Aquaman, em que o Jason Momoa interpreta a si mesmo e só conseguimos gostar do personagem porque o ator tem muito carisma, mas ele não convence como o Rei dos Mares!

Quanto aos vilões… ah, os vilões dos filmes da Marvel! São sempre o elo mais fraco! Verdade seja dita: nos quadrinhos de super-heróis, apenas o Batman e o Homem-Aranha têm uma galeria memorável de vilões. E, mesmo assim, é muito difícil transpô-los de forma eficiente para a película. Imagine pra quem só tem bucha genérica como vilões! O roteiro tem que se esforçar para engrandecer a personagem e mostrar o quão poderosa ela é apenas por conta própria, já que os vilões são qualquer coisa de ridículos! Não representam a menor ameaça para a Capitã Marvel, ainda mais quando ela literalmente explode com todo o seu potencial!

Nesse universo cinematográfico da Marvel, não teremos o guerreiro kree Mar-Vell (pelo menos é o que deu a entender). Para quem é fã do personagem, como eu, é uma pena não vê-lo em carne e osso! Mas dá pra entender a sua exclusão para evitar confusão entre os personagens! No entanto, o roteiro acertadamente tratou de juntar à história da Capitã Marvel alguns elementos-chave da trajetória de Mar-Vell, como uma ligação com um certo artefato geométrico! E vale mencionar uma reviravolta na guerra Kree/Skrull que nos faz pensar sobre as consequências dessa guerra para as “pessoas” comuns! Muito bom!

Por fim, que cuti cuti mais fofa a atriz mirim que interpreta a Monica (cof, cof, Fóton…) Rambeau! Dá vontade de abraçar até espocar!!! E que homenagem de arrepiar para o bom e velho Stan Lee! Caiu um cisco no olho…

Enfim… como filme de origem, Capitã Marvel tem seus problemas de ritmo e didatismo exacerbado em algumas cenas em que precisa explicar as coisas. Mas está longe de ser um filme ruim! E o recado que fica para os nerds héteros de 30 anos que ainda vivem com os pais e que estão detonando o filme de uma mulher, é o seguinte: se você só gosta de filmes de super-heróis homens brancos, machos e musculosos de peito peludo (ou peito pelado) como o Henry Cavill, não precisa assistir a um filme com mulher! Basta lembrar que você não existe sozinho no mundo e que o planeta também é habitado por mulheres que merecem ter suas heroínas! E nem todo filme precisa ser feito só pra você!

O QUE ANDEI LENDO: Monstros à Solta!

Eis um belo caso de hq divertida com potencial um pouco desperdiçado!

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Imagens extraídas do site Guia dos Quadrinhos

Os caras tiveram uma daquelas ideias que nos faz dizer “por que não pensaram nisso antes?”: simplesmente mostrar a chegada na Terra de meteoros que se transformam em monstros e colocar os super-heróis e os monstros clássicos da Marvel para enfrentar essa nova ameaça! Pareceu divertido? Também achei!

No entanto, os roteiristas meteram os pés pelas mãos e se perderam nas próprias ideias! O enredo não desenvolve direito os novos monstros, você não sabe quem são, pois aparecem tantas figuras diferentes ao mesmo tempo, que não dá nem pra saber quem está chegando! É uma confusão visual tremenda, com design de monstros um pouco mais trabalhados no início da peleja e outros – muitos outros – genéricos ao longo das edições! Não sei se a intenção era realmente essa, a de trabalhar os monstros como meros buchas de canhão sem personalidade, mas desenvolver bem umas quatro ou seis criaturas, com visual e poderes bem estabelecidos, já resolveria o problema e provocaria uma imersão bem maior na trama!

