O QUE ANDEI LENDO: ESCREVENDO PARA QUADRINHOS de Brian Michael Bendis

O livro do Brian Michael Bendis, publicado por estas paragens pela Editora Martins Fontes, não tem a pretensão de reinventar a roda e muito menos de redescobrir a pólvora no quesito produção de roteiros para quadrinhos. À priori, o aspecto básico e “mais do mesmo” do conteúdo pode ser um pouco frustrante para o roteirista já inserido no mercado que comprou o livro esperando descobrir os “segredos sobre como escrever igual ao Bendis”! Por outro lado, o livro é ideal para quem está iniciando, justamente por focar nos quesitos mais básicos!

Bendis prefere seguir uma narrativa de bate-papo franco sobre a sua experiência e o seu processo criativo, ao invés de produzir um manual técnico. A meu ver, ele acertou em cheio nessa abordagem!

Um roteiro é formado por, pelo menos, dois pilares: a forma e o conteúdo! A forma abrange a maneira como o roteiro será escrito! No caso dos quadrinhos, pode ser através de um argumento prévio (também conhecido como “método Marvel”) ou em formato de script (chamado no livro de “roteiro completo”). Bendis dá ótimos exemplos sobre os dois formatos. Inclusive, deixa claro que, no caso dos quadrinhos, não existe uma forma “certa”, como no cinema e na TV. Cada roteirista tem a sua forma de escrever ou irá desenvolver a partir de uma base. Bendis também deixa claro que o propósito do seu livro não é ensinar a como escrever como ele! A ideia é que cada um desenvolva a sua voz própria, já que, se uma editora quiser contratar alguém que escreva igual ao Bendis, terá o próprio autor à disposição, ao invés de uma cópia! É nesse ponto que o conteúdo faz a diferença!

Manuais técnicos sobre como escrever roteiros, você encontra aos montes pelo mercado! Mas é no conteúdo que essa parte técnica se destacará… ou não! Não adianta nada o roteirista devorar inúmeros livros técnicos, se não souber como preencher os seus roteiros! Bendis deixa isso bem claro! É preciso ter uma bagagem para escrever! O Bendis só escreve como Bendis por conta da bagagem que tem! É a sua experiência de vida, leitura, vivência e pesquisa que constrói o conteúdo dos roteiros! O roteirista precisa ler muito para poder escrever muito! De preferência todos os dias, mesmo que ainda não tenha tanta bagagem! Não é à toa que existe aquele ditado “a prática leva à perfeição”! Com roteiro – e desenho – não é diferente!

Outro ponto positivo do livro são as entrevistas com vários profissionais do mercado. Desenhistas, outros roteiristas e editores que falam sobre as suas experiências, dão os seus pontos de vista sobre como lidar com os roteiros, quais as dificuldades, quais as virtudes, o que se espera de um roteirista (iniciante ou veterano) e por aí vai! Esse conteúdo é riquíssimo e abre os olhos para questões que provavelmente muita gente nunca havia parado para pensar, como o fato de que os roteiros são escritos para os desenhistas, não para o público! Como bônus, tem uma entrevista com a esposa e administradora do Bendis que revela muito da parte chata do negócio, que é tratar a sua produção como uma empresa!

Escrevendo para Quadrinhos pode não ser um livro técnico sobre roteiros e nem se destacar em meio a tantos outros livros sobre o tema! Mas a imensa galeria de profissionais de quadrinhos que o livro traz, revelando pontos importantes sobre o mercado, já compensa tê-lo na prateleira da estante para consulta constante. E como o próprio Bendis fala, foi preciso convidar um monte de gente para que o livro pudesse sequer estar ao lado do Will Eisner e Scott McCloud na estante! Ele está certo!

O QUE ANDEI LENDO: BOX AQUAMAN

A Panini aproveitou para “surfar na onda” do lançamento do filme do Aquaman e colocou à venda no final de 2018 um box contendo toda a trajetória do Rei da Atlântida sob a batuta de Geoff Johns nos famigerados “Novos 52”! A caixa contém, em ordem de leitura, os encadernados “Liga da Justiça: Origem”; “Aquaman: As profundezas”; “Aquaman: Os Outros”; “Liga da Justiça: O trono da Atlântida” e “Aquaman: A morte de um Rei”! Todos em capa cartonada. Os desenhos ficaram por conta de Jim Lee, Ivan Reis e Paul Pelletier, além de outros convidados.

