Curso de Férias de Quadrinhos

A Rede Cuca está com inscrições abertas para o Curso de Férias de Histórias em Quadrinhos. Os temas abordados serão Anatomia Expressiva com estudos rápidos de linguagem corporal e expressão facial; Proporções da figura humana em diferentes estilos (comics, mangá, cartoon); Criação de personagens com análise de características visuais estereotípicas; Desenvolvimento de elenco; e criação de páginas de quadrinhos. O curso é inteiramente grátis. Mas corra! São apenas 20 vagas!

Curso de Quadrinhos – Rede Cuca Jangurussu
Professor: Lederly Mendonça

10 à 19 de dezembro | 14h às 17h | Ter à sex

Pré-requisito: ter de 15 a 29 anos.
Documentos necessários: Cópia do RG (ou carteira de estudante) e do Comprovante de Residência.
Menores de 18 anos: Documentos acima + Termo de Responsabilidade assinado [VISUALIZAR] [BAIXAR] (também disponível na Sala de Matrícula); RG do Pai, Mãe ou responsável.

(85) 3444.6201 – 3444.6202 – 3444.6249
Av. Castelo Castro com Av. Contorno Leste – Jangurussu – Fortaleza, CE
(Promixo à Lagoa do São Cristóvão)

cartaz curso de hq cuca

Art Book

O art book “Rabiscos” traz uma seleção dos meus trabalhos produzidos ao longo de pelo menos 15 anos de labuta. São amostras comerciais e experimentais de quadrinhos, mangá, ilustração, design de personagens, design gráfico, desenho de humor, desenho artístico e retratista, com técnicas variadas que incluem aquarela, lápis de cor, colagem e pintura digital. Na maioria dos trabalhos tem comentários e curiosidade sobre o processo criativo. Para ler (e ver!), basta clicar na imagem da capa logo abaixo.

art book_capa

Baixe folhas-padrão para quadrinhos

Para os meus queridos padawans que participaram recentemente do workshop de quadrinhos que ministrei no Centro Universitário Estácio do Ceará e para os amantes de quadrinhos em geral, estou disponibilizando novamente o download das folhas-padrão para o desenho de páginas de HQs. Agora está mais fácil de achar e ninguém precisa ficar no blog caçando o post antigo. Basta acessar a “página” download, baixar os arquivos, imprimir e correr pro abraço! As folhas estão no tamanho A3. Mais fácil do que isso, só empurrando bêbado numa ladeira com uma bicicleta sem freio! Ah, e não esqueça de me mostrar os magníficos quadrinhos que você certamente desenhará nessas folhas. Será um prazer participar dessa arte!

Print

Curso de História em Quadrinhos no CUCA

Estão abertas desde o dia 01/set as inscrições para o meu novo Curso de História em Quadrinhos no Cuca. Com duração de 40h/a, o curso é dividido em dois módulos de 20h/a cada: Desenho em Quadrinhos (Anatomia Expressiva, Criação de Personagens e Cenografia) e Quadrinização (Elaboração de Roteiros, Narrativa e Arte-final). O curso acontecerá de 23/set à 24/out, de terça à sexta, sempre no período da tarde, de 15h às 17h. A ideia desse novo curso é privilegiar os diferentes estilos e gêneros das hqs (underground, tirinhas, street art, cartoon, comics, mangá, infantil, fumetto, banda desenhada e por aí vai!) com experimentações de traços e narrativas e análises de autores consagrados do meio. O curso é totalmente gratuito. Porém, como são apenas 25 vagas é capaz de nessa altura do campeonato já restarem pouquíssimas. Então corre!

As matrículas podem ser feitas de terça à sexta, das 8h às 20h e sábado de 8h às 12h. É preciso ter entre 15 à 29 anos e para os jovens abaixo de 18 anos, são necessárias cópias de documento de identificação pessoal, comprovante de residência, termo de responsabilidade assinado (pode ser baixado aqui) disponível também na Sala de Matrícula, e de documento de identificação pessoal do pai, mãe ou responsável. Os demais devem apresentar no ato da matrícula as cópias de documento de identificação pessoal e do comprovante de residência.