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Na parte dos super-heróis… bem… outro problema contemporâneo! Os heróis estão tão sisudos (vide Capitão “Sam Wilson” América, Thor “Jane Foster”, Visão, Vespa, todos os Inumanos, X-men, e por aí vai…), que se tornaram todos muito parecidos! E o que é pior, nivelando por baixo! O heróis estão tão sérios, que ficaram chatos! O único que ainda é mostrado com um pouco de sua essência é o Homem-Aranha, mas suas piadinhas parecem deslocadas, forçadas (não que antes o velho escalador de paredes já não forçasse suas piadas!). Nesse contexto, os grupos que acabam sendo mais divertidos são os Guardiões da Galáxia e, pasmem (pelo menos pra mim, que achei que não iria gostar), os Campeões!

Com relação aos monstros clássicos da Marvel… bem… outro problema! Os roteiristas esqueceram que a maioria dos leitores (e talvez nem os mais jovens) não conhecem os monstros clássicos da Marvel! A única exceção é, talvez, o Fin Fang Foom! E olhe, olhe! Assim, a série carece de uma apresentação mais aprofundada sobre quem são os monstros e quais suas habilidades! A meu ver, tentaram dar protagonismo pra tanta gente, que não deram protagonismo pra ninguém! Se tivessem focado apenas na peleja de monstros contra monstros, deixando os super-heróis em segundo plano (mais ou menos como acontece em Godzilla), teria sido bem mais interessante!

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Pra finalizar, vamos falar da ação! Tenho estudado muito roteirismo e a primeira lição que aprendi é: “MOSTRE, NÃO FALE”! Os roteiros atuais de super-heróis (com algumas poucas exceções) estão fazendo justamente o contrário! Estão falando demais e mostrando de menos! Não adianta o Capitão América morrer de dizer que a ameaça dos monstros é algo urgente, se isso não é mostrado pro leitor! E quando é mostrado, é em um emaranhado de traços confusos que ninguém entende o que está acontecendo, quem está batendo em quem ou não temos nenhuma noção geográfica e espacial de onde a ação transcorre! Fica o tempo todo a sensação de que os confrontos estão acontecendo em outro lugar e não naquele que foi desenhado para o público ver! Sendo que não queríamos “estar” ali, mas no local divertido onde a pêia está comendo… só que não mostram! Com isso, perde-se a noção de escala, não dá pra ter a sensação da destruição e nem do nível de ameaça das criaturas. Novamente, quem melhor trabalha essa parte são os caras que cuidaram dos tie ins dos Guardiões da Galáxia (o confronto no oceano é divertido demais) e dos Campeões!

Mesmo com todos esses problemas apontados, essa minissérie (?) em três edições até que é bem divertida e vale a pena dar uma conferida, desde que seja comprada em alguma promoção, claro! A julgar pelo gancho final, teremos novas histórias explorando essa premissa com o jovem inumano que desenha monstros. Não falei dele? Ah, essa faz parte das boas ideias da obra! Vamos ver como será daqui pra frente! Ou não!

VI NO CINEMA: Uma Aventura Lego 2

A relação que temos com os nossos brinquedos vai se modificando ao longo do tempo. De início lúdico e imaginativo, passa para algo antagonista quando começamos a enxergá-los como “coisa de criança”, até chegar na pura nostalgia guardados dentro de caixas ou em estantes de colecionismo.

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Muito da nossa personalidade também é mostrada através dos brinquedos, principalmente para quem tem irmão mais novo (ou mais velho) e precisa aprender a lidar com a “partilha dos bens”, algo que vai desenvolvendo o nosso senso de solidariedade, comunhão e união, mesmo que entremeadas por momentos de soberba e egoísmo.

Tudo isso é mostrado em “Uma Aventura Lego 2” através de uma… aventura, claro… frenética, engraçadíssima, emocionante e… emocional! À exemplo do primeiro, as relações entre as figuras humanas na “vida real” refletem na vida dos personagens de plástico colorido. Vemos o que acontece com aquela cidade onde “tudo é incrível” quando os habitantes se deparam com a chegada de uma misteriosa raça alienígena cuti cuti que destrói tudo com ataques de fofura! Acontece um verdadeiro apocalipse a la Mad Max!