O que posso dizer, logo de cara, é que o Geoff Johns passa a impressão de ter dupla personalidade! Na Liga da Justiça, seu texto é truncado, fragmentado, enfadonho e cheio de clichês absurdos, como na parte em que o Batman e o Lanterna Verde decidem ir até Metropólis para confrontar o Superman apenas por ele ser um alienígena (como os parademônios)! E, claro, chegando lá, o Superman também acabou de enfrentar (coincidentemente) os asseclas do Darkseid e vai pra cima do homem morcego e do Hal Jordan! Já no Aquaman, seu texto é redondinho, cheio de boas sacadas, aventuresco e agradável de se ler! Dá vontade de devorar as páginas e ver até onde o Arthur Curry vai parar!

A diferença entre os dois títulos também é sentida na arte. Na Liga da Justiça, o traço do Jim Lee é até bonito, mas parece corrido e desproporcional. Não ajuda muito os novos designs dos uniformes, cheios de firulas que não servem para nada, apenas para dar dor de cabeça aos desenhistas dos títulos solo dos personagens! A impressão que se tem, é que o Jim Lee é um péssimo character designer, daqueles que pega algo pronto e sai rabiscando linhas a esmo só para pagar de detalhista! Deviam ter chamado o veterano mestre José Luis Garcia-López para essa função! Do jeito que ficou, está com cara de Image Comics da década de 1990!

Já no Aquaman, os uniformes do herói e da Mera dão gosto de ver, de tão elegantes que são! Dá para sentir o constrangimento do Ivan Reis em ter que seguir (mais ou menos) o visual estabelecido pelo “chefe”. Mas, assim como a elegância de seu traço, o Reis elegantemente dá um chega para lá no visual “Image” e mostra uma proposta anos-luz de distância em termos de qualidade! Sem falar que o seu traço é muito mais consistente do que o do Jim Lee. No segundo encadernado da Liga de Justiça, o Lee sai de cena e o Ivan Reis assume o título da superequipe, sendo substituído em Aquaman pelo Paul Pelletier, que não tem o mesmo nível do Reis, mas consegue segurar a peteca e entregar um feijão com arroz bem competente. No último volume de Aquaman (A morte de um rei), Pelletier chega a impressionar com algumas cenas de panorâmicas!

Sobre os enredos, é o que eu já falei: no título da Liga da Justiça, Johns parece não saber o que fazer ao contar as origens da equipe. O ponto positivo é a inclusão do Ciborgue! Para quem é fã dos Novos Titãs (como é o meu caso), pode ficar com um pé atrás! Mas como o Victor Stone é o único personagem bem trabalhado, acaba ganhando uma relevância bem interessante de se ver. Se não fosse por essa armadura genérica… Pelo menos ficou melhor desenhada pelo Ivan Reis! No título do Aquaman, o enredo está melhor estruturado e acompanhamos a trajetória de Arthur Curry pós-recusa do reinado da Atlântida. Quem está no trono é o seu irmão Orm! Quem dá as caras também são “Os Outros”, antiga equipe de Aquaman, e o vilão Arraia Negra! Além dos impressionantes habitantes do Fosso!

Quando os títulos se encontram em “O Trono da Atlântida”, as histórias da Liga da Justiça dão uma leve melhorada. Como eu disse, parecem ser dois Geoff Johns, e ambos têm uma certa dificuldade em realizar o crossover, dadas as inconsistências nas linhas cronológicas dos enredos! Até o uniforme do Aquaman fica inconsistente, já que no gibi da Liga era de um jeito e no do Rei dos Setes Mares, de outro! Mas o Ivan Reis consegue segurar o tranco, seguido fielmente pelo Paul Pelletier! Quando entra o Tony Daniel… xiiii!

São mais de 800 páginas de quadrinhos que li voando! Apesar de ser uma leitura mais truncada na Liga da Justiça, o gibi do Aquaman foi devorado em um piscar de olhos, tamanha a diversão dos enredos! O Rei dos Sete Mares entra no hall das boas coisas dos Novos 52, ao lado da Mulher-Maravilha, Action Comics, Batman e Flash! Já Liga da Justiça…

Imagens extraídas do site da Panini.

50 GIBIS QUE MARCARAM A MINHA VIDA – PARTE 1

Resolvi surfar na onda da tag “50 coisas que…” e fazer uma lista dos gibis que, de uma forma ou de outra, tiveram algum tipo de importância na minha formação como leitor e como produtor de quadrinhos. Como estou escrevendo de “memória”, perdoe qualquer incoerência nos dados fornecidos. Dito isso, vamos lá…

01 – ALMANAQUE DISNEY 214

Até onde consigo lembrar, este foi o primeiro gibi que tive em mãos! Eu devia ter entre 7-8 anos! Na época, uma prima me deu de presente, mas eu não fazia ideia de qual revista se tratava, já que estava sem capa e faltando páginas no começo e no fim do gibi! Só sei que adorei a história do Donald Caça-Fantasmas! E, sem saber, já tinha ficado fã do mestre Giorgio Cavazzano, mesmo sem entender ainda sobre quem fazia o quê em cada gibi! Só depois de adulto, por volta dos 38 anos, é que consegui comprar esse gibi, agora todo completinho! Se tivesse que fazer um paralelo com o universo Disney, eu diria que este almanaque é a minha moedinha número 01!

