Mostra Sesc HQ 2024

A Mostra Sesc HQ 2024 já tem data marcada no calendário! Será de 28 a 30 de novembro, com uma rica programação cultural no clima de serra mais gostoso do Ceará, o friozinho do município de Pacoti, localizado no Maciço de Baturité, a aproximadamente 95km de Fortaleza.

Serão 3 dias de programação, com convidados internacionais, quadrinistas, oficinas, palestras, exposições, lançamentos de livros, apresentações artísticas, teatro, música e uma feira de quadrinhos imperdível para todos os amantes da arte.

Entre os destaques do evento, teremos o lançamento do álbum “Avallon”, uma coletânea de quadrinhos em homenagem ao compositor caririense Abidoral Jamacaru, acompanhada por um concerto desenhado que promete emocionar o público. Participo da coletânea com uma HQ protagonizada pelo meu personagem Tobias, baseada na letra da música “Estrelas Riscantes”! E, claro, estarei no evento nos três dias, para o lançamento do álbum “Avallon” e para outras cositas mais!

Portanto, prepare suas malas e corra para Pacoti! Além de celebrar a arte dos quadrinhos e seus artistas, a Mostra busca emoldurar a pluralidade cultural do Ceará, mostrando ao Brasil e ao mundo a riqueza e diversidade dos nossos territórios e expressões.

Fonte: Release SESC CE

CAPITÃO RAPADURA: UM ÍCONE DOS QUADRINHOS CEARENSES!

O Capitão Rapadura foi criado pelo cartunista cearense Mino em 1973! Para comemorar o aniversário de 40 anos do personagem, a Editora Armazém da Cultura juntou um timaço de quadrinistas cearenses em uma coletânea que foi publicada em 2013. Eu, claro, estou no meio dessa galera!

A minha história tem 06 páginas e retrata um momento conturbado dos super-heróis a partir do final da década de 1980 e começo (e decorrer) da década de 1990, quando os personagens passaram a ser mais violentos! Vai exatamente na contramão do que representa o Capitão Rapadura, que sempre procura resolver os problemas na base do diálogo e da boa-ação! Nesse contexto, mostro um super-herói ultraviolento, mas que nem sempre se comportou dessa maneira! O Capitão Rapadura encontra esse herói e o faz relembrar daqueles tempos áureos em que ele era mais “super”! No final, o herói recupera a sua motivação e volta a usar uma capa, item representativo da figura do benfeitor!

O resultado, sem os diálogos (para manter um pouco da surpresa da história), você confere logo abaixo!

A MINHA HISTÓRIA COM O ZÉ CARIOCA!

Durante muitos anos, os gibis da Disney foram publicados no Brasil pela Editora Abril Jovem! Curiosamente, a maioria dos quadrinhos protagonizados pelo Pato Donald, Tio Patinhas, Mickey e muitos outros, também eram produzidos pela própria Editora Abril, que mantinha um estúdio em suas dependências voltado para esse fim. Era o caso também, e principalmente, do Zé Carioca, que só ganhou a sua “brasilidade” graças aos talentos dos nossos quadrinistas nacionais!

A Editoria Abril publicou os quadrinhos Disney até 2018, quando encerrou o contrato e passou o bastão para a Editora Culturama, que já em meados de 2019 começou a lançar os novos gibis dos habitantes de Patópolis!

E onde é que eu entro nessa história? A Editora Abril já havia encerrado as atividades do seu estúdio Disney muito antes de cancelar os seus títulos! A revista do Zé Carioca, inclusive, chegava nas bancas com republicações de histórias antigas! Mas, antes de jogar a toalha por completo, a Abril ainda ensaiou um retorno à produção de histórias inéditas do Zé, com alguns gatos pingados saindo aqui e acolá nas páginas da revista! Acontece que o editor da Disney na Abril, Paulo Maffia, assumiu os quadrinhos Disney na Culturama! Esses dois fatos, a tímida produção de hqs inéditas no final da Abril e o mesmo editor na Culturama, me acenderam uma luzinha de oportunidade! E se o Paulo Maffia relançar o Zé Carioca com histórias inéditas na Culturama?