Na verdade, esse evento marca a chegada da irmã mais nova ao porão da brincadeira e, também, o início da fase pré-adolescente do menino, cheia de dúvidas e incertezas (crescer ou não crescer?), que reflete diretamente nos habitantes da cidade feita de Lego e impulsiona a trama pra frente durante todo o filme!

O roteiro mostra tantas camadas de mensagens para crianças e, pasmen, para os adultos, que daria para falar por horas a fio! E o melhor, sem se tornar um filme didático e chato! É tudo muito… caham… incrível!

Mas se tem uma mensagem principal que pode ser tirada, é que somos uma colcha de retalhos que vamos costurando pedacinho por pedacinho à medida que vamos crescendo. Por isso mesmo, não se deve endoidar tentando ser um adulto maduro 24h por dia só porque já chegamos nessa fase. Não deixamos nenhum aspecto de nossa personalidade pra trás, apenas vão ficando menos dominantes! O que é natural, já que é óbvio que um adulto já não tem mais a mesma imaginação para brincar que uma criança! Mas daí a deixar de sorrir, de se divertir, de rir da própria cara, de fazer mungangos, de só pensar em trabalho, trabalho, trabalho, contas, contas, contas, tristeza, amargura, pessimismo, só porque é “adulto”, já é um exagero!

Como o próprio filme nos ensina (de novo, já que esquecemos com frequência!), quando crescemos “nem tudo é incrível, mas não podemos perder a esperança, nem a alegria”!

O QUE ANDEI LENDO: Batman – O príncipe encantado das trevas

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Imagens extraídas do site Guia dos Quadrinhos

 

São dois os aspectos que impressionam nessa minissérie em duas edições: o formatão e a arte! Ah, e o precinho camarada também! O enredo, apesar de bem desenvolvido, é bem básico! O Coringa sequestra uma suposta filha bastarda de Bruce Wayne e obriga o alter ego do playboy milionário a uma corrida contra o tempo para descobrir onde está a garota, enquanto tem que lidar com a chantagem do palhaço do crime e a notícia de uma filha que vazou para a imprensa!

O italiano Enrico Marini tem total liberdade para desenvolver o próprio roteiro e a arte, então espere por versões muito bem elaboradas do uniforme do Batman, do Coringa e do design do Batmóvel que, aliás, é um deslumbre para os olhos nas cenas de perseguição! A Mulher-Gato também aparece repaginada, mas nada que salte aos olhos. E a Arlequina é a que menos chama a atenção, com um visual mega sexualizado que acaba indo na contramão da intenção do autor. Ao invés de deixá-la sensual e provocante, só a torna vulgar mesmo!

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Essa minissérie resgata uma tradição de HQs “pintadas” do Cavaleiro das Trevas com páginas duplas e páginas inteiras com panorâmicas inspiradas de Gotham City belamente pintadas com Aquarela! O nível de detalhes impressiona, ainda mais por conta do formato grande das revistas, bem maior que o magazine! O melhor é que a arte pintada não perde a sensação de movimento, como alguns autores costumam deixar sua arte incomodamente “posadas”. E como tem movimento!!!! Principalmente nas cenas de perseguição – que são muitas – e pancadaria!

Aproveitando a ocasião, vale a pena também correr atrás de outras duas HQs “pintadas” do Batman. A primeira é “Asilo Arkham”, escrita por Grant Morrison e com arte de Dave Mckean, que mistura de tudo, desde pintura à colagem, para mostrar o Batman sendo obrigado a invadir o asilo, que foi tomado pelos vilões!

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A segunda HQ é a minissérie em duas edições “Gritos na Noite”, escrita por Archie Goodwin e belamente pintada por Scott Hampton, que mostra um Batman em início de carreira investigando uma série de assassinatos, contando com a ajuda de um também recém empossado comissário Gordon!