02 – TIO PATINHAS 294

Este gibi eu já peguei completo com amiguinhos da escola! Já deu para reparar que o meu início de leitura dos gibis foi com a Disney, não é mesmo? Esta edição do Tio Patinhas marcou por conta da última história! Nela, o nosso querido muquirana faz uma aposta com o Patacôncio para ver quem recupera um tesouro numa ilha deserta! Lembro que gostei tanto do barco do Tio Patinhas, que fiz uma réplica para brincar com a minha irmã, utilizando embalagens de papelão de café!

03 – TIO PATINHAS 237

Esta lista segue uma certa linha do tempo! Mas como eu não comprava gibi em banca por falta de grana (eu nem sabia que existia banca!), o que caía na mão, era peixe! Geralmente eu trocava gibis com os colegas da vizinhança ou da escola. Então era muito comum pegar números mais avançados, depois outros mais antigos! Na verdade, eu nem me importava com isso! Só queria ler! E como gostei dessa parodia de “…E o vento levou!” Eu não fazia ideia de que era uma paródia! Gostei mesmo foi de ver os patos em outro contexto!

04 – TIO PATINHAS 256

E mais Tio Patinhas! E mais Giorgio Cavazzano nos desenhos! Nem preciso dizer que adorei essa história! Ainda mais com um tema tão chamativo para a pivetada: corrida de “carrinhos”! Com o passar do tempo, fui perdendo esses gibis da lista. Mas já recuperei todos e guardo com todo carinho!

05 – DISNEY ESPECIAL 114: LENDAS E MISTÉRIOS

E mais Disney na lista! Tem uma explicação bem plausível para a minha predileção pela Disney no início da minha leitura: os desenhos animados clássicos passavam na TV todos os dias! Este foi o meu primeiro Disney Especial! Li e reli inúmeras vezes! Adorei o clima de mistério das histórias, principalmente a primeira história “O tesouro dos Nibelungos”, de onde já fiquei fã do Romano Scarpa, cujo traço é bem parecido com o do Cavazzano (novamente sem saber quem era “Romano”)! Outras duas histórias que adoro, são “A Lenda das Amazonas” e “A Sereia do Lago Dourado”, ambas produzidas pelos mestres brasileiros. Claro que eu não sabia nada sobre autorias na época, mas eu já tinha os meus preferidos!

06 – O INCRÍVEL HULK 10

Como mencionei, a forma que eu tinha de ler gibis, era trocando com outros colegas! Lembro que eu detestava gibis de heróis por achar os desenhos muito “sérios”! Mas depois de descobrir que cada gibi de herói valia dois gibis infantis nas trocas, se tornaram um ótimo negócio! Assim, nessas idas e vindas do “mercado” de trocas, resolvi dar uma chance para o Hulk! E não é que adorei? Mas também, olha o apelo para o moleque: um gigante verde enfurecido trocando sopapos com bichos humanóides! Sem contar a história do robô no final (o Rom)! Qualquer moleque ficaria doido com isso! E foi o que aconteceu comigo! Assim, o Hulk foi (e ainda é) o meu personagem favorito de super-heróis!

07 – CEBOLINHA 36

O primeiro contato que tive com a Turma da Mônica foi com a animação “A Estrelinha Mágica” que passava na época de Natal! Nos quadrinhos, lembro de pegar alguns suplementos coloridos que saía nos jornais! Não lembro exatamente dos gibis, mas é claro que também os tive! Mas um que marcou a minha infância, certamente foi este do Cebolinha! A minha família havia acabado de mudar para outra cidade e o meu pai me levou pela primeira vez para uma banca de gibis! Foi o paraíso! Nunca tinha visto nada daquilo! Na ocasião, ele me comprou dois gibis, esse do Cebolinha e um da Liga da Justiça (falo já sobre este)! Até hoje lembro da historinha de abertura “O Natal do JJ Junior”, que contava a história de um menino rico que tinha tudo, menos a alegria de passar o Natal com os seus pais. Daí, ele foge de casa e acaba encontrando a turminha! Muito emocionante! Infelizmente não o tenho mais e até hoje não consegui encontrar esse gibi para vender… Uma pena!