Local: CUCA Jangurussu

Endereço: Av. Castelo Castro com Av. Contorno Leste – Jangurussu – Fortaleza, CE
Mais informações: (85) 3452.5371

http://fortaleza.ce.gov.br/redecuca/cursos-2
E-mail: rede.cuca@fortaleza.ce.gov.br

Facebook: /redecuca
Twitter: @redecuca
Instagram: @juventudefortaleza

16-curso-de-quadrinhos-no-cuca

Desenho Digital no Porto Iracema das Artes

Desde o dia 01 de setembro estou ministrando o Curso de Desenho Digital no Porto Iracema das Artes. O curso, que tem duração de 45h/a e vai até 19/set, apresenta as técnicas tradicionais do Desenho à mão livre – linhas, composição, proporções, planos, texturas, volumes, cores – adaptadas para o meio digital através da criação de imagens bitmap, vetorial e mistas com o auxílio dos softwares Adobe Photoshop e Adobe Illustrator. O Porto Iracema das Artes fica na Rua Dragão do Mar, 160 – Praia de Iracema – Fortaleza (em frente à praça do Centro Dragão do Mar). Abaixo, você confere alguns esboços de demonstração que fiz durante as aulas.

rabiscos 02

rabiscos 03

rabiscos 04c

rabiscos 05 c

rabiscos 06 d

rabisco 07 f

Os quadrinhos como ferramenta educativa

As histórias em quadrinhos estão mais presentes no nosso dia-a-dia do que imaginamos. As instruções de voo no avião, o modo de preparar o macarrão instantâneo, a receita de bolo no verso da embalagem de flocos de milho. Todos esses meios utilizam recursos dos quadrinhos para passar sua mensagem. E não é por acaso. Os quadrinhos são uma das mídias mais completas que existem, pois contam com linguagens de várias áreas das artes visuais, tais como desenho, pintura, cinema e animação, além de literatura. O público identifica-se mais rapidamente com a mensagem, pois o meio fala exatamente a sua língua. Utilizados para fins educativos, os quadrinhos são capazes de tratar de temas altamente complexos, como manuais de treinamento ou cartilhas didáticas, de forma clara, objetiva e eficiente. É exatamente sobre esse tema que trata a cartilha “A Espetacular Arte dos Quadrinhos Educativos”, que pode ser lida clicando aqui.

quadrinhos educativos_p01

O desafio do P&B

Às vezes tenho a sensação de que a minha vida artística – e pessoal também – gira em torno de grandes “sacadas”. Li uma vez (vi ou escutei, não vou lembrar agora) que, se você quer aprender a fazer arte em cores, qualquer que seja ela, comece praticando o preto e branco. O que poderia não fazer muito sentido à priori, começa a revelar-se como sendo um grande achado.

Imaginar-se diante de apenas uma “cor” é um tanto quanto amedrontador de início. Entretanto, à medida em que nos acostumamos a “pensar” em tons, aquela única possibilidade do preto começa a parecer uma paleta infinita. Deixamos de pensar em linhas e passamos a enxergar o trabalho com pesos diferentes de escala de cinza. Conseguimos estabelecer volumes, planos e outros recursos visuais que não éramos capazes de fazer antes.

E o que isso tem a ver com as cores? Tudo! Depois que o “olho” acostuma-se a enxergar o desenho através de tons, fica mais fácil definir qual a cor mais adequada a se aplicar. O desenho – ou a pintura – não será mais um amontoado de matizes saturados, mas uma miscelânea de tonalidades que vão definir a dramaticidade da obra.