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Asilo Arkham tem uma versão mais recente da Panini, mas Gritos na Noite foi publicada somente uma vez pela Abril Jovem e nunca mais deu as caras por aqui!

VI NO CINEMA: Alita – Anjo de Combate

O primeiro contato que tive com a Alita (nome pelo qual a personagem é chamada nos EUA) foi através de uma versão não-autorizada de volume único que encontrei por acaso em uma banquinha de esquina no centro da cidade! Logo de cara, o mangá passou a figurar entre os meus favoritos, ao lado de Evangelion, Lobo Solitário, Mai e Blade!

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Tempos depois, foi lançada um versão oficial da Gally (nome pelo qual a personagem é chamada no Japão) em dezoito volumes com o título “Hyper Future Vision Gunnm”. Eu, que já era fã, fiquei ainda mais fascinado pela personagem!

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Imagem extraída do Guia dos Quadrinhos

 

Mais algum tempo, e Hollywood anuncia que estaria sendo preparada uma versão “live action” (o velho “com gente se mexendo”) sob a batuta de James Cameron. Não posso dizer que fiquei “preocupado” com isso! Aliás, acho um exagero quando vejo por aí o povo alardeando aos quatro ventos que está “muito preocupado, com muito medo” ou coisa do tipo ao se referir a algum filme, série, gibi… Gente, menos, né? Minha vida segue normalmente se uma adaptação for boa ou ruim!

Mesmo assim, já sabemos como é difícil o povo acertar a mão com adaptações de mangá e vídeo game! Por isso, a recepção à notícia de um filme da Alita (não me acostumo a vê-la como Gally de jeito nenhum!) não foi das mais calorosas. E piorou muito após a divulgação das primeiras imagens da atriz com os “zóios” arregalados por computador!

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Mesmo assim (já falei isso?), eis um caso de uma adaptação quase perfeita de um mangá para o cinema. Falo “quase perfeita”, porque o filme tem um probleminha de ritmo no primeiro terço devido à velha necessidade de situar o espectador no mundo da história. E parece que os roteiristas só sabem fazer isso com o didatismo, em que um ou mais personagens “explicam” tudo para o protagonista, geralmente desmemoriado, confuso ou recém-chegado (ou os três!). Tenho aprendido que, em um enredo, você deve seguir a máxima de “mostrar, não falar”! Com isso, o começo do filme fica um pouco lento demais, chato demais, sem muita naturalidade. Dá pra perceber que os personagens só estão falando pra situar o espectador, quando o ideal é que a gente não perceba (mesmo sabendo qual a função daquelas cenas).

O visual da Alita incomoda um pouco no início, não vou mentir! Mas logo nos acostumamos com os olhos desproporcionais devido à doçura com que a atriz interpreta a personagem. E aí, sim, dá pra entender a escolha em deixar os olhos como no mangá, porque transmitem de forma potencializada todas as emoções vividas pela Alita. No entanto, o corpo da menina destoa um pouco dos demais “humanos” por causa de uma leveza exagerada! Não sei dizer se a Alita foi feita por captura de movimento, mas no início do filme ela parece não ter peso, nem volume! Mas passados uns vinte minutos (quando tem a primeira cena de ação), esse problema parece ter sido corrigido e seguimos sem sentir mais nenhum estranhamento até o final!

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A Alita realmente vai crescendo como “pessoa” ao longo da trama, mostrando que dá pra escrever uma personagem feminina forte (por dentro e por fora, literalmente), sem deixar de lado a meiguice e a doçura. Não é porque ela é forte, que não possa ser meiga e até se apaixonar, por exemplo! Aliás, é impossível não se apaixonar pela Alita por todos esses atributos! Quanto às bizarrices mais extremadas do mangá, foram todas amenizadas no filme para evitar uma censura alta! Mesmo assim (de novo?), a essência da brutalidade das cenas de ação estão todas lá! E são de encher os olhos!