Foi com esse pensamento em mente, que abordei o Paulo Maffia na CCXP – Comic Con Experience – em dezembro de 2019! O editor, claro, desconversou! Nem confirmou, nem negou! Mesmo assim, perguntei se eu poderia preparar e enviar um teste de roteiro! Ele aceitou!

Comecei a peleja já em janeiro de 2020! A minha ideia foi preparar um roteiro “tipo exportação”, que tivesse a brasilidade do Zé Carioca, mas que também pudesse ser acessível para os outros mercados fora do Brasil que consomem quadrinhos Disney! Queria que fosse algo impactante! Foi daí que veio a ideia de fazer um crossover entre os super-heróis Morcego Verde (alter ego do Zé Carioca) com o Super Pato (versão heroica do Pato Donald), em uma história que se passasse primeiramente em Patópolis! Levei aproximadamente três meses para produzir um roteiro de 30 páginas! Basicamente, mais da metade desse tempo foi dedicado à pesquisa! Enviei para o Paulo Maffia no dia 10 de abril de 2020!

Não demorou muito e o Maffia retornou o contato com a confirmação de que a Editora Culturama iria relançar o Zé Carioca com histórias inéditas produzidas por quadrinistas brasileiros! Bingo! O meu palpite estava certo! E quer saber do mais? Também veio o convite para que eu produzisse uma história de Natal para o Zé! Que alegria! Portanto, a minha estreia oficial nos quadrinhos Disney foi na revista Aventuras Disney nº 21, de dezembro de 2020, com a história natalina “Zé Carioca em: Para o papagaio que tem tudo!” Aquele teste de roteiro com o encontro entre o Morcego Verde e o Super Pato nunca viu a luz do dia nas revistas! Mas você pode conferir como ficou logo abaixo!

CROSSOVERS IMAGINÁRIOS: E SE O JASPION E O HOMEM DE FERRO SE ENCONTRASSEM?

Por incrível que pareça, nunca havia passado pela minha cabeça desenhar um dos personagens que eu mais gosto dentre todos os outros na minha longa lista de personagens preferidos da cultura pop! Arrisco a dizer, que o Jaspion talvez seja o primeiro da lista, ao lado do Hulk! Até que, lá pelos anos de 2016 ou 2017 (Não vou lembrar agora quando foi exatamente) que simplesmente tive a ideia de rabiscar no caderno um confronto entre o Jaspion e o Homem de Ferro!

Acontece que, nessa época, eu ainda dava aulas (para quem não sabe, sou professor universitário). E nos momentos em que os alunos praticavam os ensinamentos do dia, eu tinha que me manter ocupado fazendo alguma coisa (para quem não sabe, eu falo pelos cotovelos… então, não dava para conversar muito e atrapalhar o rendimento dos meus padawans!). Assim, ou eu fazia o mesmo exercício que os alunos, para tirar eventuais dúvidas, ou desenhava qualquer outra coisa no caderno de rascunhos. Foi daí que surgiu o primeiríssimo “crossover imaginário” entre o Jaspion e o Homem de Ferro! Depois que terminei de desenhar, me deu uma sensação tão boa, tão nostálgica, que o único pensamento que passou pela minha mente foi: “Ah, então foi pra isso que estudei desenho a vida inteira, para colocar no papel algo tão querido!” Deu um quentinho no coração!

Depois disso, claro, vieram muitos outros encontros inusitados! Comecei a pensar “e se o Gigante Guerreiro Daileon enfrentasse o Galactus?” E desenhei! Em seguida, foram surgindo confrontos entre personagens que talvez nunca se encontrem na “vida real”, mas que têm características parecidas ou contrárias, como o Ninja Jiraiya contra o Samurai Lion Man; o Ninja Jiraiya contra as Tartarugas Ninja; Black Kamen Rider contra Homem-Aranha; Wolverine contra Lion-O; Mulher-Gato contra Sheetara; Mulher-Maravilha contra She-Ra; Hulk contra He-Man! Até que comecei a extrapolar, com o encontro entre os avarentos Tio Patinhas e Senhor Sirigueijo; Asterix e Popeye; Homem de Ferro e Robô Pato!