08 – LIGA DA JUSTIÇA INTERNACIONAL 20

Hoje em dia vejo muito o pessoal se perguntando por onde começar a ler gibis! Na minha época, não tinha isso! Como já mencionei, o que caía na rede, era peixe! A única noção de “Liga da Justiça” que eu tinha, era a do desenho animado “Superamigos”! Mesmo assim, eu não fazia ideia de que aquele grupo das animações era a Liga! Então, peguei o bonde andando ao comprar esse gibi! Junto de Cebolinha 36, foram os primeiros gibis que comprei em banca! Acho que pedi esse ao meu pai pela capa curiosa! Lembra que eu não gostava dos desenhos “sérios” dos heróis? Nesse caso, pirei com a arte expressiva do Kevin Maguire! Tem coisa mais “séria” do que os desenhos do Maguire? Li e reli um monte! Adorei também o Esquadrão Suicida e o Cão Raivoso, que usava uma máscara parecida com a do Jason. Na época eu era fã de filmes de terror, especificamente de Sexta-Feira 13… então já viu, né?

09 – A TEIA DO ARANHA 26

Não lembro se esse foi o primeiro gibi que li do Cabeça de Teia, mas com certeza foi a primeira “A Teia do Aranha”! Peguei emprestada de um colega da vizinhança! E o que ela tem de tão especial? Pirei no visual do Tarântula no traço charmoso do Ross Andru! Ah, também pirei no Magma do John Romita (o pai) e as cores diferentonas do gibi (não eram tão chapadas quanto as outras, tinham algumas nuances).

10 – BATMAN 05

Essa com certeza foi a primeira vez que li um gibi do homem morcego. Era comum na época os jornaleiros arrancarem as capas e devolverem para as distribuidoras (descobri isso anos depois!). Isso explica por que eu tive tantos gibis apenas no miolo no início da minha leitura! Essa não foi exceção! Além de pirar com traço do Neal Adams na história do Batman, também foi a primeira vez que tive contato com a Liga da Justiça clássica!

E essa foi a primeira lista! Nas próximas semanas, teremos mais! Até a próxima!

Imagens extraídas do site Guia dos Quadrinhos!

NOVO ANO. NOVAS IDEIAS.

Todo final de ano costumo fazer um balanço de tudo o que aconteceu aqui no estúdio e traçar metas para o ano seguinte. Esta é a primeira vez que torno isso público!

O isolamento em 2020 tornou o ano um desafio para todo mundo. Como eu já trabalhava em casa, não mudou muita coisa adotar o tal do “home office”. O problema é que, quem trabalha com criatividade, precisa de uma válvula de escape para descansar o cérebro e recarregar as baterias criativas. A minha, era o cineminha, o barzinho, o forrozinho do final de semana e as viagens para eventos de quadrinhos! Como me vi desprovido disso tudo, minha mente entrou em parafuso e cheguei até a surtar em alguns momentos! Por conta disso, algumas metas que estabeleci para 2020 não chegaram a ser 100% alcançadas! Mas tudo bem! Sem pressão!

Então, sem mais delongas, vamos ao balanço de 2020 e às metas para 2021:

Turma da Mônica – MSP (Maurício de Sousa Produções)

A meta de 2020 era bater 50 roteiros aprovados! Por conta do psicológico abalado pela pandemia, consegui aprovar 44 roteiros (04 a mais que em 2019), em um total de 341 páginas escritas! A meta para 2021 é continuar na média de 45 roteiros! Um pouco menos ambiciosa, eu sei, mas um pouco mais realista em tempos de isolamento!

Zé Carioca – Disney (Editora Culturama)

Em 2020 tive a imensa alegria de publicar o meu primeiro roteiro para o mais brasileiro dos personagens Disney, o queridão Zé Carioca! A história “Para o papagaio que tem tudo” abriu a edição especial de Natal da revista “Aventuras Disney” Nº 21 (dezembro/2020). A meta para 2021? Quem sabe…

Livro teórico/prático na área de Ilustração

Esse foi o projeto que mais “sofreu”! Já estava um tanto quanto atrasado e eu esperava terminar em 2020! Mas como é um livro que exige muita pesquisa, produção complexa de texto e ilustrações, realmente não deu para continuar! A meta para 2021 é modesta: terminar ao menos 02 novos capítulos! E se tudo correr bem, concluir o livro inteiro para lançar em 2022! A minha editora agradece!

Teste para agenciamento

A boa notícia é que em 2020 ainda consegui produzir material para um teste de agenciamento. Foi uma experiência muito enriquecedora que pretendo voltar a experimentar. Só não tenho previsão! Quem quiser conferir o resultado, clique aqui!