Por fim, “Alita – Anjo de Combate” traz uma nova esperança por boas adaptações de mangá, onde o respeito pela essência da obra original prevaleça. Para quem tem a versão em dezoito volumes da Editora JBC, saiba que o filme adapta os cinco primeiros. Agora é torcer para a bilheteria ter um bom resultado que propicie a gravação da continuação. A Alita merece!

Vi no cinema: JOGADOR Nº 01

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Não sei dizer se o Spielberg voltou à “boa forma” dos filmes de aventura da década de 80 com Jogador Nº 01. O que sei dizer é que os filmes de aventura da década de 80 não têm como voltar para os dias atuais. Vivi essa época e era um contexto completamente diferente de hoje em dia. Por mais que o Spielberg já comece o filme com uma música descolada da década de 80, o Jogador Nº 01 não passa de um exercício afetivo de nostalgia. E não tem como ser diferente, ora. As referências são todas de uma década que já passou. Por mais perfeito que seja o filme, ele continuará sendo apenas uma homenagem! Vou dizer que o diretor voltou à sua boa forma quando ele fizer um filme de aventura no contexto atual, com as referências contemporâneas.

Essa onda de revival é bacana, mas não basta o diretor escolher uma trilha da Cindy Lauper e colocar em um filme para torná-lo oitentista. A Cindy Lauper estava nos Goonies, por exemplo, porque as músicas simplesmente eram daquela época! E outra coisa: em Jogador Nº 01 os personagens ficam a todo momento explicando que as inúmeras referências do passado estão ali porque o criador do jogo cresceu com elas e gosta de tudo aquilo! É forçar um pouco a barra para justificar em tela elementos que não sejam contemporâneos! Mas isso quer dizer que o Jogador Nº 01 é ruim? Não! Pelo contrário! É um filme divertidíssimo, mas com cara de emulação dos ótimos filmes da década de 80! Gostei bastante e a molecada de hoje em dia com certeza vai delirar!

O que gostei também, além de toda a avalanche vertiginosa de referências, foi a pegada meio “Goonies” do filme. Tal qual o Mickey, que conhece a fundo a “cabeça” do Willie Caolho e usa esse conhecimento para decifrar as pistas do tesouro, aqui, o protagonista Wade Watts também se vale do seu conhecimento da personalidade e forma de pensar do criador do jogo Oasis, James Halliday, para conseguir decifrar as pistas e avançar de “fase”. Os vilões também representam ameaça, mas sem serem ameaçadores (faz sentido isso?). A atmosfera do enredo faz a gente lembrar, claro, de Tron e de Matrix.

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Em relação às referências e aos diversos personagens que aparecem em tela, lembrei muito de “Uma Cilada para Roger Rabbit”. Em diversos momentos fiquei imaginando como estariam se sentido os jovens assistindo ao filme. Será que estavam tão empolgados quanto eu fiquei na primeira vez em que assisti ao filme do coelho Roger Rabbit e vi diversos personagens de cartoon contracenando juntos? Espero que tenham a mesma sensação. Porque cheguei à conclusão de que o Jogador Nº 01 é uma espécie de “Uma Cilada para Roger Rabbit” dessa geração. Aliás, a motivação de todo o enredo (que não vou falar pra não estragar a experiência) é muito parecida com a do filme do Rabbit.

WhoFramedRogerRabbit

Agora, uma crítica ferrenha vai para o tal do 3D. Ô recursozinho que já cansou e que não serve pra mais nada, além de escurecer a tela (pra mim, que sou cego, foi osso enxergar aquele monte de coisas acontecendo) e encarecer o ingresso! Tento fugir ao máximo das exibições 3D, mas dessa vez não foi possível. Infelizmente!