Esse é um exercício de criatividade muito divertido! O resultado, claro, você confere logo abaixo! Quem sabe um dia eu volte a esses crossovers imaginários! Alguém teria alguma sugestão de encontros?

DUCK COVERS: EXERCÍCIO DE CRIATIVIDADE E… DE COINCIDÊNCIA!

Olha só que acontecimento bacana que fazia séculos que eu queria falar sobre o assunto, mas somente agora encontrei tempo para escrever!

Vira e mexe procuro fazer alguns exercícios de criatividade para, como o próprio nome diz, liberar mais a… criatividade… e sair um pouco da rotina para além dos trabalhos que realizo no dia a dia para a MSP e, com isso, retroalimentar a minha mente com inspiração para poder exercer ainda melhor o meu trabalho de roteirista da Turma da Mônica. É um ciclo criativo muito benéfico! Foi assim quando fiz ilustrações de contos de fadas e filmes da minha infância (O Mágico de Oz, A Pequenas Sereia, Os Goonies…) e quando “promovi” crossovers inusitados (Wolverine versus Lion-O, Jaspion versus Homem de Ferro, Tartarugas Ninja versus Jiraiya…)!

Acontece que em 2022, se não me falhe a memória, tive a ideia de redesenhar capas icônicas da Marvel! Até aí tudo bem! Quem nunca? No entanto, decidi fazer isso colocando os personagens da Disney “fantasiados” com os uniformes dos heróis da Casa das Ideias! Batizei esse exercício criativo de “Duck Covers” e saí postando pela internet a fora! O que eu não imaginava, é que a própria Marvel faria a mesmíssima coisa em 2023, ao publicar capas variantes com versões dos personagens de Patópolis como seus heróis, para comemorar o centenário da Disney!

De lá pra cá, já extrapolei a ideia inicial e comecei a fazer também versões da DC Comics misturando capas icônicas com os personagens de Looney Tunes! Já tem até versões de grandes crossovers entre as duas editoras!

De todo modo, fica aqui (finalmente) o registro dessa feliz e engraçada coincidência do mundo dos quadrinhos! Dá uma pesquisada com “Disney 100 variant covers Marvel” para conferir as capas “oficiais”! Abaixo, você pode ver como ficaram as minhas capas! Marvel, me contrata!

RETROSPECTIVA 2023… E VIVA O QUADRINHO NACIONAL!

Olha só que doideira… O ano de 2023 foi tão produtivo (e corrido), que até esqueci de fazer postagens no site! Então, uma retrospectiva praticamente colou na outra! Fica até mais fácil de comparar os números e projetar como será o ano de 2024 a partir daqui, olhando de pertinho como foi 2022 na postagem anterior!

Aproveitando a ocasião, resolvi postar exatamente no dia 30 de janeiro, data em que comemoramos o Dia do Quadrinho Nacional! Justamente para comemorar com ainda mais alegria os números positivos e conquistas importantes da minha carreira no ano que passou!

Sem mais delongas, vamos aos destaques de 2023:

Em março foi lançado o segundo álbum em comemoração aos 80 anos de criação do personagem brasileiro mais querido da Disney, “Zé Carioca conta a História do Brasil”! Como mencionado na postagem anterior, tive a imensa alegria de ser um dos co-roteiristas da obra, ao lado de uma equipe imensa de grandes mestres Disney brasileiros. Olha só a nata da nata, o suprassumo, os monstros sagrados:

Capa:

Desenhos: Moacir Rodrigues Soares

Cores: Cris Alencar

Introdução

Roteiro: Paulo Maffia e Lederly Mendonça

Desenhos: Moacir Rodrigues Soares e Irineu Soares Rodrigues

Arte-final: Verci De Mello

Parte 01: E os Patos Descobriram o Brasil

História: Eduardo Bueno e Paulo Maffia

Roteiro: Paulo Maffia e Gérson Luiz Borlotti Teixeira

Desenhos: Moacir Rodrigues Soares e Irineu Soares Rodrigues

Arte-final: Verci De Mello

Parte 02: Onde nenhum Homem Jamais esteve

História: Eduardo Bueno e Paulo Maffia

Roteiro: Paulo Maffia e Lederly Mendonça

Desenhos: Roberto Fukue

Parte 03: O Caminho a Pé Para o Biru

História: Eduardo Bueno e Paulo Maffia

Roteiro: Paulo Maffia e Lederly Mendonça

Desenhos: Átila De Carvalho

Parte 04: A Corrida do Ouro Mineira

História: Eduardo Bueno e Paulo Maffia

Roteiro: Paulo Maffia e Lederly Mendonça

Desenhos: Marco A. Cortez

Parte 05: A Consciência do Príncipe

História: Eduardo Bueno e Paulo Maffia

Roteiro: Paulo Maffia e Lederly Mendonça

Desenhos: Moacir Rodrigues Soares e Irineu Soares Rodrigues

Arte-final: Verci De Mello

Pela MSP, tive duas grandes alegrias em 2023… Roteirizar dois arcos da revista Turma da Mônica Jovem, tão diferentes entre si, quanto desafiadores! O primeiro arco, lançado em janeiro na edição 17, foi “Tretas do Coração”, um novelão em quatro capítulos que abordou os relacionamentos dos personagens! Já “Vampirisa”, lançado na edição 26, de outubro, mostra em três capítulos a transformação da personagem Isa em uma criatura da noite!

Agora, vamos ao balanço da produção de 2023:

Em 2023, produzi impressionantes 660 páginas de roteiros para a Mauricio de Sousa Produções! 135 páginas a mais que em 2022! Se juntar MSP e Disney, que resultaram em uma soma total de 606 páginas em 2022, o ano de 2023 ainda fica na frente em 54 páginas somente da MSP!! Ou seja, um feito e tanto! Ainda mais se levar em conta que não me preocupo em ficar correndo atrás de bater (os meus) recordes! Simplesmente procuro fazer o meu trabalho bem-feitinho diariamente pensando somente no leitinho do meu filho (piada interna na MSP… rsrsrs)!

Aproveitando a oportunidade, resolvi fazer uma conta de quantas páginas de roteiros já produzi para a MSP de 2019 para cá:

2019 – 371 páginas

2020 – 341 páginas

2021 – 494 páginas

2022 – 525 páginas

2023 – 660 páginas

TOTAL: 2.361 páginas (e contando, rumo às 3 mil)!

Feliz Dia do Quadrinho Nacional!!!

RETROSPECTIVA 2022… E VAMOS QUE VAMOS!

Chegou o grande momento (pelo menos para mim!) de registrar o balanço do ano anterior, para poder projetar como será o novo ano a partir daqui!

O ano de 2022 foi de consolidação na minha produção criativa e novos desafios! Em setembro, tive a grande alegria (e responsabilidade) de estrear como roteirista do arco principal da revista Turma da Mônica Jovem! “Ascensão do Limiar” mostra como a Viviane lida com o luto pela perda da filha Ramona (falecida no arco anterior) e quais as consequências disso para todo o Bairro do Limoeiro. Com duração de quatro partes, o arco teve início na edição de número 13!

Para 2023, já começou a despontar nas bancas e lojas especializadas o novo arco “Tretas do Coração”, que comecei a roteirizar logo após o término de “Ascensão do Limiar”! Sinto-me muito honrado com a confiança da MSP em me proporcionar essa imensa alegria!

Em 2022, a Editora Culturama, através do queridão editor Paulo Maffia, me proporcionou a grande alegria de co-roteirizar um álbum especial em comemoração aos 80 anos do Zé Carioca. Participar de um projeto dessa importância já seria maravilhoso só em poder escrever o Zé Carioca! Agora imagine um álbum em que aparece praticamente todo o elenco de Patópolis contracenando com o Zé Carioca? Me senti realmente um roteirista da Disney! O álbum “Zé Carioca conta a História do Brasil” tem lançamento previsto para o mês de Março de 2023!