Inktober

O Inktober é uma espécie de evento on line, encabeçado pelo ilustrador Jake Parker desde 2009, que propõe o desafio de fazer um desenho por dia durante todo o mês de outubro! O objetivo é soltar as amarras criativas e se divertir! Infelizmente não tive tempo de participar em 2020, mas esse ano quero voltar com todo o gás! Faz bem para a mente criativa!

As Ruínas de Angoera

Este é um mangá que surgiu a partir de um conto que escrevi há alguns anos! Em 2021 pretendo desenhar e publicar pelo menos 01 página por semana! Parece pouco, mas é o suficiente para encaixar no meu trabalho regular da MSP e uma maneira de espairecer a mente criativa! Espero começar a partir de abril!

Graphic Novel infantil

Depois de anos sem produzir um álbum (o último foi “Tobias e o Boi da Cara Preta” em 2013. Clique aqui para ler), no segundo semestre de 2021 pretendo tirar outro projeto da gaveta! Também será protagonizado por um pivetinho!

Contos em quadrinhos

Esse projeto está na categoria “quando der, eu faço”! O objetivo também é espairecer a mente criativa, produzindo histórias curtas de 08, 12 ou 16 páginas nos mais variados estilos, técnicas e gêneros!

Ufa! Bastante coisa, né? Estas são as metas para 2021!

Um novo ano, sempre pede novas ideias!

O QUE ANDEI LENDO: X-MEN de Jonatham Hickman

A Editora Panini Comics compilou nas quatro primeiras edições da nova revista de “linha” X-men as minisséries “Dinastia X” e “Potências de X”. A rigor, essas duas minisséries estabelecem o novo status quo dos heróis e vilões mutantes, e demais Homo Superiors, dentro do Universo Marvel, agora vivendo na Ilha Nação de Krakoa sob a liderança do Professor Xavier e do Magneto. Dinastia X aborda os desdobramentos no presente, enquanto Potências de X procura mostrar como os mutantes chegaram até aquele momento em duas linhas temporais, uma dez anos no passado e outra no presente, e as consequências da nova nação para o mundo em duas linhas temporais futuras, cem anos à frente e mil anos adiante!

Como roteirista, gosto sempre de pensar que os gibis precisam ser voltados primeiramente para atrair novos leitores e, depois, para os colecionadores. Afinal, são de novos leitores que precisamos para garantir a longevidade das revistas. Assim, esta nova fase é ideal para quem caiu de paraquedas no universo mutante. No entanto, é notório que Jonatham Hickman fez a lição de casa, quando percebemos em seu enredo conceitos criados por Stan Lee e Jack Kirby, Roy Thomas e Neal Adams e, principalmente, Chris Claremont e John Byrne, Dave Cockrum e John Romita Jr, e até Scott Lobdell e Fabian Nicieza, vejam só!

Com uma narrativa não-linear, Hickman “esquece” tudo o que foi mostrado anteriormente em termos cronológicos e joga o leitor logo de cara no novo status quo. Isso é ótimo! Porque demonstra uma certa preocupação com o novo leitor ao estabelecer uma forma de escrever similar à que encontramos nos desenhos animados, por exemplo. Quando uma série animada é encerrada e outra iniciada, os produtores não ficam se preocupando em “explicar” o que veio antes. Simplesmente criam algo novo para uma nova audiência!

Por outro lado, essa narrativa não-linear pode causar certa confusão para leitores mais apressados, já que as explicações são dadas em doses homeopáticas, principalmente nos inúmeros infográficos espalhados pelas páginas, recurso encontrado por Hickman para não perder tempo com tramas expositivas demais! Por isso, tenha paciência e leia também os infográficos na sequência em que são apresentados. Isso é importante para a compreensão do enredo como um todo!

Falando agora da trama geral, ela não apresenta nada de novo e nem tampouco é genial como muitas pessoas têm alardeado aos quatro ventos. O ponto é que as histórias dos X-men estão tão ruins há tanto tempo, com uma “qualidade” nivelada tão por baixo, que qualquer roteiro mais consistente já é motivo para ser taxado de “genial”. Claro que isso não tira o mérito do Hickman! Como eu disse, o roteirista fez a lição de casa e bebeu direto da fonte clássica dos X-men. Ele se apropriou de conceitos já estabelecidos e está apresentando aos novos leitores de uma forma moderna e repaginada. A meu ver, essa é a maneira certa de atrair novos leitores, já que os personagens têm décadas de conceitos interessantes para serem reapresentados.