O QUE ANDEI (RE)LENDO: GRAPHIC NOVEL

Sou da época do gibi em formatinho de papel jornal e preço de banana que tinha em qualquer banca da esquina. Aliás, sou do tempo em que existiam bancas em qualquer esquina! Mesmo com o gibi sendo baratinho, o meu poder aquisitivo não era essas maravilhas todas, então eu me virava como podia para ler. E lia de tudo! O que caía na rede, era peixe! Foi nesse cenário que, lá pelos meus 11-12 anos de idade, tive contato pela primeira vez com a série Graphic Novel da Editora Abril.

Não lembro exatamente como tomei conhecimento dessa coleção (alguém deve ter me emprestado), mas sei com certeza que foi com a primeira edição, a dos X-men! Até então, eu só havia lido o Grandes Heróis Marvel #07 com a Morte da Fênix (comecei bem!) e fiquei abismado quando toquei naquele “gibizão” dos heróis mutantes! Intitulada “O Conflito de uma raça”, a HQ inaugurava uma nova era de publicação de álbuns de luxo da Abril, em formato tipo “Veja”, papel “liso” e cores especiais. Pra quem era acostumado apenas com os formatinhos de cores chapadas, aquela revista representou um salto inimaginável de qualidade visual! Mas… isso tinha um preço! O preço de capa custava os olhos da cara, muito além do que o meu pobre bolso pudesse dar conta! Devorei cada centímetro dos quadrinhos da Graphic Novel #01 e depois, provavelmente, tive que devolver ao cara que me emprestou. Só depois é que consegui a minha própria edição, muito provavelmente através de troca!

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No início dessa coleção, a Editora Abril publicou apenas personagens da Marvel (em sua maioria) e da DC. Só depois é que diversificou para quadrinhos europeus e afins! A série fez tanto sucesso que, mais tarde, a editora resolveu criar uma coleção apenas com os heróis da Marvel, intitulada, claro, de Graphic Marvel! Mas isso é assunto para outro momento…

Como eu disse, na minha fase de moleque, eu lia de tudo e lia o que caísse na minha mão (ainda faço isso hoje em dia…)! Não tinha uma preocupação em colecionar os números em sequência das revistas. Ia guardando o que aparecia. E foi assim com a Graphic Novel. Até pouco tempo atrás, eu tinha somente as edições com HQs de super-heróis. Daí, comecei a pegar outros números para ver se as histórias prestavam e resolvi de vez fechar a coleção! Agora, deve faltar apenas uns sete números pra fechar tudo! Mas como nasci de sete meses, tive a ideia de (re)ler pela primeira vez em ordem numérica, mesmo com a coleção ainda incompleta (e o que é que tem, né?)!

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A primeira edição, como já mencionei, é dedicada aos X-men e me surpreendeu quando moleque, não apenas pelo “luxo” da revista, mas pela história pé no chão dos mutantes.

O segundo número só consegui um pouco depois. Eu já conhecia a arte do Bill Sienkiewicz do encadernado da Elektra Assassina. Aliás, ganhei esse encadernado de um amigo adulto, casado e pai de família, porque ele comprou a revista e não gostou dos desenhos “feios”! Aliás, ele me deu os encadernados do Skreemer e do Cavaleiro das Trevas pelo mesmo motivo! Mas depois eu conto essa história em detalhes! Obviamente, gostei bem mais da arte do Sienkiewicz do que esse meu amigo e fiquei muito feliz de poder ler mais coisas desse grande artista na Graphic Novel!

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O terceiro número é uma declaração de amor do Jim Starlin ao Capitão Marvel e às HQs cósmicas. Confesso que, ao reler essa edição nessa semana, novamente escorreu uma lágrima! Que bela história! E o Capitão Marvel continua sendo o único personagem de gibi que “ainda” não voltou da morte. Não que eu saiba! Mas já deve ter voltado em alguma fase “Nova Totalmente Fabulosa Novamente Excelsiorsamente Marvel” que saiu por aí e eu não li (e nem vou ler…).