Vamos agora ao balanço e às metas:

MSP – Maurício de Sousa Produções

Escrevi 525 páginas de roteiros em 2022, uma média de 43 páginas por mês! Foram 31 páginas a mais que em 2021, quando escrevi 494 páginas! A meta para 2023 é aumentar a média para, pelo menos 45 à 50 páginas por mês!

Disney/Editora Culturama

Em 2022, escrevi 81 páginas de roteiros para a Disney, 03 a mais que em 2021, quando havia escrito 78 páginas! A produção nacional de quadrinhos Disney ainda é modesta, apesar de já estar sendo criados projetos bem ambiciosos. Por conta disso, fica difícil estabelecer uma meta para 2023! O que posso dizer, é que estou sempre à disposição para viajar para a Vila Xurupita e para Patópolis!

Somando MSP e Disney, escrevi no total 606 páginas de roteiros em 2022 (34 páginas a mais que o ano anterior)!

Lederly Comics

Em 2021, estabeleci como meta para 2022 dar prosseguimento ao meu livro de ilustração e começar a escrever o roteiro de uma graphic novel infantil! Não consegui fazer nenhum dos dois! Inclusive achei por bem arquivar (pelo menos por enquanto) o livro sobre ilustração, já que estou em outro momento profissional, totalmente inserido na área de quadrinhos e estava muito difícil retomar a pesquisa das áreas de ilustração editorial e publicitária, que eram o que eu estava mais envolvido no período em que eu dava aulas sobre essas áreas, entre 2013 e 2018!

A boa notícia para 2023 é que surgiu a possibilidade de eu produzir um novo livro! Assim que o projeto for aprovado, darei mais notícias!

Agora é arregaçar as mangas e continuar o bom trabalho! Vamos que vamos!

VI NO CINEMA: The Batman

O Batman dos gibis ficou muito chato de se ler! Culpa do Grant Morrison, que inventou o tal do “Batman com preparo” em sua Liga da Justiça! Isso até era divertido na época, mas o problema é que os demais roteiristas se apegaram a essa característica e a elevaram à enésima potência, fazendo com que as ameaças ao redor do homem morcego ficassem cada vez mais megalomaníacas, justamente para compensar esse “superpoder do preparo”. Mais ou mesmo o que aconteceu com o Superman da década de 1960, que era capaz de empurrar planetas com as mãos! O Batman “com preparo” sempre sabe mais do que todo mundo e sempre tem alguma bugiganga tecnológica para derrotar todo mundo! Às vezes dá a impressão de que todo o universo DC é burro! Somente o Batman é que é o fodão! E também dá a impressão do contrário! De que, na verdade, todo o universo DC finge ser burro para poder aturar um menino mimado que fica se escondendo nas sombras fingindo ser fodão! Ora, se o Superman quisesse mesmo derrotar o Batman, bastava lançar um raio de fogo em sua cabeça à distância! Não precisa sair no braço! O próprio Flash deixou isso bem claro no gibi “O Bóton”, que é tão rápido, que preparo algum daria conta, caso ele quisesse de fato derrotar o Batman!

Dito isso, como é bom assistir a um filme em que o Batman é falível! Lembrei imediatamente do Batman detetivesco do Danny O’Neil e Neal Adams, nem tanto por ser um personagem mais esguio que seus antecessores nas telonas, mas principalmente por termos um homem morcego investigador, inteligente, mas que também é capaz de levar bordoadas de bandido de rua! O Batman, em início de carreira em seu ano dois, até tem o seu “preparo”, mas não é exagerado! Exatamente como o personagem era mostrado na década de 1970!