Assim, vemos na obra do Hickman uma inspiração principalmente em “Dias de um Futuro Esquecido”, com a diferença de que, nesse contexto, quem “volta” para o passado para tentar evitar um futuro trágico para os mutantes não é a Kitty Pryde, mas a geneticista Moira MacTaggert, com uma sacada bacana que lembra muito os filmes “Feitiço do Tempo” e “No Limite do Amanhã”. Porém, os leitores veteranos podem tender a perder o seu tempo tentando “encaixar” as várias vidas de Moira dentro da “cronologia canônica”. Quer um conselho? Esqueça isso e curta a jornada! Simples assim!

Pra finalizar, reitero que esse arco inicial é uma introdução ao novo status quo, de modo que a trama é bastante focada no trio Professor Xavier, Magneto e Moira, deixando um pouco de lado explicações mais aprofundadas para os demais personagens, o que deve ser desenvolvido nas próximas edições, quando a Panini começará a publicar as revistas de linha. Fica a torcida de que os enredos continuem nessa pegada de construir um universo próprio, sem se preocupar em encaixar os seus eventos na cronologia passada. Vai por mim, é isso que está estragando os gibis de heróis há tempos. Toda vez que algo foi feito um pouco deslocado dessa cronologia rígida – vide Surpreendentes X-men do Joss Whedom – resultou em histórias mais divertidas e consistentes. Como exemplo do contrário, basta lembrar da fase do Brian Michael Bendis que, apesar de diálogos relativamente bem escritos, é bastante confusa e picotada por estar inteiramente intricada na cronologia.

NOVOS TEMPOS. NOVOS RUMOS.

Faz bastante tempo que “Lederly Mendonça” deixou de ser apenas um nome para se tornar uma marca. E como toda marca, precisa ser trabalhada com clareza para se posicionar de forma eficaz diante do público, do mercado e da sua área de atuação.

O primeiro passo nesse sentido, foi a exclusão definitiva de todas as redes sociais relacionadas, que continham postagens aleatórias e acessos desencontrados (no Facebook era “Lederlycomics”, já no Instagram, “ChicoLederly”). Em seguida, padronizar o conteúdo e unificar todos os acessos através de uma única marca: “Lederly Mendonça”.

À priori, a divulgação dos meus trabalhos será através deste espaço (lederly.com.br) e do novo perfil no Instagram (@lederlymendonca). Mais para frente, abrirei novas contas no Facebook e Twitter.

O importante é que, a partir de agora, toda vez que você pesquisar “Lederly Mendonça” nos sites de busca, com certeza encontrará o mesmo conteúdo de qualidade, com divulgação do portfólio, experimentos artísticos e projetos em andamento.

Portanto, seja bem-vindo! Novos tempos, sempre pedem novos rumos!

OS CROSSOVERS IMAGINÁRIOS!

Costumo dizer que um médico ou um advogado, quando estafados, podem recorrer às artes para dar uma relaxada! Mas e quando a pessoa trabalha com artes, o que faria para relaxar? Uma cirurgia? Soltar um preso?

Foi pensando nisso que surgiu, meio que por brincadeira, a série de ilustrações “Crossovers Imaginários”. O propósito é unicamente relaxar e descansar a mente do trabalho “normal”, digamos assim! Sem regras, sem amarras, sem prazos! Apenas focando na diversão e nos encontros inusitados entre personagens de diferentes mídias! Saca só como ficaram as ilustrações produzidas até aqui…

O QUE ANDEI LENDO: Conan, O Bárbaro

O Conan é um personagem que tem uma história com começo, meio e fim bem estabelecidos pelo seu criador Robert Ervin Howard nos contos que escreveu originalmente na década de 1930! O personagem já foi ladrão, mercenário, soldado, pirata… até se tornar Rei! Com isso, o bárbaro cimério consegue a façanha de ser acessível para qualquer leitor de qualquer época (assim como o Tex, por exemplo), com HQs sem amarras cronológicas que possibilitam ser narrados momentos de qualquer período de sua vida! E quando bem escritas, então, se tornam um deleite! É o que acontece com essa nova série escrita por Jason Aaron!

Jason Aaron não inventa a roda, nem descobre a pólvora! Apenas replica no seu Conan o que já havia feito com o Thor: coloca o cimério para enfrentar uma mesma terrível ameaça ao longo de vários momentos de sua vida, começando aos 17 anos, recém saído da Ciméria, e culminando na velhice, nos últimos resquícios como Rei da Aquilônia! Além de ser uma aventura instigante, bem estruturada e arquitetada, o enredo claramente serve para reapresentar a personalidade e as facetas de Conan aos novos leitores! Para o leitores veteranos, é uma alegria ver um personagem tão querido receber um tratamento tão cuidadoso e zeloso! Dá gosto devorar as novas revistinhas, fininhas que são, e aguardar com ansiedade pela próxima!

