VI NO CINEMA: Turma da Mônica – Lições

É inegável o meu amor pelos personagens criados por meu mestre Mauricio de Sousa! Não é à toa que trabalho escrevendo roteiros para a turminha (e, desde o ano passado, também para a Turma Jovem). Sendo assim, não tenho como evitar me emocionar ao pisar no cinema para vê-los novamente em ação! E se for em um ótimo filme, então, tudo fica melhor ainda!

Lições, a meu ver, consegue ser ainda melhor que Laços, no sentido em que consegue ampliar o Bairro do Limoeiro sem, no entanto, inflar o filme para seguir a velha fórmula das sequências: tudo maior! Diferente do primeiro, em que o protagonismo era todo do Cebolinha, este consegue equilibrar melhor o quarteto, com cada um tendo os seus próprios problemas para lidar! A inclusão de outros personagens da Turma da Mônica, mesmo que a maioria seja como easter eggs ou “fanservices”, consegue dar um gás a mais no enredo, já que as principais novas aquisições estão ali para contribuir com o andamento da trama. E claro que dá vontade de vê-los novamente!

Esta sequência também consegue acertar um problema técnico do anterior: o som! Os diálogos de Laços estavam sempre muito abafados, difíceis de ouvir e, em consequência, de entender! Pareciam deslocados dos demais sons (ambiente, trilha…). Em Lições, esse problema é corrigido e conseguimos escutar direitinho o que todos estão falando!

Como ponto negativo, vejo que algumas questões do desenvolvimento pessoal do quarteto poderiam ter sido melhor aprofundadas! Mas entendo que o que foi mostrado é suficiente para fazer o público-alvo entender exatamente a mensagem que o filme queria passar! Meu filho entendeu direitinho, ao dizer no caminho de volta pra casa: “Pai, é que nem você, que cresceu sem deixar de ser criança”! Missão cumprida!

Como eu já disse, amo esses personagens! Foi muito emocionante vê-los novamente em carne e osso! Chorei bastante, ri bastante, senti uma sensação muito boa… o bastante! E, no final, bateu uma vontade tremenda de ver o filme novamente! Assim como dá uma vontade reler um gibi!

VI NO CINEMA: Homem-Aranha – Sem volta pra casa

O Homem-Aranha do Tom Holland sempre foi, pra mim, mais um sidekick do que um herói capaz de superar obstáculos e enfrentar os seus próprios desafios! Sempre amparado por muletas de terceiros, principalmente do Homem de Ferro, até os vilões dos dois primeiros filmes, Abutre e Mysterio, não eram necessariamente inimigos do Cabeça de Teia, mas pessoas que queriam atingir o Tony Stark e acabaram pegando o Teioso no fogo cruzado! Sendo assim, esse “novo” Homem-Aranha nunca me passou a sensação de que seria capaz de resolver as suas próprias tretas!

Mesmo assim, isso não é problema pra mim, já que cada geração precisa ter o seu Homem-Aranha preferido e essa foi a direção que a Marvel escolheu para essa nova versão! Eu não gosto muito, mas sei que é necessária!

Agora, nesse terceiro filme, começo a entender o que a Marvel estava planejando e tiro o meu chapéu para tamanha ousadia. Nós já tínhamos visto no Thanos o nível de paciência com que a Marvel planeja seus enredos! O Titã louco surgiu no primeiro Vingadores para, somente anos depois (e filmes depois) representar uma grande ameaça em Guerra Infinita! Com o Homem-Aranha, a Marvel faz de novo! Nos apresenta um Amigão da Vizinhança totalmente dependente de terceiros e desprovido de responsabilidade para, no terceiro filme, finalmente jogar uma luz no fim do túnel de que o Homem-Aranha “raiz” aparecerá no futuro! Tudo isso em um filme divertido, empolgante e muito, mas muito emotivo!

Entretanto, os problemas ainda estão lá! O Homem-Aranha do Tom Holland ainda usa muletas de terceiros (e que muletas!), já que dessa vez nem os vilões são surgidos em seu próprio filme! A história, aliás, é toda pautada em fatos passados em filmes anteriores, tanto da Era Marvel, quanto da Sony! As cenas de ação também são passáveis e genéricas, com muita coisa acontecendo à noite, o que deixa tudo muito confuso e caótico! As únicas exceções são dois embates, um com o Doutor Octopus e outro com o Duende Verde, mas também só ganham destaque, porque as outras cenas de luta são muito ruins! Vistas separadamente, estas duas também não têm nada de mais! O que deixa a luta com o Duende Verde melhor, é o que acontece do meio pro fim!

Finalmente, entre mortos e feridos, esse terceiro filme tem um saldo positivo! É divertido, nostálgico pra caramba e emotivo o suficiente para ficar na memória! Aliás, é a nostalgia e o lado emotivo que leva o filme nas costas! E fica a esperança de voltar a ver nos cinemas, finalmente, um Homem-Aranha que seja super-herói de verdade, que se supera, que faz parceria com outros heróis, mas que não se comporta como um sidekick! O futuro é promissor… Mesmo que tenhamos um Venom pelo caminho!