Outro ponto de inspiração interessante do filme, é o clima noir tirado de “Ano Um”. Até a narração em “off” mostrada por Frank Miller está lá, justificada por um diário mantido por Bruce Wayne para registrar e analisar as abordagens de suas atuações! Sem contar, claro, a clara referência ao “Longo Dia das Bruxas”, não apenas pela história do filme começar em pleno feriado do Halloween, mas pela óbvia inspiração no serial killer “Feriado”, aqui incorporado ao personagem do Charada! Dessa minissérie, vemos também o ecossistema mafioso de Gotham City e uma certa relação entre a Selina Kyle e um dos chefões do crime!

Por falar em Selina Kyle, que espetáculo ver a Mulher-Gato adaptada a partir da versão do Miller! Em determinado momento, chegamos até a vê-la trajando aquele top “tomara que caia” com calça “legging” mostrados no início de Ano Um! E descendo o sarrafo em bandido! Uma lindeza só!

Quanto ao vilão, o Charada é mostrado como alguém em pé de igualdade à inteligência do morcego. Chegando, inclusive, a ser mais inteligente até que o próprio Batman. O que é ótimo para a trama, pois coloca o herói em xeque! O Charada descobriu um fato sobre Gotham City e não tinha outra forma de chamar a atenção para si, já que era apenas um zé ninguém! Então, inspirado pela figura do Batman, engendrou todo o esquema das charadas para, assim, conseguir a ajuda do homem morcego para desbaratar toda a podridão da cidade. Mas o tiro saiu pela culatra, à medida em que o Batman vê no Charada um reflexo distorcido de si mesmo, e começa a se questionar se a vingança é o melhor caminho para seguir! Nesse ponto, vemos elementos do gibi “Batman Ano Dois”, no paralelo entre o homem morcego e o Ceifador e, também, elementos das histórias do Jim Starlin, em que o roteirista retratava um Batman um pouco mais raivoso e perturbado!

No desenrolar das investigações, vemos uma parceria intocável entre o Batman e o Tenente Gordon, que lembrou muito o filme “Seven”. Arrisco a dizer, que esse filme é o “Seven” do Batman! Saí do cinema querendo ver mais Batman e Gordon trabalhando juntos! “Shipei” demais essas dois!

Entretanto, como nem tudo são flores, temos no filme um elemento tirado de “Batman Ano Zero” que me fez torcer o nariz! Se no gibi dos famigerados “Novos 52”, o tal elemento megalomaníaco já era exagerado e nem um pouco interessante, aqui no filme nos tira um pouco da imersão e faz pensar momentaneamente “estava indo tão bem…”. Mas, o diretor Matt Reeves soube tirar leite de pedra e usar isso para sacramentar de vez uma nova postura psicológica do Batman, que deverá ser explorada numa vindoura continuação!

O importante é que foi muito bom ver um filme do “Batman Detetive”, que não tem tanto preparo, que leva porrada de bandido de rua, que se fere, que reflete, e que está disposto a aprender com os próprios erros. Vamos esperar que essa abordagem se mantenha e que o personagem não se perca na megalomania em que se perdeu nos gibis!       

FINALMENTE ASSISTI: Matrix Resurrections

Assistindo ao novo Matrix, veio em minha mente duas lembranças: O Cavaleiro das Trevas 2 e O Exterminador do Futuro 3!

No meio da década de 1980, Frank Miller já era um grande astro dos quadrinhos quando lançou a sua obra prima “Batman: O Cavaleiro das Trevas”! Irretocável, o gibi ditou as regras de como seriam as aventuras do homem morcego de lá pra cá (mais ou menos o que fez o primeiro Matrix no começo dos anos 2000)! O que acabou gerando boas histórias, mas também um mundaréu de cópias baratas que tentavam emular a escrita e a narrativa do Miller! Até que, em 2001 (mais ou menos no período em que Matrix estava bombando!), Miller finalmente se rendeu aos apelos da DC Comics e lançou o famigerado “Cavaleiro das Trevas 2”! Para quem conhece a obra, sabe que a minissérie em três edições é uma sombra (sem trocadilhos) da série original! Para não dizer uma paródia, já que cada quadro milimetricamente mal escrito, mal desenhado e grotescamente colorido com um Photoshop primário gritam o tempo todo para o leitor: “Eu não queria fazer isso, mas já que a DC queria e vocês também, então toma esse escárnio sarcástico”! Na época, Miller já não era mais o mesmo de outrora, e pareceu não tentar competir e muito menos superar aquele Miller de 1986, entregando ao leitor mais uma paródia, do que uma sequência de sua obra prima!