Jason Aaron aproveita essa característica atemporal de Conan e brinca com os vários períodos da sua vida, além de demonstrar profundo conhecimento da mitologia do personagem, já que a personalidade do cimério de bronze muda sutilmente de um período a outro. Basta reparar como o Conan é petulante e descuidado quando jovem, mas já cauteloso e sábio quando rei!

A nova série nos faz pensar em como seria se essa característica atemporal também fosse aplicada aos quadrinhos de super-heróis. O Homem-Aranha, por exemplo, teria sido estudante do ensino médio, fotógrafo do Clarim Diário, universitário, namorado da Gwen Stacy, namorado da Mary Jane, teria usado o uniforme negro simbionte, teria sido namorado da Gata Negra, cientista, casado, vingador e pai da Garota Aranha! Daí, cada roteirista escolheria que período da vida do cabeça de teia abordaria em suas histórias. Acabariam as amarras cronológicas e as histórias chatas…

Mais ou menos!

O Conan é acessível, mas nem sempre tem histórias bem escritas, apesar de a média de boas histórias ser maior! Felizmente Jason Aaron está dentro dessa boa média, juntamente com a equipe de arte formada por Mahmud Asrar (desenhos) e Mattew Wilson (cores), além de Esad Ribic nas belas capas! Vale muito a pena acompanhar essa série!

Imagens das capas extraídas do Guia dos Quadrinhos

O QUE ANDEI LENDO: O Imortal Hulk

O que acontece quando um roteirista conhece toda a trajetória de um personagem? Surgem desse conhecimento histórias herméticas cheias de referências descartáveis atreladas a uma confusa cronologia e que ninguém entende, apenas o próprio roteirista! Certo?

Errado!

Quando o roteirista conhece a fundo o seu personagem e tem a habilidade suficiente para escrever boas histórias a partir daí, as referências passam a trabalhar a favor da narrativa e não contra! Este é o caso do Al Ewing, que entrega ao leitor um Hulk “raiz” acessível tanto para quem só viu o verdão no cinema e um deleite para quem lê desde tempos imemoriais (é o meu caso!)!

O Hulk sempre foi o meu personagem preferido e me doía a alma (exagero!) querer ler algo atual bom do personagem e só encontrar pataquadas sem tamanho (Hulk Vermelho… oi?). Quando peguei O Imortal Hulk para ler, a expectativa estava nas alturas. Não que eu esperasse algo fora do comum (assim como você também não deve esperar), mas por saber que finalmente o bom e velho Gigante Verde estava voltando às origens!

E que origens! A começar pela bela arte de Alex Ross que faz uma releitura da clássica capa desenhada pela grande Marie Severin! Já na primeira história, dá pra sacar logo de cara que Stan Lee e Jack Kirby estão naquelas páginas, com o Bruce Banner foragido procurando esconder o seu alter ego, ao mesmo tempo em que acaba se metendo em pequenos casos de “heroísmo”! Outra “presença” no gibi é a homenagem ao seriado estrelado pelo Bill Bixby e Lou Ferrigno, tanto no enredo do Bruce/Hulk andarilho, quanto na inserção de uma repórter investigativa que segue o rastro do verdão! Repare no nome da moça! Uma referência mais recente, é da fase escrita pelo Bruce Jones e desenhada pelo John Romita Jr., que também usava como mote das histórias o Banner “andarilho” (ou fugitivo)! Tem até referência ao filme dirigido pelo Ang Lee (repare no último quadro da primeira história).

E as bizarrices gama? Também estão aqui! Lembrando muito a fase inicial do Peter David com o personagem, o Hulk enfrenta um adversário irradiado gama que faz referência ao Meia-Vida!

O mais bacana, além de tudo isso, é a introdução do fator psicológico nas duas últimas páginas, puxando o gancho do que já haviam feito o Bill Mantlo e o já citado Peter David e já dando um gostinho do que ainda vem por aí! Para dar mais um gostinho do que se trata, basta ver a expressão de terror que o Hulk faz ao se deparar com um importante ente do passado!

Por falar em expressão, que traço é esse do Joe Bennett?! O nosso grande Bené Nascimento está arrebentando nos desenhos! Se as cores fossem menos saturadas e luminosas, ficaria ainda melhor! Mas vamos assim mesmo, que vale a pena! Se as influências do passado do Verdão aparecem no texto, a arte não deixa por menos! Temos aqui um Hulk com cabeça mais alongada a la Jack “The King” Kirby (bem Frankenstein!), bem como um corpanzil bem próximo do desenhado pelo Todd McFarlane na fase “Hulk Cinza”. E, claro, não podia faltar o bom e velho Sal Buscema, no jeito de caminhar, na linguagem corporal e na hora da briga! Os músculos também lembram muito as versões desenhadas pelo Dale Keown e Gary Frank!