Trabalhar com o monocromático também ajuda nesse caso. Escolher uma única cor e trabalhar toda a composição modificando em sua mistura apenas a quantidade de branco e preto. A limitação da paleta faz com que a percepção visual aflore cada vez mais. O cérebro naturalmente buscará soluções pictóricas que fatalmente estarão também no momento em que se utilizar a paleta completa. Desenhar – ou pintar – em P&B pode ser um grande desafio, mas a recompensa é deveras estimulante.

pagina 01

O conveniente fundo verde

Uma vez li – ou vi, não lembro agora – um diretor de cinema, que também não vou lembrar agora quem era, falar que os efeitos especiais estavam no filme para não serem percebidos. E se fossem percebidos, é porque não estavam bons! Concordo com esse raciocínio e vou tentar explanar sobre isso.

Primeiramente, quero deixar claro que não sou diretor de cinema, não sou diretor de fotografia e muito menos técnico de efeitos especiais. Sou apenas o público-alvo que consome o produto “cinema”. Como público-alvo, incomoda-me o fato de sentar numa poltrona do cinema e ver cenas tão artificiais que impedem a minha imersão naquela realidade criada para o filme.

Vou tentar ser um pouco mais claro! Pegue como exemplo os três primeiros filmes do Indiana Jones. Você “acredita” que o arqueólogo aventureiro de fato está vivendo aquilo. Você “compra” aquela ideia e entra no filme! Agora pegue o quarto capítulo, aquele mesmo que tem título de filme da Xuxa! Em diversos momentos dá pra perceber o “fundo verde”, principalmente na cena de perseguição na Amazônia.

Não estou aqui repudiando o CGI e pedindo a volta dos efeitos práticos. Quem sou eu! Mas é um incômodo ver cenas nos quais personagens e ambientes mais parecem ser feitas de plástico! Observar aqueles personagens e ter a impressão de que não estão “lá”, mas que estão num palco com uma paisagem sendo transmitida em um telão por trás deles.

Agora, quer ver um exemplo de CGI imperceptível? Planeta dos Macacos: O Confronto! No começo do filme o espectador se maravilha com a verossimilhança dos macacos digitais. Dez minutos depois, esquece completamente disso e simplesmente entra naquele mundo. Ao invés de ficar o tempo todo dizendo “são macacos digitais”, simplesmente aceita que são macacos de “verdade” e imerge na história.

Uma grande quantidade de efeitos especiais não é desculpa para um filme inverossímil! Veja outro bom exemplo no recente Godzilla! Quer mais fundo verde do que aquele? Acontece o mesmo que em Planeta dos Macacos. Primeiramente o espectador fica boquiaberto com o nível do CGI. Depois esquece completamente e só quer saber de “sobreviver” àquela catastrófica batalha de monstros. Fica em pânico juntamente com os personagens. É crível! É imersão!

Recentemente comprei a versão estendida de O Senhor dos Anéis. Fazia tempo que não assistia a trilogia. Fiquei surpreso em perceber que, mesmo tendo sido feito há doze anos atrás, A Sociedade do Anel ainda é mais crível que os dois últimos filmes de O Hobbit, mesmo que a tecnologia atual esteja mais avançada. Ao assistir o trailer de terceiro O Hobbit, vi que a artificialidade continua a mesma. Não consigo “entrar” naquele mundo como entrei no mundo de O Senhor dos Anéis. A mesma sensação aconteceu quando vi o trailer do novo Mad Max. Enfim…

O fundo verde é muito conveniente e foi responsável por trazer à tona filmes de personagens de que gosto muito. Mas como dizia aquele diretor, quando você percebe os efeitos, por melhores que sejam, é porque não estão bons!

planeta-dos-macacos-a-origem

Andy Serkis em O Planeta dos Macacos: A origem

Ecto-1 parado na esquina

Olha só como são os meus sonhos! Esta noite sonhei que estava dentro do filme dos Caça-Fantasmas, só que apenas eu sabia que eles eram atores! Para os personagens, aquilo tudo era a realidade.