Para quem assistiu ao Matrix Resurrections, já entendeu aonde quero chegar! A diretora Lana Wachowski entregou exatamente o mesmo que o Frank Miller, uma paródia cheia de sarcasmos de sua obra prima! Não vou questionar se havia a necessidade de existir um novo Matrix, porque é óbvio que os artistas não se alimentam apenas de luz e que toda obra, por mais autoral que seja, tem que dar lucro! Mas pareceu-me o mesmo caso da DC com o Frank Miller, com a Warner enchendo o saco da Lana para produzir uma “nova” franquia, o que fica bem claro já no início do filme, quando a diretora faz uma crítica velada a este fato! Também não vou questionar se o talento da Lana atual se equipara ao da Lana de 1999, mas pareceu-me também que ela não quis, ou não se esforçou o suficiente, para tentar se equiparar ou até mesmo se superar! Ao invés disso, a diretora preferiu fazer um soft reboot disfarçado de paródia, já que o novo Matrix repete praticamente a mesma história do “velho” Matrix, só que mal e porcamente (embora belamente filmado na maioria das cenas)!

O filme demora para engrenar, enrolando o espectador para apresentar a nova dinâmica da Matrix, mesmo que todo mundo já saiba que o Neo vai despertar e “sair pra fora”! Tentando enxergar como alguém de 20 anos (que era a minha idade quando assisti ao primeiro), que talvez tenha chegado aqui sem saber nada da história pregressa, o filme também não funciona sozinho, já que usa muito flashback como muleta para explicar o que é a Matrix, o que pode acabar entediando a quem o assiste, uma vez que “explica” com uma profundidade de um pires! Ao invés de se valer de tanto flashback, seria muito melhor ter se aprofundado de fato no funcionamento da nova Matrix, desenvolvendo à fundo o conceito “game dentro do simulacro”! Mas não! Essa foi apenas uma ideia rasa usada para jogar flashbacks à rodo na tela! Ah, lembra que falei da “paródia” do Miller? Pois é… Tirando o Neo e a Trinity (que se seguram por seus carismas), todos os demais personagens parecem paródias dos anteriores, exatamente como o Batman e cia. de O Cavaleiro das Trevas 2! Principalmente o “novo” Morpheus (tinha necessidade?) e o também ressuscitado Agente Smith (o pior de todos!).

E o que o filme tem a ver com O Exterminador do Futuro 3? Pra quem assistiu ao filme do Arnoldão, deve lembrar-se que já havia sido feito de tudo nas duas obras primas Terminator 1 e 2! E que, no terceiro, foi feita toda uma “reviravolta” para justificar a existência do filme, ao colocar como nova protagonista (ou escolhida, se preferir) a futura esposa de John Connor! Reparou na semelhança?

Matrix Resurrections carece de um propósito! De novo não falo sobre a existência do filme (ain, só foi feito pra ter lucro e blá, blá, blá), mas de um propósito narrativo! Nos três primeiros, tínhamos a guerra entre humanos e máquinas para libertar os humanos da Matrix e o próprio questionamento sobre o que é real, escolhas, livre arbítrio e etc, etc, etc! Nesse… bem… tirando o fato de que a narrativa gira em torno da uma história de amor e que a razão de existir do filme é colocar a Trinity como nova protagonista (ou escolhida, se preferir), não sobra muita coisa! Se pergunte qual realmente é a motivação daquela tripulação de procurar o Neo e você entenderá o que estou dizendo! Se questione também qual a necessidade de as máquinas manterem o Neo e a Trinity dentro da Matrix… Tá, eu sei que tem uma explicação! Mas é rasa, rasa! Novamente, a resposta estava na própria história pregressa!