Ou seja… ao juntar um roteirista que conhece a fundo o personagem, com um desenhista que não deixa por menos, temos aqui uma fase que vale muito a pena ser acompanhada, com um enredo acessível para qualquer leitor! E pela primeira vez em anos, fiquei com vontade de ler a edição seguinte!

Artes à lápis extraídas do Facebook de Joe Bennett!

VI NO CINEMA: Capitã Marvel

Capitã Marvel é um filme de origem. E como tal, tem todos os problemas que um filme de origem tem, independentemente de ser protagonizado por uma mulher, por um homem, por um gato, ornitorrinco, árvore, periquito e por aí vai! O filme precisa explicar quem é a pessoa, de onde vieram seus poderes, quais são suas motivações, quem são seus inimigos (de onde vieram seus poderes, quais são suas motivações…), qual é o ambiente em que a pessoa vive e etc, etc, etc!

06 CAPITA MARVEL_11mar

Nesse ponto, o roteiro acaba sendo o mais básico possível no início do filme, com cenas que só servem para explicar as coisas para o espectador. Não que isso seja um problema! As cenas inicias servem para isso mesmo, situar o espectador naquela história! O problema é quando você consegue perceber que os personagens estão te explicando ao invés de “viverem” algo natural (repare na cena em que conversam sobre a aparência da Inteligência Suprema no início do filme ou quando falam do sangue “azul” da Carol já pro final)! O enredo precisa enganar o público e, aqui, passa longe disso!

Por outro lado, não poderiam ter escolhido melhor atriz para viver a Carol Danvers. À exemplo de Robert Downey Jr., Chris Evans e Gal Gadot, aqui não vemos a persona de Brie Larson, mas sim a capitã da aeronáutica durona e determinada! A atriz consegue nos convencer que é, sim, a personagem! Para você entender o que estou dizendo, basta ver o caso de Aquaman, em que o Jason Momoa interpreta a si mesmo e só conseguimos gostar do personagem porque o ator tem muito carisma, mas ele não convence como o Rei dos Mares!

Quanto aos vilões… ah, os vilões dos filmes da Marvel! São sempre o elo mais fraco! Verdade seja dita: nos quadrinhos de super-heróis, apenas o Batman e o Homem-Aranha têm uma galeria memorável de vilões. E, mesmo assim, é muito difícil transpô-los de forma eficiente para a película. Imagine pra quem só tem bucha genérica como vilões! O roteiro tem que se esforçar para engrandecer a personagem e mostrar o quão poderosa ela é apenas por conta própria, já que os vilões são qualquer coisa de ridículos! Não representam a menor ameaça para a Capitã Marvel, ainda mais quando ela literalmente explode com todo o seu potencial!

Nesse universo cinematográfico da Marvel, não teremos o guerreiro kree Mar-Vell (pelo menos é o que deu a entender). Para quem é fã do personagem, como eu, é uma pena não vê-lo em carne e osso! Mas dá pra entender a sua exclusão para evitar confusão entre os personagens! No entanto, o roteiro acertadamente tratou de juntar à história da Capitã Marvel alguns elementos-chave da trajetória de Mar-Vell, como uma ligação com um certo artefato geométrico! E vale mencionar uma reviravolta na guerra Kree/Skrull que nos faz pensar sobre as consequências dessa guerra para as “pessoas” comuns! Muito bom!

Por fim, que cuti cuti mais fofa a atriz mirim que interpreta a Monica (cof, cof, Fóton…) Rambeau! Dá vontade de abraçar até espocar!!! E que homenagem de arrepiar para o bom e velho Stan Lee! Caiu um cisco no olho…

Enfim… como filme de origem, Capitã Marvel tem seus problemas de ritmo e didatismo exacerbado em algumas cenas em que precisa explicar as coisas. Mas está longe de ser um filme ruim! E o recado que fica para os nerds héteros de 30 anos que ainda vivem com os pais e que estão detonando o filme de uma mulher, é o seguinte: se você só gosta de filmes de super-heróis homens brancos, machos e musculosos de peito peludo (ou peito pelado) como o Henry Cavill, não precisa assistir a um filme com mulher! Basta lembrar que você não existe sozinho no mundo e que o planeta também é habitado por mulheres que merecem ter suas heroínas! E nem todo filme precisa ser feito só pra você!