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Falei em declaração de amor? Pois é essa a sensação que o Bernie Wrightson também passa na edição quatro da série, ao retratar magnificamente uma aventura de fantasia com o bom e velho cabeça de teia. Fazia tempo que eu não tirava essa edição do “saco”, acho que uns bons 15 anos! Já tinha na minha memória afetiva a bela arte do Wrightson, mas quando comecei a reler, passei uns bons momentos parado só babando em algumas páginas duplas da revista. Só vendo pra entender! Um espetáculo de arte!

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Por fim, a primeira Graphic Novel dedicada a um personagem da DC. E já vem arrebentando tudo com “Batman: A Piada Mortal”! A última vez que reli essa HQ foi com o encadernado da Panini que trazia as cores refeitas pelo Brian Bolland numa paleta mais fria. Foi interessante rever a arte do Bolland com a paleta mais quente originalmente impressa! Apesar da história sensacional, esse número destoa do restante da coleção por ser em formato americano. Para um colecionador mais chato (já fui!), fica esquisito quando colocada junto às demais. Outra que destoou foi a do Surfista Prateado do Moebius, também em formato americano.

Pois é isso, amiguinho! Um pequeno texto de impressões (não guia de leitura e nem review) e lembranças nostálgicas e afetivas. Depois escrevo sobre as edições 06 à 10. Espero que tenha curtido!

As capas aqui presentes foram retiradas do site Guia dos Quadrinhos. Dá um pulo lá!

Dicas Ilustradas: ANINA

Zapeando pela Netflix (como sempre!), descobri mais uma pequena pérola animada, o filme ANINA. Nunca tinha ouvido falar dessa produção espanhola antes de encontrá-lo no meio do catálogo do streaming. Aliás, nem tenho certeza se é da Espanha (deduzi isso pelo idioma principal da dublagem)! Mas pouco importa também! Parece-me, inclusive, que se trata de uma adaptação de um livro infantil. Depois vou atrás de buscar algo mais a respeito das origens dessa obra. Por enquanto, o que me interessou logo de cara foi o estilo da ilustração. E é sobre isso que vou falar nesse “Dicas Ilustradas”.

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Falando um pouco do enredo, o filme conta a história da pequena Anina, que tem dificuldade em lidar com o seu próprio nome por se tratar de um palíndromo, que são palavras que podem ser lidas do mesmo jeito nos dois sentidos, de trás pra frente, de frente pra trás, vice-versa, simultaneamente e concomitantemente… Tá, você já entendeu, eu sei! O nome da menina é resultado de uma obsessão do seu pai por palíndromos. Se você, assim como eu, tem um nome um “pouco” diferente, deve imaginar o que a menina passa na escola de zoação entre os amiguinhos. E é justamente durante uma confusão com o seu nome, que Anina se mete em uma tremenda encrenca com a valentona da escola e vai parar na diretoria. O que se segue, é uma série de questionamentos sobre bullyng, sobre pontos de vista (colocar-se no lugar do outro antes julgá-lo) e, claro, sobre coisas da vida que vão e vêm, assim como o nome da protagonista. Uma bela história de aprendizado na infância!

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Sobre o estilo da ilustração, o filme mostra uma animação gerada por computador, mas que emula uma estética cheia de texturas que lembram muito técnicas de pintura à seco como lápis de cor, giz ou pastel. O traço é bem estilizado, com construções de personagens baseadas em formas mais geometrizadas como círculos, retângulos, quadrados, e uma perspectiva mais distorcida para os cenários, com linhas esguias e sinuosas. E as cores? Que bela paleta de cores quebradas e dessaturadas! Os cenários são sempre representados com cores mais sóbrias (marrons quentes e frios, verdes “musgo”, sépias, ocres), ao passo que os personagens são mostrados com cores um pouco mais vibrantes e saturadas (laranjas, vermelhos, azuis), o que gera um contraste sensacional! Juntando todos esses elementos de linha visual, você tem a sensação de estar assistindo a um livro ilustrado em movimento!

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Para assistir ao trailer, basta clicar aqui. E para ver o filme inteiro, é só acessar a sua Netflix!