Estávamos dentro do Ecto-1 enguiçado numa esquina tenebrosa. Como bom nerd, eu não parava de tagarelar de como era legal estar junto dos atores do filme, que era estranho apenas eu saber que eram atores! Eles, claro, não entendiam nada da conversa, já que eram “pessoas” de verdade vivendo uma noite de “verdade” como caçadores de fantasmas!

De repente, um vulto assusta a todos dentro do carro. Ligo o detector de ectoplasma, mas não acusa nada. Suspiramos aliviados quando, ao longe numa das esquinas, uma figura encapuzada parecendo a Morte aparece em meio ao nevoeiro. Não sei como, mas sabíamos tratar-se de um cavaleiro do Apocalipse! Outros dois não tardaram a aparecer em seguida na mesma esquina. O detector de fantasmas agora “piava” feito louco! Olhamos uns para os outros e nos perguntamos onde estaria o quarto cavaleiro. Quase que imediatamente, o dito cujo aparece ao lado do carro. Todos se assustam!

Ficamos lá falando coisa com coisa para distrair o sujeito enquanto as armas estavam carregando! Logo que carregaram, Egon e Peter trataram de sair correndo para a esquerda a fim de atrair a atenção da criatura. Os outros três cavaleiros já estavam bem próximos do carro. Ray e eu saímos correndo aos atropelos para a direita! É quando grito desesperado: “Raaaay, esqueci a armadilha dentro do carro!” O despertador toca e acordo! Humpf!

ghostbusters-crew

Um passo pra trás, dois pra frente

Há algum tempo venho vivendo uma inquietação, quase beirando à crise criativa, motivada por um ceticismo quanto ao mercado e sua pasteurização. Tirar o ano para apenas ministrar aulas foi a maneira que encontrei para lidar com essa inquietação. Em meio a tantos trabalhos de qualidade duvidosa, seja de roteiro e arte, comecei a questionar o meu próprio trabalho e o meu posicionamento no meio.

Nesse período, assisti a alguns documentários com opiniões fortes, e igualmente céticas e pessimistas, de profissionais gabaritados, como “Malditos Cartunistas” e “Rodolfo Zalla: Ao mestre com carinho”. Assisti também ao documentário sobre Robert Crumb. E li alguns livros, como “Stan Lee: O reinventor dos super-heróis”, de Roberto Guedes, e “Marvel Comics: A história secreta”, de Sean Howe.

Abandonei os quadrinhos vigentes de super-heróis (com suas tramas pífias e personagens descaracterizados). Passei a consumir republicações como nunca (e gibis antigos de segunda mão). Voltei a ler Disney e a admirar ainda mais os seus autores, principalmente o brasuca Gustavo Machado e o italiano Giorgio Cavazzano. Voltei à Moebius e Will Eisner. E agora, lendo o livro “Eisner/Miller”, começo a enxergar novamente um prazer na arte.

Frank Miller não é mais o mesmo. Will Eisner partiu como o mestre que sempre foi. Mas nesse livro, ambos abordam pontos muito pertinentes. Falam sobre como os quadrinhos estão realistas demais, com detalhes em demasia na arte e cores que não ajudam na narrativa, mas contribuem para uma poluição visual no qual todo mundo “grita” ao mesmo tempo. Falam sobre como os desenhistas não sabem desenhar para cores, como carregam nos pormenores desnecessariamente em nome desse mesmo (paranóico) realismo. E falam também sobre como os quadrinhos são impressionistas e que deveriam voltar a sê-lo.

Era esta a resposta que eu buscava, pelo menos por ora. Coisas que eu já falava antes e que já tentava aplicar em minha arte. Impressionismo! O leitor completa o seu desenho. Você o convida a participar da ação. Quadrinhos é abstrair o desnecessário para que o leitor preencha com o seu olhar.

Assim, depois desse passo pra trás, é chegada a hora de dar dois passos pra frente.

capitao rapadura_pagina 01

Quadrinhos que fiz para o álbum do Capitão Rapadura: 40 Anos já buscando essa “abstração impressionista” na arte, se é que se pode falar assim.