A história do filme poderia muito bem girar em torno do surgimento da uma nova versão do Neo (“eles” sempre surgem, lembra?), mas que traria as memórias do Neo anterior, uma vez que foi o único que realmente fez alguma diferença dentro da Matrix (ao “encerrar” a guerra no terceiro filme). Assim, essa nova versão começaria a colocar em risco o delicado equilíbrio entre máquinas e humanos, agora vivendo em “harmonia”. Ao perceber que o jogo dentro do simulacro não era apenas um jogo, Neo começaria a despertar e a procurar a Trinity, o grande amor da sua vida! Para impedir isso, a Matrix faria de tudo para impedir essa nova anomalia, onde nós teríamos uma grande reviravolta na história, ao descobrir que o “escolhido” Neo sempre fora o responsável por desmoronar tudo dentro e fora da Matrix. Assim, a nova escolhida, Trinity, seria despertada para tentar conter o seu amado, antes que tudo seja destruído de vez e muitas vidas se percam com o bug dentro da Matrix. Ah, e nada de novos Morpheus e Smith! E nem Niobe velha com máscara de látex de Carnaval! Apenas novos personagens ao redor de Neo e Trinity! Warner, me contrata!

Óbvio que Lana Wachowski deve ter pensado nisso! E é mais óbvio ainda (ou nem tanto) que a história que ela queria contar, era exatamente a que foi filmada… uma paródia sarcástica de Matrix que não funciona nem como questionamento sobre o propósito dos personagens e, por tabela, o nosso próprio, nem como filme de ação, já que as cenas genéricas estão muito abaixo do que é feito atualmente! No frigir dos ovos, valeu mesmo só para ver de volta dois personagens muito queridos e amados, o Neo e a Trinity! O que deve ter sido a intenção desde o início! Nós é que não “entendemos”!   

VI NO CINEMA: Turma da Mônica – Lições

É inegável o meu amor pelos personagens criados por meu mestre Mauricio de Sousa! Não é à toa que trabalho escrevendo roteiros para a turminha (e, desde o ano passado, também para a Turma Jovem). Sendo assim, não tenho como evitar me emocionar ao pisar no cinema para vê-los novamente em ação! E se for em um ótimo filme, então, tudo fica melhor ainda!

Lições, a meu ver, consegue ser ainda melhor que Laços, no sentido em que consegue ampliar o Bairro do Limoeiro sem, no entanto, inflar o filme para seguir a velha fórmula das sequências: tudo maior! Diferente do primeiro, em que o protagonismo era todo do Cebolinha, este consegue equilibrar melhor o quarteto, com cada um tendo os seus próprios problemas para lidar! A inclusão de outros personagens da Turma da Mônica, mesmo que a maioria seja como easter eggs ou “fanservices”, consegue dar um gás a mais no enredo, já que as principais novas aquisições estão ali para contribuir com o andamento da trama. E claro que dá vontade de vê-los novamente!

Esta sequência também consegue acertar um problema técnico do anterior: o som! Os diálogos de Laços estavam sempre muito abafados, difíceis de ouvir e, em consequência, de entender! Pareciam deslocados dos demais sons (ambiente, trilha…). Em Lições, esse problema é corrigido e conseguimos escutar direitinho o que todos estão falando!

Como ponto negativo, vejo que algumas questões do desenvolvimento pessoal do quarteto poderiam ter sido melhor aprofundadas! Mas entendo que o que foi mostrado é suficiente para fazer o público-alvo entender exatamente a mensagem que o filme queria passar! Meu filho entendeu direitinho, ao dizer no caminho de volta pra casa: “Pai, é que nem você, que cresceu sem deixar de ser criança”! Missão cumprida!

Como eu já disse, amo esses personagens! Foi muito emocionante vê-los novamente em carne e osso! Chorei bastante, ri bastante, senti uma sensação muito boa… o bastante! E, no final, bateu uma vontade tremenda de ver o filme novamente! Assim como dá uma vontade reler um gibi!